2006 maio | Carta-bomba, por André Rizek
iG

Publicidade

Publicidade

Arquivo de maio, 2006

31/05/2006 - 15:58

Compartilhe: Twitter

“Eu queria ficar, na raça”
Ao lado de Zagallo, Edmílson acaba de falar pela última vez como jogador da Seleção na Copa da Alemanha, às 20 horas de Weggis. Neste momento, segue para o Brasil. Veja como foi:

Como se sente neste momento?
Tô meio anestesiado… Tive uma lesão que em 2004 que me deixou oito meses parado. Batalhei muito para chegar até aqui e infelizmente sou pego por uma coisa dessas que acontecem na vida. Nunca esperava. Faço parte de um grupo que me deu…
(Começa a chorar na sala de imprensa, onde se houve aquela chuva de cliques dos fotógrafos)
Estou indo embora, mas meu coração fica aqui com o pessoal. Vou voltar à Seleção e conquistar muitos títulos.

Quando soube que estava lesionado?
Não me apresentei lesionado. No jogo de volta contra o Milan, pela Copa dos Campeões, senti as dores pela primeira vez. Senti a dor mais forte aqui. Vim sem saber, estava jogando na raça. Falei para o Parreira e o doutor Runco que eu queria ficar. O Parreira achou melhor cortar. Eu estava levando na raça mesmo, como vocês viram no treino…
(sorri pela primeira vez, em função da polêmica que vinha sendo criada em torno de suas divididas com Adriano)
E quero deixar claro que não tive nenhum atrito com o Adriano, foram coisas normais de treinos.

Por que você decidiu voltar em vez de ficar com o grupo?
Não ia agüentar ficar junto com o grupo. Não ia dar para dormir no hotel hoje à noite. Quando eu vivo uma coisa, vivo por inteiro. Estou feliz pelo Mineiro, que merece essa oportunidade. Tô supercontente porque o Mineiro vai fazer o mesmo papel que eu estou fazendo.
(ele usou mesmo o termo supercontente, acreditem…)

Como foi a reunião que selou o seu corte, na presença do Cafu?
Quero tirar o chapéu mais uma vez para o Cafu. Sempre foi meu ídolo e agora sou ainda mais fã dele. Me deu muita força.
Neste momento, a entrevista foi interrompida para que Edmílson retornasse ao Brasil

Zagallo

O coordenador técnico lembrou que, mesmo quando estava machucado, em 2004/2005, ele e Parreira pensavam em Edmílson para a Copa e que ele foi pego de surpresa, como todos em Weggis, ao chegar ao treino nesta quarta. Edmílson havia sentido o joelho pela última vez no jogo contra Lucerna, ao acertar um chute de longe, que pegou de mal-jeito. “Ele foi titular em 2002 e poderia ter se tornado durante a competição uma peça muito importante”, disse.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/05/2006 - 14:54

Compartilhe: Twitter

O corte de Edmílson
Comentários e causos da primeira (e espera-se a única…) baixa do Brasil em 2006

Como foi
Ele chegou ao treino de cabeça baixa, por volta das 16h de Weggis. Passou pelo corredor lotado de jornalistas e limitou-se a dizer: “depois, depois”. Todos queriam ouvir Edmílson por causa dos “pegas” com Adriano nos treinamentos em Weggis. Aconteceram duas vezes. Na primeira, semana passada, o volante tratou o assunto com o maior bom humor, dizendo que não estava para brincadeira nem em rachão. O último foi na segunda-feira e mereceu um puxão de orelhas de Parreira. Era a chance de ouvi-lo a respeito. Mas ele estava estranho. “Ih… foi cortado para não machucar o Adriano”, era a brincadeira entre os jornalistas. Ninguém sabia que, ao passar pelos repórteres e entrar no vestiário, o volante do Barça estava mesmo dando adeus à Copa. E nada teve a ver com suas entradas em Adriano.

Às 18h, os jornalistas foram chamados para ouvir o pronunciamento de seu corte, feito pelo médico da Seleção, José Luiz Runco e o coordenador técnico, América Faria, por causa de uma lesão.

Por que
Edmílson sofreu uma ruptura na face lateral do menisco de seu joelho direito. Trata-se de um nervo que às vezes pode até ser retirado do joelho sem grandes problemas em uma cirurgia simples, mas que avariado incomoda demais. É o mesmo joelho que o tirou de combate em boa parte do ano passado, graças à ruptura do ligamento cruzado anterior e da parte interior do mesmo menisco. Mas destas lesões Edmílson está curado. A lesão de agora é, curiosamente, bem menos traumática. Em três ou quatro semanas, o jogador poderá estar em campo novamente.

O volante sentiu o joelho em uma partida da Champions. De lá para cá, o local ora melhorava, ora piorava. É típico deste tipo de lesão. Na Seleção, Edmílson chegou treinando normalmente. No começo, sentiu um inchaço no joelho. Colocou gelo, melhorou e seguiu trabalhando normalmente. Jogou contra o combinado de Lucerna na terça-feira e, depois da partida, joelho inchadaço, comentou com o médico José Luiz Runco: “Desse jeito vai ser difícil, hein, doutor”.

O médico fez um exame de ressonância magnética e constatou o problema na parte lateral do menisco. “Na minha opinião, era incompatível com a disputa de uma Copa”, diz Runco.
Edmílson foi cortado assim que entrou no vestiário, para o treino da tarde. Seus colegas estavam no campo, menos o capitão Cafu, que participou da reunião que selou o corte com Parreira, Runco e o volante do Barça. O jogador não quis quis ficar com o grupo. Pediu para voltar o mais rápido possível para o Brasil ou Barcelona, de acordo com as ordens de seu clube sobre onde fará o tratamento.
Alguns médicos, como Runco, acham que é caso para cirurgia. Outros optam por um tratamento mais conservador, à base de fisioterapia. De toda forma, trata-se de uma lesão simples.

