2006 junho | Carta-bomba, por André Rizek
iG

Publicidade

Publicidade

Arquivo de junho, 2006

30/06/2006 - 11:27

Compartilhe: Twitter

Ronaldinho Gaúcho x Zidane

Nunca um tive um post tão criticado pelos leitores como o da comparação entre os jogadores de Brasil e França, logo abaixo.

Natural. Comparar jogadores é mesmo muito subjetivo. Basta ver que os próprios leitores discordam entre eles sobre vários nomes ali –só não precisava ficar xingando uns aos outros por causa disso, né…

Muita gente me pergunta qual é o critério objetivo para fazer estas comparações. Resposta: nenhum.

O critério objetivo seria currículo, a frieza números? Se for este o critério, onde ficariam craques como o Zico, que nunca ganhou uma Copa? Se for este o critério, Cafu então é o maior lateral-direito de todos os tempos. Cafu, com todos os méritos, é o lateral mais vitorioso de nossa história, mas acho que Leandro e Jorginho, por exemplo, foram mais craques. No par ou impar da pelada, eu escolheria o Jorginho antes do Cafu – e isso não tira o mérito da espetacular trajetória de nosso atual camisa 2.

Par ou impar da pelada… Este é o meu critério para dizer quem considero melhor jogador. Eu escolheria o Zico antes do Ronaldinho Gaúcho. Isso é muito subjetivo, como escolheria também o Zidane antes do dentuço.

Considerei Zidane acima do Ronaldinho na lista que fiz e isso causou revolta em muita gente. Me permitam explicar melhor.

Ronaldinho está melhor do mundo com todos os méritos – digo “está” porque há um bom tempo acredito que não exista mais um craque que se sobressaia tanto em relação aos outros, como era Maradona, por exemplo.

O Gaúcho vem fazendo barbaridades no Barcelona, enquanto Zidane não joga um bom futebol já faz tempo. Basta comparar o que os dois fizeram nos último Campeonato Espanhol.

Se eu fosse diretor de um clube e tivesse que escolher um dos dois para disputar uma temporada inteira, é claro que escolheria o Ronaldinho! Acontece que Copa não é uma temporada inteira…

Copa do Mundo é onde se dividem os fenômenos dos bons jogadores. Ronaldinho pode marcar até três gols de bicicleta contra a França -ele é capaz disso – que não vou mudar de opinião. Zidane é um dos maiores da história, independente do que faça contra o Brasil. É fenômeno. Está na minha seleção “de todos os tempos” (todos os tempos desde que eu nasci, é claro), compondo o meio-de-campo com Falcão, Zico e Maradona – o ataque tem Ronaldo e Romário. Olha a subjetividade aí de novo…

Ronaldinho ainda não está neste time. Acho também que ele não estará quando encerrar a carreira. É um baita jogador, mas está um degrau abaixo destes que citei. E falo isso muito antes de esta Copa começar, quando diziam que ele era o novo Pelé.

Não aceito a explicação de que Ronaldinho está rendendo pouco por jogar “fora de posição”. Não é só isso. Ele já teve a chance de jogar como atacante na Seleção durante a primeira metade das Eliminatórias, e também não foi tão bem como no Barcelona.

Não acho que esteja fazendo uma má Copa. Ronaldinho nunca foi um jogador de atuar os 90 minutos com intensidade. Ele é homem de highlights, de três ou quatro momentos geniais por partida. Eles poderão surgir a qualquer momento. Na média do jogo, está atuando como no Barça. Só que não é a mesma coisa jogar no Brasil e jogar em seu clube, onde recebe simplesmente todas as bolas, onde é a referência. No Brasil, a referência é Ronaldo, ponto. O Brasil joga em função de seu melhor jogador, o camisa 9. Não poderia ser diferente.

