2006 julho | Carta-bomba, por André Rizek
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Arquivo de julho, 2006

31/07/2006 - 14:28

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Corinthians, Palmeiras, baixaria do Grenal e a sorte do Luxa

Só existe uma saída para o Corinthians: jogar como time pequeno. E está demorando para fazer isso… Lembro o exemplo de Tite, quando assumiu o clube em 2004 e o Timão também brigava contra o rebaixamento. O que fez o treinador? Escalou três volantes, pôs o time na defesa, pensando primeiro em se defender, em garantir empatezinhos aqui e acolá, começar a somar pontos, fazer o time pegar confiança, para só depois pensar em atacar, partir para as vitórias. O Corinthians foi se reerguendo aos poucos e terminou o Brasileiro no pelotão de frente.

É exatamente isso que o treinador faz, com sucesso, novamente no Palmeiras deste ano. O Palmeiras, mais organizadinho e com ótima seqüências de vitórias, agora tem mais confiança para jogar. O maior sintoma disso é o golaço do Alceu no sábado. Tá certo que o futebol é mesmo um esporte espetacular. Até mesmo um Alceu pode ter um final de semana de Zidane de vez em quando. Mas alguém imagina o volante chutando aquela bola em gol três meses atrás, quando não tinha confiança nem para dar um passe de lado?

O Corinthians tem que se mirar em Tite. Se quiser jogar como “time grande”, se quiser partir para cima, resolver logo as paradas, pode até jogar razoavelmente bem, como fez em alguns momentos das partidas contra Fortaleza e Santa Cruz, mas aí vai levar um golzinho e se desmoronar em campo, porque está sem nenhuma confiança.

O Corinthians tem que jogar como time pequeno para somar alguns pontinhos e, assim, começar a sair deste lamaçal. Hoje, é o favorito absoluto para ser rebaixado.

Não sou daqueles que acham que, pela qualidade dos jogadores, este time vai escapar do rebaixamento “a qualquer momento”. Do jeito que está, não há horizonte minimamente animador para a Fiel.

E não adianta jogar a culpa nas costas do Silvio Luiz, que realmente falhou no gol do Santa Cruz. Ele é apenas regular mesmo, sempre saiu mal do gol. Mas tem uma enorme vantagem em relação ao reserva Jhonny Herrera: pelo menos se parece com um goleiro…

A sorte do Peixe
Além de muito competente – e com um elenco de regular para bom – Vanderlei Luxemburgo também tem sorte de campeão. Pegou o São Paulo reserva no último domingo, vai pegar o Inter reserva na próxima rodada, se o time gaúcho confirmar a classificação para a final da Libertadores. São seis pontos contra adversários diretos na parte de cima da tabela — isso sem contar os tropeços inexplicáveis de Fluminense e Cruzeiro ultimamente. O Peixe pode engrenar com mais uma vitória. E com uma boa contratação para o seu meio-de-campo em agosto…

Grenal
Nada tenho a acrescentar sobre as baixarias dos bandidos disfarçados de gremistas que assustaram o país neste domingo. Se ainda não leram o artigo da semana passada (“Os nossos Torcedores”), segue o endereço do post:

http://z001.ig.com.br/ig/24/11/923147/blig/cartabomba/2006_30.html

(tem que copiar e colar, o blog tem problemas para dar link)

Só aguardo para ver se a torcida gremista vai sofrer alguma punição (uma vez que comportamento da torcida consta no nosso Código Brasileiro Disciplinar de Futebol). Me refiro a algo como cinco jogos com portões fechados no Olímpico, abertos apenas para a torcida visitante, como se faz Itália. Deveria também ser proibido, por cinco jogos, a presença de gremistas em qualquer estádio do Brasil: basta fechar a arquibancada de visitantes ou ceder estes lugares para os torcedores do time local.

Isso é o que o futebol pode e deve fazer. À polícia cabe identificar e prender os sujeitos, já que vimos os rostos de muitos deles na TV.