Edmílson não é Baresi
Em 1994, o zagueiro italiano Franco Baresi teve lesão no menisco também, depois da primeira partida da Copa. Recuperou-se a tempo de voltar justamente na final contra o Brasil. Há duas diferenças básicas: Edmílson não é Baresi, um dos maiores beques de todos os tempos (o maior que eu vi), que valha esse tipo de aposta arriscada. E a Itália não podia mais trocar um jogador naquela altura do campeonato.

Foi a vez do Brasil
O Brasil era uma das poucas seleções, das grandes, que ainda não havia sofrido com lesões. A Itália quase perdeu seu craque, Totti. Na Inglaterra, os atacantes Rooney e Owen vêm de lesão e são incógnitas. Messi, na Argentina, também assustou. Ballack lesionou-se na Alemanha. O Brasil sofreu sua primeira baixa. Edmílson pode não ter a importância destes nomes, mas era a opção preferida caso Parreira quisesse abandonar o quarteto e colocar mais um volante no time.

Mineiro
Se Parreira seguisse fielmente a lógica de convocar quem mais vezes vestiu a camisa da Seleção, o chamado para o lugar de Edmílson seria Renato, ou Júlio Baptista. Mas Mineiro está jogando muito e merece a vaga. E digo mais: acho que poderá ser útil se entrar em campo. Juninho poderia ser uma opção, abrindo uma vaga para Alex, por exemplo. Mas Parreira pensa no meia do Lyon apenas para a reserva de Kaká.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/05/2006 - 11:59

Compartilhe: Twitter

Parreira só pensa naquilo: marcação
E Ronaldo acha “ridículo” falar tanto de seu peso

Arrogante, quem?
Pela terceira vez desde que chegou à Suíça, o técnico fez questão de mostrar que só tem uma preocupação neste time: marcação. Com seus laterais (em especial Cafu), o entrosamento do quarteto e o peso de Ronaldo, o técnico é só confiança. Tanta que um repórter italiano, com muita dose de maldade, chegou a perguntá-lo no domingo se tamanha segurança no talento do time não seria arrogância… Com classe, o técnico ignorou a pergunta e respondeu que teme a Itália, Alemanha e outras seleções.

Os treinos contra babas
No sábado, o time fez um coletivo (4 a 0 nos reservas) e, no domingo, um jogo-treino contra uma verdadeira baba: o time de juniores do Fluminense, que excursiona pela Europa (5 a 1, de virada, em 48 minutos). O mais velho do time adversário tinha 19 anos. Havia um jogador de meio-campo, Renan, 18 anos, 1m61 e 55 quilos, que perto de Adriano e Ronaldo parecia um anão. A superioridade era tanta, obviamente, que atletas como Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos jogaram dando risada. Nesta terça, o Brasil enfrenta um adversário ainda mais fraco, a “seleção” da cidade da Lucerna…
“Na preparação para a Copa de 1994, jogamos com Honduras e Costa Rica. Em 1998, enfrentamos Andorra. Não estamos preocupados com o nível do adversário e, sim, com a formação do nosso time e a recuperação dos jogadores, que tiveram uma temporada muito desgastante”, disse o treinador. “Se a gente quisesse adversários fortes e mais temidos, os teríamos. Há equipes que, às vésperas da Copa, estão apenas jogando (Croácia, por exemplo, ainda vai enfrentar a Espanha…). A nossa filosofia já se mostrou correta outras vezes e a gente espera que a esteja no caminho certo novamente”, explica o treinador.
Mas não seria melhor enfrentador os reservas, uma equipe fortíssima, em vez da garotada naturalmente deslumbrada do Flu, os pernas-de-pau de Lucerna? “Não. Assim é bem melhor, tem rostos diferentes em campo, motiva mais o time, tem mais cara de jogo. Se eu pudesse, faria sempre assim”, diz Parreira. Pode-se concordar ou não com a opinião dele (eu, por exemplo, não concordo, acho que estes jogos são dias perdidos). Mas não se pode questionar a coerência do “professor”… Domingo, será a vez da Nova Zelândia.
O capitão Cafu, é claro, afinou o discurso com o do chefe: “É melhor jogar contra estas equipes agora. De repente, a gente pega uma seleção mais forte, ganha de 3 x 0 e não enxergamos os problemas, só o lado bom”. Então, tá.

A marcação
Qual a avaliação que Parreira faz da primeira semana de treinos? O técnico só pensa em marcação.
“Temos que trabalhar mais o posicionamento do time sem a bola, trabalhar isso de forma insistente. Eu sei que, na hora em que a gente pegar a bola e partir para cima, não tem ninguém com a nossa qualidade. Mas o time não pode jogar num 4-2-4. Se jogar num 4-2-4, não vamos ganhar a Copa.” Tradução: se apenas Emerson e Zé Roberto marcarem no meio, adeus hexa.

Cafu
Sobre o lateral de 35 anos, que está treinando muito bem em Weggis, Parreira voltou a mostrar toda a sua confiança no atleta que escolheu para capitão: “E ele está apenas começando… Trata-se de um fenômeno, na idade em que se encontra, ter toda essa explosão, velocidade, resistência. Sorte nossa que ele ficou 3 meses se recuperando de uma cirurgia este ano (no joelho). Graças a isso, não está desgastado pela temporada do Milan e, sim, muito motivado.

