Papel Carbono
Para quem lida o dia inteiro com o duo forma & conteúdo, é um alívio saber que algumas mecas do design não relaxam com a comodidade de imitações, fotocópias, xerox e duplicatas (tão em voga em nosso metier), e vão à luta atrás das folhas mais frescas do maço. Tarefa hercúlea, principalmente numa época onde tudo já foi inventado, patenteado, reeditado, virado do avesso, dissecado.

Marcus Ferreira faz exatamente o oposto pela sua Carbono (esqueça as reproduções em série que o nome sugere), que aposta em jovens talentos para promover um acervo mais customizado, diversificado, exclusivo, com atenção especial para os acabamentos handmade, tipo alfaiataria de luxe. Além de ser um dos maiores caça-talentos de valores made in Brasil, ele carimba o passaporte atrás de quem começa a fazer e acontecer lá fora. Foi num desses garimpos que conheceu as designers sérvias Natasa Ilincic e Jugoslava Kljakic. O nome é impronunciável, mas o trabalho ganhou leitura fácil, já que a dupla tem uma pegada artesanal, simples e moderna, sem recorrer às tecnologias pasteurizadas. A poltrona em cartaz na Carbono, por exemplo, consiste num quadro metálico com travesseirão recheado de camomila, que faz as vezes de estofado. Carinhosamente apelidada de Baba (bem mais simpático que o nome técnico, C26), a baixinha ganhou uma manta para arrematar o conforto.
