Ainda estou contaminado pelas cerâmicas deslumbrantes que vi lá na Cote d’Azur, mais precisamente na cidadela de Vallauris. Fomos conferir uma exposição incrível, num lugar não menos incrível: o Museu Municipal Magnelli. Até dezembro, eles apresentam uma coleção bárbara sobre o trabalho da família Massiers, os cardeais dessa arte. Imagine você que o museu instalado desde 1977 numa antiga abadia, tem uma capela romana que abriga, na sua abóbada, dois painéis pintados em 1952 por ninguém menos que Picasso! Aliás, o museu também tem no acervo vasos e pratos über-inacreditáveis traçados pelo mestre. Très chic!
Outra curiosidade do pequeno condado: Jean Marais, galã do cinema francês nos anos dourados (lembra de A Bela e a Fera?), se dividia entre os sets de filmagem e as cerâmicas. Essa segunda faceta artística pode ser conferida no museu que leva seu nome. Babado forte: Marais foi amante de outro Jean célebre que arrasava nas cerâmicas: Cocteau.
Sem querer ser venenoso (e já sendo), foi no museu Jean Marais que descobri de onde vem boa parte das ideias geniais do americano, considerado um gênio ceramista, Jonathan Adler. (“cooooooooooooooobra“, diria meu amigo Sergio Germano!).
De volta ao que interessa, o post do dia homenageia duas divas gringas das cerâmicas cujo trabalho é de uma poética comovente: Eva Zeisel e Gwyn Hanssen Pigott.
Julius Wiedmann, nosso correspondente em Londres, escreveu sobre Eva (www.evazeisel.org) na Casa Vogue desse mês. Vai lá ver! Em plena atividade aos 104 anos de idade, a artista húngara é considerada a fina flor do gênero, com várias condecorações de design no currículo. A sensibilidade para curvas e sua percepção única de sensualidade ajudam a esculpir coleções utilitárias para, de fato, serem usadas, algo que a própria sempre enfatizou. Até mesmo em relação ao fato de serem modulares e economizar espaço na hora de guardar (note que boa parte delas não possui pegas, alças e afins, sem perder a ergonomia).
Há alguns anos, Flávia Rocha escreveu sobre outra grande dama que dá vida ao barro: Gwyn Hanssen Pigott. Formada em História da Arte, desde os anos 50, a artista australiana arrasa numa produção cheia de referências estéticas de outras épocas. A inspiração vem da grande paixão de Gwyn: as cerâmicas chinesas e coreanas. Mas o shape é pessoal e intransferível, com um desenho moderno que não despreza certa rusticidade orgânica. Lindo de ver – e maravilhoso de ter.
Por falar em divas, tenho recebido muitos e-mails a respeito da matéria que escrevi na Vogue de setembro sobre o come back (triunfal) de Whitney Houston – adoooooooooro aquela mulher com tantos “os” que nem caberiam aqui. Atormentada pelas drogas, a artista feminina mais premiada do mundo foi ao inferno e voltou. De alta do rehab, acaba de lançar um álbum quase biográfico que a coloca de volta no topo (ela está liderando as vendas fonográficas no mundo, tá?). Ontem, na abertura da nova temporada do The Oprah Winfrey Show, a apresentadora se debulhou em lágrimas com a apresentação de Whitney. O GNT vai exibir o programa no Brasil em duas partes (21 e 22 de setembro), como foi lá nos EUA (14 e 15). Enquanto a gente não vê a entrevista bombástica, colo aqui o vídeo que pesquei no Youtube. Pode me chamar de cafona, mas fiquei arrepiadíssimo. Salvem as divas!