Ronaldo
Sobre o outro Fenômeno, no caso Ronaldo, ou melhor, seu peso, que é assunto diário em Weggis, o técnico mostrou enorme sinceridade de novo: “O peso dele está sob controle. Ficou praticamente 2 meses sem atuar. Demora um tempinho para normalizar. Vocês já devem ter uma melhora no estado físico dele. Vai estar no peso quando começar a Copa”, disse. “Não adianta querer comparar o físico do Ronaldo de 94 com o Ronaldo de agora. Ele mudou muito, ganhou muita massa. Quando falar do peso dele, vocês (jornalistas) têm que pesar isso.” O técnico tem razão: a melhora do Fenômeno (que diariamente corre em volta do campo depois dos treinos) é gritante desde que chegou à Suíça, há uma semana. “O Ronaldo é jogador de decisão. E vai decidir, vai marcar gol, que é o que ele sabe.”
O jogador falou sobre a “polêmica” nesta quarta: “Isso é ridículo. É falta de informação, é falta de assunto”. Cá entre nós: ele tem toda a razão.

Quadrado
“Estou gostando muito. Tem feito jogadas lindíssimas, grandes combinações. O nosso contra-ataque está mortal. O poder de decisão destes jogadores no campo é muito grande. Esta é a diferença do bom, do médio e do grande jogador”, diz Parreira.
Ronaldo também falou sobre jogar ao lado de Adriano, já que são dois centroavantes mais fixos e a experiência não é das mais comuns nas equipes em que atuou. Ele já atuou com Romário (a dupla de melhor aproveitamento na história da Seleção), mas Adriano é mais paradão… “Vamos ter que nos movimentar muito. Este negócio de esquema com número (em referência ao 4-2-4 citado por Parreira) não existe na prática. Na verdade, somos quatro atacantes neste time. E vamos ter que atacar com o maior número de jogadores possível quando tivermos a bola, e defender com o maior número sem ela”, disse o Fenômeno.

Ronaldo ianque?
Ronaldo confirmou que recebeu uma proposta para jogar no New York Red Bulls depois da Copa, podendo repetir a experiência ianque de Pelé e Romário. Disse que pensa no mercado americano, sim, porém é assunto para um futuro mais distante. E o Flamengo, hein? Esta semana nenhum dirigente da Gávea falou em contratar o Fenômeno? Me contem, porque estou do outro do lado do Atlântico…

Conselho ao dentuço
“O Ronaldinho já é muito experiente. A única coisa que posso falar para ele é que não receba mais responsabilidade do que já tem”. Assim falou o professor Ronaldo.

A estréia
Parreira: “Não quero chegar 100% no primeiro jogo. Se chegar no auge na estréia, não terei mais nada para evoluir no decorrer da competição. E foi evoluindo durante a Copa que vencemos em 94 e 2002, chegamos à final em 1998. A Colômbia, em 1994, ficou apenas jogando durante a fase de preparação. Chegou na Copa com grande expectativa pelos resultados que obteve, estava 100%. E não passou da primeira fase.”

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/05/2006 - 11:08

Compartilhe: Twitter

Arrasta multidões
Mais de 61.500 pessoas passaram por Weggis na primeira semana de treinos do Brasil na Suíça. É o maior fluxo de gente na história desta ex-pacata cidade, de 4 mil habitantes, que vive do turismo e recebe celebridades como Sophia Loren nas férias.

O que continua constrangedor é este “pedacinho do Brasil” ao redor do estádio, as barracas com sambão e mulatas assanhadas como nosso cartão postal diário. “Capirinha, capirinha, experimente a vitamina do Ronaldinho”, dizia uma delas hoje, antes do treino, vendendo a bebida como água. O local foi batizado como “Copacabana”, o belíssimo bairro carioca hoje tomado pela prostituição.

A profissão mais antiga do mundo, que na Suíça é legalizada, abriu muitas portas para brasileiras no país (e nem precisa ser bonitinha…). Você esbarra com elas em várias cidades da região. Todos os dias, as moças vêm trabalhar aqui ao lado do campo de treino, no “Samba Party” (a festa do samba).

Constrangedora imagem a que estamos “vendendo” aqui em Weggis…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/05/2006 - 14:43

Compartilhe: Twitter

Brasil empolga no primeiro coletivo

Treino é treino… Mas o time titular deu neste sábado a primeira mostra do seu poder de fogo antes da Copa. Em 47 minutos de bola rolando, 4 x 0 nos reservas, com várias tabelinhas empolgantes do quarteto.

Foram duas etapas. Na primeira, de 25 minutos, o campo estava reduzido em cerca de 70% de seu cumprimento. A idéia de Parreira era fazer com o que atletas aprendessem a jogar com espaço limitado, já que o Brasil vai sofrer forte marcação em todos os jogos da Copa. A idéia era fazer a bola rolar rápido. E deu tudo muito certo.

Com 15 minutos, uma rápida e mortal tabela. Kaká tocou para Ronaldinho, na esquerda, que ajeitou para Ronaldo, que arrematou de primeira: 1 x 0 (Rogério Ceni foi o goleiro reserva). Aos 23, Cicinho atrasou mal, Ronaldo chegou antes do goleiro e… 2 x 0.

Vamos lembrar que o adversário não era nenhuma baba… O time reserva do Brasil amedrontaria muita gente nesta Copa. E atletas como Juninho, Cris, Edmílson, Robinho e Fred estão treinando com enorme vontade.

Na segunda etapa, de 22 minutos, campo inteiro. Aos cinco minutos, Cris diminuiu, de cabeça, após cobrança de escanteio (mas estava impedido…). O que Parreira mais insistiu no treino foi no posicionamento da zaga em cobranças de escanteio. Quem se lembra da derrota para a França em 1998 agradece… Adriano marcou sempre um jogador alto do time reserva (no caso, Edmílson ou Cris). E fez pênalti em todos as jogadas. Quem se lembra de Júnior Baiano no Mundial da França, contra a Noruega, há de ficar preocupado… Segurar jogador dentro da área é bola na cal, Imperador!

