Pílulas do final de semana
Depois de um final de semana atribulado (teve aniversário de 30 anos da patroa em casa, comentei Juventus 1 x 2 Santos no PPV, sábado, e Rio Branco 2 x 4 São Paulo no SPORTV, domingo — sem falar em minha grande atuação na derrota do Só Raça por 7 a 2 – marquei os dois gols), seguem os comentários desta segunda-feira:
Sorte de campeão
Luxemburgo mexeu mal no time do Santos durante o jogo de sábado. Tirou Tabata e Cléber Santana para colocar Renatinho e Magnum com menos de 20 minutos do segundo tempo, quando o alvinegro jogava muito bem e estava arrumadinho. Depois, Naves, do Juventus, foi expulso, o clube da Mooca se perdeu e o Peixe achou um gol em contra-ataque, com Reinaldo de cabeça, aos 35 do segundo tempo. A torcida explodiu: “Ah, é Luxemburgo”. E a imprensa volta a dizer que o mestre Luxa é gênio, faz milagres, tira leite de pedra. Não agüento mais essa babação de ovo em cima do homem! Ele pode ser o melhor técnico em atividade no Brasil, mas daí a achar que tudo o que ele toca vira ouro, que é ele quem ganha todos os jogos para o Peixe vai uma distância enorme. Que saudade dos tempos em que técnico nem saía na ficha técnica… Do Reinaldo, que fez um golaço e jogou muito, ninguém fala?
Torcedor, herói
Jornalista esportivo é como morador de Brasília: vive numa bolha. Quem mora no Planalto não vê morador de rua nas calçadas (até porque nem tem calçada…), não vê favela (estão todas nas cidades-satélites, longe dos engravatados), não pega trânsito, só vê gente rica e bonita a seu redor. Quem vai ao estádios como jornalista tem estacionamento, não pega fila para comprar ingresso (obviamente, né, estamos lá para trabalhar!), assiste ao jogo em lugar coberto, não apanha de torcida, não enfrenta cambista nem guardador de carros e ainda tem lanchinho com guaraná para comer durante a peleja. Por isso, jornalista não tem a menor idéia do que passa o torcedor. Ir ao estádio no Brasil é um ato de heroísmo.
Sábado, a torcida do Santos deu um verdadeiro show, de arrepiar (lembrou o Santos 5 x 2 Fluminense de 1995, semifinal do Brasileiro). Apesar dos cambistas, que estavam com pelo menos 20% dos ingressos, apesar dos guardadores de carros, apesar da zona que foi a venda de ingressos durante a semana, com filas intermináveis e aquele mau atendimento habitual. A imprensa trata esse desrespeito ao torcedor como rotina: isso nunca é notícia, já repararam? Alguns jornalistas, como o Flávio Prado na Jovem Pan, fazem campanha para que as pessoas deixem de ir ao estádio. Oras! A campanha que deveria ser feita era para melhorar o tratamento com os torcedores, que são clientes, e não para ele deixar de ir aos jogos do seu time.
Sábado, andando ao redor do estádio, percebi o quanto seria fácil resolver a parada. Com cambistas e guardadores de carros (eles cobram até 20 reais para você estacionar em rua pública), basta colocar 10 policiais à paisana por jogo, circulando entre os torcedores. Guardador de carro e cambista chegam perto oferecendo seus “serviços”, algema neles. Aposto que, em um mês, o problema vai estar sanado. Para a venda de ingressos, internet, internet e internet (e mais postos de vendas para quem não pode dar seu click).
Por que nada disso acontece? Porque não existe um, unzinho órgão de imprensa que se preste a noticiar o calvário por que passa o torcedor. Tento emplacar essa pauta há anos em todos os lugares em que trabalho. Estou tentando na Placar, mas se os leitores destes blogs mandarem e-mails para todos os veículos de imprensa, a campanha “Torcedor, Herói” tem mais chance de emplacar… (caso contrário, vou continuar sendo o mala da redação que, sozinho, toca no assunto em todas as reuniões de pauta)
Pacaembu é nosso
O São Paulo já havia lotado o charmoso estádio municipal contra o Paulista (aconteceu o absurdo de não terem colocado ingressos do tobogã à venda e, com o resto do estádio lotado, começaram a vender durante o primeiro tempo, com a torcida pagando ingresso para ver apenas o segundo tempo…). No sábado, foi a vez do Santos, com mais de 34 mil pessoas. O Pacaembu tem que continuar municipal para sempre. Não é só a casa do Corinthians. É a casa de todas as torcidas. E o Santos tem que jogar mais vezes na capital, por respeito à sua imensa torcida que mora longa da praia.
Arbitragens
Ridícula a do clássico Corinthians x Palmeiras e inexplicável no Santo André x Guarani. Mas, peraí, culpar o monte de cartão vermelho que a gente viu na rodada não dá! As três expulsões do Juventus no sábado e a chuva de cartões que levou o Rio Branco contra o São Paulo foram corretíssimas. A principal virtude dos novos árbitros que a Federação Paulista está lançando este ano é esta: eles não afinam!
Galo forte e lutador
O Atlético-Mineiro caiu diante de um Cruzeiro que é muito superior a ele. Mas a torcida campeã mundial de sofrimento tem uma luz no fim do túnel. Essa molecada revelada pelo clube é valente! Fez o time terminar o Brasileiro do ano passado com a cabeça erguida e bota fé na raça desses caras para tirar o Atlético da segundona. Se existe um time (mesmo ruim de dar dó…) que esteja jogando com amor à camisa hoje em dia no Brasil é o Galo do Lori Sandri. Espero que os dirigentes do clube enxerguem isso e não inventem de se endividar para trazer medalhões para o segundo semestre…
A regra é clara
Não sei quanto a vocês, mas durante a transmisssão do jogo do São Paulo com o Rio Branco, domingo, disse que não foi pênalti a bola na mão do André Dias. A regra é muito ruim! Hoje, deve ser marcado pênalti apenas quando há a intenção de colocar a mão na bola (o que, na minha opinião, não aconteceu no jogo). Por causa disso, um mesmo lance vira pênalti para 10 árbitros e vira lance comum para outros 10. É questão de “interpretação pessoal”. Eu, como um apologista do pênalti (parafraseando Marcelo Barreto…), acho que a regra deveria ser: bateu na mão dentro da área é pênalti e fim de papo, premiando o time que conseguiu levar a bola até lá. Loucura? Pelo menos assim não dá tanta margem a interpretações para um único lance.
Ufa, escrevi demais por hoje. Dizem os entendidos em internet que isso não pega bem em blog. Mas sou um digitador compulsivo, sabem como é…