O Real está pequeno para Robinho?
Tenho enorme respeito pela carreira do espanhol Raúl. Ninguém vira o maior artilheiro da história da Liga dos Campeões sendo um perna-de-pau. Ao contrário. Raúl foi um baita jogador de futebol.
Aos 30 anos, ainda consegue atuar em alto nível. Foi o nome do jogo na estréia do Real Madrid na Liga dos Campeões. Fez um gol e deu passe para outro, na vitória de 2 x 1 sobre Werder Bremen.
O problema não é o Raúl ser intocável no Real. O cara é ídolo. E forma com Nilsterooy um belo ataque, vindo de trás, mais na armação. O problema é Robinho ser banco (problema para o brasileiro, evidentemente). E, problema ainda maior, é Robinho ser encarado como ponta-esquerda no clube espanhol. Sai Capello, entra o alemão Schuster e o camisa 10 continua ocupando um espaço limitado do campo.
Se o Real Madrid é muito grande para que Robinho possa atuar com status de estrela (taticamente), então o Real ficou pequeno para o brasileiro. Se Robinho não tem o moral para ser escalado com total liberdade em campo, então ele nunca vai poder mostrar o que sabe.
Porque Robinho sabe jogar é com total liberdade, de dono do time. Palavra do treinador que melhor conhece o brasileiro: Vanderlei Luxemburgo, com quem Robinho mais jogou futebol até hoje.
Nesta função de homem fixo pela esquerda, ele vai acabar no banco mesmo.
Lembro do exemplo de Alex, do Fenerbahce. Ele recebeu uma proposta milionária para deixar o Fenerbahce e vestir a camisa do Borussia Dortmund nesta temporada. Antes, porém, quis conversar com o treinador da equipe alemã, para ver como seria utilizado por ele. Ficou insatisfeito com o papo. Descobriu que ficaria no banco, entraria apenas para mudar um jogo, já que um atleta de suas características não cabia no esquema tático do treinador Thomas Doll. Preferiu continuar ídolo em Istambul. Mesmo num clube menor. Mesmo ganhando menos.
Robinho talvez vista hoje a camisa mais poderosa do futebol mundial e aconselhá-lo a ir embora soa, no mínimo, como um conselho “muy amigo”. Mas no Real o brasileiro está cada vez menor. Cada vez mais distante de um posto que, acredito, um dia (um dia…) ainda possa alcançar: o de melhor jogador do mundo.
O Real Madrid é grande demais para dar a Robinho a liberdade de que precisa hoje em dia. Mas, de tão grande, o Real está cada vez menor para Robinho.
Belo dilema. Ou sou eu que vejo craque demais em jogador de menos no Robinho?
