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27/04/2006 - 12:04

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Racismo no Palestra

Foi a primeira vez no ano que assisti a um jogo do Palmeiras na arquibancada, no meio da torcida. Como todo ser-humano que se preze sabe bem, é o melhor lugar para se assistir ao jogo! Ok, não é o melhor para se observar os lances, as atuações dos jogadores e dos juízes. Mas “o jogo” é muito mais do que isso. Por esse motivo, assim que chegamos ao estádio e fomos convidados para assistir à partida na tribuna (eu e o colega Jonas Oliveira), não tivemos dúvida: fomos nos sentar na arquibancada, anônimos.

Na cabine de imprensa, vivemos em um redoma de vidro. Tem lanchinho, água, lugar reservado. Não sabemos o que se passa no lugar mais importante de um estádio. Não temos idéia de como o torcedor é tratado, por exemplo. Não sabemos como estão as condições de nossos estádios. Por isso, muitas vezes, omitimos fatos importantíssimos que se passam em um “jogo”, na melhor acepção da palavra.

Um deles me espantou ontem. Aconteceu por volta de 15 minutos do segundo tempo. O zagueiro Fabão, do São Paulo, foi bater um lateral perto da torcida do Palmeiras que estava sentada na chamada “arquibancada da curvinha”, ao lado das cadeiras. É lá que eu estava. Primeiro, alguém gritou: “preto filho da puta”. Não era exatamente um sujeito ariano que gritou… Na seqüência, várias pessoas (difícil precisar se eram 30, 40, 50) começaram a imitar o som de macacos, aquela abominável atitude de algumas torcidas européias, em especial de parte dos italianos da Lazio e de parte dos franceses do PSG.

Olhei em volta e senti revolta, raiva, nojo. Não culpo meus colegas por não estarem noticiando isso nos jornais de hoje. Os repórteres que estavam no campo usam fones de ouvido, com o som da transmissão (é impossível ouvir as reações de parte da torcida quando elas não são escandalosas, do estádio inteiro). Quem está na tribuna escrevendo sobre o jogo, preocupado com os lances, as notas dos jogadores, talvez não tivesse como ouvir aquilo. É que eu estava na arquibancada. E graças a isso presenciei, pela primeira vez, uma reação dessas em um campo de futebol no Brasil.

Já havia ouvido sobre reações racistas de parte da torcida do Palmeiras (no ano passado, contra o São Paulo, pela mesma Libertadores, imitavam macaco quando Grafite pegava na bola). Mas presenciar isso ao vivo foi uma experiência assustadora e inesquecível.

E tem gente que ainda acha que não existe racismo no Brasil e que punições para atos como o do zagueiro Antônio Carlos são desnecessárias na esfera esportiva. Se atos como aquele do jogador racista do Juventude (contra o gremista Geovânio) não forem punidos, amanhã este punhado de torcedores que imitaram macacos no Palestra serão 100, e depois 200, e depois 400. Porque vão achar que racismo é uma coisa natural, do dia-a-dia, que serve como recurso para desestabilizar um adversário.

O que eu teria gostado de ver era o resto da torcida palmeirense, a grande maioria palmeirense, ter repreendido estes 30, 40 ou 50 babacas. Quem sabe da próxima vez.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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16 comentários para “”

  1. Daniel Piraine Trava disse:

    Muito pertinente este post. Acho que o fato que ocorreu entre o zagueiro do Juventude e o volante do Grêmio foi realmente infeliz. Porém a mesma imprensa que noticiou com tanto estupor este fato não comenta nada sobre os cânticos ultra-racistas que torcida gremista direciona aos colorados.

    Seria o clássico caso de um peso duas medidas?

  2. Alexandre Giesbrecht disse:

    [http://www.theslot.com.br]

    Lamentável que esse tipo de coisa aconteça em nosso país. Mais lamentável ainda quando se lembra de como este país se vangloria de sua miscigenação, como se aqui o racismo fosse um vocábulo de dicionário e nada mais.

    Tentar irritar um jogador com piadinhas e xingamentos inocentes é uma coisa. Ferir a honra dele, junto com a de outros milhões de pessoas é outra, totalmente diferente.

    Quanto ao sujeito que “não era exatamente ariano”, é mais uma daquelas situações não tão incomuns no Brasil em que o cara tem “orgulho” por ser “menos preto que outro”.

    Alexandre Giesbrecht

    P.S.: Como assim “o resto da torcida palmeirense, a grande maioria palmeirense”?

  3. Vinny Peraça disse:

    ( http://futebolnamidia.blogspot.com )

    Racismo sempre existiu nos estádios, tanto por parte de torcedores como também dos jogadores. Quem vai ao estádio e assiste das arquibancadas, como tu fez, sabe disso. E cabe à imprensa tornar público isso. Da mesma forma como tu ficou na arquibancada para assisitr, outros tantos repórteres de rádio ficam para “captar a reação e a opinião” dos torcedores. Eles vêem isso, sabem disso e nada falam. Pura covardia e medo de retaliações em jogos futuros.
    Outro ponto interessante é que os clubes devem ser punidos, sim, pelos atos de sua torcida. Muitos dizem que não há como controlar e blablabla. Conversa! Já era para os estádios terem câmeras instaladas para identificar vândalos e geradores de confusões, mas os clubes se apóiam na impunidade e na acomodação para não cumprirem essa recomendação. Merecem punição, talvez assim aprendam.