Para finalizar, lembro de Maradona em 1990. Já não era mais o mesmo, mas bastou uma jogada genial para eliminar o Brasil naquelas oitavas-de-final. É mais ou menos o mesmo respeito que sinto pelo Zidane – sem comparações aqui, o argentino é incomparável. Ele pode não ser mais o mesmo, mas Copa do Mundo é assim. São apenas sete jogos. E o talento de um cara como Zidane pode bastar para, em apenas um jogo, mandar a melhor seleção da Copa embora para casa. Oxalá que isso não aconteça de novo.

ps: Meu palpite é 2 x 1, com Ronaldo decidindo a partida.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/06/2006 - 14:36

Compartilhe: Twitter

BRASIL 7 X 3 FRANÇA
Não é o placar do jogo. Apenas fiz uma comparação entre os jogadores das duas seleções. Como em 1998, nós somos muito melhores de novo — no papel…

Dida x Barthez
Barthez tem história na seleção francesa, mas este duelo é covardia… Dida, na minha modesta opinião, é o melhor goleiro do planeta. Não o troco pelos badalados Buffon e Cech – não fosse uma saída de bola desastrosa que quase resultou em gol contra a Austrália, seu único erro até agora, e estaria fazendo uma Copa irretocável. Incrível como ele era unanimidade quando jogava no Brasil e, ao virar titular do Milan, sendo herói de uma conquista da Liga Européia, passou a ser considerado um frangueiro por boa parte dos brasileiros. Dida joga muito.
Brasil 1 x 0 França.

Cafu x Sagnol
O lateral-direito deles tem 29 anos e joga no Bayer de Munique. É incontestável na França, um dos líderes do time. Eu boto fé no Cafu, um jogador que atua há 16 anos em alto nível na Seleção – e que incrivelmente também não é valorizado como deveria no Brasil. Até agora, mostrou muita regularidade na Alemanha, sua grande marca, e fez ótima partida contra Gana. É um dos cinco jogadores do Brasil que estavam em campo na final de 1998.
Brasil 2 x 0 França.

Lúcio x Thuram
Thuram foi disparado o melhor lateral-direito da Copa de 1998, onde foi o segundo maior herói da conquista francesa (marcou os dois gols da semifinal, contra a Croácia, de virada). Aos 31 anos, já não é mais o mesmo. Virou zagueiro, deu algumas mancadas nesta Copa, como o pênalti tolo que cometeu contra a Espanha. Lúcio está jogando muito bem na Copa, melhor do que Thuram. Mas se fosse eu escolhendo um dos dois no par ou ímpar da pelada, ficaria com o francês…
Brasil 2 x 1 França

Juan x Gallas
O francês joga no Chelsea. Atua tanto na zaga como na lateral-esquerda. Machucou-se bastante neste ano. Juan vinha fazendo uma belíssima Copa até o jogo contra Gana, quando foi muito mal e para mim acendeu o sinal amarelo. Difícil escolher um dos dois. Empate técnico.
Segue Brasil 2 x 1 França

Roberto Carlos x Abidal
Hoje, o francês (do Lyon) está jogando mais. Roberto Carlos há muito tempo não mostra grande futebol. Mas algo me diz que vai jogar muito no sábado. Roberto Carlos foi uma das caras da derrota da final de 1998, cedendo de maneira tola o escanteio que originou um dos gols de Zidane, ao tentar enfeitar uma jogada perto da linha de fundo. Esquecer o futebol ele não esqueceu. Vou de Roberto Carlos, mas sei que é um voto de risco, mais subjetivo do que os outros, muito mais baseado no passado que no presente… Meu critério é o par ou ímpar da pelada de novo.
Brasil 3 x 1 França

Gilberto Silva x Vieira
Gilberto é muito bom, mas o francês é simplesmente o melhor volante da Copa. O cara é um mosntro (ele estava em campo na final de 1998).
Brasil 3 x 2 França

Zé Roberto x Makelelê
Eu gosto muito do Zé Roberto. Está em todos os lugares do campo armando, destruindo, atacando, defendendo, e não tem marketing pessoal. Está na minha seleção da Copam jogador fundamental no time brasileiro. Makelelê é apenas um bom destruidor de jogadas.
Brasil 4 x 2 França