Fechar os portões do Olímpico puniria também a maior parte dos gremistas, aqueles que nada têm a ver com os marginais que fizeram aquela baixaria no Beira Rio. Mas não há outra saída, infelizmente. Os estádios brasileiros chegaram a um ponto em que, ou mostramos tolerância zero com cenas como as que vimos no Beiro Rio, ou então é melhor desistir de lotá-los (na Europa, bilheteria representa cerca de 40% das receitas dos clubes. Aqui, não chega a 20%, por motivos óbvios: tem que ser maluco para ver um clássico no campo).

Eu duvido que vá acontecer qualquer coisa com o Tricolor gaúcho. Basta ver que o Corinthians volta a jogar sábado no Pacaembu normalmente depois do que sua torcida fez na eliminação da Libertadores…

Mas o dia em que parar de cobrar por providências é porque desisti do futebol em estádios brasileiros.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/07/2006 - 17:20

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Os pitacos da semana

Tevez
Cada vez mais eu acho que ele não quer mesmo deixar o Corinthians. E entendo. Aqui, Tevez está a apenas duas horas de avião de Buenos Aires. Melhor do que isso: tem liberdade de viajar para a sua terra sempre que precisar resolver o chamado “problema particular”. Ganha tão bem como se jogasse em um clube como Sevilha ou La Coruña. E fica melhor exposto para a sua Seleção como o maior astro do futebol brasileiro do que se estivesse brigando por uma posição num clube inglês como o Chelsea, que já tem o Schevchenko, ou o Manchester, que já tem o Rooney. Basta ver que foi à Copa, e terminou como titular.

Aqui, por mais problemática que seja a cidade de São Paulo (duvido que Tevez pense nos benefícios de morar no primeiro mundo…), o gringo é tratado como um rei. Para que se arriscar a virar mero súdito, e longe de casa?

Rogério Ceni
Eu perdi alguma coisa ou ele apenas marcou… um gol de pênalti no México??? Rogério é herói por tudo o que joga debaixo dos três paus, por tudo o que representa para a torcida como exemplo de amor à camisa, por sua excelência como cobrador de faltas e pênaltis (disparado o melhor do futebol brasileiro). Mas daí a chamá-lo de herói por fazer o gol da vitória no México é um tremendo exagero. Gente, ele apenas fez um gol de pênalti. Herói foi o Aloísio, que cavou a penalidade de maneira sensacional. Rogério é espetacular, mas às vezes exageram com seus méritos. Menos, menos…

Real Madrid I
Como já escrevi aqui, Nilsterooy certamente não foi escolhido para jogar ao lado de Ronaldo (seria o mesmo que repetir o exemplo das torres gêmeas da Copa, Fenômeno e Imperador). Também não chega para ser reserva. Só posso concluir que o time madrilenho — sabidamente — não sabe o que esperar e também não conta com a motivação de Ronaldo para esta temporada. Se o cara não teve tesão para chegar em forma na Copa, o que dizer de mais um Espanhol ou Copa do Rey?

Real Madrid II
Tem gente que acha que Vanderlei Luxemburgo ficou mordido por ver Dunga anunciado em seu lugar na Seleção… Antes, uma informação: ele não foi convidado desta vez.

Estive com Luxemburgo faz pouco tempo e, pelo menos na conversa que tivemos, ele não nutria grandes esperanças de ser chamado para o cargo. A obsessão que tinha em 1998 deu lugar à preocupação de ser “perseguido” (o termo é dele) com as lembranças de seus problemas na Justiça.

Tem certa razão. Bastou ter seu nome especulado para o lugar de Parreira e todo o inferno que viveu na época das CPIs ameaçou vir à tona de novo nos jornais. Natural. Mas isso causa arrepios no treinador…

Mordido ele ficou foi em ver o Real Madrid anunciar Emerson (era seu pedido, negado, na época de treinador na Espanha) e um beque do quilate de Cannavaro. Luxa dizia para mim antes da Copa: “Quero ver se o Real contratar o Capello, se ele não vai exigir em contrato ter reforços que ele indique ao clube”. Dito e feito.

Aposto que, muito mais do que a perda da Seleção, Luxa hoje é mordido por não ter vencido na Europa. E por não ter feito um contrato como Capello e outros treinadores de alto nível fazem com
seus clubes no Velho Continente.