Se você costuma passear por este blog de vez em quando, já deve conhecer o trabalho do Estevão Toledo, um dos caras em quem aposto forte como um dos designers mais bacanas da sua geração. Com site novo no ar, Estê aterrissa na web com uma página descoladérrima que você precisa conferir: www.estevaotoledo.com
Escrevi sobre o trabalho dele na Casa Vogue deste mês. Você viu? Colo aqui uma nesga do conteúdo…
“Há uma assinatura no trabalho de Estevão Toledo, uma característica que faz com que a sua produção seja imediatamente associada ao seu nome: a simplicidade. Sem firulas, o designer paulistano assina um trabalho autoral, direto, que deixa elegantemente à mostra suas emendas e sistemas de encaixe, tirando partido deles como charme-extra. Essa alta-marcenaria conta com muito capricho nos acabamentos, mas sem makes que escondam o que há por trás do traço e da ergonomia de cada peça. “A madeira por si só já é linda. A gente não precisa fazer muita coisa”, conta o artista avesso aos looks pavônicos, que trocou a trilha do pai engenheiro para se dedicar ao dedenho industrial. Formado pela FAAP, Estevão foi aluno de craques da madeira como Carlos Motta, estagiou com Baba Vacaro, além de fazer cursos com Pedro Petry e oficinas com os Irmãos Campana. Todo esse background colaborou para a criação da própria identidade moveleira – e da própria marca, tocada por ele com empenho artesanal, metade no seu ateliê de ciração, metade no galpão-oficina, de onde saem mesas, cadeiras, poltronas, estantes, cabideiros e outros etceteras descolados, em tiragens limitadas e personalizadas que estão ganhando cada vez mais espaço na cena”.
Pra ver o conteúdo na íntegra, corra para a banca mais próxima e garanta seu exemplar da Casa Vogue: está incrível!
Vogue acaba de promover um concurso em parceria com a Panamericana Escola de Arte e Design (www.escola-panamericana.com.br). O mote: desafiar os alunos do último ano do curso de “Design de Interiores” a projetar um estande institucional da editora, atendendo a critérios como identidade da marca, viabilidade técnica, funcionalidade na montagem e fluidez (considerando que o estande em questão tem que dar conta do recado nas feiras e eventos, com longa vida útil).
Conheça aqui quem são e o que pensam os quatro finalistas. A começar pelo grande vencedor, Elcio da Silva Barros.
Nome: Elcio da Silva Barros Idade: 36 Signo: JESUS CRISTO Profissão: Ajustador Mecânco, Contabilista, Professor, (Padre, vocação) e agora Estudante de Design de Interiores. Inspiração: “O Espaço, por excelência, são as pessoas”, eles devem ir ao stand por causa da marca Vogue. Profissionais que admira na área: Regina Céli de Albuquerque Machado, Richard Meier, Paulo Mendes da Rocha, J. Mayer, Wagner Archela. Seus clássicos prediletos do design: Arquitetura a Felicidade, (livro de Alain de Botton), Le Corbusier, Claudio Pastro, Fernando e Humberto Campana Principais características do espaço projetado: Leveza, destaque da marca Vogue, modulação e objetividade. Como definiria o estilo do seu projeto: Ousado, prático e eficaz.
Nome: Vania Natal dos Santos Idade: 40 anos Signo: Aquário Profissão: Graduada em Engenharia Industrial Mecânica, com MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais. Atualmente estudante de Design de Interiores Inspiração: As capas da VOGUE, que são lindas! Profissionais que admira na área: Os brasileiros! Niemeyer, Arthur Casas, Marcelo Rosenbaum, Fernanda Marques. Seus clássicos prediletos do design: Saarinen, Charles Eames, Jacobsen e Niemeyer Principais características do espaço projetado: elementos curvos, pouca variação de materiais e área livre para circular. Como definiria o estilo do seu projeto: Feminino, elegante e simples.
Nome: Andre Luiz de O Agostinho Idade: 27 anos Signo: Touro Profissão: Analista de importação e exportação Inspiração: Filmes fotográficos Profissionais que admira na área: Philippe Starck Principais características do espaço projetado: praticidade, leveza e elegância Como definiria o estilo do seu projeto: simples e moderno
Nome: Lilian Sanches Idade: 29 Signo: aquário Profissão: arquiteta Inspiração: linhas retas, projeto limpo, claro, objetivo. Profissionais que admira na área: Arthur Casas, Zaha Hadid Seus clássicos prediletos do design: Swan, Barcelona Principais características do espaço projetado: “Vogue em foco”. Ideia de focar a marca da revista e seu modo refinado de apresentar suas reportagens. Projeto modular, visando fácil manuseio sem perder o conceito. Como definiria o estilo do seu projeto: Projeto conciso, linhas claras, contemporâneo.