Ronaldinho x Zidane
Esta ainda pode ser a Copa do Ronaldinho. Basta fazer como Zidane em 1998: o francês não fez absolutamente nada até a final, quando enfim despertou e marcou dois gols… Basta o dentuço brasileiro arrebentar em um único jogo. Mas, mesmo se isso acontecer, eu não mudo de idéia. Ronaldinho, ótimo jogador, nunca será um craque do tamanho de Zidane, Zico, Ronaldo ou Romário — e pensar que parte da mídia o comparava a Maradona e Pelé…
Zidane foi, ao lado de Ronaldo, o maior jogador dos últimos 10 anos. Mesmo perto de sua aposentadoria, eu ainda respeito e temo o Zizou.
Brasil 4 x 3 França

Kaká ou Juninho x Malouda
O francês é muito esforçado e pode virar um bom jogador no futuro, mas o próprio técnico da seleção francesa diz que o Juninho, reserva do Kaká no Brasil, é o melhor jogador em atividade na França. E o Juninho joga com Malouda no Lyon. Se o Raymon Domench falou isso, quem sou para discordar?
Brasil 5 x 3 França

Adriano x Ribery
Com todo o respeito, mas o francês é grosso.
Brasil 6 x 3 França

Henry x Ronaldo
Henry é um dos melhores atacantes da atualidade – talvez o melhor europeu. O problema é que o duelo aqui é contra o maior centroavante da última década… Fosse o Ronaldo do Real Madrid e eu daria o voto para o francês. Mas é o Ronaldo da Seleção, o cara que só vive no futebol até hoje para jogar Copa do Mundo. Ronaldo está em seu habitat. Voto no Fenômeno.
Brasil 7 x 3 França

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/06/2006 - 14:17

Compartilhe: Twitter

Preparem os ouvidos, seremos esculachados

O Brasil não tem torcida na Copa, tem turista. A maioria nunca frequentou jogos de futebol (nem dá para culpá-los por isso, tamanho o ato de heroísmo que é visitar os nossos estádios…) e, como diz o chefe Sérgio Xavier, “não sabem torcer, caramba!” Têm vergonha até de xingar juiz.

Como se não bastasse, por razões geográficas também há bem menos brasileiro na Copa do que inglês, português, holandês (estes já foram embora, mas fizeram uma bela festa) e, é claro, francês!

Dos jogos a que pude assistir até agora – nenhum da Alemanha — a torcida da França foi a que mais me impressionou nos estádios (a foto é do jogo contra Togo, na primeira fase, em Colônia), com seu incessante “Allez les Bleus”. Ouvi os franceses fazendo mais barulho no estádio até mesmo do que os beberrões ingleses!

E, como é tradição com estes torcedores da geração Zidane, cantando o belíssimo hino do país sem parar. Aliás, podem reparar, na hora que os jogadores ficam abraçados – é o único time que faz isso -, costume bacana que vem de 1998.

A experiência da Copa de 1998 foi traumática depois daquela final. Onde viam um brasileiro, logo os franceses mandavam “un…, deux…, trois – zéro”. Não precisa de tradução, evidentemente. Era abrir a boca para eles perceberem que você era brasileiro e o corinho já começava.

Nesta terça, assim que acabou o jogo com a Espanha, ouvi isso de novo, no centro de imprensa, desta vez vindo dos poucos coleguinhas franceses que estavam em Dortmund, fazendo a cobertura do jogo do Brasil. Dá para imaginar o que fará a torcida…

O Brasil pode preparar os seus ouvidos. Seremos esculachados como nunca em Frankfurt, sábado.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/06/2006 - 10:28

Compartilhe: Twitter

A Copa do clichê

Parreira já disse que esta é a Copa da Saúde, eu já escrevi que é a Copa do Banco… Mas o Mundial da Alemanha é mesmo a Copa do Clichê Vejamos:

O México mais uma vez justificou a sua fama de jogar como nunca, perder como sempre, no duelo com a Argentina.

A Itália, então, é o time mais clichê do mundo. Desde de 1930 que discute a mesma coisa: se seus dois melhores jogadores – geralmente meia-atacantes habilidosos – podem ou não jogar juntos. Nunca podem, como agora com Totti e Del Piero. E, quando a bola rola, é sempre a mesma história: classificação sofrida e em cima do laço na primeira fase, vitória suada e dramática, por um gol de diferença, nos últimos minutos, no mata-mata.

Suíça – Em 1954, inventou o termo “ferrolho”, como batizou o seu retranqueiro esquema tático. Pois meio século depois continua a mesma coisa. O time, fortíssimo na defesa (e só…), sai desta Copa com a proeza de não ter tomado nenhum golzinho.