Copa do Brasil I
O Santo André venceu em 2004 e continua na Segunda Divisão do Brasileiro até hoje. O Paulista venceu em 2005 e também continua na Segundona. A conquista do Flamengo é espetacular e merece ser comemorada e bebida até a última gota por toda a semana. Mas não pode cegar.

Esta torcida e camisa rubro-negra são maravilhosas, mas o time é fraquinho. Tão fraco que pode ser rebaixado neste Brasileiro. O mata-mata pode causar surpresas como a superação de um time inferior sobre o outro superior (e vamos lembrar que o Vasco, que não é nenhuma Brastemp, foi o único time da Série A que o Flamengo enfrentou na competição…). Os pontos corridos não mentem. A situação do Flamengo no Brasileiro mostra exatamente qual é qualidade deste elenco, que tem muitos jogadores promissores, mas que também tem muita bomba…

Copa do Brasil II
A Copa do Brasil mostra a cada ano que é um torneio sensacional, que merece até mesmo ser inchado, com a inclusão das equipes que disputam a Libertadores (seriam Inter, São Paulo, Goiás, Palmeiras, Corinthians e Paulista neste ano). “Ah, mas não temos datas”, dirão alguns apressados. Mentira. A monótona Copa Sul-Americana é disputada em separado da Libertadores, enquanto a Copa do Brasil é disputada concomitantemente e, por isso, exclui os times que participam da maior competição continental.

Basta inverter a Copa do Brasil com a Sul-Americana. Pressionar a Conmebol para fazer esta competição simultaneamente à Libertadores (são equipes diferentes, afinal!). Ou, se não quiser comprar briga com a Sul-Americana, começar a Copa do Brasil quando termina a Libertadores e terminá-la antes de seu início no ano seguinte. Idéias não faltam.

Para isso, a CBF teria de mexer com os Estaduais, estes torneios inchados e sem graça que quase ninguém suporta mais (o Carioca é uma exceção). E que hoje servem apenas para o presidente da CBF manter o seu poder junto a seu colégio eleitoral: os presidentes de federações estaduais.

Já pensaram um Brasileiro por pontos corridos com 20 equipes, uma Copa do Brasil com mata-mata toda a semana entre as grandes equipes do país, Estaduais bem mais enxutos e emocionantes?

Calendário existe. Falta criatividade, vontade e sensibilidade com um torneio que pode ser ainda mais espetacular. Basta a CBF querer e ter peito para tirar poder das federações estaduais.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/07/2006 - 16:46

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Falando de basquete: pára com isso, Marcelinho!

Este é um blog prioritariamente de futebol, mas basquete é uma paixão – se o Lula me vir jogar toda quinta-feira ainda pego um banco desta seleção… Até porque ninguém marca neste time!

Nossa atual seleção é a melhor já formada desde Amaury, Oscar, Marcel, Israel e Gerson, das décadas de 80 e começo de 90. O nosso quinteto titular com Leandrinho, Marcelinho, Guilherme, Thiago e Ânderson Varejão é muito bom! Mas os jogos contra a Nova Zelândia esta semana mostraram problemas seríssimos.

O mais grave é que ninguém marca neste time. Como vamos conseguir uma vaga na Olimpíada sem marcar? Qualquer um recebe convite para entrar no nosso garrafão e fazer uma cestinha. Ok, sem o Nenê e o Baby não aquele pivozão forte para uma marcação mais dura. Mas podemos pelo menos tentar bloquear, deixar os adversários mais longe da cesta com jogo de corpo e bom posicionamento na marcação por zona, que é o que melhor sabemos fazer. Mas não estamos fazendo. Nossa defesa é o ponto fraco. E, ao contrário do futebol, não se ganha no basquete sem defesa.

O segundo ponto fraco é a gula do Marcelinho. Este tem mão de mola, como se diz no meio. Leandrinho leva a bola, toca para o Guilherme em uma ala, Guilherme devolve, Leandrinho abre na outra ala para o Marcelo e ele, sem pestanejar, arremessa todas as bolas! Sem dó nem piedade. Se ele fosse o Larry Bird ou o Oscar dos bons tempos, vá lá, deixa o cara chutar.