Com a bola rolando, Parreira praticamente não passou nenhuma orientação, como ele mesmo já havia dito nas entrevistas. “Minha preocupação é a marcação. Com a bola, não tenho quase nada a ensinar aos Ronaldos, ao Adriano, ao Kaká”. E ele tem razão.

Aos 14, Cafu cruzou rasteiro da direita e Adriano só completou dentro da área: 3 a 0. Aos 15, Zé Roberto fez boa jogada pela esquerda, invadiu a área a bateu: 4 a 0.

Alguns comentários individuais:

Ronaldo
Pode estar pesado, ainda. Mas no primeiro tempo do treino mostrou que a “Era Ronaldo” ainda não acabou… Se continuar assim, entrando em forma a cada dia, tem tudo para arrebentar na Copa de novo.

Ronaldinho
Nenhuma jogada individual no ataque, apenas um giro espetacular em cima de Edmílson no meio-campo e uma série de lançamentos, de primeira, precisos e sutis para os atacantes. Vai jogar bem assim lá na China! Ou melhor, na Copa…

Adriano
No time titular, é disparado o cara que mais se esforça nos treinos. Tem uma fome de leão e divide todas as bolas.

Os laterais
Roberto Carlos se poupa claramente nos treinos. Cafu treinou muito bem, na marcação e no apoio. Chegou a salvar um gol dando um pique para tirar uma bola que, no lado esquerdo de Roberto Carlos, iria na cabeça de Fred. O “véinho” é o dono da camisa 2 sem nenhum choro. Cicinho não está assustando em nada o capitão.

Emerson
Não sei se o exemplo de 2002, quando se machucou num simples rachão às vésperas da Copa, o traumatizou. Mas nosso volante está claramente medindo cada passo nos treinos.

Juan
Foi muito bem. Jogou sério como se fosse um jogo de verdade.

Reservas
Juninho foi o melhor do time. E foi o melhor de toda a Seleção, disparado, nos treinos de cobranças de falta, pela manhã. De quatro bolas (Júlio César no gol), duas foram pra rede, outra na trave e a última exigiu bela defesa. Antes que perguntem, Ceni não treinou cobranças. Mas disse que não há nenhum impedimento para fazer isso.

Fred foi o atacante mais perigoso. Robinho vinha apavorando em treinos de ataque contra a defesa, deixando os zagueiros com a bunda no chão. Na hora do coletivo, sumiu…

Parreira ensaia jogadas de lateral

Jogada 1
Roberto Carlos bate o lateral na esquerda, Adriano, no primeiro pau, escora para trás. Ronaldinho Gaúcho está quase na marca do pênalti, mas a bola vai para o Fenômeno, no segundo pau, concluir.

Jogada 2
Roberto Carlos vai bater o lateral. Adriano está no primeiro pau. Ronaldo, no segundo. Ronaldinho, na marca do pênalti. O Gaúcho se desloca para a linha da grande área, mata a bola, leva em direção à meia-lua e bate de direita.

Suíços vaiam
Num treino do dia 27 de maio, sob chuva forte às 9h da manhã, lá estavam os cinco mil torcedores cativos no estádio para ver as celebridades do Brasil treinar. Dida, Rogério e Júlio César entraram em campo para um bate-bola e um leve trabalho físico. Uma hora e meia se passaram e nada dos demais jogadores. Os suíços, que haviam pago pelo show, pela primeira começaram a vaiar e a fazer barulho pisando nas arquibancadas. Neste dia, a comissão técnica havia se preparado para deixar os jogadores na sala de musculação. O locutor teve de anunciar pelos auto-falantes: “Pedimos paciência, os atletas do Brasil já vêm para o campo”. E foram mesmo: deram algumas voltas no gramado, bateram algumas faltas. Depois, Parreira, Dida e Adriano posaram para fotos por terem recebido um prêmio e… foi só. Certamente foram os 20 francos mais mau-gastos da história. No ingresso, está expressamente escrito: “caso o treino seja cancelado por algum motivo, o portador deste não tem direito a ressarcimento.” Paciência. Pior para quem mora nas cidades vizinhas, pegou a estrada de manhã e foi a Weggis pensando em ver um show dos galácticos de Parreira…

Barranco superlotado
No primeiro coletivo realizado em Weggis, além dos 5 mil pagantes habituais, havia pelo menos mais mil pessoas nos barrancos ao redor do estádio assistindo de graça ao treinamento.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/05/2006 - 15:11

Compartilhe: Twitter

Inglaterra, a primeira do ranking

Pelo menos no ranking de campeonatos nacionais que mais cederam jogadores para a Copa.
Basta uma pesquisa razoável no site da Fifa que está tudo lá. Confira:

1) O campeonato da Inglaterra cedeu nada menos que 102 jogadores para as seleções que disputam a Copa de 2006. O Chelsea é o clube com mais atletas na Copa, com 16 nomes. O Arsenal é o segundo, com 15. Minha seleção dos jogadores do Mundial que disputam o campeonato inglês: Lehmann (ALE, e ainda tem o Cech…), Campbell (ING), Ricardo Carvalho (POR) e Terry (ING); Gilberto Silva, Gerrard (ING), Lampard (ING), Xabi Alonso (ESP) e Joe Cole (ING); Henry (FRA) e Crespo (ARG).