A imprensa local, sempre crítica demais, erra as suas previsões com a seleção dona da casa – sempre achando que ela vai dar vexame e que o técnico é horroroso…

Os juízes, ah os juízes…, apitam a favor da camisa mais pesada.

Agora só resta esperar e torcer para que Gana cumpra a sina dos africanos: encantar na primeira fase, perder um monte de gols nos mata-matas e voltar para casa com a expectativa de que, em 10 anos, o futebol africano vai enfim vencer uma Copa…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/06/2006 - 11:20

Compartilhe: Twitter

Você é o técnico: escale o Brasil sem Robinho

Que Robinho não enfrenta o time de Gana todo mundo já sabe faz tempo. É uma péssima notícia, o craque do Real Madrid vinha comendo a bola e incendiou o time com a sua presença. Mas também não é uma catástrofe. Parreira diz que esta é a “Copa da Saúde” e eu digo que esta é a “Copa do Banco”. Está se dando melhor quem tem mais opções para mexer no time (a Argentina bateu o México quando pôde colocar, com uma tacada só, os craques Aimar, Tevez e Messi no segundo tempo, descansados e loucos para arrebentar).

O que não faltam são (boas) opções para escalar a equipe brasileira sem Robinho. Vejamos:

1) As torres Gêmeas (plagiando o Telmo Zanini…)

Manter o time das duas primeiras partidas, com o quadrado original, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. Muita gente acha que os dois centroavantes não podem jogar juntos. Acredito que o time fica bem melhor com Robinho, é claro, mas que é cedo para decretar a insolvência dessa dupla de peso. Além disso, Parreira pensa no time dessa maneira há mais de um ano e me parece lógico que vá, pelo menos, apostar nele por mais um tempo contra Gana.

2) Adiantar Ronaldinho

O dentuço já jogou de atacante no Brasil, como faz no Barça, no começo das Eliminatórias. Não mostrou um grande futebol, mas é o jogador que mais se assemelha a Robinho para atuar no ataque. Se isso acontecer, ele terá até a chance de virar o protagonista desta Copa (atuando na função de armação isso se torna mais difícil… Joga mais para o time e menos para ele).

O problema seria quem substituir o camisa 10 no meio-campo, função que vinha desempenhando muito bem… As possibilidades são:

A) Colocar Juninho na armação, no lugar do Gaúcho.

B) Colocar Juninho de volante e adiantar Zé Roberto, para ele jogar como atua no Barça

C) Colocar Gilberto Silva como primeiro volante, adiantar Emerson para a função de segundo volante (mais parecida com a que ele faz na Juventus), deixando a armação para Kaká e Zé Roberto.

3) Adiantar Kaká

É a menos provável, mas também seria uma boa opção. No lugar dele no meio-campo, bastaria a entrada de Juninho.

Vamos fazer uma enquete: deixem comentários votando nas opções 1; 2a; 2b; 2c; ou 3. Quero ver o que diz a voz do povo…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/06/2006 - 11:58

Compartilhe: Twitter

A dupla do Robinho. E a “burrice” do Parreira…

Parreira diz não ter dúvida nenhuma sobre o time que colocará em campo nas quartas-de-final, mas ainda não dá pistas de qual será… Bom, até o Adriano sabe que perdeu o lugar para o Robinho, era só olhar para a sua cara fechada depois do jogo com o Japão, passando pelos jornalistas sem dar entrevistas.

Zé Roberto fez o mesmo, mas este eu duvido que perca a vaga para o Juninho. Foi um dos melhores do Brasil nas duas primeiras partidas e tem enorme importância no esquema tático do treinador. Feliz da Seleção que pode ter um matador como Adriano no banco, além de um curinga como Juninho, que pode substituir Kaká ou Zé Roberto com sobras. Todos os times têm usado demais o banco nesta Copa. O Brasil tem os melhores reservas do mundo. Basta usá-los.