Mas o bom Marcelinho está atrapalhando. Seu aproveitamento, razoável, só valia a pena quando não havia um ala como o Guilherme de hoje – no melhor momento da carreira – que infiltra muito bem. Valia a pena quando não havia um craque como Leandrinho, um pivô esperto como Ânderson Varejão. Do jeito que queima as bolas, Marcelinho está impedindo todo mundo de jogar.

Leandrinho vira um mero condutor de bolas entre a defesa e o ataque quando Marcelinho está atacado (ou seja, sempre) em quadra. Leandrinho é o craque deste time, precisa jogar mais. Guardadas as devidas proporções, seria o mesmo que Jordan ficar carregando as bolas no Chicago Bulls para que o Horace Grant ou mesmo o Pippen ficassem chutando todas na linha dos três pontos.

Se o problema persistir, é o caso de colocar o Huertas como armador e o Leandrinho na ala, no lugar do Marcelinho.

Esta é a melhor equipe do basquete nacional desde a turma de Oscar e Marcel. Mas se o Leadrinho não jogar mais (ou melhor, pegar mais na bola) não vai adiantar nada.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/07/2006 - 18:21

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Explique-se, seu Teixeira
revisado

Depoimento assustador de Falcão hoje, no Arena Sportv. Disse que assumiu a Seleção em 1990 querendo fazer um contrato até a Copa de 1994. O presidente Ricardo Teixeira (ele está no cargo desde 1989…) lhe disse que em agosto de 91 haveria eleições na CBF e que, embora tivesse chance de continuar na presidência – como continuou, até hoje… -, não poderia assumir um compromisso tão longo, mas que manteria Falcão se fosse reeleito.

Teixeira foi reeleito e, na hora de renovar com Falcão, lhe fez três exigências. 1) Que ele ficasse mais tempo no Rio de Janeiro (sede da CBF, Falcão mora em Porto Alegre); 2) que ele entregasse as convocações com 72 horas de antecedêcia e que, pasmem; 3) a diretoria da CBF tivesse poder de veto para qualquer jogador escolhido pelo técnico.

Falcão, muito certo, recusou, principalmente por causa da última exigência, e foi demitido.

Se o cartola fez a mesma exigência aos sucessores de Falcão (Parreira, Zagallo, Luxemburgo, Leão, Felipão e Parreira II), isso eu não posso afirmar.

O que sei é que Felipão teve de exigir carta-branca para assumir antes da Copa de 2002 e a obteve.

E que Dunga, a exemplo de Falcão em 2001, é um técnico sem currículo e sem respaldo, ainda, para fazer exigências como a de Felipão.

O que Falcão conta é muito grave: a CBF vai se intrometer nas convocações do novo treinador, que assume em condições muito semelhantes às de 1991? Esta, para mim, é a primeira pergunta da Era Dunga.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/07/2006 - 18:22

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A nova Era Dunga

Dunga novo técnico da Seleção… O pensamento geral é de que se tivéssemos um Dunga em 2006 – dentro ou fora do campo — , poderíamos até perder, mas não perderíamos sem lutar.

“Faltou garra em 2006? Então vamos atrás do Felipão. Ele não quis? Vamos atrás do Dunga.”

Só pode ser isso o que passou pela cabeça do presidente Ricardo Teixeira para tirar este nome da sacola. Pensamento simplista e emergencial.

Sempre fui fã do Dunga jogador. Um homem injustamente estigmatizado pelo fracasso de 1990 e pelo futebol vencedor que os malas de plantão criticam em 94. Dunga jogou muito além da raça. Era um bom passador de bolas, tinha um incrível senso de colocação, marcava como um leão (geralmente na bola), era um líder nato.

Mas que subsídios temos para afirmar que ele está preparado para um cargo como o de técnico da Seleção? Até agora, nenhum. Desde que parou, Dunga nunca se aventurou neste ramo. Nunca tentou fazer um estágio, por exemplo, dar um pontapé inicial. Pelo contrário, atacou de empresário (representante de clube inglês) e comentarista, mas nunca experimentou o cargo de treinador. “Ah, mas com o Klinsmann deu certo na Alemanha”. Isso não quer dizer que vá dar certo com o Dunga também.