2) Alemanha, com 73 jogadores. O Bayern de Munique tem 11, incluindo o Ballack, que quando foi convocado era do clube alemão e não do Chelsea, o seu novo lar. A seleção do campeonato alemão: Kahn (ALE), Jansen (ALE), Lúcio, Juan e Gilberto; Schweinsteiger (ALE), Zé Roberto, Ballack e Niko Kovac (CRO); Hanke (ALE) e Klose (ALE).

3) Itália, com 61 jogadores. O Milan cedeu 13 jogadores e a Juve, 12. A seleção: Buffon (ITA); Thuram (FRA), Nesta (ITA) e Cannavaro (ITA); Emerson, Kaká, Totti (ITA) e Nedved (TCH); Shevchenko (UCR), Ibrahimovic (SUE) e Adriano (BRA). E ainda teria o Toni na reserva desse ataque…

4) França, com 57 jogadores (9 do Lyon). Confesso que não consegui formar uma seleção como as outras… Prova de que quantidade não é qualidade neste caso.

5) Espanha, com 52 jogadores. Seleção: Casillas (ESP), Cicinho, Puyol (ESP), R. Márquez (MEX) e Sorín (ARG); Edmílson, Deco e Riquelme (ARG); Robinho, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho.

Outros países: a Holanda cedeu 27 jogadores; México 23, Japão e Portugal 19, Estados Unidos 15 e a Rússia, fora da Copa, forneceu 10. O Brasil teve apenas seis atletas: Rogério Ceni, Ricardinho, Gamarra, Manzur, Mascherano e Tevez. O nosso campeonato não anda nada bem… Acorda, cartolagem!

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/05/2006 - 09:25

Compartilhe: Twitter

Melhor que em 2002

A declaração mais forte que já foi dada desde que a Seleção chegou à Suíça veio do médico Luiz Runco: “Clinica e fisicamente, sem dúvida estamos melhores do que em 2002″.

Ele se referia, obviamente, às condições de Ronaldo e Rivaldo, que chegaram baleados ao Mundial passado – e acabaram desequilibrando. Agora, no time de Parreira, não existe nenhum jogador que tenha limitações. Todos poderiam jogar 90 minutos se a Copa começasse amanhã, inclusive Ronaldo (recuperado de lesão muscular faz 14 dias).

Mas e tecnicamente, estamos mais fortes do que em 2002, quando Felipão & Cia trouxeram o penta? Vamos comparar.

Goleiros
Marcos x Dida
Sei que muita gente considera o Dida frangueiro. Para mim, é um dos melhores goleiros do mundo (caso contrário não seria titular do Milan, um dos maiores clubes de um país com larga tradição em goleiros). O problema é que a gente só vê os gols que o Dida toma, nos programas de domingo. Não vê suas defesas (e elas raramente são espalhafatosas… Dida prima pela regularidade). Gozado isso. Quando jogava no Cruzeiro e no Corinthians, era unanimidade. Foi virar goleiro do Milan (uma promoção e tanto) e virou mão-de-pau. Pela brilhante Copa que fez há quatro anos, eu até preferia o Marcos, em forma, (e por isso 1 x 0 para o time de 2002). Mas acho que estamos muito bem servidos com o nosso arqueiro de gelo.

Lateral-direito
Cafu x Cafu
Ele vive desde 1994 de calar a boca de seus críticos. O camisa 2 de quatro anos atrás era melhor em 2002? Certamente. E por isso 2 x 0 para o time de 2002. Mas há de se pesar que desta vez temos um reserva como Cicinho. Não me preocupo com o nosso lado direito da defesa.

Zagueiro central
Lúcio x Lúcio
O nosso beque continua tão bom e psicopata como na Copa passada, capaz de dar uma voadora em algum adversário num lance banal; uma cabeçada em um colega de time; ou mesmo decidir uma partida desarmando e atacando, porque jogar ele sabe muito bem. Empate. Segue 2 x 0 para o time de 2002.

Líbero
Edmílson x Emerson
Ok, não temos líbero este ano… Emerson seria o equivalente. Fico com o volante da Juventus, mas é uma parada dura. 2 x 1 para o time de 2002.

Quarto-zagueiro
Roque Júnior x Juan
Não que Juan seja uma Brastemp, mas é melhor do que o ex-palmeirense. Tem mais regularidade, é melhor nas bolas aéreas e raramente entrega a rapadura na saída de jogo, porque joga com mais simplicidade (e ao contrário do Roque não se acha craque). O time de 2006 chega ao empate em 2 x 2.

Lateral-esquerda
Confio bastante em Roberto Carlos nesta Copa. Mas há quatro anos ele era o melhor do mundo em sua posição. E hoje não está mais nem entre os cinco melhores. Caiu muito fisicamente. 3 x 2 para o time de 2002.

Volante
Gilberto Silva x Zé Roberto
Como as duas seleções têm esquemas diferentes, esta teria de ser a comparação se quisermos pôr os 11 jogadores lado a lado… São dois jogadores de características muito diferentes. E muito bons dentro de suas funções. Fico com empate. E segue 3 x 2 para o time de 2002.

Meia 1
Kléberson x Kaká
Alguém tem dúvida? Para mim, o ex-são Paulino tem lugar em qualquer time e seleção do planeta. Ponto para 2006: 3 x 3.

Meia 2
Ronaldinho Gaúcho x Ronaldinho Gaúcho
A versão 2006 está muito, mas muito mais turbinada! 4 x 3 para 2006.

Atacante 1
Rivaldo x Adriano
Acredito que Adriano tem tudo para ser o artilheiro da Copa. Ele é muito bom. Mas o Rivaldo de 2002 é insuperável: 4 x 4

Atacante 2
Ronaldo x Ronaldo
Me incluam fora dessa! Na Copa passada, escrevi (e fiquei muito feliz de ter quebrado a cara) que o moço era um ex-jogador, que era absurdo convocá-lo e tudo o mais. E agora? Aparentemente, Ronaldo chega em condições muito melhores (apesar de mais velho) e aposto que vai arrebentar de novo. Mas prefiro ficar em cima do muro e manter o empate aqui… Já quebrei a cara com o moço uma vez, né.

