E querem que o Kaká mostre amor à camisa…
Sete conclusões sobre a dispensa do craque da Copa América:
1. Dunga e a CBF foram no mínimos deselegantes com Kaká. Ponham-se no lugar do jogador. Você pede uma folga para o seu chefe. Seu chefe acata, mas pede que você coloque isso no papel, tudo por escrito. Aí, quando você menos espera, ele vai lá e coloca a carta (que era algo privado na sua cabeça…) no site da empresa, criando um desconforto desnecessário para você, numa questão que era para ser resolvida entre chefe e funcionário. O jogador do Milan está corretíssimo quando reclama dos procedimentos da CBF. Precisava disso? É claro que não… Tornar público aquilo que era um documento privado é coisa de gente que não sabe a diferença básica entre o que é certo e errado.
2. Dunga diz que Kaká precisa assumir a responsabilidade de seus atos. Mas Kaká sempre disse publicamente que não gostaria de jogar! Ele nunca fugiu do pau. Custava o Dunga ter deixado o orgulho de lado, encampar a idéia do Kaká? A seleção não é um grupo? Não cabe ao chefe proteger seus comandados? Dunga perdeu a parada, mas uma vez perdida era sua obrigação mostrar um pingo de unidade entre ele e os principais jogadores do país. Porque faz parte na vida de um comandante de estrelas perder disputas como esta dentro de seu grupo. Cabe a ele, nestes casos, a nobreza de aparecer em público para mostrar unidade, ainda que em uma dividida perdida. A não ser que Dunga ache plausível formar uma seleção sem o melhor jogador do mundo…
3. Mas o Dunga é estressado, hein… Sempre na defensiva, como se ainda fosse o volante criticado da Copa de 1990, achando que o mundo está contra ele. Relaxa, Dunga! Você ocupa o melhor emprego do mundo, rapaz. Coloque um sorriso no rosto, pelo amor de Deus! Mostre um pingo de prazer pelo cargo que ocupa, prezado capitão!
4. Kaká nunca precisou da seleção para chegar aonde está. Hoje, ele não precisa da Copa América para se valorizar no futebol ou mesmo, caso o Dunga tenha um pingo de com senso, se firmar como titular e mais importante jogador do Brasil, rumo a 2010. É uma questão de mão dupla. Querem que Kaká jogue a mal tratada Copa América? Então que criem condições para isso, oras.
5. As condições para que craques como Kaká e Ronaldinho joguem a Copa América são muito simples. Valorizem o torneio, dirigentes da América! Façam-no acontecer a cada quatro anos (como prometem há tanto tempo…), junto com a Eurocopa. Não é demérito nenhum adaptar o calendário das duas competições. Aproveitem que TODOS os campeonatos europeus param por causa da Eurocopa. Quero ver se, de folga do Milan, vendo todos os colegas irem jogar a Eurocopa, o Kaká vai ter coragem ou mesmo interesse em dizer “não” para uma convocação.
6. Nossos dirigentes tratam a Copa América – que poderia ser um torneio fantástico — como várzea. A maior prova do desleixo é que os campeonatos nacionais nem param no continente, para que todo mundo possa dar mais atenção à Copa América, como acontece na Europa. Se nem os dirigentes tratam a Copa América com carinho, por que um jogador esgotado como Kaká tem de se matar por ela? Nas duas últimas edições tivemos time reserva.
7. A CBF encara a amarelinha apenas como um negócio. Por que Kaká tem de pensar diferente? Se fosse verdade que a CBF quer fazer “um resgate” da seleção com a torcida, então a seleção jogaria contra o Equador no Maracanã, não do outro lado do Atlântico. Então a CBF não teria vendido os amistosos do Brasil para uma empresa estrangeira. E querem que Kaká mostre amor à camisa? Que tal a própria CBF mostrar amor à camisa primeiro?