Parece muito mais um tiro no escuro, uma medida desesperada do que efetivamente um projeto para a Seleção. Um projeto como o que Felipão apresentou em 2002, logo depois da Copa, de comandar e unificar todas as categorias de base, de estar em contato com os técnicos e garotos das divisões de baixo, ser o chefe deles, lutar por datas para reunir e treinar o time principal de acordo com adversários e compromissos que ele, Felipão, pudesse escolher. O projeto, aliás, foi recusado pela CBF na época e Felipão se mandou para Portugal, onde é feliz e tem tudo isso da federação local.

Dunga tem contrato até 2010, mas aparente ser muito mais uma aposta até 2008 – quando acaba o contrato de Felipão com Portugal -do que um projeto da CBF.

O Brasil precisava de um nome de prestígio que pudesse agüentar as pancadas que toda renovação exige. Porque o Brasil tem que esquecer Ronaldo por um tempo, tem que testar promessas como Dudu Cearense, Daniel Alves, Rafinha, Maicon, Alex (zagueiro), Jônatas, Nilmar. É natural que a equipe apanhe bastante neste processo. Falcão não agüentou as pancadas de sua renovação em 1990 e caiu. Faltava-lhe o prestígio e a experiência de um Felipão ou Luxemburgo.

Dunga, por enquanto, é apenas uma aposta. Pode dar certo. Mas o ideal é que as apostas comecem como apostas: uma seleção sub-20, por exemplo.

Raça e tesão de jogar pela Seleção são fundamentais. Foi isso o que mais faltou nesta Copa. Mas não basta. Se raça e tesão bastassem, Argentina, Alemanha, Itália, Portugal e França terminariam empatados no Mundial. Por enquanto, a única certeza que temos do Dunga treinador (e provavelmente com o Branco na comissão técnica) é raça, nada mais.

O lado bom é que, resolvida essa pendência, que tal a CBF finalmente se voltar para a prioridade número 1 do futebol brasileiro: fortalecer os nossos campeonatos e clubes, segurar por mais tempo os nossos talentos, melhorar e encher os nossos estádios? Confesso que tenho mais ansidedade por ver estas respostas do que tinha em relação ao nome do novo treinador…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/07/2006 - 19:30

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Os nossos torcedores

Já freqüentei estádios alemães, franceses, suíços e espanhóis em minha carreira de repórter. Quando me perguntam qual a maior diferença entre os nossos modestos campos em relação aos europeus, eu não tenho dúvidas em responder: as pessoas que os freqüentam.

Porque, por mais belos que sejam, os estádios europeus contam com coisas simples para funcionar: lugares marcados, lanchonetes (tão lotadas quanto as nossas), banheiros limpos, transporte público, venda de ingressos antecipada. Não temos nada comparável aqui, é verdade, mas ainda assim o que mais me impressiona é a diferença das pessoas.

Aqui, também temos lugares marcados em boa parte dos estádios. Mas quem é que respeita? Quem é que pode comprar seu ingresso com antecedência e chegar cinco minutos antes de o jogo começar acreditando que seu lugar vai estar lá, garantido, para assistir ao jogo sentado, sem ninguém de pé na sua frente dizendo que quem tem de levantar é você, que futebol se assiste mesmo é de pé?

Ok, o torcedor é incivilizado em nossos estádios porque é tratado que nem gado. Não oferecemos condições mínimas para um cidadão ir ao campo. É até um ato de penitência enfrentar as filas para comprar ingresso, as filas para entrar, a falta de transporte público, a violência das gangues que têm a cara de pau de se auto-denominarem “torcidas organizadas”. Mas, ainda assim, a grande diferença são as pessoas.

O Brasil jogou na cidade de Basel, na Suíça, durante a sua preparação para a Copa da Alemanha. No estádio, acreditem se quiser, em pleno lance de arquibancadas, há um conjunto habitacional para pessoas idosas, que assistem ao movimento de torcedores diretamente de suas janelas, dando tchauzinho e tudo o mais. Dá para imaginar alguém morando – e achando isso legal – no Pacaembu? Há também um shopping center embaixo do estádio, subterrâneo. Quem seria o louco que construiria um shopping num estádio brasileiro? Só se fosse para ter as suas lojas apedrejadas e saqueadas.