Resultado final: 4 x 4 tecnicamente. Mas estamos melhores fisica e clinicamente em 2006. Dá para ficar animado…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/05/2006 - 06:38

Compartilhe: Twitter

O circo de Weggis

A Seleção chega nesta segunda-feira a um dos lugares mais belos do mundo. Imagine um enorme lago cercado por montanhas rochosas, com os picos nevados e muita vegetação em volta. Nas margens, um aprazível vilarejo com pouco mais de 4 mil habitantes e povo de enorme simpatia e tradição em receber turistas, que são na sua maioria idosos milionários em busca de tranqüilidade, hotéis cinco estrelas e clima mediterrâneo. E que pagam em francos suíços…. Assim é Weggis, a cerca de uma hora de Zurique, a maior cidade do país.

Foi debaixo de uma árvore às margens deste lago que o escritor americano Mark Twain – para ele a mais bela visão do mundo — obteve inspiração para a sua obra “Aventuras de Huckleberry Finn”, um clássico da literatura mundial. Mas Parreira vai ter que trabalhar muito se quiser manter o sossego e a concentração do time antes de seguir para a Copa da Alemanha. Por quê? Confira:

– A estrutura armada para receber o Brasil mais parece um circo. Construíram um estádio, belíssimo (muitos times no Brasil não possuem um igual…) para cinco mil pessoas sentadas em cadeiras e com o mesmo gramado dos estádios da Copa. Mas em volta dele há estrutura para shows (já há cartazes anunciando um pequeno carnaval, com mulatas em trajes de passistas de escola de samba, o nosso “tradicional” cartão postal no exterior) e, pasmem, até um cassino alugou uma tenda bem ao lado do campo de treino. Ok, os jogadores não deverão nem sambar e nem fazer apostas em roletas, mas é no mínimo “extravagante” treinar em um local assim. A arquibancada fica coladinha no campo.

– Por que o circo? “Os brasileiros são um time de estrelas e se comportam como tal. Gostam de treinar debaixo dos holofotes”, escreveu um jornal da região. Será que Parreira pensa assim também? É claro que não. E vai tomar um susto quando chegar aqui. Tudo foi armado por um empresário da região que tem uma fábrica de máquinas de café expresso. Ele vai entrar no mercado brasileiro ano que vem, abastecendo as lanchonetes do MC Donald’s e da Starbucks. Achou que não haveria propaganda melhor do que armar toda esta estrutura para receber os treinos do Brasil – e aparecer em toda a imprensa nacional e mundial. Pagou 500 mil francos suíços (cerca de 1,2 milhão de reais) e gastou mais de 1,3 milhão de dólares para construir o estádio, a estrutura de imprensa e tudo o mais.

– A simpatia do povo de Weggis é comovente. Há bandeiras do Brasil em toda a parte e chegaram até a colocar as do Brasil e da Suíça, lado a lado, em uma das montanhas mais altas da região, numa rocha. Ao lado do campo de treino, tem um anúncio: “Brasil x Suíça na final, a estrela que falta para o hexa”. Uma rede de farmácias espalhou cartazes com uma foto de seus funcionários: “Brasil, somos seus maiores fãs”. Um criador de porcos que tem terreno ao lado do estádio, Alfred Stoeckli, chegou a tirar toda a sua criação do local, para que o cheiro não incomodasse a Seleção (e o cheiro ainda é forte…).

– O hotel da Seleção é bem diferente de outras fortalezas que já receberam o time em preparação para torneios como a Copa, quando não era possível se aproximar sequer do portão de entrada. É cinco estrelas, com todo o luxo. Mas os quartos ficam todos pertinhos da rua (a única “avenida” de Weggis), menos de 20 metros mesmo. Talvez haja algum esquema de segurança para que as pessoas não possam se aproximar, mas aparentemente isso parece impossível. Trata-se da única avenida da cidade e acesso a demais vilarejos nas margens do lago.

– O técnico da Suíça, Kobi Kuhn, tem uma casa de campo em Weggis. É onde recarrega as suas baterias (quando não existe um circo como o armado para receber nossa Seleção, evidentemente…). E mais um pouco de curiosidade turística. Aqui existe um trenzinho para o topo das montanhas, do século 19, que foi importado para o Corcovado, no Rio. Certamente a Seleção será convidada a conhecê-lo, como também para fazer passeios de barco, ir aos shows e tudo o mais. Parreira vai perder o sono…

Por André Rizek e Frank Kohl (colaborador alemão de Placar)

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/05/2006 - 22:53

Compartilhe: Twitter

Belletti, o dono da taça

O herói do título carregou a taça de campeão europeu sozinho, do vestiário do Barcelona até o ônibus que levou a equipe espanhola a um club de Paris, onde foi a festa da conquista. Passou com ela nos braços no meio dos jornalistas, após a partida. “Pedi aos jogadores para levar o troféu e eles deixaram”, disse Belletti, que entrou aos 26 minutos do segundo tempo e fez o gol que definiu a vitória do Barça por 2 x 1 contra o Arsenal.

