Geração Coca-Cola
Por Sergio Zobaran
No ar, mais uma edição da Mostra Artefacto – a 19ª. Sergio Zobaran, colaborador querido de Casa Vogue e deste blog, foi lá e conta tudo pra gente, com sua sopa de letrinhas sempre bem temperada. Bon apétit!
O grande desafio de uma mostra de decoração produzida por uma só loja é a obrigação do profissional-expositor, seja arquiteto, decorador ou paisagista, de utilizar os mesmos móveis, da mesma marca – afinal, este é o ‘leitmotif’ da exposição: apresentar sua coleção anual. Na Artefacto, pioneira deste tipo de evento no comércio (desde 1992), em todo o Brasil, isso acontece, claro. Mas a marca, que produz tudo o que vende na sua linha tradicional (hoje tem, ainda, uma cadeia de lojas Basic e outra para Beach&Country), traz uma quantidade tão grande de acabamentos, que fica difícil você ver um móvel repetido exatamente igual. Acontece também, é claro, mas é mais raro. Porque a empresa tem sua própria fábrica, em Iperó, interior do estado de São Paulo, e lá produz todos os modelos das coleções anuais que lança em muitos, mas muitos acabamentos e revestimentos diferentes (madeiras certificadas, aço de todo jeito, ferro, resina e etc., e fibras em geral, material em que aposta desde o seu início, trinta e quatro anos atrás, entre as naturais e as sintéticas, práticas para as ambientações outdoor).
A 19ª Mostra também tem parceiros comerciais fortes, entre aqueles produtos que não fabrica, como armários, cozinhas, pisos, metais e uma gama maior de iluminação, o que faz complementar tudo o que um ambiente decorado precisa para ter vida e parecer real – ou cada um deles seria apenas mais um trecho de loja, ou showroom, como a Artefacto prefere chamar. Até porque é verdade: o que fica apenas exposto, em ambientações básicas, no setor das imensas lojas que possui, não está à venda para pronta-entrega, e só é vendido ao final de um ano, coincidindo com o término da mostra. Bem, vamos à deste ano. Obs: como editor da revista-catálogo da Artefacto e do portal da empresa na internet pelo quarto ano consecutivo, fica difícil fazer uma análise, e delicado também… Mas posso apontar alguns destaques, dividindo-os por cores, como fiz no impresso de 130 páginas que é distribuído a todos que entram em cada Artefacto pelo Brasil afora, edições 100% diferentes entre si, pois são relativas, especificamente, a cada uma das mostras estaduais, de Manaus a Curitiba.
Vamos finalmente à 19ª Mostra, realizada na loja-sede da Rua Haddock Lobo, nos Jardins: as cores predominantes nos ambientes são o branco, o preto (e o P&B combinado), o cinza, beges em diversos tons, até o marrom. Mas tem também um grupo de coloridos, com predominância do amarelo (a marca apostou na cor, e lançou uma linha em tom bem forte), e o azul marinho, com pitadas de rosa choque, entre outras menos votadas. No grupo dos brancos, a suíte de hotel boutique de Milène Nowicki e Joyce Altschüler chama a atenção: total white look. No encontro com o preto, Roberto Migotto faz vitrine contemporânea com toque de amarelo e clean – ponto alto, literalmente: os pendentes de Tom Dixon. Patricia Anastassiadis arrasa com sua suíte, pois agora foca hoteis como ninguém. Chris Hamoui segue carreira ascendente usando lambris com força. E Marcia e sua linda filha Mariana Lazzuri quebram o ritmo do branco da cozinha com madeira de demolição, muito bom! A sala de leitura de Adriana Bijarra Cuoco é supresa agradabilíssima (inclusive de termos o sogro famoso Francisco Cuoco na inauguração). Nos cinzas, Ana Maria Vieira Santos esclarece porque é grande no assunto: basta olhar. E Toninho Noronha faz o tipo total gray look com fé! Boniiito… Felipe Diniz estreia na Artefacto em gênero low profile, à exceção dos propositalmente exagerados lustres diferentes entre si e máscaras africanas. Shenia Nogueira e Paula Almedida atacam de anos 1980 em total black.
Já nos beges, a rainha deles, Débora Aguiar, enfrenta o maior ambiente, na cobertura, com a simetria que dá segurança e um “ooohhh!!!” de todos: quem não gosta de conforto com tanta tranquilidade??? E Leila Barakat traz de Manaus um bom gosto que a gente não conhecia. Nos marrons, acima dos beges, Maithiá Guedes explora o lugar mais difícil, o patinho feio que virou atração: banheiros + halls de dois andares. E Marcelo Mujalli ousa na sobriedade em homenagem ao filho jovem. Fábio Morozini faz link moda-decoração: grife dos pés (repare o tapete) à cabeça. Fernando Piva: classe de sempre com lareira ecológica. De Campinas, a dupla Cimino&Scheibel traz uma parede de ripas inesquecível. Assim como as paredes pink de Silvana Curi e Flávia Yazbek, e as amarelas de Consuelo Jorge. Verde, pero no mucho, Gilberto Elkis entra com o azul moderno dos novos móveis em fibra, e o do céu também, já que tem este privilégio em seu jardim aberto. Vale a visita já, pelos ambientes de onde podem sair (suas próprias) ideias (adaptadas ao seu gosto e bolso), e pela arte espalhada – de tudo, para todos os gostos. Amém!







Cadeira verde da Conceito: firma casa; sofá da tre-uni; mesa lateral / de apoio da ,ovo
Mesa bandeja da Oficina de Agosto; cadeiras da Vila Nova; vaso da l’oeil
Seleção de móveis patinados e em madeira de demolição, tudo da Artefacto Beach and Country




