Meus caros leitores,
Ando um tanto pasmo com o “amadorismo” do Ronaldo — o cara tinha uma boate dentro de casa, muito bem freqüentada, quando morava em Madri. Mas, agora desencanou definitivamente de passar a imagem do “atleta que sempre se supera”. Faz questão de mostrar ao mundo que veste a camisa e beija o escudo do Balada F.C. É direito dele – ainda mais se tem gente disposta a pagar 400 mil reais por mês, fora patrocínios, para um garoto-propaganda desse porte.
Mas o relato de que torcedores do Corinthians gritavam “Timão êo” enquanto o Fenômeno dava um beijo duplo em duas gatinhas, na cena pública de uma boate paulistana, mostra que o melhor do futebol ainda é o torcedor!
Nós, jornalistas, fazemos nosso papel (naturalmente um tanto careta neste caso) e esculachamos o jogador. Mas o torcedor, que é quem importa mesmo, via no placar da boate “2 x 0 Timão”. No fundo, como sabe (melhor que qualquer um) que jogar ou não jogar faz pouca diferença para o “Projeto Ronaldo” (e quem diz isso é o próprio presidente Andrés Sanchez, quando está longe dos microfones, segundo mais de um relato que ouvi de gente que o cerca), o torcedor tira onda e curte o baladeiro Ronaldo. Vejam pelo lado positivo (em uma visão heterossexual e machista, reconheço). Pelo menos agora, eram mulheres de verdade!
Sem jogar (será que ele vai jogar?), Ronaldo já deixou o futebol brasileiro mais divertido. Um dos maiores jogadores da história faz questão de terminar a carreira mostrando, sem vergonha nenhuma, que não quer mais ser chamado de Fenômeno ou coisas do gênero. Ele quer curtir a vida. Fumar seus cigarros, beber seus uísques, dar beijos duplos por aí, sem precisar mais se esconder, como se tudo isso fosse pecado. É divertido, vamos reconhecer. Dá até uma certa inveja.
Enquanto isso, Keirrison, Washington, Kleber Pereira (e até Pedrão!) vão marcando seus golzinhos no Paulistão… Gol com a bola de futebol, é claro.
E Robinho, que sempre idolatrou Ronaldo, vai no mesmo caminho do “presidente”. Na fila, logo atrás de Ronaldinho Gaúcho.
Será que Kaká vai conseguir criar uma geração de bons moços no futebol brasileiro, como Ronaldo e Romário pariram a geração do “treinar para quê, se somos bons pra caramba?”. Se isso acontecer, possivelmente teremos melhores atletas a serviço da seleção. E provavelmente personagens menos “complexos” e engraçados. Será que vale a pena? Me digam vocês…
DESPEDIDA
Impressionado com a velocidade deste time do Palmeiras — descontada a ruindade de várzea do Real Potosí. E com a lentidão do Fluminense — descontado o fato de ser começo de campeonato, me despeço de vocês, caros leitores, nesta sexta-feira.
Esta foi, literalmente, a derradeira Carta-Bomba que escrevo neste espaço. O blog se auto-destruirá neste último post (na verdade, deixará de ser atualizado, mas segue no ar até quando o portal quiser). É com dor no coração que anuncio minha despedida do IG, pois estou me juntando, de maneira exclusiva, a partir de março, às fileiras do Sportv.
Foi o maior barato fazer este blog e trocar idéias com vocês! Passei a conhecer muitos leitores (e críticos ferozes) pelo nome e estilo das mensagens. E gostava de encontrar a turma diariamente por aqui!
A toda equipe do iG, especialmente aos meus editores Mauricio Teixeira (que me trouxe), Gian Oddi e Mariana Castro, agradeço demais pela oportunidade, confiança, independência e liberdade que sempre tive para fazer o Carta-Bomba.
Sentirei muitas saudades deste nosso cantinho.
Em breve vocês me encontrarão por aí…
Um grande abraço!
Rizek