O que passou pela sua cabeça quando comemorou a vitória daquela forma emocionada, recém deixado de fora da lista de Parreira para a Copa do Mundo? “Pensei apenas no meu filho que nasceu semana passada, Djean Luca, que se escreve com D”, disse o jogador. Mas não pensou em ter ficado de fora da Copa, não era uma resposta? “De maneira nenhuma! Eu penso é no Barcelona, em fazer feliz essa torcida, que é a maior do mundo. O que sinto pela Seleção é felicidade e orgulho em tê-la ajudado a se classificar para o Mundial. Vou assistir a todos os jogos. E vou torcer pela Seleção”, disse o jogador. Em 2002, o meia Alex, preterido na época por Scolari, disse que não assistiu aos jogos do Brasil na Copa (vai assistir este ano???).

Belletti já jogou no São Paulo e no Cruzeiro. Sabe bem da obsessão que os brasileiros têm pelo Mundial de Clubes. Sabe bem que todos sonham em vencer a Libertadores principalmente como um passaporte para Tóquio. Placar perguntou ao jogador do Barça, classificado para o torneio da Fifa em dezembro: vocês pensam no Mundial de Tóquio depois desta conquista?

“Não. Isso aqui não tem nada a ver com o que acontece nos clubes brasileiros. Aqui, o torneio da Fifa nem é chamado de Mundial, é Intercontinental”, diz. “A Champions é do nível de uma Copa do Mundo. Chelsea, Barcelona, Real Madrid, Juventus, Arsenal, estes times valem por seleções. Nosso objetivo na temporada é vencer a Champions”, disse.

Os compatriotas Silvinho e Deco foram um pouco mais políticos na hora de explicar o desprezo europeu pelo confronto com o campeão sul-americano e demais vencedores de seus continentes. “Estou na Europa há oito anos e demorei um pouco para entender isso”, diz Silvinho. “O que eu acho que pesa mais é que, no Brasil, a temporada termina em dezembro, na época do Mundial. Aqui, termina agora, em junho. Terminar uma temporada com uma grande conquista faz a diferença na hora da motivação. Em dezembro, estamos no meio de uma temporada na Europa…”, diz. Pouco depois, ele mesmo lembrou que na Argentina o calendário funciona como no Velho Mundo e, no país vizinho, eles têm a mesma motivação que os brasileiros… “Os jogadores europeus não ligam muito para o Mundial. Mas nós vamos nos importar com ele este ano, sim”, garante Deco.

Visão de jogo
Todo mundo esperava um duelo Henry x Ronaldinho… Mas o jogo foi do genial Eto’o e dos reservas Larsson e Belletti. Eto’o é um gênio. Rápido, inteligente, esguio, habilidoso, matador. Azar da Copa que não o veremos com Camarões… Na minha modesta opinião, teria lugar na Seleção Brasileira. Dizem que pode ir para o Chelsea, que sonha com o camaronês ou Schevchenko em seu ataque.

Mas, voltando ao jogo… O ótimo Henry não roubou uma bola e não entrou em nenhuma dividida! Não é culpado, é claro, mesmo assim foi o jogador mais perigoso de sua equipe. Mas acho que, se tivesse a garra do Tevez, por exemplo, seria um monstro. E poderia ter decidido o jogo.

O Barça não fez uma grande partida, longe disso. Atrás no marcador a maior parte do tempo, perdeu a chance de jogar no contra-ataque, como mais gosta. Por pouco a melhor defesa não vence o melhor ataque. Impressionante como o time inglês marca bem do meio para trás.

O barulho dos catalães
Como escrevi na terça, de fato havia muito mais torcedores ingleses no estádio (quase 2/3). Mas, ao contrário do que previa, foram os espanhóis quem fizeram muito, mas muito mais barulho no estádio. Algo surpreendente. Os ingleses têm fama de passar o jogo todo cantando… E isso não aconteceu nem mesmo quando estavam em vantagem no placar.

Gilberto, o vovô
A imprensa brasileira ficou surpresa em constatar como Gilberto Silva é importante para o time do Arsenal, dentro e fora do campo, sendo um dos mais requisitados para entrevistas pela imprensa internacional. “É que, apesar de não ser nenhum vovô, já sou um tiozinho no futebol, né”, disse o jogador, que completa 30 anos em outubro. Ao contrário do colega Henry, ele não demonstrou abatimento com a derrota. “Temos de ficar felizes pelo que fizemos. O Arsenal era um time desacreditado no começo da temporada e chegamos à final depois de eliminar Real Madrid e Juventus. Foi um grande feito”, disse. “E essa derrota não pode me abalar às vésperas do Mundial”, falou. Ainda bem que ele pensa assim…

A revolta inglesa (ou francesa…)
Os franceses Thiery Henry e o técnico Arséne Weinger souberam a quem culpar pelo derrota do Arsenal: o juiz. “Ele não deveria ter expulsado o Lehman (aos 18 do primeiro tempo, cartão justíssimo). Nossos atletas foram heróis e mereceram vencer”. O juiz foi muito bem, seu Weinger! Não dê uma de Luxemburgo, hein…

Mais informações em www.placar.com.br

Até a próxima!

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/05/2006 - 20:25

Compartilhe: Twitter

Por dentro da Champions
Escrevo de Paris, onde ao lado do fotógrafo Alexandre Battibugli fazemos a cobertura da final da Liga dos Campeões entre Barça e Arsenal para a Placar. Um pouco de bastidor e “ambiente” da cidade:

Arsenal invade Paris
A impressão de quem circulou por Paris nesta terça-feira é de que apenas torcedores do Arsenal vieram à França para a decisão da Liga. No aeroporto, nos bares, nas calçadas, no próprio estádio, só gente com as camisas grená, amarela e azuis do clube inglês, que tenta pela primeira vez ser campeão europeu.

São desde turistas comportados e endinheirados em restaurantes chiques, mochileiros ou mesmo aqueles típicos caras com visual de hoolingans: barrigão à mostra, copo de cerveja sempre cheio, pele rosada e cabeça raspada. E eles fazem um barulho danado… A imprensa britânica calcula que até 30 mil pessoas virão de Londres para o jogo.

