2010 – Uma odisseia no design

Agora sim, de volta ao ninho, após um fechamento über-tumultuado que me tirou da órbita. Bem, o ano virou e as expectativas para a nossa seara são as melhores possíveis – pelo menos para os otimistas inveterados, como eu.

Enquanto o mercado internacional se recupera da crise e joga lenha na indústria da criação, por aqui, os novos talentos crescem e aparecem.

Fazendo a linha “mãe Dinah” (sem nenhum fatalismo ou uruca, pelo amor), profetizo que esta será a hora e a vez de Rodrigo Almeida. Não tive tempo de contar para vocês, mas no final de 2009 baixei no ateliê do cara e fiquei ainda mais fascinado pela estética “rodriguiana”, altamente inventiva e subversiva, pelo rompimento com qualquer padrão cartesiano ou convenção industrial.

Rodrigo começa agora a ser descoberto pelo mercado internacional, e deve se consagrar por lá antes de acontecer por aqui, até pela resistência cultural que temos em relação à desconstrução daquela ideia primária de mobiliário. Torçam por ele!

Em outra sintonia – mas com a mesma estrela na testa –, Estevão Toledo também é uma das minhas apostas para o ano. Já era entusiasta do seu trabalho (quem é habitué do blog, sabe disso), mas depois que conheci suas criações ao vivo e em cores, endosso com louvores. A aparente simplicidade esconde engenhosidade genial em sistemas de encaixe puristas, quase lúdicos, como um bom e velho lego. O efeito é irresistível: você vai querer levar para casa, mesmo se não tiver espaço para colocar. Momento fuxico: A Fazenda, aquele reality show da Record que todo mundo faz de conta que não vê, está recheada de móveis by Estevão.

Queridinho de Marva Griffin (todo poderosa do Salão Satélite, de Milão), Wagner Archela também é um brasileiro que deve detonar na próxima temporada. Sua criação mais recente, a linha Mangue, dá uma deixa do que vem pela frente.

Fernando Akasaka, de quem sou fã confesso, tá com tudo e não tá prosa. Sua coleção de jóias, desenvolvidas com os mesmos métodos construtivistas de suas crias metálicas, ampliam aquela cartela original e criativa que já comprovou favoritismo entre decoretes dessa e de outras terras.

Isso tudo sem falar nos blockbusters (espia só essa deixa da nova coleção do duo Luciana Martins e Gerson Oliveira, por exemplo), que já estão abastecendo suas oficinas com conteúdo à altura.

Quem viver verá, de preferência aqui, em primeira mão. Aguardem os próximos drops e salve 2010! Que o ano seja tão luminoso para nós quanto este lustre do designer inglês Tim Fishlock (www.timfishlock.com), que eu pincei no dezeen.com (ele leva exatamente 1243 lâmpadas!).