Digo tudo isso porque na quarta-feira, lamentavelmente, a torcida do São Paulo invadiu o gramado do Morumbi para comemorar a suada classificação na Libertadores. Em mais um show do batalhão de choque da polícia militar, a situação foi devidamente contornada.

Na Europa não tem alambrado nos estádios, muito menos fosso separando os torcedores do campo. Tem segurança, privada, em volta do campo. Mas seria muito fácil invadir o gramado. Por que não invadem? Porque eles têm educação e, acima de tudo, porque na Europa invasão de campo é coisa séria. Se fosse na Europa, o São Paulo certamente seria punido com a perda de mando para a semifinal da Libertadores.

Mas estamos na América do Sul… Se a Conmebol deixou ficar barato o vandalismo dos corintianos contra o River Plate no Pacaembu — o clube deveria ser suspenso por, no mínimo, três anos –, vai ignorar a invasão bem menos grave da torcida tricolor.

E assim vamos levando: invadindo e depredando sem punição, à espera de que nossas autoridades façam alguma coisa para melhorar a vida do torcedor. Elas precisam fazer, urgentemente, até porque isso atrairia mais gente de bem e menos vândalos para nossos jogos. Mas a verdade é que o próprio torcedor pode dar esse pontapé: tentar ser um pouco mais educado, ainda que seja pelo puro medo de ver seu clube prejudicado.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/07/2006 - 12:43

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Materazzi: uma punição ridícula

Se eu fosse técnico de futebol e meu time enfrentasse a França amanhã pela final da Copa do Mundo, a primeira coisa que eu faria seria procurar meu zagueiro e falar pra ele: “O Zidane se irrita quando falam da irmã dele. Provoca o cara que ele vai ser expulso.”

Não dá para a gente querer consertar o mundo pelo que se faz dentro de um campo de futebol. Estamos cobrando Materazzi como se ele fosse um embaixador da ONU no meio de uma reunião pela paz no Oriente Médio. Nas quatro linhas, você deve cumprir as regras do jogo – e aí eu incluo provocar um adversário, sem que o juiz veja… Por que está na regra que somente o juiz e seus auxiliares podem expulsar um atleta. A função de um jogador é fazer de tudo, dentro das regras, para que seu time saia vencedor – e por isso Zizou acabou expulso. Mas a Fifa foi além…

A Fifa anunciou punição de dois jogos a Materazzi pelas provocações ao francês. Só podem estar malucos, contaminados pela onda de politicamente correto que às vezes ultrapassa o limite do bom senso. Zidane, sim, merece punição por sua agressão (recebeu três jogos de suspensão, embora esteja aposentado e isso tenha sido revertido para serviços comunitários). Zidane perdeu a cabeça, descumpriu as regras do jogo, agrediu um adversário.

Se puniu Materazzi, a Fifa vai ter de colocar em todos os campos de futebol uma Liga das Senhoras Católicas que zele pelos bons costumes, para avaliar o que se pode ou não dizer a um adversário. “Minha senhora, o zagueiro aqui diz que eu sou narigudo, magoei”.

Uma coisa é combater o racismo, coisa que a Fifa deve fazer mesmo, é um mal da humanidade que precisa ser extirpado. É lindo ver o futebol, onde negros, brancos, amarelos, azuis, judeus e muçulmanos dividem o mesmo espaço em harmonia, dar o exemplo. A outra é combater xingamentos para irmãs de jogadores!

Quem errou, Zidane ou Materazzi? É claro que o errado foi o francês. Agiu como se tivesse 10 anos da idade: “mexeu com a minha irmã, toma”. Xingam as nossas mães todos os dias. Eu mesmo xingo a mãe dos meus colegas diariamente aqui na redação da Placar. Temos até um prêmio informal: o melhor xingamento de mãe (o campeão do ano é o fotógrafo Alexandre Battibugli, em boa piada proferida contra a honra da Senhora Rizek). Se cada um resolver dar uma cabeçada por causa disso, o mundo vira uma guerra amanhã.

