2008 janeiro | Carta-bomba, por André Rizek - Part 2
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Arquivo de janeiro, 2008

21/01/2008 - 16:08

Você acredita em Edmundo?

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O título do post não é uma pergunta (de novo) à toa. É uma enquete de fato, para vascaínos e não-vascaínos.

Minha resposta: eu não acredito. Nem tanto pelo futebol do craque (sim, Edmundo é craque) nesse fim de carreira, em que está jogando 50% do que já jogou – e ainda é muito, diante da concorrência, ainda mais a concorrência vascaína hoje em dia… Nem tanto pelas condições físicas do Animal, no alto de seus 36 anos muito bem vividos – já não dá mais para jogar duas vezes por semana ou mesmo agüentar 90 minutos impunemente.

Não acredito mais na combinação Edmundo x Vasco do Gama. É muito mimo, para quem precisa ser levado em rédea curta o tempo todo. Mas, principalmente, considero inflamável a combinação Edmundo x Romário.

Se o Animal já abandonou o Vasco no vestiário, prestes a entrar em campo, apenas porque a faixa de capitão ficou no braço do Baixinho em vez do seu, imaginem a seguinte cena, oito anos depois: clássico no Maracanã, 15 minutos do segundo tempo. O técnico/jogador Romário faz o sinal de substituição com a mão. Levanta-se a placa indicando que Edmundo vai para o chuveiro mais cedo, para a entrada do técnico/jogador Romário. Vocês realmente acham que isso pode dar certo?

Edmundo deixou Caio Júnior de mão abanando (estendida para um cumprimento negado) quando foi substituído em um jogo do Palmeiras com o São Paulo. Justo Caio Júnior, que sempre lhe tratara tão bem. Imaginem com Romário…

Vocês acreditam em Edmundo no Vasco? Escrevam. Talvez seja apenas eu “o agourento”.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/01/2008 - 12:21

Dentinho: vocês estão certos disso?

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Diante da ruindade do recém-contratado Marcel, os corintianos voltam à euforia com o garoto Dentinho, que saiu do banco e entrou bem nas duas rodadas do Paulista. Aonde vou tem um corintiano dizendo que Dentinho vai ser o cara em 2008, que ele tem de jogar etc etc etc.

Será mesmo? Torcedor tem memória curta, normal que seja assim. A última impressão no futebol é fortíssima. Esquecem que na reta final do Brasileiro, especialmente contra o Vasco, mas também contra o Flamengo, no Maracanã, e em muitos outros jogos, o garoto Dentinho perdeu uma chuva de gols, chances incríveis que poderiam ter mantido o Timão na primeira divisão.

Por que isso aconteceu? Porque Dentinho não é bom finalizador mesmo, mas sobretudo porque é um garoto, que ainda precisa comer arroz com feijão antes de ser o atacante titular do Corinthians. Se ele está indo bem agora (foram apenas duas rodadas, com o menino entrando durante os jogos), talvez seja porque Mano acertou em deixá-lo no banco.

É bem mais fácil incendiar um jogo com a correria de Dentinho entrando durante a partida do que ter a responsabilidade de ser o titular. Entrando durante os jogos, a responsabilidade é bem menor, o jogo já está bem mais aberto, os beques adversários estão mais cansados. O que vier é lucro. A teoria e a prática se mostraram assim com ele. Aquele velho e sábio chavão de lançar um garoto (que não esteja pronto) aos poucos, para não queimá-lo.

Está certo que Marcel com a camisa 11 (corrigido) é duro de engolir. Mas lembrem-se que Dentinho era o titular do time rebaixado. Eu manteria o moleque no banco…

São Caetano x Guarani
Nada de outro mundo a derrota do Corinthians para o Azulão. O Corinthians até jogou melhor do que na estréia, quando bateu o Guarani, tecnicamente falando. A diferença estava no adversário. Enquanto o São Caetano tem novamente um time ajeitado e perigoso, o Guarani foi a pior equipe que vi nesse Paulista. Além do meia Douglas, a quem todos já conheciam no time do São Caetano, fiquem de olho na revelação Luan, que entrou no segundo tempo e fez um gol contra o Timão. Nos jogos que comentei do São Caetano na Série B do ano passado, ele foi muito bem: um atacante bastante técnico. Seu problema era físico, sempre cansava rapidamente. Mas o moleque parece ter futuro…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/01/2008 - 18:38

Pitacos e cornetadas para Santos 0 x 0 Palmeiras

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E “Cidade Limpa” na camisa do Verdão!