O curisoso é que Robinho não melhorou só o desempenho de Ronaldo. Quem cresceu muito com sua entrada no time foi Ronaldinho Gaúcho. Motivo simples. Robinho recua para buscar o jogo, ajudar na armação, e assim dá mais opção ao dentuço. Antes, quem fazia esse papel era Adriano, que tem inúmeras qualidades, mas não a de armar as jogadas, como vinha tentando fazer, com o maior esforço.

Ronaldinho fez uma grande partida contra o Japão. Jogando nesta função mais recuada, em relação ao que faz no Barcelona, ele jamais será o craque da Copa, o nome dos jogos. Está jogando mais para o time do que ele, como nunca fez na vida, e está sendo de extrema importância. Não compartilho das críticas de que está apagado. Está apenas jogando de maneira diferente. Aparecendo menos, mas ajudando demais a equipe, e sem reclamar. Parreira pediu que ele recuasse ainda mais contra o Japão, porque assim tiraria a marcação de pelo menos dois jogadores do time adversário de perto da área, deixando os atacantes mais livres e dando mais espaço para Kaká e os laterais aparecerem na frente, chegando com a bola dominada. Deu muito certo.

Quanto aos laterais, muita gente defende que Cicinho e Gilberto devem entrar no time, que deram mais mobilidade à Seleção. De fato, isso aconteceu, mas a defesa também ficou mais desprotegida. Acredito que Parreira mantém os bons véinhos Cafu e Roberto Carlos. Até porque, pela primeira vez, eles se sentem um pouco ameaçados e por isso devem render mais, graças à sombra que os reservas mostraram que podem fazer.

Quanto a Ronaldo, me sinto aliviado… Tanto leitor me xingou por estar defendendo a permanência do gordinho matador neste time. As pessoas estavam tratando Ronaldo como se ele fosse uma espécie de Obina, um perna-de-pau ou ex-jogador. Ronaldo é um dos maiores atacantes da história do futebol. E já mostrou, desde 2002, que é muito perigoso decretar o seu fim antes da hora… Eu fiz isso na Copa passada, em minhas colunas na Placar, talvez por isso não tenha repetido o erro.

E é incrível como Parreira sempre tem razão. Disse que o time teria enormes dificuldades na estréia, por ter feito a opção de não fazer amistosos fortes antes da Copa. Que o importante era ganhar da Croácia, mesmo com dificuldade, para crescer durante a competição. Foi exatamente o que aconteceu. Aí, com o mundo pedindo a cabeça de Ronaldo, manteve o atacante contra a Austrália, dizendo que ele iria melhorar. Foi exatamente o que aconteceu… Depois, mesmo com duas vitórias, o treinador era criticado no Brasil como se estivéssemos eliminados, como se vivêssemos uma tragédia na Copa. Todos o chamavam de burro, cabeça-dura (para não dizer que era vendido para a Nike e outras besteiras que sempre se escuta por aí…) por manter o camisa 9 no time. Sozinho, Parreira bancou Ronaldo, apostando que ele iria desencantar e o Brasil começaria a jogar seu verdadeiro futebol. Foi exatamente o que aconteceu…

Agora, o time pega Gana nas oitavas-de-final (times africanos nos eliminaram nas duas últimas Olimpíadas – é um jogo perigoso…) e, nas quartas, um adversário a ser definido que, sinceramente, pouco assusta (Espanha ou o segundo colocado do grupo G). Parreira caminha a passos largos para mais uma semifinal de Copa, mesmo com as pessoas achando que ele é um cabeça dura, burro, vendido para a Nike ou sei lá mais o quê… Falar mal do treinador da seleção é mesmo o nosso segundo esporte.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/06/2006 - 15:12

Compartilhe: Twitter

A chance de Robinho. Mas o quadrado não muda
Dida, Cicinho, Lúcio, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Juninho, Kaká e Ronaldinho; Robinho e Ronaldo.

Acaba de sair a escalação do Brasil para enfrentar o Japão. Ronaldo, como este blog vem dizendo desde sempre, joga. Até aí, nenhuma novidade. Seria o cúmulo da incoerência ter apostado tanto nele até agora, ter dito que ele precisava jogar pelo menos 45 minutos para pegar mais ritmo, e na hora H Parreira sacá-lo do time.