Já a imprensa espanhola anda meio decepcionada com a diretoria do Barça, que teve uma carga de 21 mil ingressos enviados à Catalunha. Mas apenas oito mil foram colocados à venda. O resto foi distribuído para artistas, políticos famosos e amigos da cartolagem. Talvez por isso o Barça esteja fazendo menos barulho em Paris.

A aposta é de que o Arsenal tenha mesmo maior simpatia na arquibancada, já que conta com o principal jogador francês na atualidade, Thierry Henry.

Ronaldinho, quem?
Os técnicos do Barcelona e do Arsenal não quiseram alimentar o evidente duelo de craques que se verá em Paris pela final da Liga. Ronaldinho? Henry? Na entrevista que concederam nesta terça-feira para jornalistas de todo o Mundo, eles tentaram ao máximo fugir do assunto.
“Acho bom que se fale dos jogadores, é tudo o que tenho a dizer sobre isso”, disse o holandês Frank Rijkaard, treinador do Barça. “Tratam-se de duas grandes equipes, e não são apenas Ronaldinho e Henry em campo”, disse o francês Arséne Wenger. Então, tá… Mas de tanto espremer a imprensa conseguiu tirar pelo menos alguma boa informação do francês. Ele jura que não fará marcação individual no craque brasileiro. Segundo ele, suas equipes não marcam ninguém assim.
Como se percebe, não foi à toa que Ronaldinho e Henry, por orientação de seus clubes, não deram entrevistas nesta terça. O francês, aliás, ainda não renovou com o Arsenal. Muita gente fala de seu futuro (Real Madrid? Chelsea?). Menos o próprio atacante.

E por falar em marcação…
Qual vai ser a receita do Arsenal para levar a taça? Wenger não esconde de ninguém. “Vamos adiantar um pouco a marcação, marcar muito. Se a marcação for boa, seremos campeões aproveitando pelo menos uma chance de ataque” Foi assim que o time inglês chegou até aqui, levando apenas dois gols em toda a competição, marca notável.

O moral do Gilberto
Apenas os treinadores e dois jogadores de cada equipe participaram das entrevistas na véspera do jogo. Pelo lado do Arsenal, Ljungberg e Gilberto Silva. O volante foi questionado pela imprensa brasileira sobre como seria marcar Ronaldinho. Repetiu que o Arsenal não faz marcação individual. “Eu nunca o enfrentei na vida. É um prazer vê-lo jogar… Mas se ficar falando muito dele, isso vai ser ruim para a nossa equipe”.

Melhor que Pelé?
Perguntei ao goleiro do Barça, Valdez, se era exagero da imprensa brasileira comparar seu colega Ronaldinho ao Rei do Futebol. “Não vi Pelé jogar. Então, para mim, Ronaldinho é, sim, o maior de todos no futebol”. Palavra do goleiro que viu o camisa 10 treinar faltas ontem. Se tiver uma chance pelo lado esquerdo da área (lado do direito do goleiro), o aproveitamento foi impressionante. Pelo menos no treino… “Ele só precisa de um segundo para fazer coisas impressionantes. E não é só no campo. Ronaldinho é muito importante no grupo, é a alegria do Barça”, diz o zagueiro Puyol

Mundial da Fifa? O que é isso?
Não tive a chance de perguntar aos jogadores… Mas os jornalistas europeus definiram bem qual é a importância do Mundial de Clubes da Fifa, tão valorizado em nosso Continente, para eles. “É como uma Copa das Confederações. As pessoas sabem que existe e querem vencer. Mas não ligam muito”. Ou seja: a grande decisão do ano para o futebol europeu acontece nesta quarta-feira. Depois, só no ano que vem.

Acrobacias
Os colegas do dentuço até tentam acompanhá-lo na hora do “melê” (brincar com a bola sem deixá-la cair…). Mas Ronaldinho realmente parece um marciano na turma. Ao lado do Gabri, então, é uma covardia! O único que chega perto é o africano Eto’o.

Arséne, o engraçado
O técnico do Arsenal é uma simpatia só. Vejam só o que respondeu sobre o fato de jogar esta decisão em seu país (nasceu em Strasbourg, 1949). “O lado bom é estar ao lado de amigos e familiares. Mas o lado ruim é que muita gente está me pedindo ingressos. E eu realmente não tenho…”. Também disse que, se o time vencer, pode até liberar o álcool para seus jogadores na festa. O técnico é contra a ingestão de bebidas por parte de seus comandados.

Rijkaard, o poliglota
Ele respondeu a perguntas em italiano (jogou no Milan), inglês, espanhol e francês, já que alugou uma casa em Mônaco por uns tempos, onde ficou amigo de Henry. Foi impressionante de ver.

Curiosidades
– O Barcelona foi campeão da Liga em 91/92 (venceu a Sampadoria) e perdeu as decisões em 60/61, 85/86 e 93/94.
– Na última vez que um time inglês enfrentou um espanhol na decisão, deu Inglaterra. Foi em 1981: Liverpool 1 x 0 Real Madrid.
Este ano já houve 18 encontros entre times espanhóis e ingleses, em diferentes competições européias. Os espanhóis levam larga vantagem: 4 derrotas, 7 empates e 7 vitórias. A última delas foi na final da Copa da Uefa, semana passada, Sevilla 4 x 0 Middlesbroug.
– O Arsenal é o único time de Londres que já chegou a uma final da Liga.
– No duelo de países, são 10 títulos para Inglaterra, Espanha e Itália. Alemanha e Holanda têm seis.

Mais notícias (e as fotos, é claro!) no www.placar.com.br

Arrevoir

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo