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Arquivo de março, 2006

31/03/2006 - 20:25

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PREVISÕES
Vamos ao que interessa, meus palpites furados para o final de semana:

Grenal: O Inter atropela o Grêmio. Este é um clássico em que, geralmente, vence o melhor time — quando há um melhor time. Há um abismo entre os dois hoje… Como Abel Braga não quer perder o emprego antes do final do ano, escala os titulares. Depois pensa na Libertadores.

Rio: O erro do Madureira foi seu presidente falar demais. A história mostra que o Davi só bate o Golias quando sabe que é Davi (e, mais do que isso, se comporta como Davi…). O Botafogo atropela.

Minas: O bom Ipatinga não perde em seu estádio há um ano e ainda joga pelo empate. Vai ser bicampeão mineiro.

São Paulo x Santos: Dá São Paulo no clássico. Tem melhor time.

PR: Não conheço o time do Paraná e muito menos o Adap… Sorry. Aliás, êta finalzinha sem graça!

Sábado comento Palmeiras x Rio Branco e, domingo, Santos x São Paulo no PPV. Até a próxima!

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/03/2006 - 12:27

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Mala-preta
Rolou solta na rodada de meio de semana no Paulista. O São Paulo ofereceu 500 mil reais ao time do Bragantino (seria dividido entre os jogadores) para que vencessem o Santos.

“Ah, mas ofereceu para ganhar, e não para perder. Então, tudo bem”, podem dizer alguns. “Além disso, isso existe há décadas no país e nunca vai mudar”.

Nananinanão, senhores. Há tantas coisas que existem há décadas no país e que têm que ser mudadas… Por exemplo: caixa-dois em campanha eleitoral. Todo mundo sempre soube que isso rolou solto na política nacional. No ano passado, estourou o escândalo do Marcos Valério (que operava pelo menos desde 1998, para o PSDB…). E, agora, ao que parece, finalmente nossas “autoridades” estão fazendo de tudo para banir de vez a (má) tradição.

O que caixa-dois de campanha tem a ver com mala-preta? Tudo. Os dois são o chamado “dinheiro não contabilizado”: vem de origem desconhecida, ninguém paga imposto por ele, ninguém declara na contabilidade oficial dos clubes, que deve ser gerida como empresa, como coisa séria, às claras. Mala-preta não é só moralmente condenável, é legalmente também.

Ouvi essa história do próprio senador cassado Luiz Estevão, hoje dono do Brasiliense, durante uma entrevista para a revista VEJA. Em 2002, o Santos foi para a última rodada do Brasileiro dependendo apenas de suas forças para se classificar aos playoffs. Mas o time perdeu do São Caetano (3 x 2) e só se classificou porque o Gama, de Brasília, que já estava rebaixado, derrotou o Coritiba, que brigava pela vaga com o Peixe, por inacreditáveis 4 x 0. O resto é história: o Santos acabou como o campeão daquele ano. Mas isso só aconteceu graças à tal mala-preta.

A pedido do Zito, ex-jogador e atualmente dirigente do clube paulista, Luiz Estevão ofereceu uma mala de dinheiro para os jogadores do Gama cumprirem a sua obrigação: vencer o Coritiba. Não fosse este “incentivo”, certamente o time de Brasília não teria conseguido aquela vitória dentro de casa.

Isso é bacana? Eu não acho. Além de ser uma ilegalidade, pelos motivos que já expliquei, você deixa uma perigosa porta aberta: se pode pagar para ganhar, pode pagar para perder também. Cria-se uma cultura de mercenários. Os próprios jogadores de times como o Gama em 2002, ou o Bragantino de 2006, podem dizer: “a gente só vai cumprir a nossa obrigação se chegar mala-preta.”

O Santos reclama agora da mala-preta do São Paulo (Luxemburgo ficou indignado, acredita que o time de Bragança só mostrou a garra de quarta-feira por causa das verdinhas oferecida pelo Tricolor, e concordo com ele), mas o próprio Santos já se utilizou dela.

Como é muito difícil de ser coibida — tudo é feito por debaixo dos panos –, a mala-preta só vai acabar mesmo quando os clubes, por conta própria, decidirem abandonar a prática, mesmo com ela já fazendo parte “da tradição do futebol brasileiro”. Até lá, não adianta o Luxa ficar reclamando. Porque no ano que vem (ou na rodada que vem…) pode ser a vez do Santos se utilizar da prática novamente.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/03/2006 - 19:51

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O Paulista acaba amanhã?
O Santos pode ser campeão se ganhar do Bragantino na Vila Belmiro e seus rivais Palmeiras (pega o Paulista, em Jundiaí) e São Paulo (recebe o América no Morumbi) não vencerem seus jogos. Algumas curiosidades:

Jejum
O último título paulista do Peixe veio no dia 2 de dezembro de 1984. Eu estava lá no Morumbi, com meu pai corintiano… Cruzamento rasteiro da esquerda, aos 27 do segundo tempo. O goleiro Carlos (o mesmo da Copa de 1986) falhou, deixou a bola passar e Serginho só empurrou para a rede: 1 a 0. O Corinthians vinha de uma impressionante arrancada (papou 22 pontos nos últimos 24 disputados) e tentava o tri naquele campeonato, também disputado por pontos corridos. Era a última rodada do returno. A Fiel, confiante, chamava o estádio de Morumtri… Por que conto tudo isso? Porque este ano o Peixe também ganhou de 1 x 0 de seu maior rival, gol de camisa 9 de novo, Geílson, pela nona rodada… Tudo bem que não foi o jogo do título, mas como em torneio por pontos corridos todo jogo é decisão, vai dar para dizer que o Corinthians é freguês em títulos do Santos. Ou não?

100% em casa
Por falar em 1 x 0, o Santos, devagar e sempre, fez esse placar por cinco vezes na competição! Mas, de 1 x 0 em 1 x 0, é o time com mais vitórias em toda a competição. Impressionante é o desempenho na Vila Belmiro, palco do jogo de amanhã: oito vitórias em oito jogos. A última derrota em casa foi no dia 13/10/2005. Já faz mais de cinco meses. Foi naquele jogo remarcado do Brasileiro, em que o Corinthians venceu por 3 a 2 e Giovanni deu um bico na bola para a arquibancada, reclamando de um pênalti marcado no finalzinho.

Giovanni
Santos e Bragantino não se enfrentam há 11 anos pelo Paulista. O último jogo foi em 19/04/95, em Bragança. Giovani jogou… Por falar no ídolo dispensado este ano por Vanderlei Luxemburgo, ele carregava a sina de ser o maior ídolo santista que jamais teve o gostinho de ser campeão. Mas pelo menos um pedacinho da taça deste ano, se a taça vier mesmo, é dele. Giovanni jogou a estréia, contra o São Bento (1 a 1) e logo depois foi chutado pelo Luxa.

A chance do Braga
Palpite? O Bragantino já se livrou do rebaixamento e certamente vai ter uma mala preta do São Paulo e do Palmeiras (será que eles vão dividir a conta?). É muito difícil dar uma zebra, ainda mais porque o campo é pequeno e isso dificulta para quem quer ganhar no contra-ataque (e o contra-ataque do Bragantino, com Dinélson e Marcos Aurélio, é o forte do time). A única chance é Dinélson repetir sua atuação contra o Palmeiras (1 a 1 no Parque Antarctica), quando só não fez chover. Era a sua segunda partida pelo time do interior, desde que foi embora do Corinthians por não ter tido chances (ele é melhor que o baixinho Élton, hein…). Dinélson está jogando muito. Salvou o Braga do rebaixamento. Mas se ele é a única chance de vitória, isso quer dizer que a taça está na mão do Peixe mesmo. Não acho tão difícil o Palmeiras empacar em Jundiaí. O Paulista é fraco, mas joga bem em casa. O América, adversário do Tricolor, que é muito ruim! Bateu o Palmeiras por 4 a 1 no Parque Antarctica, é verdade, mas se empatar com o São Paulo vai ser a maior zebra desse Paulistão (o time fez 23 gols, apenas cinco a mais do que o atacante Nilmar…).

Mala-preta
Amanhã, já tenho um tema para este blog: mala-preta no futebol. Isso é bacana? Se alguém ler este blog até lá, que deixe uma opinião a respeito.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/03/2006 - 12:09

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Ainda o racismo
Já faz mais de duas semanas que escrevi uma carta-bomba ao zagueiro racista do Juventude, o Antônio Carlos, em minha coluna no site da PLACAR. Mas continuo recebendo manifestações de leitores. Em toda a minha carreira, nunca recebi tantos e-mails. Nem mesmo quando escrevi a reportagem sobre a Máfia do Apito para a Veja.

Fico feliz em ver que um tema delicado como o racismo levanta tanta reflexão! E também fiquei emocionado com vários e-mails de pessoas negras relatando o quanto sofrem neste país, que para muita gente vive em “democracia racial”… Mas o que mais me impressiona é que 40% dos leitores me criticam por ser… “politicamente correto demais”. Um deles foi o sociólogo mineiro Jorge Santana, um grande blogueiro cruzeirense. Trocamos algumas ofensas leves por e-mail e o papo acabou em uma agradável entrevista para o blog dele, sobre racismo, máfia do apito e assuntos menos importantes. O link: http://cruzeiro.org/blog/?m=200603&paged=3

(vale a pena ver o blog dele sobre o time azul, bem escrito e muito bacana!)

A Carta-bomba ao Antônio Carlos ainda está no ar, se tiverem saco de voltar a um tema que, pelo menos para os jornais, já virou papel de embrulhar carne no açougue: http://placar.abril.com.br/novo/includes/colunas/coluna332348.shtml

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/03/2006 - 16:47

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Video-cassetadas

Videozinho que circula na rede com lances bizarros e cômicos, infelizmente todos da Europa e nenhum daqui, abaixo da linha do Equador (mas tem Beckham, Zidane, Shearer… www.youtube.com/w/comic-soccer?v=BQKGcuIeNc4&feature=Views&page=5&t=m&f=b

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/03/2006 - 12:20

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Pílulas do final de semana
Depois de um final de semana atribulado (teve aniversário de 30 anos da patroa em casa, comentei Juventus 1 x 2 Santos no PPV, sábado, e Rio Branco 2 x 4 São Paulo no SPORTV, domingo — sem falar em minha grande atuação na derrota do Só Raça por 7 a 2 – marquei os dois gols), seguem os comentários desta segunda-feira:

Sorte de campeão
Luxemburgo mexeu mal no time do Santos durante o jogo de sábado. Tirou Tabata e Cléber Santana para colocar Renatinho e Magnum com menos de 20 minutos do segundo tempo, quando o alvinegro jogava muito bem e estava arrumadinho. Depois, Naves, do Juventus, foi expulso, o clube da Mooca se perdeu e o Peixe achou um gol em contra-ataque, com Reinaldo de cabeça, aos 35 do segundo tempo. A torcida explodiu: “Ah, é Luxemburgo”. E a imprensa volta a dizer que o mestre Luxa é gênio, faz milagres, tira leite de pedra. Não agüento mais essa babação de ovo em cima do homem! Ele pode ser o melhor técnico em atividade no Brasil, mas daí a achar que tudo o que ele toca vira ouro, que é ele quem ganha todos os jogos para o Peixe vai uma distância enorme. Que saudade dos tempos em que técnico nem saía na ficha técnica… Do Reinaldo, que fez um golaço e jogou muito, ninguém fala?

Torcedor, herói
Jornalista esportivo é como morador de Brasília: vive numa bolha. Quem mora no Planalto não vê morador de rua nas calçadas (até porque nem tem calçada…), não vê favela (estão todas nas cidades-satélites, longe dos engravatados), não pega trânsito, só vê gente rica e bonita a seu redor. Quem vai ao estádios como jornalista tem estacionamento, não pega fila para comprar ingresso (obviamente, né, estamos lá para trabalhar!), assiste ao jogo em lugar coberto, não apanha de torcida, não enfrenta cambista nem guardador de carros e ainda tem lanchinho com guaraná para comer durante a peleja. Por isso, jornalista não tem a menor idéia do que passa o torcedor. Ir ao estádio no Brasil é um ato de heroísmo.
Sábado, a torcida do Santos deu um verdadeiro show, de arrepiar (lembrou o Santos 5 x 2 Fluminense de 1995, semifinal do Brasileiro). Apesar dos cambistas, que estavam com pelo menos 20% dos ingressos, apesar dos guardadores de carros, apesar da zona que foi a venda de ingressos durante a semana, com filas intermináveis e aquele mau atendimento habitual. A imprensa trata esse desrespeito ao torcedor como rotina: isso nunca é notícia, já repararam? Alguns jornalistas, como o Flávio Prado na Jovem Pan, fazem campanha para que as pessoas deixem de ir ao estádio. Oras! A campanha que deveria ser feita era para melhorar o tratamento com os torcedores, que são clientes, e não para ele deixar de ir aos jogos do seu time.
Sábado, andando ao redor do estádio, percebi o quanto seria fácil resolver a parada. Com cambistas e guardadores de carros (eles cobram até 20 reais para você estacionar em rua pública), basta colocar 10 policiais à paisana por jogo, circulando entre os torcedores. Guardador de carro e cambista chegam perto oferecendo seus “serviços”, algema neles. Aposto que, em um mês, o problema vai estar sanado. Para a venda de ingressos, internet, internet e internet (e mais postos de vendas para quem não pode dar seu click).
Por que nada disso acontece? Porque não existe um, unzinho órgão de imprensa que se preste a noticiar o calvário por que passa o torcedor. Tento emplacar essa pauta há anos em todos os lugares em que trabalho. Estou tentando na Placar, mas se os leitores destes blogs mandarem e-mails para todos os veículos de imprensa, a campanha “Torcedor, Herói” tem mais chance de emplacar… (caso contrário, vou continuar sendo o mala da redação que, sozinho, toca no assunto em todas as reuniões de pauta)

Pacaembu é nosso
O São Paulo já havia lotado o charmoso estádio municipal contra o Paulista (aconteceu o absurdo de não terem colocado ingressos do tobogã à venda e, com o resto do estádio lotado, começaram a vender durante o primeiro tempo, com a torcida pagando ingresso para ver apenas o segundo tempo…). No sábado, foi a vez do Santos, com mais de 34 mil pessoas. O Pacaembu tem que continuar municipal para sempre. Não é só a casa do Corinthians. É a casa de todas as torcidas. E o Santos tem que jogar mais vezes na capital, por respeito à sua imensa torcida que mora longa da praia.

Arbitragens
Ridícula a do clássico Corinthians x Palmeiras e inexplicável no Santo André x Guarani. Mas, peraí, culpar o monte de cartão vermelho que a gente viu na rodada não dá! As três expulsões do Juventus no sábado e a chuva de cartões que levou o Rio Branco contra o São Paulo foram corretíssimas. A principal virtude dos novos árbitros que a Federação Paulista está lançando este ano é esta: eles não afinam!

Galo forte e lutador
O Atlético-Mineiro caiu diante de um Cruzeiro que é muito superior a ele. Mas a torcida campeã mundial de sofrimento tem uma luz no fim do túnel. Essa molecada revelada pelo clube é valente! Fez o time terminar o Brasileiro do ano passado com a cabeça erguida e bota fé na raça desses caras para tirar o Atlético da segundona. Se existe um time (mesmo ruim de dar dó…) que esteja jogando com amor à camisa hoje em dia no Brasil é o Galo do Lori Sandri. Espero que os dirigentes do clube enxerguem isso e não inventem de se endividar para trazer medalhões para o segundo semestre…

A regra é clara
Não sei quanto a vocês, mas durante a transmisssão do jogo do São Paulo com o Rio Branco, domingo, disse que não foi pênalti a bola na mão do André Dias. A regra é muito ruim! Hoje, deve ser marcado pênalti apenas quando há a intenção de colocar a mão na bola (o que, na minha opinião, não aconteceu no jogo). Por causa disso, um mesmo lance vira pênalti para 10 árbitros e vira lance comum para outros 10. É questão de “interpretação pessoal”. Eu, como um apologista do pênalti (parafraseando Marcelo Barreto…), acho que a regra deveria ser: bateu na mão dentro da área é pênalti e fim de papo, premiando o time que conseguiu levar a bola até lá. Loucura? Pelo menos assim não dá tanta margem a interpretações para um único lance.

Ufa, escrevi demais por hoje. Dizem os entendidos em internet que isso não pega bem em blog. Mas sou um digitador compulsivo, sabem como é…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/03/2006 - 18:21

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Barbeiro
Informação exclusiva e inútil: Milton Neves acaba de bater o seu carro nas ruas de São Paulo. Será que ele vai fazer algum merchan de funileiro no final de semana? Maldade, maldade…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/03/2006 - 17:19

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Vão ter que me engolir!

Duas intermináveis discussões tomam conta da redação da PLACAR no momento: Ronaldino Gaúcho é tudo isso? Muita gente aqui da revista não acha. Nosso editor de futebol internacional, Gian Oddi, diz que prefere o italiano Totti em seu time. Nosso editor Arnaldo Ribeiro também acha que o dentuço é, por enquanto, mais fama do que bola. Minha tese: fosse o Ronaldinho holandês, inglês ou argentino e não haveria dúvidas em apontá-lo como Rei.

Porque o brasileiro é o maior mala do mundo quando o assunto é Seleção Brasileira. E isso me leva à segunda polêmica que toma conta do nosso horário de trabalho (eh, vida dura…), de domingo à domingo: a seleção de 94 era uma bomba ou um timaço?

A discussão ficou mais forte ontem, assistindo ao nosso DVD do Mundial de 94, nos Estados Unidos. Para mim, era um timaço! Mas Gian e Arnaldo não pensam assim. Afinal, o time de Parreira cometeu o “pecado” de ganhar só de 1 a 0 dos donos da casa nas quartas-de-final, com um homem a menos, estádio lotado e empurrando os ianques num feriado de orgulho nacional, o 4 de julho. Depois, repetiu o mesmo placar magro na semifinal contra a Suécia. Foi um massacre, os suecos não passaram do meio-campo, jogaram com 10 homens atrás da linha da bola, Romário quase fez um gol de placa (enfileirou a defesa, passou pelo goleiro, bateu fraco e um beque salvou a tempo). Aí chega a final, a Itália arma a maior retranca que eu já vi e… “só ganhamos porque o Baggio bateu o pênalti para fora”.

Ora, vão pentear macaco, bando de malas!!! Pergunte a um são-paulino se ele achou ruim ser campeão do Mundo ganhando “só” de 1 a 0 do Liverpool, num jogo que foi um verdadeiro massacre do time inglês, em que Rogério Ceni saiu como herói por ter operado um milagre atrás do outro? Perguntem a um palmeirese se ele achou ruim ser campeão da Libertadores depois que o colombiano Zapata bateu um pênalti para fora no Palestra Itália, na final de 1999, contra o Deportivo Cali (não era o Baggio, hein…). Ou a um gremista se ele não gostaria de ter levado a melhor contra o Ajax com um gol de mão de Jardel em 1996?

Se a gente adora quando nossos times vencem, não importa como, por que a seleção só pode ganhar dando show?

Se a Inglaterra ganha de 1 a 0, rasgamos elogios para os volantes ingleses, para o esquema tático, para como o time deles é organizado. O Brasil do Parreira em 94 não pode ganhar de 1 a 0, não pode ter volante como astro.

O que eu conheço de jornalista que torce contra a Seleção em copas é uma enormidade. Já desisti de entender os motivos. Somos pentacampeões, temos disparado o melhor futebol do mundo. Mas somos implicantes demais. É caso para um antropólogo estudar.

Qual é a grande conclusão de isso tudo? Nenhuma. Era só um desabafo. Afinal, de tanto defender a Seleção ganhei o apelido de Zagallinho aqui na redação…

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/03/2006 - 12:45

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Placar de abril
Esta é a capa da PLACAR que chega até o final desta semana (quinta à tarde em São Paulo) às bancas. O tema de capa: contamos por que Ronaldo é a aposta do Brasil na Copa. Tem detalhes interessantes sobre a preparação física prevista para o Fenômeno. Na Alemanha, a gente aposta mais no gordo para decidir do que em Ronaldinho Gaúcho. Estamos errados?

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/03/2006 - 19:58

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Robinho ou Ronaldinho?

Sempre acompanhei Robinho e Ronaldinho Gaúcho de perto. Assisti, no campo, à estréia de Ronaldinho na Seleção (aquela em que, no primeiro toque na bola, deu um chapéu no zagueiro e depois marcou gol memorável contra a Venezuela, na Copa América de 1999). Assisti aos inúmeros desfiles do Robinho, tanto na Vila Belmiro quanto no Morumbi.

Quando Robinho foi anunciado no Real Madrid, eu passava férias em Fernando de Noronha (desculpa, tá?). Na pousada havia espanhóis (fanáticos, como sempre) e queriam saber quem era o “novo Pelé” que chegava a Madrid. Sem titubear, respondi de primeira: “vocês verão um jogador que é capaz de ganhar partidas sozinho. Ronaldinho Gaúcho é gênio. Em breve, vocês vão estar chamando Robinho de Deus”.

Desde quando a maioria dos jornalistas — como o meu chefe Sérgio Xavier — achava que Robinho era apenas pipoqueiro, que bom mesmo era o pentelho do Diego (oh, menino mala), eu defendo que esse moleque é o maior de todos.

Assisti ao jogo do Real hoje, contra o Zaragoza. Ele fez apenas uma boa jogada — tabelinha com Ronaldo, que não deu em nada…
Está apagado, isolado na ponta-esquerda. Parece até que faz de sacanagem: fica literalmente em cima da linha lateral, como se tirasse sarro das ordens do técnico do Real, o López Caro, que insiste em escalá-lo como um robô que não pode sair da ponta-esquerda. O forte do Robinho sempre foi se movimentar pelo campo sem nenhum treinador para encher o seu saco.

Eu ainda acredito: Robinho vai superer Ronaldinho Gaúcho. Basta recuperar a alegria de jogar. Basta desistir de ser mascarado (está começando a ficar…). Basta ser escalado na posição certa, ou seja, sem posição nenhuma.

Basta fazer por merecer uma única chance na Copa.

Autor: André Rizek - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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