O que me surpreende mesmo é a entrada do genial Robinho no lugar de Adriano. Pode ser o começo do fim do “ataque de peso” na Seleção. Por quê? Durante a semana, o treinador disse sobre o camisa 23, que vinha entrando nos jogos sempre no segundo tempo, com o placar já favorável a Brasil: “Uma coisa é entrar no meio dos jogos, com o outro time já descansado, a defesa mais exposta. A outra é começar jogando”.

Agora, Robinho começa jogando, enfim. Vai ser testado ao lado de Ronaldo e de Adriano. Se der muito certo – mais certo do que a dupla Ronaldo e Adriano – vai criar a dúvida da semana para o jogo das oitavas-de-final.

O que ficou claro para mim, como já vinha dizendo também, é que o quadrado não muda. Reparem que Juninho entra no lugar de Zé Roberto, que será poupado – é jogador-chave para Parreira. O quadrado está mantido, ainda que com a entrada de Robinho. Parreira pode mudar o ataque, mas não muda o quadrado.

Ele escalou este time já sabendo quem será o adversário do Brasil nas oitavas… (basta não dar vexame contra o Japão e pagaremos o habilidoso e ingênuo time de Gana, uma moleza na minha modesta opinião…)

Nas laterais, Cicinho e Gilberto vêm treinando bem, mas ao contrário de Robinho e Juninho não mostram a menor ambição de ganharem a vaga. Fico curioso para ver como jogarão…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/06/2006 - 15:37

Compartilhe: Twitter

Um treino para as oitavas

Parreira não quis dar muitas pistas sobre o time que enfrenta o Japão nesta quinta-feira, em Dortmund. Meu palpite é que vai de Dida, Cicinho, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Zé Roberto, Kaká (Juninho entra no segundo tempo) e Ronaldinho; Ronaldo e Adriano. Poupa apenas Cafu e Emerson, os pendurados que têm mais chance de serem suspensos com um cartãozinho bobo. É só um palpite… Certo mesmo é que ele não abandona o quadrado.

O curioso é que ele diz que prefere ver seus jogadores dormindo na véspera das partidas já sabendo quem joga, quem fica no banco. Mas ressalta que este jogo é “especial”, pois o Brasil já está classificado — e que por causa disso só anuncia a equipe no vestiário, quer pensar com calma em quem vai poupar…

A coincidência é que o adversário do Brasil sairá horas antes, nas partidas do Grupo E, quando o time estará indo para o estádio. Suspeito que esse mistério todo é porque Parreira vai querer fazer da partida contra o Japão um treino para as oitavas, de acordo com o adversário da próxima fase. E aí seria mais difícil poupar alguns jogadores.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/06/2006 - 15:21

Compartilhe: Twitter

Um flashback de 1998

Longe de mim querer bancar o vidente, mas este time da Alemanha tem uma cara de França 1998… Pelo que lia e ouvia dos jornalistas locais antes do Mundial, esperava encontrar um país em guerra aberta com sua equipe quando cheguei à sede da Copa.

O maior jornal de esportes da França, o L’Equipe, chamava o técnico de burro todos os dias e criticava a convocação (até hoje, o grande Aimé Jacquet não perdoou o periódico, ao contrário do que fez Parreira em 1994 com toda a nossa classe…). Pela imprensa, o time da França estava destinado a um retumbante fracasso, ninguém apostava um tostão furado na taça, a seleção não caíra nas graças do povo.

Desembarquei em Paris e vi um cenário completamente diferente. Um time adorado pela torcida, carismático, com ataque horrível, mas uma defesa sólida e bons jogadores no meio-de-campo. O país jogava junto com o time e tinha um enorme orgulho de seus jogadores.

O mesmo ocorre agora na Alemanha. Antes da Copa, os jornalistas pediam abertamente a cabeça do técnico Klinsmann, criticavam a convocação, davam a entender que os alemães tinham medo de dar vexame, que perder de pouco já seria bom para eles…

Pois bem. O carismático Klinsman é adorado pela torcida (todos os dias há imagens dele na TV comemorando os gols de maneira eufórica – principalmente o da vitória contra a Polônia, no último minuto -, comparando com cenas da época em que era jogador (e que jogador!). Os transeuntes alemães param em frente às telas e soltam aquele sorriso de “esse cara é legal pra caramba”.