Pierre jogou demais e foi o nome do clássico. Pelo menos para este blogueiro… O volante do Palmeiras deu um carrinho salvador em cima do menino Felipe aos 16 do segundo tempo, dentro da área, no mano a mano, que foi simplesmente espetacular, salvando seu time na melhor oportunidade santista. Quando o bom Pierre aparece tanto, é porque o melhor do dia acabou sendo a destruição, o pulmão, a vontade. E foi mesmo a coisa mais legal deste empate sem gols. Um clássico fraquinho tecnicamente, mas que rende vários pitacos. Os meus:

– O Santos melhorou bem em relação à estréia. Por duas razões. A principal: o time estava muito mais ligado – o que jogar em casa não faz com uma equipe… E Leão foi bem na mudança que fez. Do 4-3-3 da horrorosa estréia, escalou o Alvinegro com três zagueiros e cinco homens no meio-campo. Às vezes seis. Era o que dava para fazer diante das limitações desse time. O Peixe até teve um bom volume de jogo. Mas Kléber Pereira está um pouco mais recuado, abrindo espaços, armando mais. E quando a bola chega em Renatinho lá na frente, não acontece absolutamente nada. Vai ser difícil chegar longe assim. Foram dois jogos sem gols até agora. É urgente para o Santos contratar um atacante e, se possível, um bom meia ofensivo.

– Valdívia continua estressadinho e com enorme potencial de ser suspenso um monte de vezes. Um desafio para Vanderlei Luxemburgo. Porque além de estressadinho ele continua bom de bola…

– Se Leão disse que teve jogador do Santos voltando oito quilos mais gordo das férias, é porque queria que torcida e imprensa especulassem e descobrissem o fofinho. Pois meu voto para o Domingos. Dizem que a TV engorda. Mas a pança do rapaz… Perdeu todas na corrida. Entrou no lugar do Evaldo, no intervalo. São dois zagueiros que só podem jogar se estiverem 101% fisicamente. Já Betão e Adaílton foram bem.

Cidade Limpa na camisa
– Tudo bem que a grana é boa, mas a linda camisa do Palmeiras ficou estranha com esse enorme logo da Fiat na frente e esse horripilante “Tintas Suvinil” na manga. Precisava ser desse tamanho? Vivemos sob a lei da Cidade Limpa, minha gente! Se o prefeito Kassab assistir a um jogo, vai manda diminuir isso aí, colocar no novo padrão paulistano para “tamanho de propaganda”. Aliás, o blog lança o Cidade Limpa para todos mantos sagrados do Brasil: patrocínios mais discretos, por favor. Daqui a pouco, vão usar catálogo das Casas Bahia como uniforme.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/01/2008 - 17:42

Carta-bomba, o Mirassol do Ibest

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O blogueiro entra como uma espécie de Mirassol (com todo respeito ao time do interior paulista) no prêmio Ibest, mas o importante é participar. Desde que a participação seja minimanente digna…

Tudo isso para dizer que o blog está indicado para votação na categoria “esporte” do Ibest. Não fui muito bem na propaganda, né? Porque meu negócio não é esse.

Mas segue o link da votação. Até o Mirassol tem torcida.

Nos vemos domingo, depois da rodada. Bom fim de semana para todos vocês!

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/01/2008 - 10:14

Adriano, o bruto, e Acosta, o liso. As estréias do Paulista

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No esporte há nomes que se destacam puramente por causa de uma incrível característica física (e por saber usá-la, evidentemente, tirar vantagem dela). É o caso de Shaquille O’Neil no basquete. O cara é um cavalo (hoje em dia, gordo, está mais para um boi…). Por saber usar isso a seu favor, o pivosão do Miami foi um dos melhores, ou um dos mais eficientes e preciosos jogadores de seu tempo. Ainda que não soubesse arremessar um lance livre.

Adriano é o Shaquille O´Neal do futebol. Um bruto, no melhor sentido esportivo da palavra. A patada desse cara com a perna esquerda não é comum. Sua força física o torna único entre os principais atacantes do futebol futebol. O zagueiro vai bater nele e acaba caindo como uma banana. Adriano é um cavalo. E, por isso, precisa estar sempre muito bem preparado para tirar proveito da característica que o torna um Imperador. Caso contrário perde seu grande diferencial.

