O Haiti é aqui
Estava na França em 2006, cobrindo a final da Liga dos Campeões entre Barça e Arsenal, quando o PCC tomou São Paulo de assalto. Acompanhar o noticiário pelos jornais franceses era curioso. SaÃam fotos-legendas nas páginas de “internacional”. Uma imagem de que me lembro era um ônibus em chamas, com um texto de duas linhas explicando que acontecia na maior cidade da América do Sul. Estava ao lado de matérias sobre massacres em Uganda, fome no Haiti e outras mazelas do nosso terceiro mundo.
As imagens sobre a deprimente venda de ingressos para a final do Paulistão também poderia estar acontecendo em Uganda ou no Haiti.
É um escândalo a maneira como o torcedor palmeirense foi tratado.
É direito do Verdão jogar no Palestra e jamais vou discutir isso. Mas o Palmeiras falhou de novo na tentativa de mostrar que consegue receber um grande jogo em seu estádio.
Você, torcedor palmeirense, não acha que uma decisão de campeonato merecia um palco maior, mais confortável, onde coubesse mais gente (o dobro de gente, no mÃnimo), todo mundo protegida da chuva, com um gramado decente? Ou, pelo menos, se quer fazer uma festa menor, mais restrita, quase uma reunião num apê, que a organizasse melhor.
Cada vez mais, me convenço de que uma cidade do tamanho de São Paulo merece um palco mais digno para o futebol. Já que não se encara mais o Morumbi como campo neutro — e o estádio também não é nenhum primor de conforto, embora seja disparado o mais apropriado para decisões na metrópole — São Paulo precisa de um Maracanã (melhorado), de um Mineirão (melhorado). Ou então de Beira-Rios (melhorados) e OlÃmpicos (melhorados), estádios próprios e maiores para os clubes.
A volta do torcedor ao clássicos paulistas, inclusive, pode passar por um novo estádio, neutro, com transporte público, que ofereça mais conforto ao consumidor paulistano de futebol.
O Palestra Itália, charmosÃssimo, delicioso, está muito pequeno para o tamanho do Palmeiras. Pelo menos para o tamanho do Palmeiras voltando à uma decisão, com uma bela equipe em campo, orgulhando novamente seu torcedor.