Essa empatia com a equipe ocorre desde o primeiro jogo.
A torcida, que de fato tem os pés no chão, como tinham os franceses em 98, simplesmente adora este time. O país entra junto com os jogadores em campo para cantar o hino. Impressiona e dá medo se tivermos de cruzar com eles pela frente…

ps: Por falar em flashbacks, Zagallo disse que teve um ao pisar no gramado do estádio Borussia na tarde desta quarta-feira, onde o Brasil enfrenta o Japão nesta quinta e fez o chamado treino para “reconhecimento do gramado”. Foi lá que ele comandou o time que perdeu da Holanda por 2 x 0, na Copa de 1974.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/06/2006 - 11:51

Compartilhe: Twitter

As indiretas de Kaká.
E a coragem de Adriano

Um chegou à Alemanha tinindo, em plena forma, louco de vontade para arrebentar. O outro chegou visivelmente fora de forma. Um mostra, todos os dias, vontade enorme de arrebentar, de entrar para a história neste Mundial. O outro, já consagrado, anda olhando para baixo ultimamente, desanimado e de mal com o futebol. Estamos falando de Kaká e Ronaldo.

Quem lê este blog sabe que venho defendendo a permanência do Fenômeno no time titular, por motivos que se podem ler nos posts anteriores. Mas concordo plenamente com quem acha inaceitável o fato de Ronaldo ter chegado tão pesado para jogar a Copa. “Ah, mas estava havia dois meses sem jogar…”, dirão alguns. Isso não é desculpa. Ronaldo não se cuidou como deveria. Cafu operou o joelho este ano e chegou voando na Alemanha. O camisa 9 claramente não viveu os dias que antecedem a Copa como Kaká, dormindo, sonhando e acordando com a Copa.

Por isso, Kaká tem dado indiretas constantes para o camisa 9. Depois de dizer após a estréia contra a Croácia que o time sentiu a falta de uma maior movimentação de Ronaldo, nesta quarta o jogador do Milan superou-se. Ao falar das atuações um tanto apagadas do outro Ronaldo, o “inho”, Kaká soltou, espontaneamente: “Mas você tem que ver que no Barcelona ele joga ao lado de dois atacantes muito velozes. Ele lança a bola e o Eto’o e o Giuly chegam sempre. Aqui, Ronaldo e Adriano formam uma dupla com características bem diferentes”.

A declaração não é nenhuma bomba, motivo para crise, nada disso. Mas para o bom entendedor basta. Foi mais um recado do melhor jogador na Copa, até agora, para um atacante que, em forma, era o mais veloz e mortal todos.

Apesar de tudo isso, sigo firme achando que Parreira acerta em manter o gorduchinho no time para as oitavas-de-final. Ronaldo, mesmo redondo, ainda brilha nesta Copa. Alguém quer apostar?

Adriano

Quem você prefere pegar nas quartas-de-final, os africanos de Gana, mais irresponsáveis, ou os italianos, a quem você conhece bem? Esta foi a pergunta feita a Adriano hoje. O jogador tem fama entre os jornalistas de não dizer absolutamente nada, sobre qualquer assunto. Hoje, surpreendeu:

– Eu prefiro a Itália.

E ele deixou claro que a preferência não é porque conhece bem os jogadores da Azurra, não… (afinal, joga na Inter de Milão). Mas, sim, pela falta de carinho que sente por parte de torcedores, jornalistas e colegas no país da Bota – o imperador está em crise em seu clube.

– Teria um gostinho especial marcar um gol na Itália, com certeza – conta.

E Adriano não está preocupado com a repercussão que essa frase pode causar entre os italianos? Afinal, é histórico no país do macarrão que jogadores que defendem clubes italianos e marcam gols contra a seleção nacional em Copas se queimam com suas torcidas… “Não me preocupo com isso. Eles entendem que jogar na Seleção Brasileira é minha profissão, que tenho de fazer gol na Itália, saberão separar as coisas”.

Veremos. Bom, primeiro a Itália tem que se classificar. E combinar de o cruzamento da próxima chave ser com o Brasil…

Em tempo: Adriano diz que deve continuar na Inter depois da Copa.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo