2006 abril | Carta-bomba, por André Rizek
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Arquivo de abril, 2006

30/04/2006 - 20:17

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Palmeiras 1 x 2 Santos
Acabo de chegar do Palestra Itália, onde comentei o jogo para o Premiere. Resumo da peleja e atuação (com nota) dos jogadores:

O Santos poupou cinco titulares e o Palmeiras, apenas o volante Corrêa. Os dois times jogaram com três zagueiros e dois volantes de marcação. Ou seja: havia seis zagueiros e quatro volantes em campo. Uma verdadeira convenção de brucutus! No primeiro tempo, com os dois times apenas marcando, nenhum lance digno de registro para os melhores momentos. Edmundo era para ser o (único) armador do time verde. Marcado individualmente por Wendel — e sem a ajuda dos alas e dos volantes palmeirenses — foi inofensivo. No Peixe, um Geílson em péssima tarde isolado na frente. Foi duro de assistir à primeira etapa…

O jogo melhorou muito depois do intervalo. Marcinho recuou para armar as jogadas e o Palmeiras começou a jogar bem e a dominar. Quando Luxemburgo preparava três alterações (Léo Lima, Reinaldo e Cléber Santana), viu o Palmeiras fazer um 1 x 0, aos 20 minutos, com Gamarra. Mas quando a fase é ruim… Os donos da casa tomaram o gol de empate três minutos depois, num lance de azar (em rebatida de escanteio, a bola bateu nas costas de Paulo Baier e entrou: 1 x 1).

Eu dizia na transmissão que o Palmeiras tinha de ir para cima, que tinha de entrar o Cristian no lugar do Wendel (não havia função para tanto volante em campo). Foi justamente aí que o time do Marcelo Vilar deixou seus torcedores assustados. Quando finalmente resolveu ir para cima do Santos, um Santos com um homem a menos (Cléber Santana foi expulso aos 37), o Palmeiras se perdeu todinho em campo. Não teve qualidade para dominar o adversário (como o Washington é ruim!). E ficou vulnerável demais na marcação, dando todo espaço do mundo para os contra-ataques. Resultado: Edmundo perdeu uma bola para Manzur, que lançou Reinaldo no mano a mano com Gamarra. É claro que o atacante santista iria ganhar a corrida e fazer 2 x 1, aos 41 minutos.

O torcedor palmeirense tem todos os motivos para ficar preocupado (como se jã não estivesse..) porque, na quarta-feira, contra o São Paulo, pela Libertadores, o Palmeiras de novo vai ter que ir para cima do inimigo. O São Paulo tem o contra-ataque mais perigoso do país… Além disso, foi só o Santos começar a marcar a saída de bola, a partir dos 30 do segundo tempo, que o time verde se desmoronou. Este também é o forte do Tricolor: marcar a saída de bola…

Atuações
(serão estas as notas do Bola de Prata da Placar)

PALMEIRAS
Sérgio – Fez defesas impressioantes e quase evitou o segundo gol, cara a cara com Reinaldo. Nota 8.

Douglas – Como é estabanado o rapaz! Mas não comprometeu. 5

Thiago Gomes – Boa atuação. Ainda foi opção no ataque várias vezes. A jogada que originou o gol de Gamarra (de cabeça, após escanteio batido por Paulo Baier) começou com ele, que como um ponta-direita conseguiu o escanteio. 6,5

Gamarra – Culpá-lo pelo gol de Reinaldo seria muito cruel. Gamarra chegou ao Palmeiras para ser o cérebro da defesa, jogar com experiência e na boa. Está tendo que correr atrás dos atacantes para cobrir as falhas da equipe. Foi deixado num mano-a-mano com Reinaldo na hora do gol e é claro que perderia a corrida. Preferiu não fazer a falta, seu único recurso cabível na jogada, como é de seu feitio. Nota 6.

Paulo Baier – Está nitidamente sem confiança para tentar algo um pouco mais ousado quando apóia. Nota 5

Wendel – Tinha tanto marcador no jogo que acabou ficando sem função, uma vez que o Santos pressionou pouco ao longo da partida. 5

Cristian – Entrou no lugar de Wendel para jogar os últimos 18 minutos. E não é que conseguiu criar duas boas jogadas! 6

Marcinho Guerreiro – Marcou muito bem hoje. Mas como chuta mal esse rapaz… 6

Edmundo – Isolado na armação das jogadas a maior parte do tempo, foi um peso morto. Jogou muito mal e ainda perdeu a bola que originou a jogada do segundo gol santista. 4,5

Márcio Careca — Foi bastante esforçado, chegou várias vezes ao ataque. Ah, se ele soubesse cruzar… 4,5

Maicon – Entrou no lugar de Careca no segundo tempo e foi mais efetivo nas jogadas de ataque. O moço tem personalidade. 5,5

Marcinho – Péssimo no primeiro tempo, ligadíssimo no segundo, quando recuou um pouco para armar as jogadas e criou as melhores chances de seu time. 6

Washington – Ele teve três chances. E foi péssimo em duas delas. Lento e sem categoria nenhuma. 4,5

Técnico Marcelo Vilar: O cobrei durante a transmissão, disse que deveria ter colocado o time mais para a frente. Quando ele fez isso, o Palmeiras mostrou toda a sua fragilidade e tomou um gol de contra-ataque. Talvez fosse melhor ficar na defesa mesmo… 6
—————————–
SANTOS

Fábio Costa – Fez uma defesa incrível em chute do Washington quando estava 0 a 0. 7

Manzur – Mais uma boa atuação. Roubou a bola e fez a jogada do segundo gol. 7

Ronaldo – Fez um péssimo primeiro semestre, mas está melhorando. Bem protegido pelos volantes e os outros dois zagueiros, não comprometeu atuando na sobra. 6

Domingos – Jogou com simplicidade e não se complicou. 6,5

Neto – Não consegue acertar um cruzamento e bateu faltas com ruindade única. Curioso é que estes fundamentos eram o seu forte no time do Paraná. Está em má fase. 5

Heleno – Limitou-se a marcar. E fez isso sem maiores problemas. 5,5

Wendel – Marcou Edmundo individualmente. Teve uma tarde fácil, porque o palmeirense não estava a fim de jogo. 5,5

Cléber Santana – Entrou no lugar de Wendel e estava bem. Aí deu uma cotevalada covarde em Marcinho Guerreiro na frente do juiz e foi expulso, aos 37 do segundo tempo. Quase estraga a tarde santista. Merece ser punido pelo clube e pelo tribunal. 0

Rodrigo Tabata – Revezou-se com Magnum como companheiro de ataque de Geílson. Embora tenha jogado boa parte do Paulista nesta função, definitivamente não é a dele. Foi melhor quando recuou para armar. 5,5

Léo Lima – Entrou aos 20 do segundo tempo e deu mais gás ao time. Marcou muito bem na saída de bola palmeirense. 6

Magnum – Quase não pegou na bola. Perdidinho como segundo atacante. 4,5

Geílson – Não acertou uma jogada. 4,5

Reinaldo – Trocar Geílson por ele foi como trocar um Fusca (com todo respeito ao nosso charmoso fusquinha) por um F-1. Entrou voando e deu arrancada impressionante para o segundo gol. Machucou-se e talvez não jogue contra o Ipatinga. 7,5

Técnico Vanderlei Luxemburgo: Poupou cinco titulares e venceu na hora em que pôs três deles em campo, aos 20 do segundo tempo, mandando também o time marcar a saída de bola do Palmeiras. Deu sorte, é verdade, com o gol de empate santista, mas o time venceu com suas alterações (e ainda conseguiu poupar a moçada para a decisão de quarta-feira na Copa do Brasil). 7,5

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/04/2006 - 22:12

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Como vai terminar a Copa, parte II

Conforme prometido, aí estão as previsões para as oitavas, quartas-de-final, semifinal e final da Copa.

ps1: A primeira fase está no post anterior
ps2: Obrigado por terem me alertado do absurdo erro de ter tirado a Suécia da Copa de 2002! Que mal… Já corrigi, assim como o placar do amistoso Croácia x Argentina (boa, Raphael!).

OITAVAS-DE-FINAL

1º A – Alemanha x 2º B Suécia
Uruguai campeão em 1930; Itália em 1934, Suécia vice em 1958; Chile terceiro em 1962, Inglaterra campeã em 1966, Alemanha em 1974, Argentina em 1978 e França em 1998; Coréia (Coréia!!!) na semifinal em 2002. É inegável a vantagem de se jogar uma Copa em casa e a Alemanha passa dessa, ainda que seja nos pênaltis.

1º C Argentina x 2º D Portugual
Felipão x Argentina. Tem tudo para ser um jogo dramático, cheio de faltas, uma batalha. Mas Portugal não tem time para bater nos hermanos e cai por uns 3 x 1…

1º B Inglaterra x 2º A Polônia
A Inglaterra, muito superior, não deve ter nenhum problema para seguir adiante.

1º D México x 2º C Holanda
O que vai ter de viúva do Cruyff chorando pelo futebol-arte laranja… A Holanda, toda ofensiva, no velho 4-3-3, não segura a garra trombadora dos entrosados mexicanos.

1º E Itália x 2º F Croácia
O adversário que a Itália pediu ao Papa nesta segunda fase. Não tem erro, a Azurra segue adiante.

1º G França x 2º H Ucrânia
A França é outra que deu muito sorte nesta Copa. Time de uma só estrela, a Ucrânia não é páreo para os decadentes azuis.

1º F Brasil x 2º E Estados Unidos
Depois dessa vitória (que não será suada como foi na casa deles, em 1994, nesta mesma fase), começa a folclórica contagem regressiva do Zagallo: “Só faltam três, é a amarelinha, é heeeexa!”

1º H Espanha x 2º G Suíça
Tem tudo para ser o jogo mais equilibrado e imprevisível da segunda fase. A Espanha, mesmo com um time regular, classifica-se no sufoco, graças ao excelente Torres.

QUARTAS-DE-FINAL

Alemanha x Argentina
Nas duas últimas Copas em que se enfrentaram (86 e 90, na final), uma vitória para cada lado. Agora, nem o fator casa salva a Alemanha. Os nossos vizinhos vão ter uma vitória heróica e passam às semifinais. Os alemães saem aplaudidos de campo. Chegaram longe demais e não deram vexame.

Itália x França
Chegou a hora de a Itália se vingar da derrotas nos pênaltis para a França de Zidane, nas quartas-de-final de 1998. Cannavaro, zagueirão italiano, estava naquela partida (jogou com a cabeça enfaixada) e não se esquece dela.

Inglaterra x México
Como reza a tradição, chegou a hora de os ingleses tremerem. O México passa nos pênaltis de novo.

Brasil x Espanha
Agradecemos pela segunda baba consecutiva e chegamos à semifinal sem sustos. Nem os espanhóis, de Madri a Barcelona, acharão ruim serem derrotados pelos Ronaldos.

SEMIFINAIS

Argentina x Itália
Eles se pegaram nas semis de 1990 e deu Argentina, nos pênaltis. Mas a Itália perdeu três Copas seguidas nos penais (90, 94 e 98) e uma roubada, em 2002. É hora do troco! Não será dessa vez que a Argentina terá o gostinho de pegar o Brasil na final (ou pelo menos eu torço por isso…)

México x Brasil
Não podemos reclamar da sorte. O México sucumbe tranqüilamente e Zagallo quase enfarta por chegar a mais uma final. “Só falta uma, é Brasil, é hexa, é amarelinha. Brasil x México tem 13 letras, eu sabia, viva Nossa Senhora de Fátima!!!”

FINAL

Brasil x Itália
Parreira vai ter a chance de calar os malas que reclamam de 1994, quando ganhamos dos italianos nos pênaltis, mostrando o nosso melhor “futebol de resultados”. Com Ronaldinho, Ronaldo, Kaká e Robinho (ele entra na final para dar show), finalmente vamos vingar a romântica geração de 82!

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/04/2006 - 12:43

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Como vai terminar a Copa
Como os leitores já sabem, tenho longa tradição em futurologia furada! Já contei que, no dia da final da Copa de 1998, publiquei artigo de uma página no Diário Olé, da Argentina, sob o título “Por que o Brasil vai ser campeão”. A primeira linha era “Zidane não é Maradona”… Ele não é mesmo! Mas aquele dia foi…

Passada esta necessária introdução, posto aqui, na íntegra, uma matéria de quatro páginas que fiz para a próxima edição de Playboy, a de maio. Me pediram um prognóstico completo sobre como será a Copa da Alemanha. Classificação de todos os grupos, além dos mata-matas até a final. A revista chega às bancas na segunda-feira. Não tenho as fotos da mulherada, mas pelo menos a minha matéria os leitores do blog terão em primeira mão!

Bem, é claro que vou errar bastante… São as minhas apostas, o meu bolão da Copa. Mas encarem isso muito mais como uma leitura de boas informações (e quentes) sobre todas as 32 seleções, levantadas este ano pela redação da Placar.
Deixo aqui a primeira fase. No final do dia, coloco no ar os mata-matas até a final.

Primeira fase

Grupo A
1) Alemanha
Tem seus quatro atacantes nascidos fora do país: Asamoah (Gana), Kurany (brasileiro), Podolski e Klose (Polônia). Se juntar os quatro, não dá meio Robinho. O único craque é o meia Ballack, do Bayer. O time é uma baba, mas vai se classificar fácil jogando em casa.

2) Polônia
Na 23º posição no ranking da Fifa, está atrás da Costa Rica (21º). Mas é favorita para se classificar. Bateu a Áustria e a Irlanda do Norte nas eliminatórias e chegou à Copa sem repescagem. Em seu sétimo Mundial, tem um time melhor do que em 2002, quando caiu na primeira fase. Os craques são Maciej Zurawski (Celtic-ESC) e Ebi Smolarek (Borussia-Dortmund-ALE).

3) Costa Rica
O time joga junto há muito tempo. Alexandre Guimarães, técnico brasileiro, dirigiu esta seleção em 2002. Tem jogadores razoáveis, como o veterano Wanchope (que fez carreira no futebol inglês e hoje está no Quatar), Gomez e Centeno, que defendem o Deportivo Saprissa, time que disputou o último Mundial de Clubes e fornece a base para a seleção. Vai tentar ganhar do Equador e sair com a chamada “cabeça erguida”.

4) Equador
Os nossos hermanos sul-americanos nunca passaram da primeira fase (também, só jogaram a Copa de 2002…). Como na Alemanha não existe a altitude de Quito, onde se garantem nas Eliminatórias, o time vai para o vinagre rapidinho. O craque é Delgado, atacante do Barcelona. Mas o Barcelona de Guayaquil…

Grupo B
1) Inglaterra
Tem seu melhor time desde a geração que venceu a Copa de 66. Gerard (Liverpool) e Lampard (Chelsea) formam a melhor dupla de volantes desta Copa. O atacante Rooney (Manchester) é o Tevez europeu: chatíssimo de ser marcado. E o Beckham, com a camisa da seleção, vira homem. Passa da primeira fase com o pé nas costas.

2) Suécia
Tem um ataque que pode furar qualquer defesa nesta Copa: Ibrahimovic, que joga na Juventus, e Larsson, do Barcelona. O time é rodado e teve ótima campanha nas Eliminatórias, com oito vitórias, duas derrotas e nenhum empate. Vai passar fácil por Paraguai e Trinidad e Tobago.

3) Paraguai
O craque do time é o atacante Roque Santa Cruz, jogador mediano do Bayern. Gamarra, caindo aos pedaços no Palmeiras, ainda é a grande aposta para uma defesa segura. Chegou às oitavas-de-final nas duas últimas Copas. Mas agora não dá para apostar uma dose de uísque falsificado nesse time!

4) Trinidad e Tobago
Estreante em Copas, tem uma estrela: o atacante Dwight Yorke, que rodou bastante no futebol inglês (hoje joga no Sydney, da Austrália). Vai servir apenas para definir o saldo de gols do grupo, critério de desempate caso haja igualdade de pontos. Vai tomar três pauladas.

Grupo C
1) Argentina
Eles também têm quarteto! Messi (Barcelona), Riquelme (Villarreal), Tevez (Corinthians) e Crespo (Chelsea) podem não ser tão bons individualmente quanto os nossos Kaká, Ronaldinho, Ronaldo e Adriano. Mas formam um ataque de respeito, que pode bater qualquer seleção em um dia inspirado. Passam em primeiro no grupo mais duro de toda a primeira fase.

2) Holanda
E depois dizem que Pelé só faz bobagem hoje em dia! Foi o Rei quem tirou a bolinha que colocou a Holanda no grupo dos hermanos… Eles continuam tentando jogar bonito, com dois pontas (Robben e Kuijt), um centroavante (Van Nilsterooy) e um craque no meio (Var Der Vaart). O técnico é Van Basten. O time ainda é muito simpático, né? Tem tudo para repetir grandes campanhas e derrotas sofridas para times mais marcadores. Passa em segundo.

3) Sérvia e Montenegro
Teve a defesa menos vazada das Eliminatórias européias e ainda conta com um atacante matador, Kezman, do Atlético de Madrid. Pena que, logo em sua primeira Copa (a ex-Iugoslávia tem oito Copas), caiu num grupo tão duro como este.

4) Costa do Marfim
Se alguém ainda acredita em futebol africano, esta é a única aposta da Copa. O time de Drogba (habilidoso atacante do Chelsea) e Dindane (meia do Lens, da França) é o único que tinha chance de repetir Camarões de 1990, Nigéria de 1994 e Senegal de 2002. “Tinha”, não tivesse caído no grupo da morte. O técnico o francês Henri Michel foi o comandante da campanha francesa em 1986, terceiro lugar, e participa de seu quarto Mundial.