    Quanto aos cantos da torcida gremista, não considero um gesto de racismo pelo simples fato de que a torcida colorada usa o macaco como símbolo. Basta ver as faixas coloradas nos estádios. Grande parte delas ostenta um grande macaco com a camisa do clube. Sendo assim, considero a tão polêmica frase “chora macaco imundo que nunca ganhou de ninguém” normal, apenas mais uma provocação de rivais históricos. Os verdadeiros atos de racismo, aqueles que ofendem profissionais que estão exercendo sua profissão honestamente muitas vezes são esquecidos, enquanto besteiras como uma provocação entre torcidas vira alvo de críticas de quem nunca esteve lá, em meio a essa torcida e sequer sabe o contexto do canto.

  4. Glauber disse:

    Não tem nada a ver esse papinho furado. O Palmeiras está cheio de jogadores negros e ninguém é louco de se incomodar por isso, muito pelo contrário. Djalma Santos é só um dos grandes nomes negros da história do Palestra. O próprio Ademir é sarará, ou negro, se preferir. Qaundo o torcedor chama um zagueiro adversário como o Fabão de negro %!@$&@#é apenas porque ele está no time errado. Se jogasse no Palestra não seria filho-da %!@$&@# nem macaco. Até porque a galera acha meio estranho ver negro defendendo um clube que foi fundado pela elite de fazendeiros que era totalemnte escravagista. Todo esse papinho é uma falsa polêmica

  5. JR. disse:

    Engole aí!!….Flamengo 4 x 1 Patético-MG…Time do Flamengo está no mesmo nível da imprensa esportiva nacional.

  6. André Rizek disse:

    Caro Alexandre, quis dizer que a grande maioria da torcida palmeirense não é como estes 30 babacas ( o texto estava meio confuso mesmo…)

    Um abraço

  7. vc eh maluco disse:

    flamengo ajudado pela arbitragem?
    tinha que ser paulista com inveja
    mengooooooo
    cuida do fut paulista ae e nao fala %!@$&@#dos otro

  8. Mateus disse:

    lamentavel…
    o Gremio SEMPRE chama os colorados de MACACOS…

  9. Felipe Vieira disse:

    Realmente lamentável.
    Quanto a falta de repercussão,se fosse em um estádio carioca a imprensa teria notado esse fato lamentável e repercutido à exaustão.
    Mas como se deu em São Paulo,todos se calam.

  10. robson leite disse:

    é isso mesmo andré!!!
    sou juventudista de coração!!!
    e nestes 12 anos que estamos consecutivos na séria é graças a muito esforço, pois sempre times do interior são projudicadas!!!
    na duvida…sempre pro time “grande”

  11. robson leite disse:

    gostaria de saber se alguem lembra do que o nosso capitao do tri mundial, o senhor carlos alberto torres quando treinava o paysandu, se lembram as doces palavras que este dirigiu para o arbitro paulo cesasr de oliveira!!!!
    este foi julgado racista????

  12. SEP-dieGo disse:

    So vc escutou os gritos RACISTAS!

    é a IMPRENSA GAMBA contra o verdão! ¬¬

  13. lucas disse:

    estranho vc ser o unico ser presente no estadio que viu e ouviu isso.
    ai, ai, ai… O imprensa de Gambá viu…

  14. Alexandre Giesbrecht disse:

    Valeu, André. Agora eu entendi! ;)

  15. Rodrigo Neves disse:

    Concordo com vc em relação a imprensa denunciar a falta de competência e má administração não só no futebol carioca,mas também,em todo Brasil .O problema é que vcs (APENAS ABSOLVENDO O PCV E CLÉBER MACHADO )falam do Flamengo com um certo TOM irônico ,e isso é notório por qualquer ser humano.
    Vcs são talentosos ,se expressão mt bem e ainda abordam cometários interessantes .
    O Flamengo foi beneficiado pelos arbitros no 2 ultimos jogos ,concordo com vc , e isso naum mudaria a vitória do Fla .Fui aos 2 ultimos jogos ,percebi um Flamengo mt vulnerável na marcação e sei que o Waldemar tá trabalhando isso apesar de vcs sempre criticar o jeito calmo do tecnico .
    O Fla mostra uma subida de produção com a volta do Waldemar Lemos não concorda? A diretoria mostra um pouco de vontade em resolver problemas de gestões passadas ,no entanto,a TIMEMANIA foi conquistada com glória não só pelo FLA,mas também,pelo MÁRCIO BRAGA que na minha opinião NÃO ENTENDE NADA DE FUTEBOL ,mas,gosta do clube pq sabe da potencia q ele é .
    É isso aí ,vou comentar mais em seu blog ,e espero q vc me responda sempre q puder .

    Um abraço e boa sorte !!

    SRN ……

  16. celso colorado disse:

    sobre a mensagem do racismo que o camarada escreveu ae quero chamar a atenção para o tradicional racismo da torcida do gremio. Desde a decada de 20 que o inter recebe os negros e o gremio os recusa. Somente nos ultimos 50 anos é que o gremio aceita-os em seus quadros. Em qualquer jogo do gremio, não precisa ser grenal, eles referem-se aos colorados como macacos. Em grenais eles chegam a levar bananas e jogam na nossa torcida. Como somos uma torcida multirracial sem preconceitos etnicos, absorvemos o apelido macaco e até tem gente que se veste de gorila pra ir ao jogo. Mesmo assim a torcida do gremio é extremamente racista e arrogante quando se refere aos negros.

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