Sua estréia pelo São Paulo mostra que o semestre tem tudo para ser dos brutos.

Muito diferente do Imperador é o magrela Acosta, um estilista, jogador liso e surpreendente. O falso desengonçado. Sua estréia pelo Corinthians foi muito boa, na vitória por 3 x 0 sobre o Guarani, time assustadoramente fraco. Muita gente dizia que o gringo tinha de provar com a camisa alvinegra que era bom mesmo, depois de tudo o que fez pelo Náutico no Brasileiro.

E Acosta jogou de maneira diferente daquela que fazia no clube pernambucano. No Timbu, após a chegada do técnico Roberto Fernandes, Acosta passou a jogar mais enfiado na frente, como referência. No Timão, ele recua mais para buscar o jogo, para servir Finazzi. É um meia-atacante, como no início de sua (ótima) passagem pelo Náutico.

De toda forma, jogador versátil e dono de recursos, minha aposta é de que Acosta será o grande nome do Corinthians em 2008. Quando Finazzi não puder jogar, por exemplo, o gringo pode ser o centroavante (onde acho que ele joga até melhor).

O começo do novo Corinthians foi bacana. Um time comprometido em campo (como também era o do rebaixamento), cheio de vontade de acertar. Mas o Marcel… Gente, ele é muito ruim! O Timão precisa de um meio-campo. Bruno Octávio, Perdigão, Alessandro e Marcel descem quadrado.

Palmeiras
Não pude acompanhar com a devida atenção a estréia do Verdão. Fica para domingo, no clássico com o Santos. O Palmeiras é favorito na Vila…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/01/2008 - 12:30

A culpa é do Luxemburgo?

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Ainda é um “movimento” tímido. Mas já vejo, aqui e acolá, gente creditando a Vanderlei Luxemburgo os problemas que o Santos terá em 2008. “Ele deixa terra arrasada de onde sai”, começam a dizer alguns jornalistas. Leão, assim que chegou à Vila Belmiro, também saiu atirando no seu antecessor, como se já estivesse preparando terreno para justificar alguma coisa.

Mas que culpa tem Vanderlei Luxemburgo se a escalação do Santos na estréia do Paulista foi Fábio Costa, Filipe, Betão, Evaldo e Kleber (saiu machucado aos 35 do primeiro tempo, quando já estava 1 x 0 para a Lusa); Adriano, Marcinho Guerreiro e Tabata (depois Vitor Júnior, a quem nunca assisti fazer um jogo acima de nota 5 pelo Peixe); Wesley, Kleber Pereira e Renatinho (mal substituído por Moraes na segunda etapa). É um time apenas regular. Se não tivesse Kleber Pereira, então, trazido pelo Luxa ano passado, seria ainda mais inofensivo.

Depois que Luxa saiu, levando evidentemente a sua comissão técnica, foram embora apenas Pedrinho, Petkovic, Alessandro e Maldonado. Apenas este último realmente faz falta. Culpa do Luxemburgo, vice-campeão brasileiro, que o Santos esteja sem dinheiro para contratar?

Se alguém disser que o Santos está quebrado (não está) porque pagava demais ao treinador, eu retruco dizendo que a culpa nesse caso é de quem paga, não de quem recebe.

O problema do Santos não foi sua péssima estréia diante da Lusa. Jogar mal em estréias, perder um jogo como esse, é algo normal. O problema do Santos é você analisar o elenco da equipe na comparação com seus principais rivais na Libertadores. O Peixe está muito abaixo de Flamengo, Fluminense e São Paulo. A molecada, em quem a diretoria tanta aposta, não é talentosa o suficiente para segurar o rojão.

Os jogadores que chegaram (Betão, Evando, Marcinho Guerreiro) foram mal na estréia. Mas jogaram aquilo que sabem mesmo. E Leão, para variar, mexeu muito mal na equipe ao longo da partida.

A torcida, sábia, cantou ao final do jogo: “Marcelo Teixeira, com esse time você tá de brincadeira”. Será dura a vida a dura alvinegra em 2008. Mas não dá para botar na conta de Vanderlei Luxemburgo.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/01/2008 - 17:07

Roger, boa pedida para o Grêmio

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Quem lê esse blog sabe que não compartilho do linchamento público que se faz em cima de Roger (e olha que eu mesmo lincho muita gente aqui no blog…). É um bom jogador, um dos últimos remanescentes de uma posição que está em extinção no futebol: a do meia-armador.

Tirando Riquelme e mais alguns, os armadores estão sumindo. Os meias estão cada vez mais virando atacantes (vejam Valdívia no Palmeiras e Renato Augusto no Flamengo – duas experiências de que não gosto…) e os times são cada vez mais armados pelos “segundos volantes”, como Hernanes e Richarlyson no São Paulo, Ibson no Flamengo e tantos outros. É algo que já ocorre há algum tempo no futebol italiano e que agora vira fenômeno mundial.

Roger é um dos poucos armadores brasileiros na ativa. Sinceramente, é muito melhor do que Marcel ou Alessandro, os novos meias do Corinthians, embora não marque como eles. Roger não marca. Quem o contrata deve saber disso. Não adianta depois reclamar que ele “não tem pegada”.

Sua passagem pelo Flamengo foi de regular para boa, nas poucas vezes em que esteve em campo. Este é o problema de Roger: ele não tem jogado muito. E ganha muito.

Se o Grêmio está levando o jogador, é porque deve ter estudado bem a situação clínica de Roger, deve saber até onde ele pode chegar.

Como não há grandes opções por aí — o Tricolor perdeu Diego Souza, não conseguiu trazer D’Alessandro — acredito que o clube gaúcho esteja fazendo uma boa aposta em Roger, na linha “não tem tu, vai tu mesmo”. O clube tem tradição em recuperar jogadores que chegam como refugos ao Olímpico (Paulo Nunes, Jardel, Aílton, o fogo de palha Luiz Mário, Hugo, o próprio Tcheco e tantos outros).

Mal não vai fazer. Sinceramente, acho essa história de “desagregador” a maior balela. Na pior das hipóteses, Roger vai ficar encostado. Se isso não custar muito dinheiro (e pelas informações que temos não custará), vale a aposta.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/01/2008 - 15:24

Paulistão: quanto desperdício…

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Na média, o Campeonato Paulista que começa nessa quarta-feira tem as melhores equipes do país. Mas isso não o torna, nem de longe, o mais interessante do futebol brasileiro.

Temos num estadual o mesmo número de clubes de nosso (ótimo) campeonato brasileiro: 20. Fossem 20 times fortes, que disputam para valer, que levam torcida ao estádio, tudo bem. Mas não são.

Poderíamos muito bem fazer o campeonato com 12 clubes, no máximo. Mas aí o presidente da Federação perde votos, né… E daí que o campeonato ficaria mais legal?

Para piorar, o regulamento é bem chato. Todo mundo joga contra todo mundo na primeira fase, em turno único (!!!), apenas para definir os quatro semifinalistas. É jogo que não acaba mais. Teremos muitas rodadas monótonas até a coisa engrenar, até valer alguma coisa.

Some a isso a violência que os idiotas das torcidas organizadas conseguiram instalar nos clássicos. Em São Paulo, ninguém vai aos jogos entre os grandes – a coisa mais legal dos estaduais, rivalidade regional. É preciso se arriscar por causa disso. E não vale a pena por causa desse Paulistão. Clássico paulista é legal só na segunda-feira, quando você pode tirar sarro na firma de um rival derrotado, sem ser espancado por um bando de imbecis. Mas, com esse formato, é capaz de só haver um Corinthians x Palmeiras, por exemplo, ou apenas um Santos x São Paulo.

Estou empolgado pela volta do futebol em 2008. São Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo de volta. A Portuguesa com um time que pode surpreender. A possibilidade de voltar à charmosa Rua Javari (agora com Vampeta…) para os jogos do Juventus. Ver a dupla Ponte/Guarani tentar se reconstruir, além de procurar os bons jogadores que sempre aparecem nas equipes do interior. Mas o campeonato, definitivamente, não ajuda.

Os favoritos
São Paulo, em primeiro, e Palmeiras, em segundo, são de forma inconteste as melhores equipes. O tricolor larga na frente. Mas o favoritismo será uma questão, também, de interesse. O Palmeiras há muito tempo não comemora nada e o Paulista passa a ser bem mais importante para os verdes do que para os tricolores, que estarão mergulhados na Libertadores e já levantaram taças vem mais importantes nos últimos anos. De toda forma, duvido que o título escape de um desses dois.