Grupo D
1) México
É o cabeça de chave do Grupo. Tem mais Copas na bagagem do que França e Inglaterra (12). Pode parecer estranho prever que eles vão terminar na frente dos amigos portuguesas, mas o time tem quatro meses de treino e já mostrou na Copa das Confederações, quando quase eliminou o Brasil, que pode surpreender. O zagueiro Rafa Marques, do Barça, e o atacante grandalhão Borghetti, imbatível no jogo aéreo, são os donos do pedaço.

2) Portugal
O time do Felipão tem a mesma base que foi vice-campeão européia. Figo (que não joga nada há muito tempo), Cristiano Ronaldo (rápido, mas não pensa), Pauleta (grosso) e Deco (bom jogador) são as estrelas. Mas pelo menos uma zebra eu tenho que cravar nessa matéria! Fica em segundo lugar.

3) Angola
Boa parte da seleção joga em Portugal, como o atacante Mantorras, do Benfica. Mas o time fez uma campanha pífia na Copa da África e vai disputar a sua primeira Copa apenas como turista.

4) Irã
Tem um atacante que joga no Bayern, o Karimi (reserva). De resto, um elenco desconhecido para a terceira Copa de sua história. Tem tudo para fazer contra Angola o jogo mais trash de todo o Mundial. Já tem repórter da Placar escalado para a cobertura deste grande dia…

Grupo E

1) Itália
A zaga é de novo o fino deste time, com Nesta e Cannavaro (disparado os melhores zagueiros da Copa). Mas a novidade é que os carcamanos
resolveram sair da retranca e jogarão de maneira mais ofensiva. Totti, o craque do time, ainda se recupera de lesão. Mas há bons atacantes, Toni e Gilardino, e passa em primeiro.

2) Estados Unidos
Em tese, a República Tcheca seria a favorita para ficar em segundo lugar nesta chave. Mas quem viu os Estados Unidos jogar recentemente sabe que eles têm um time veloz, muito entrosado e com boa chance de surpreender. Já chegaram nas quartas-de-final em 2002. Boa aposta para zebrinha do grupo.

3) República Tcheca
Conta com o bom meia Nedved, que foi eleito o melhor jogador da Europa em 2003. Mas ele nem queria disputar a Copa, acreditem se quiser (já tinha contrato para ser comentarista…). Vai participar muito mais por pressão do que por vontade própria. Ele também caiu muito de produção este ano em seu clube, a Juventus. Tá com cara de que isso não vai dar certo…

4) Gana
Os africanos têm tradição nas categorias na base, onde já foram até campeões mundiais. Mas nestes torneios enchem o time de “gatos”, aqueles caras enormes, de bigode e cabelo branco, dizendo que têm 17 anos… Na Copa, vão apenas passear. Têm um bom jogador, Essien, meia do Chelsea.

Grupo F
1) Brasil
A primeira fase vai servir para arrumar a casa, já que somos a seleção (das grandes) que menos joga até a Copa. Parreira vai encanar com os dois gols sofridos (um do Japão e outro da Croácia) e vai trocar o Adriano pelo Edmílson na segunda fase. Pelo menos Ronaldinho Gaúcho vai ganhar mais liberdade para brilhar. O técnico não vai agüentar ter que responder, 24 horas por dias, em todos o idiomas, por que o dentuço não joga na seleção o que joga no Barça.

2) Croácia
Vem jogando bem nos amistosos. Empatou com Brasil (1 x 1) e venceu Argentina (3 x 2). A equipe é jovem e sem estrelas. O “craque” do time, Prso, centroavante do Glasgow Rangers, não é nem sombra de Suker, artilheiro da Copa em 1998, quando eles ficaram em terceiro lugar. Mas o time é arrumadinho. Apenas três jogadores atuam no futebol croata. Um deles é o carioca naturalizado Eduardo Silva, de 21 anos, reserva. Vão para a segunda-fase.

3) Japão
Zico, Edu, Júnior e Tita na comissão técnica. Dá uma vontade danada de torcer para os japoneses. Eles quase eliminaram o Brasil na última Copa das Confederações (passamos com um 2 x 2 graças ao juiz, que roubou para nós…). Os “craques” são os meias Nakamura (do Celtic, da Escócia, e não é parente do seu tintureiro) e Nakata (Bolton Wanderes, da Inglaterra). São a terceira força do grupo.

4) Austrália
Os grandalhões australianos passaram suado pelo Uruguai na repescagem e se classificaram para a Copa. Têm um baita técnico, o holandês Guus Hiddink, que chegou às semifinais nas duas últimas Copas, com a Holanda em 1998 e a Coréia em 2002. A estrela é o meia Viduka, do Middlesbrough. O time marca bastante, mas não tem nenhum craque. Quem sabe se fosse basquete…

Grupo G
1) França
O time do Zidane, que faz tempo se arrasta em campo pelo Real Madrid, deu sorte e caiu num grupo fácil. A França tem ótimos jogadores, como Thuram, Vieira, Henry e Trezeguet, mas é um time velho e vem jogando muito mal. Vai se classificar em primeiro por falta de concorrência.

2) Suíça
Voltaram à Copa depois de 12 anos, e com uma classificação heróica contra a Turquia, na repescagem. Enfrentaram a França nas Eliminatórias e tiveram dois empates. É a segunda força do grupo. Tem como destaques o atacante Frei (Rennes-FRA) e o meia Vonlanthen.

3) Coréia do Sul
Está na frente da Suíça no ranking da Fifa (29º, contra 36º) e espera repetir a campanha de 2002. Mas isso só seria possível se levasse à Copa os mesmos árbitros que afanaram os espanhóis e os italianos quatro anos atrás… O craque do time é o técnico, o holandês Dick Advocat, que dirigiu o seu país em 94. Park Ji Sung (Manchester United) e Lee Young Pyo (Tottenham Hotspur) são os jogadores mais famosos. Decorou? Não precisa. Os asiáticos voltam cedo pra casa.

4) Togo
Eliminaram Senegal (sensação da última Copa) nas eliminatórias. Talento eles até têm: Emmanuel Adebayor (que saiu do Monaco para assinar contrato com o Arsenal) e Coubadja ( meia do Sochaux-FRA). Mas o técnico, o nigeriano Stephen Keshi, não se entende com Adebayor, que o acusa de publicamente de pressioná-lo para ser seu empresário. Dá para acreditar? Resultado: o time fez uma campanha pífia na Copa da África (perdeu todos os jogos, inclusive para o Congo!) e deve repetir o desempenho na Alemanha.

Grupo H
1) Espanha
O time nunca conseguiu nada melhor do que um quarto lugar, em 1950. E este ano não deve ser diferente. Para se ter idéia, naturalizaram o Marcos Senna (lembra dele, do Corinthians?) para poder jogar a Copa. Sorte da Fúria que pegou uma baba de grupo e vai se classificar em primeiro. O craque é o perigoso centroavante Torres, do Atlético de Madrid.

2) Ucrânia
Estreante em Copas, ele contam com um dos melhores jogadores do Mundo: Andriy Shevchenko, eleito em 2004 o melhor jogador da Europa. Os brasileiros que atuam na Ucrânia dizem que no time não há nenhum Beletti, digo, nenhum perna-de-pau.

3) Tunísia
A estrela é o brasileiro naturalizado Francileudo dos Santos, do Sochax, da França. Você nunca ouviu falar dele? Dificilmente vai ouvir também na Alemanha. O time é fraco. O técnico, Roger Lemer, é o mesmo que caiu na primeira fase com a França em 2002. Ele entende do assunto e vai embora cedinho de novo.

4) Arábia Saudita
Foi a seleção que conseguiu perder de 8 x 0 da Alemanha na Copa passada, quando não marcou nenhum pontinho. Vai disputar seu quarto mundial consecutivo. E tem tudo para dar vexame de novo. Os craques? Nenhum, mas seu jogador mais badalado chama-se Sami Al Jaber, do Al Hilal. O mais curioso é que, em 32º, está na frente da Ucrânia no ranking da Fifa. Ou seja: o ranking não serve pra nada mesmo…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/04/2006 - 17:48

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Respondendo aos flamenguistas
Parece que o blog caiu nas graças de alguma comunidade rubro-negra e recebeu 57 mensagens (um recorde, obrigado pelo audiência) raivosas só porque escrevi aqui que o Flamengo foi favorecido pela arbitragem contra o Galo e contra o Juventude. O time mineiro teve um gol legítimo anulado e o gol de Obina — lance dificílimo para a arbitragem — foi irregular porque a bola saiu. As imagens não deixam dúvida.

Se afirmar isso irrita tanto os flamenguistas, que me perdoem, mas não retiro o que escrevi. Um leitor disse que eu sou bairrista (isso ainda existe?) e deveria seguir o exemplo do ótimo Alex Escobar, colega de Sportv. Lembro que o Escobar alertou para este dois lances ontem no Sportv News.

Não vou apagar os comentários com palavrões e as mensagens grosseiras (e covardes, porque ninguém deixou e-mail para eu responder…) que foram postados. Mas também não vou deixar de falar que houve erro de arbitragem só porque os flamenguistas não vão gostar.

O Inter foi prejudicado pelo Márcio Rezende de Freitas no Brasileiro do ano passado, contra o Corinthians. Fiz um artigo de duas páginas sobre isso na revista Placar, e no entanto não fui acusado de ser bairrista, de ser “muito gaúcho”.

Dizer se o gol foi irregular ou não, se houve pênalti ou não, isso não tem nada a ver com bairrismo. Adoro o Flamengo. Adoro o Rio de Janeiro. Mas não enxergar que o time luta para não cair desde 2000 — exceção feita ao honroso oitavo lugar de 2003 — porque vem montando times limitados como este e porque tem uma diretoria incompetente, isso é negar o óbvio.

Se quiserem se iludir achando que esse time é espetacular e que todo o resto é culpa da imprensa, tudo bem. Mas penso que seria mais inteligente cobrar o Kléber Leite do que cobrar os jornalistas que criticam a situação do maior clube do Brasil. E criticam, como eu, porque querem que o Fla volte a ser grande também dentro do campo como sempre foi e sempre será fora dele.

Aliás, isso vale para todo o futebol do Rio. O Vasco, desde que foi campeão em 2000, não conseguiu mais ficar sequer entre os 10 primeiros colocados. Não tem patrocínio há quatro anos. Culpa do Eurico Miranda ou culpa dos jornalistas que, como eu, denunciam a péssima administração do clube de São Januário?

Não tenho nada contra nenhum clube, muito menos os cariocas (tenho camisa de todos eles em casa, do Fla assinada pelo Zico, do Flu uma réplica da usada pela Máquina em 1976, do Vasco uma do Romário e do Bota essa última especial, do Nilton Santos).

No meio em que trabalho, quanto mais os clubes do Rio (todos os clubes grandes do Brasil, na verdade) estiverem bem, melhor para mim. Isso vende mais revista, dá mais audiência, faz meu salário subir. Mas apenas falo o que eu vejo, meus caros rubro-negros, sem medo do que vão pensar torcedores e dirigentes.

Um abraço para vocês. E peço, pelo menos, para não postar mensagens muito grosseiras. Seria muito desagradável para mim ter que instalar a censura e apagar comentários aqui no blog. Podem falar mal à vontade de mim, faz parte do jogo, mas com um mínimo de educação, ok?

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/04/2006 - 12:42

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Rapidinhas

A pérola
A frase da semana, que explica simplesmente tudo o que acontecia no Palmeiras e tudo o que aconteceu ontem, no clássico com o São Paulo (1 x 1), veio de Edmundo: “Gosto muito do Leão, mas a saída dele e a chegada do Marcelo (Villar) colocou o astral lá em cima. E fez o time acreditar que era possível”.
Para bom entendedor, basta

Vida longa ao Lenny
Esse moleque não é abusado só dentro de campo. Tem personalidade também na hora de dar entrevistas. Estava eu no Rio de Janeiro fazendo uma matéria sobre decadência do futebol carioca. Perguntei para ele o que esperar dos clubes cariocas no Brasileiro. Sua resposta: “Você é paulista, né? Dá para ver pelo sotaque. Então… Vocês acham que o futebol de São Paulo é organizado e o do Rio está decadente, tudo bem. Mas o Fluminense vai brigar pelo título, pode escrever isso aí”. Show. A matéria está na edição de maio da Placar.

Que sorte, Ademar
Ademar Braga, técnico boa gente do Corinthians, foi muito mal contra o River. Substituiu equivocadamente o Nilmar após a expulsão do Mascherano (era o jogador capaz de puxar contra-ataques para acionar o Tevez, enquanto quem deveria sair era Ricardinho ou Carlos Alberto, mortos em campo). E colocou Roger e Eduardo Ratinho só aos 43 do segundo tempo (?!), com 3 x 1 no placar. E não é que Ratinho bateu a falta para o gol do Xavier aos 47 do segundo tempo??? Hoje, era dia para a imprensa estar discutindo essas alterações malucas, mas o homem deu uma sorte danada e, com este golzinho e a boa derrota por 3 x 2 em Buenos Aires, o que parecia ser o inferno alvinegro virou céu de novo: foi aquela derrota com sabor de vitória, que deixa a classificação muito perto. Que sorte, Ademar!

Apito Rubro-negro
Vi pedaços do jogo, é verdade, e já aviso isso de antemão. Mas pelos lances a que assisti no Sportv fiquei com a sensação de que, pela segunda vez consecutiva, o Flamengo teve uma mãozinha da arbitragem para derrotar o Galo ontem no Maraca. Já tinha sido assim contra o Juventude, domingo, pelo Brasileiro.

Vem para o Pacaembu, Peixe
Muita gente graúda do Santos concorda comigo, mas não diz isso em público com medo de retaliação: o time deveria mandar mais jogos no Pacaembu. Na sagrada Vila, a torcida tem apoiado e comparecido menos. Ontem, contra o Ipatinga, estádio vazio. Em São Paulo, por ser novidade, os torcedores apoiam muito mais o Peixe.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/04/2006 - 12:04

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Racismo no Palestra

Foi a primeira vez no ano que assisti a um jogo do Palmeiras na arquibancada, no meio da torcida. Como todo ser-humano que se preze sabe bem, é o melhor lugar para se assistir ao jogo! Ok, não é o melhor para se observar os lances, as atuações dos jogadores e dos juízes. Mas “o jogo” é muito mais do que isso. Por esse motivo, assim que chegamos ao estádio e fomos convidados para assistir à partida na tribuna (eu e o colega Jonas Oliveira), não tivemos dúvida: fomos nos sentar na arquibancada, anônimos.

Na cabine de imprensa, vivemos em um redoma de vidro. Tem lanchinho, água, lugar reservado. Não sabemos o que se passa no lugar mais importante de um estádio. Não temos idéia de como o torcedor é tratado, por exemplo. Não sabemos como estão as condições de nossos estádios. Por isso, muitas vezes, omitimos fatos importantíssimos que se passam em um “jogo”, na melhor acepção da palavra.

Um deles me espantou ontem. Aconteceu por volta de 15 minutos do segundo tempo. O zagueiro Fabão, do São Paulo, foi bater um lateral perto da torcida do Palmeiras que estava sentada na chamada “arquibancada da curvinha”, ao lado das cadeiras. É lá que eu estava. Primeiro, alguém gritou: “preto filho da puta”. Não era exatamente um sujeito ariano que gritou… Na seqüência, várias pessoas (difícil precisar se eram 30, 40, 50) começaram a imitar o som de macacos, aquela abominável atitude de algumas torcidas européias, em especial de parte dos italianos da Lazio e de parte dos franceses do PSG.

Olhei em volta e senti revolta, raiva, nojo. Não culpo meus colegas por não estarem noticiando isso nos jornais de hoje. Os repórteres que estavam no campo usam fones de ouvido, com o som da transmissão (é impossível ouvir as reações de parte da torcida quando elas não são escandalosas, do estádio inteiro). Quem está na tribuna escrevendo sobre o jogo, preocupado com os lances, as notas dos jogadores, talvez não tivesse como ouvir aquilo. É que eu estava na arquibancada. E graças a isso presenciei, pela primeira vez, uma reação dessas em um campo de futebol no Brasil.

Já havia ouvido sobre reações racistas de parte da torcida do Palmeiras (no ano passado, contra o São Paulo, pela mesma Libertadores, imitavam macaco quando Grafite pegava na bola). Mas presenciar isso ao vivo foi uma experiência assustadora e inesquecível.

E tem gente que ainda acha que não existe racismo no Brasil e que punições para atos como o do zagueiro Antônio Carlos são desnecessárias na esfera esportiva. Se atos como aquele do jogador racista do Juventude (contra o gremista Geovânio) não forem punidos, amanhã este punhado de torcedores que imitaram macacos no Palestra serão 100, e depois 200, e depois 400. Porque vão achar que racismo é uma coisa natural, do dia-a-dia, que serve como recurso para desestabilizar um adversário.

O que eu teria gostado de ver era o resto da torcida palmeirense, a grande maioria palmeirense, ter repreendido estes 30, 40 ou 50 babacas. Quem sabe da próxima vez.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/04/2006 - 15:05

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A Máfia denunciada

Recebi ontem a denúncia que o Ministério Público de São Paulo entregou à Justiça contra os membros da Máfia do Apito. Nenhuma bomba em relação ao que já foi publicado.

A principal novidade é que, finalmente, decidiram apresentar uma denúncia (à parte do processo da Máfia) contra os sites ilegais de apostas que foram usados pelo bando. Em Piracicaba, eles continuam abertos – mas com outro endereço na rede, e agora sem contar com juízes ladrões, segundo me garantem os próprios apostadores, a quem conheci durante a processo de apuração da reportagem para a revista Veja – viraram minhas fontes.

Os sites de apostas eram vítimas do esquema. Mas são ilegais no Brasil. E curiosamente a Polícia Federal e o Ministério Público, embora tivessem todas as informações sobre a jogatina, ainda não haviam tocado neles. Guardo uma informação faz tempo. Já publiquei que o dono dos sites de Piracicaba chama-se Armando Sabonga. O do Rio (Aebet), que era usado para as apostas mais graúdas, pertence a um sujeito muito rico chamado Leonardo Natan. Agora, com a denúncia entregue à Justiça, posso tornar pública essa informação. Reconheceram o sobrenome? Ele é herdeiro da joalheria homônima (presenteava apostadores com jóias, inclusive, aqueles que gastavam muita grana em seu site, entre eles um famoso matemático carioca).

O MP pede à Justiça, na denúncia, que tome providências para fechar os sites de Piracicaba. Já era tempo!

Sobre Edílson e seu bando, decidiram retirar a acusação de crime contra a economia popular. O MP denuncia o ex-árbitro “apenas” por estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica (baseada na descoberta deste repórter de que, há 10 anos, ele entregava documentos falsos à Federação, segundo os quais exerceria a função de técnico de telefonia em sua cidade, Jacareí- Edílson nunca descascou um fio na vida e comprava notas falsas de serviços prestados à prefeitura para provar que tinha uma profissão fora da arbitragem, algo obrigatório para empunhar um apito no Brasil).

Agora, a juíza que recebeu a denúncia, Antônia Farah (nada a ver com o cartola), da segunda Vara Criminal da Comarca de Jacareí, decide se acata ou não. Certamente vai acatar, na íntegra. Foi ela quem autorizou a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos no ano passado. Aí, então, começa o processo penal contra eles, o julgamento.

Edílson vai ser condenado, evidentemente, algum dia (nossa Justiça, como se sabe, caminha a passos de tartaruga). Somados todos os crimes, ele deverá pegar uns três anos de cadeia. Como é primário, cumprirá a pena em liberdade. Também vai responder ao processo em liberdade, já que não está obstruindo as investigações (fato que levou Maluf para a cadeia por alguns dias ano passado, sendo vizinho de cela de Edílson) e tampouco oferece risco à sociedade.

A denúncia é muito grande para postá-la aqui neste blog. Segue o melhor trecho:

“Diante do exposto, atuando o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO/SP) por designação contida na Portaria no. 2506/06, publicada no Diário Oficial do Estado, Seção I, de 20 de abril de 2006, denunciamos Edílson Pereira de Carvalho, Nagib Fayad, Paulo José Danelon, Vanderlei Antonio Pololi, Daniel Gimenes¸ Fernando Francisco Catarino e Pedro da Rocha Brites como incursos nas penas do artigo 171 (estelionato), caput, c.c. o artigo 71 (crime continuado), em co-autoria (artigo 29), ambos combinados o artigo 288 (formação de quadrilha), em concurso material de delitos (art. 69); o primeiro denunciado também incurso no artigo 299, do mesmo estatuto penal (falsidade ideológica), observado o cúmulo material já referido. Requeremos, após recebida e autuada a denúncia, sejam os réus citados, interrogados, prosseguindo-se, após, nos ulteriores termos da ação penal, até final sentença condenatória, intimando-se as vítimas e testemunhas do rol abaixo, para virem depor em juízo, em dia e hora a serem previamente designados, sob as cominações legais.

Para os que não sabem quem são estas pessoas:

Nagig Fayad - Chefe do bando, “empresário de jogos” de Piracicaba, vulgo Gibão.

Pedro da Rocha Brites - Sócio de Gibão, dono de um cassino em bairro nobre de São Paulo e quem colocava a maior parte do dinheiro nas apostas do bando. Sujeito poderoso e perigoso.

Vanderlei Pololi - Trabalhava como aliciador dos árbitros, arregimentando os homens do apito.

Daniel Gimenes - Advogado de Piracicaba, perdeu um bom dinheiro com as apostas. Foi chutado por Gibão no meio do esquema, quando não era mais útil (no começo, era ele quem falava com Danelon).

Fernando Fracisco Catarines - Administrador de sites de apostas de Piracicaba, fazia os jogos para Gibão.

Paulo Danelon - O outro árbitro envolvido que, ao contrário do Edílson, caiu no anonimato. Pouco antes de o escândalo estourar, em setembro, foi demitido por justa causa da secretaria do curso de odontologia da Unicamp, acusado de superfaturar despesas…

Edílson - Dispensa apresentações. Ele está dando uma entrevista atrás da outra (ganha cachê de 10 mil reais), escreveu livro, foi convidado a comentar a Copa para uma rádio de São Paulo. Para se ter idéia, outro dia mandou um e-mail para a redação de Placar: “Meu nome é Edílson Pereira de Carvalho, ex-árbitro de futebol, envolvido no esquema do Máfia do Apito”. É seu cartão de visitas! O ex-juiz ladrão queria ajuda para levantar os jogos que apitou no Brasileiro de 1977, já que a Polícia Federal havia apreendido o seu computador, para averiguar se ele fazia apostas também e, por conseqüência, o chamado jogo-duplo (vendia um resultado a Gibão e apostava no contrário). Isso, é bom deixar claro, não foi constatado na perícia do micro. Ficou apenas na desconfiança.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/04/2006 - 13:41

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Pitacos

Como já é tradição neste blog (de layout novo!), seguem os palpites furados para os duelos da Copa do Brasil, Libertadores (os duelos, não só os jogos de hoje e amanhã), além da Champions. Esta quarta e quinta-feira são daqueles dias em que todo mundo merece ficar na frente da TV vendo futebol. E ainda tem gente que ganha pra isso, hein…

Barça x MilanM - Não acho que já esteja resolvido, não. Mas aposto no mais óbvio, o Barça. O Milan, para mim o melhor time do mundo em 2005, caiu demais este ano. Tem craques de sobra, mas não vivem bom momento.

São Paulo x Palmeiras - Idem (o óbvio, no caso, é o São Paulo).

Flamengo x Atlético-MG - Dois times ruins de doer! Apesar de a molecada do Galo jogar com mais coração, o Flamengo passa (como de hábito: o time mineiro é freguês histórico do Rubro-Negro, algo realmente impressionante)

Cruzeiro x Fluminense - Não tenho dúvida de que o Flu tem mais time e isso vai se traduzir nos pontos corridos do Brasileiro: fará campanha melhor do que os azuis. Mas no mata-mata da Copa do Brasil aposto na equipe mineira, que tem mais colhão.

Santos x Ipatinga - O time do Luxemburgo está com uma estrela danada! Vence até quando não merece. Vai passar dessa sem susto.

Vasco x Volta Redonda – O Vasco é outro time desde a saída do Romário. O ambiente melhorou, Renato resolveu trabalhar duro com o time, a molecada subiu muito de rendimento. Dificilmente vai rolar uma zebra aqui.

Corinthians x River Plate - Dá Corinthians, sem grande dificuldade. Aliás, o Timão deu uma sorte nessa chave… Depois do River pega Tigres ou Libertad, duas babas. Problema, só o Inter na semifinal, decidindo em Porto Alegre.

Inter x Nacional – Mais fácil que bater pênalti sem goleiro, dá Inter.

Goiás x Estudiantes – Acredito que o time do Geninho dançou depois da derrota de ontem. O grupo que pegou na primeira fase foi fácil demais e acabou escondendo que o Goiás já não é mais o mesmo do de 2005. Quem mandou desmontar a equipe?

Depois do almoço, vou postar aqui uma novidade da Máfia do Apito. Abrs

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/04/2006 - 01:09

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“Um divisor de águas”

(é um dos chavões mais legais do futebol!)

Aquele São Paulo 4 x 2 Palmeiras pela sétima rodada do Paulistão foi um belo divisor de águas. Era a sétima rodada. O Palmeiras estava invicto, seis vitórias em seis jogos. Era a aposta da mídia como favorito. O São Paulo vinha tropeçando e freqüentava a zona de rebaixamento.

Jogando bem, como raras vezes aconteceram esse ano, o Palmeiras de Leão perdeu pela primeira vez. O problema não foi a derrota em si, mas como o time reagiu à ela. Abalado, começou a desmontar de um jeito incrível. Teve uma sequência de tropeços que lhe afastaram do título. Começaram a surgir notícias de que esse elenco não tem lá a chamada “união” (já que esse post trata de chavão!)

Com o São Paulo foi diferente. A partir daquele jogo, o time arrancou e quase levou o caneco.

O clássico de hoje do Palestra pela Libertadores tem um claro favorito. E negar isso é negar o óbvio. É claro que o São Paulo tem muito mais time e vive momento muito melhor. E que, para piorar, o Palmeiras ainda é freguês do São Paulo (como o Corinthians é freguês do Palmeiras).

Mas não acho nem um pouco impossível que aconteça uma surpresa em dois jogos mata-mata, clássico como esse, valendo o tal gol fora de casa como critério de desempate. Ainda mais se a torcida verde resolver torcer a favor. Enfim, tudo isso foi só para dizer:

pode ser um divisor de águas nas vidas palmeirense e são-paulina novamente.

ps:
e por falar nisso…, divisor de águas é o novo layout desse blog! Não tive nada a ver com a mudança. Foi tudo graças ao pessoal do iG (em especial à querida Marcela, que mandou muito bem!). Realmente um trabalho de muita humildade e fé em Deus!

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/04/2006 - 12:58

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Leão também é pedra

Daniel Passarella caiu do Corinthians depois de um 5 a 1 contra o São Paulo, ano passado. Leão cai agora do Palmeiras depois de um 6 a 1 nas costas. Está na cara que os dois técnicos foram derrubados pelos jogadores. Bem derrubados, diga-se.

Todo esse clima de torcida x jogadores que se instalou no Parque Antarctica e deixou o ambiente insustentável tem um culpado: Emerson Leão. Foi ele, e não a torcida, quem começou dizendo que “o time é nota 5″; “estou tirando leite de pedra”, “sem reforços vai ser difícil almejar muita coisa”, “O palmeiras precisa de uma parceria para trazer jogadores que venham para resolver.” A torcida começou apoiando, eufórica com o que pareceria ser um grande ano. Teve, neste início de 2006, a melhor média de público do clube desde 1993.

Leão? Este começou a temporada reclamando do time. Um time formado por ele, diga-se. Quem indicou, ou pelo menos aceitou, Paulo Baier (jogando fora de posição no Palmeiras), Enílton, Márcio Careca, Amaral, Claudiomiro, Douglas, Valdomiro, Ricardinho? Leão ajudou a jogar a torcida contra os jogadores. Disse, depois da eliminação do Paulista, que precisava “de um time novo” para o Brasileiro. É natural que os jogadores tenham jogado contra Leão agora.

Tem técnico que, para motivar um time, fica dizendo para os atletas: “Olha aqui, estão dizendo que vocês são ruins. E aí, vocês vão aceitar isso assim, sem fazer nada?”. Felipão é assim. Usa críticas de torcida e jornalistas como combustível. Leão é diferente. Ele diz para seus jogadores, direta ou indiretamente (via imprensa): “Vocês são ruins. E aí?”

Diz-se do técnico palmeirense que ele geralmente tem prazo de validade. Quando chega, durão, instala o terror, todo mundo se assusta e rende bastante, num primeiro momento. Foi assim quando chegou ao São Paulo durante o Brasileiro de 2004: classificou o time para a Libertadores. ganhou o Paulista de 2005. Depois de um tempo, os jogadores já não agüentavam mais o chefe. No Palmeiras, idem. Acredito que o prazo de validade do técnico já tenha vencido, ainda mais com seu discurso de que “tirava leite de pedra”.

Acho que o time do Palmeiras é fraco, sim. Mas Leão não pode sair do Palestra Itália como inocente. O preparador-físico do time (que teve muitos problemas físicos), é seu sobrinho. Os jogadores que chegaram foram indicados ou aceitos pelo treinador. Leão escalou e substituiu mal muitas vezes. Foi mau psicólogo. Ele não tirou leite de pedra nenhuma. Leão foi tão pedra quanto Enílton e Washington.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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