Materazzi xingou a irmã de Zidane com um único propósito: desequilibrar o melhor jogador do Mundial. Ele nem conhece a irmã do Zizou (com todo o respeito, hein, meu peito não é de aço…).

Futebol é um jogo viril entre 22 marmanjos. Para jogar, seja pelada da firma ou final de Copa, é necessário ter cabeça. No bom sentido…

Em tempo: o ridículo ato de Zidane, que prejudicou a França, não tira dele o título de melhor jogador da Copa e um dos maiores gênios da história do futebol. Eu ainda não entrei — e nem vou entrar — para a Liga das Senhoras Católicas da Fifa…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/07/2006 - 19:18

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Duas péssimas idéias

Vanderlei Luxemburgo acha que Felipe renderia em suas mãos e quer o jogador como reforço do Santos… Pode ser. Mas eu não acredito em Felipe.

Se no futebol não existisse adversário, se fosse apenas uma competição para ver quem tem mais habilidade no pé, com notas de jurados, Felipe seria um dos maiores nomes do planeta. Mas ele nunca soube transformar o seu potencial em realidade. E já me parece tarde para isso acontecer.

Felipe vai completar 29 anos em setembro e ainda vive sob a alcunha de “promessa”, de alguém que vai estourar um dia. Para mim, esse dia já passou.

O jogador teve bons momentos como lateral do Vasco, na década passada, e como meia do Flamengo, há alguns anos. Bons momentos, nada de espetacular. Foi mais um jogador supervalorizado por nós, “a mídia”, que levou em conta apenas a sua habilidade com a perna esquerda.

Mascarado e encrenqueiro, jogador que se acha muito acima do que realmente é, Felipe é mais problema do que solução. O Santos pode conseguir coisa melhor no exterior para inscrever a partir do dia 3 de agosto.

Outra péssima idéia é a do Real Madrid em querer gastar 11 milhões de euros em Van Nilsteroy, o Tuta (um pouquinho melhorado) holandês. Mesmo artilheiro, Nilsteroy consegue desagradar a todos os técnicos por onde passa. Não conseguiu ser titular na Copa com Van Basten. O inglês Alex Fergusson o quer fora do Manchester. Curioso: o que Fabio Capelo, treinador do Real Madrid, vê no holandês?

Em final de carreira, Nilsteroy tem as mesmas características de Adriano. Ou seja: não poderia jogar ao lado do Ronaldo. Será que, na verdade, Capelo quer mesmo é um substituto para Ronaldo? Estranha essa contratação…

Bom, mas desde quando as contratações do Real fazem algum sentido?

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/07/2006 - 19:18

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As decisões desta quarta

Os flamenguistas vão dizer que eu pego no pé do time, que persigo o Rubro-Negro… Mas a grande verdade desta final de Copa do Brasil é que há muita camisa e pouco talento em campo.

Acredito, sem exagero, que Vasco e Flamengo vêm formando nos últimos anos os piores times de suas gloriosas histórias. Nada disso importa para os duelos que começam nesta semana – as camisas e torcidas sedentas por alegria bastam para fazer desta a maior final de todos os tempos da Copa do Brasil. Mas importa, e muito, para 2007.

Um dos dois times vai ter um título nacional depois de cinco, seis anos (quando o Vasco venceu a Copa João Havelange, em 2000, o Fla, a Copa dos Campeões, 2001). Isso tem que ser bem usado. Em vez de “responder” a críticos como eu, dizendo: “olha aí, somos campeões, quem disse que éramos ruins?”, estes clubes têm que trabalhar para formar uma equipe de verdade para o ano que vem, capaz de fazer bonito na Libertadores. Se achar que está tudo bem só porque papou o caneco, ele de nada terá servido.

O Paulista e o Santo André foram os últimos campeões desta mal tratada Copa do Brasil. Aonde estão estes clubes hoje? Na Segundona, capengando.

Dise “mal tratada” porque a Copa do Brasil poderia ser um torneio ainda mais fantástico. Um torneio que não descartasse os clubes que participam da Libertadores (participar da competição sul-americana virou um castigo?), que roubasse calendário dos Estaduais, que continuam longos e monótonos demais, em sua grande maioria.