Transmissão
Comento Portuguesa x Santos, PPV, ao lado de Milton Leite nessa quarta-feira. A reportagem será do intrépido Carlos Cereto.

Um ótimo campeonato para todos.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/01/2008 - 13:04

Uma historinha sobre Guga

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Apesar de gostar bastante de assistir, conheço pouco de tênis e não teria muita coisa a acrescentar fora do lugar comum sobre a despedida de Gustavo Kuerten. Mas tenho uma história curiosa de jornalismo…

Em 1997, eu trabalhava no Jornal da Tarde, uma equipe bastante experiente, com os repórteres Cosme Rímoli, Luiz Antônio Prósperi e Vinícius Mesquita, comandada pelo insuperável Castilho de Andrade. Éramos 101% futebol.

Lembro-me bem dessa reunião de pauta. Estávamos lá, sugerindo os assuntos sobre os quais gostaríamos de escrever, quando uma estagiária recém-chegada, a Fernanda Papa, no meio de um monte de marmanjo (muitos já veteranos na profissão), pediu a palavra.

– Queria sugerir uma reportagem sobre um garoto, seu nome é Gustavo Kuerten, que vai arrebentar no tênis, ser um jogador top. Conheço bem ele, posso entrevistá-lo. Ele vai para Roland Garros e pode ser a grande surpresa do torneio, um brasileiro.

Diante do olhar incrédulo e irônico dos marmanjos (eu devia ter sugerido alguma pauta como “entrevista com o goleiro do Corinthians”), ela continuava:

– Não precisa pagar a minha viagem. Eu quero muito ir para Roland Garros e pago do meu bolso. De lá, eu mando as matérias.

Todo mundo riu dela: como pode uma menina vir aqui, na reunião de pauta do JT, dizer que um tal Gustavo, a quem ninguém conhecia, iria ser a surpresa de Roland Garros? Era muito engraçado mesmo. E ainda queria que o jornal a mandasse para a França! “Ela tinha muito o que aprender”, pensávamos… A matéria, é claro, não saiu.

O resto é história. A cada rodada, Guga ia avançando e na redação a menina Fernanda olhava mais furiosa para nós, seus colegas, aqueles bobões. Não sei se teve alguma relação, mas pouco depois disso ela foi para a Folha, escrever justamente sobre tênis e Guga.

O que realmente lamento é que talvez nunca mais vá assistir a um estagiário ou mesmo um jornalista experiente aparecendo numa reunião de pauta dizendo ter em mãos a história de um futuro fenômeno do tênis nacional. Não porque faltem talentos no jornalismo. É que depois de Guga fica a sensação de que nunca mais veremos nada igual no tênis brazuca. Voltamos ao nosso mundinho.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/01/2008 - 13:11

Carlos Alberto, o “reforço”

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O São Paulo “trazer” Carlos Alberto é uma enorme surpresa para mim. O “trazer” está entre aspas porque o jogador, com problemas (para variar…) no Werder, foi oferecido e chega de graça. Na verdade, é Carlos Alberto que está vindo, não o tricolor que está “trazendo”.

Carlos Alberto não tem muito a cara do clube. Pelo menos a cara do São Paulo dos últimos anos, que é a de um time extremamente trabalhador, sem marra, que faz da solidariedade em campo a sua grande marca. Carlos Alberto, todo mundo sabe, joga para ele. É Carlos Alberto Futebol Clube.

Se Carlos Alberto fosse aquela contratação que estivesse chegando “para resolver”, a peça que faltava, o grande investimento do ano tricolor, diria que é uma péssima idéia.

Vindo como um teste, para um time que não precisa dele, para “ver no que vai dar”, não vejo grandes problemas. O Tricolor precisa mesmo repor a saída de Leandro, que é um jogador bem menos talentoso do que Carlos Alberto, mas que vem sendo bem mais produtivo por onde passa.

Talvez Carlos Alberto, inegavelmente um rapaz de habilidade, embora não saiba usá-la, até consiga ser contagiado pela seriedade tricolor e dê um rumo para sua carreira, aos 22 anos.

Depois de recuperar (fisicamente) para o futebol tantos jogadores, o São Paulo terá na cabeça de Carlos Alberto um grande desafio.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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