(In)dígena
São muitos os desafios do designer do século 21. A crítica pede arte; a indústria pressiona por originalidade, viabilidade técnica e exclusividade; e o varejo, no topo da pirâmide, só quer saber mesmo é se o produto é bom, bonito e barato. Inventar algo novo em 2010, quando todos os conceitos, formas, volumes e texturas já foram experimentados, é desafio titânico. Exatamente por isso, há de se reconhecer o mérito de quem consegue seguir a trilha de migalhas e encontrar o caminho de casa.
Sergio J. Matos é uma das melhores ofertas na cena atual. Matogrossense de Paranatinga, formado pela Universidade Federal da Paraíba, o artista assina um portfólio consistente que, antes de absorver as referências globalizadas e novas tecnologias, bebe na fonte da própria memória sentimental e do seu “faroeste” geográfico. “Minhas influências vêm de onde nasci e dos lugares onde morei. No interior do Mato Grosso, vivi intensamente a coisa do campo, da natureza e dos costumes. Ali, perto das aldeias indígenas, aprendi muito sobre a valorização dos recursos da terra.
Quando me mudei para o Nordeste, foi um novo impacto por conta das cores, paisagens, materiais”, conta ele. Essa cultura popular brasileira é o DNA do seu trabalho. Na última temporada internacional de design em Milão, Mattos causou frisson com as peças que levou para o Salão Satélite: o banco Xique-Xique, inspirado em uma espécie de cacto sertanejo, e o divertido Carambola, com shape inspirado na fruta. Entre as principais matérias-primas que utiliza, estão fibras e extratos naturais inusitados, como a resina de mamoma (material desenvolvido por ele mesmo). Enfim, uma novidade – de fato, original.
Estamos de olho nele!





