Já temos um excelente campeonato nacional por pontos corridos, onde vence o melhor. A Copa do Brasil poderia nos brindar com a emoção e imprevisibilidade dos mata-matas. Imaginem, teríamos uma final por semana no Brasil, em jogos de ida e vinda. Já pensaram nisso? Toda semana, uma grande decisão, um Vasco x Corinthians, um Grêmio x Cruzeiro, Bahia x Atlético PR…

Este é um torneio que poderia ser até aumentado (na Inglaterra, não há limite para participantes…), mas está sendo cada vez mais diminuído com a exclusão dos participantes da Libertadores (este ano: São Paulo, Corinthians, Goiás, Internacional e Palmeiras, além do Paulista).

Calendário? Minha proposta é: vamos diminuir os Estaduais. E inchar ainda mais a Copa do Brasil. Trata-se de um torneio de potencial incrível, e ainda mal explorado.

Libertadores
Time, o São Paulo tem de sobra para atropelar o Estudiantes. Já mostrou isso na partida de ida, quando jogou bem e perdeu por 1 x 0. O problema é a particularidade deste duelo. Se fizer um gol, se abrir o placar, o time argentino poderá sofrer dois gols que ainda assim se classifica… O placar que conseguiu no jogo de ida foi um resultado dos sonhos para o Estudiantes. O time brasileiro vai ter que atacar, mas não poderá ficar desprotegido. Está 60% para o São Paulo, 40% para os hermanos, graças ao critério do gol marcado fora de casa.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/07/2006 - 09:44

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A Taça em boas mãos

Escrevo de Praga, ainda de férias: não resisti de comentar a final da Copa.

Leio muita gente reclamando deste Mundial, dos poucos gols, da quantidade de 0 x 0, das disputas de pênaltis, da carnificina de alguns jogos como Portugal x Holanda…

Eu não reclamo desta Copa. Ela mostrou apenas um futebol mais competitivo do que nunca, times suando a alma para não perder um jogo, marcação forte o tempo todo, correria como nunca se havia visto. Vejo beleza nisso também!

Há beleza em ver uma Itália que, se não “joga bonito”, mostrou uma entrega comovente de seus jogadores. Este foi o ponto chave desta Mundial: entrega, vontade de vencer. E por isso, como falei no post abaixo, o time que tinha os melhores jogadores da competição foi embora nas quartas-de-final. Eu esperava que, na hora H, quando precisasse, o Brasil mostraria a vontade de vencer que se viu em 1994, 1998 (exceção à final, obviamente) e 2002.
Não mostrou…

A Itália é o melhor time do mundo? Não. Ela apenas ganhou, com todos os méritos, uma competição duríssima, a Copa mais disputada a que já assisti.

Poderia ter ganhado também a França, a Alemanha ou a Argentina. Foram os times que, além de grandes jogadores, mostraram mais vontade de engolir a taça. Portugal era “apenas” raça e Felipão.

Zidane melhor jogador da Copa: justíssimo. Nem houve um concorrente. Leio hoje que sua despedida foi “triste” por causa da expulsão. Como assim? O cara era dado como acabado antes do Mundial, chegou-se a cogitar que fosse para o banco depois dos dois primeiros jogos, quando estava muito mal e ainda recebeu dois amarelos… Ressurgiu das cinzas, acordou na hora H, fez contra o Brasil uma das maiores partidas da história dos Mundiais, liderou a desacreditada França até a final. Esta é a derradeira imagem que fica de Zidane: um dos maiores craques de todos os tempos.

Os franceses chegaram longe demais, bem mais longe do que esperavam antes do Mundial. Além de Zidane, jogadores como Viera, Thuram e Henry — todos da geração 98 — se despedem das Copas por cima, com a imagem de craques e guerreiros — o futebol chegou a um ponto em que estas duas qualidades não andam mais separadas.

Tem gente que acha que esta Copa também não deixa saudades. Bom, eu já estou sentindo falta dela! E comecei a contagem regressiva pra 2010. Será que Ronaldinho Gaúcho finalmente vai jogar bem com a amarelinha? Já temos assunto para os próximos quatro anos.

A partir da semana que vem este blog volta a ser atualizado diariamente. Até!

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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