Em sua carreira meteórica, Jean Michel Basquiat conseguiu um feito e tanto: pixou seu nome com letras garrafais no muro da contracultura norte-americana, nos coloridos anos 80 (quando quase toda a subversão setentista já havia ecoado pelos quatro cantos do planeta). Gênio precoce, badalado e festejado aos 19 anos, morreria pouco mais tarde, aos 27, depois de uma vida de glam e excessos, regada a sexo, drogas, grafitti e rock’n roll. Basquiat namorou Madonna, foi amigo de Andy Warhol e teve muito mais do que quinze minutos de fama: sua marca ficaria impressa para sempre no circuito, como uma das figuras mais originais da arte contemporânea.
Quando nos sentamos para bolar o conteúdo da já tradicional edição de arte de Casa Vogue, nossa diretora Clarissa Schneider teve o insight: “Vamos convidar Marcelo Rosenbaum para interpretar um ambiente à Basquiat”. Bingo! Ninguém melhor do que ele para encarar o desafio. Sou fã número um do Rosebambambã por vários motivos: ele tem uma verve criativa cheia de gás; inventa moda sem nenhuma pretensão; converte o ordinário em extraordinário num piscar de olhos; é moderno até o tutano sem dar as costas para a cultura popular brasileira; é pop porque fala com a elite e com o povão com um carisma infinito; não segue padrões convencionais e subverte a estética o quanto pode, sempre que pode, entre outros adjetivos. Mas o que mais me surpreende em seu trabalho é a entrega absoluta. Com um briefing nas mãos e a liberdade de sempre na cuca, Marcelo inventou um Basquiat tão legítimo que podemos sentí-lo no espaço – tipo loft nova-iorquino, total 80s. Fui lá acompanhar tudo de perto, boquiaberto com a mistura fina: o grafite, a street art, os pneus empilhados, os móveis de design, os tribalismos, as projeções em video, a fusão luxo-lixo… Sem falar no look new-wave com direito a Louboutin-agulha-vermelho-vertiginoso onde a modelo Isabella Melo (adoro esse link fashion-decorex) tentava se equilibrar fazendo a linha “musa de Basquiat”, produzida pelas poderosas Verena Bonzo e Jéssica Juliani.
Sempre faço questão de assinar os textos que publicamos sobre o Marcelo em Casa Vogue. Mas, desta vez, justamente buscando um distanciamento mais crítico (e talvez menos inflamado), encomendei o feito a um dos nossos colaboradores prediletos, o Sergio Zobaran, que chegou chegando no título: “Vida louca vida.” Para te deixar com água na boca e fazer você sair correndo agora até a banca mais próxima buscar a sua revista predileta com a superprodução de Rosebambambã na íntegra, antecipo aqui alguns registros do Romulo Fialdini (outro de nossos colaboradores prediletos) e uma impressão zobaraniana (não menos empolgada do que a minha):
“O Marcelo Rosenbaum não produz apenas lares, doces lares na TV. Como anda muito global, e lá dizem que ‘quem sabe faz ao vivo’, ele montou, para este especial de julho da Casa Vogue, um editorial sensacional: um real loft novaiorquino (um ambiente só, pédireito alto and so on) em homenagem ao Basquiat – em pleno bairro de Pinheiros, SP. Mais precisamente em seu genial escritório-galpão, uma antiga gráfica. E lá fui eu estudar a vida deste artista plástico muito louco que era o norteamericano Jean-Michel Basquiat (claro que, na minha pesquisa além-google, li que era haitiano, e por aí vai… mas haitiano era o pai, daí o nome francês!), antes de entrevistar o Rosenbaum, que já conhecia desde os tempos politicamente incorretos em que assinou um fumoir para a Casa Cor, idos de 2003. A produção incrível desta sofisticadíssima toca foi de parte a parte: no nosso time, um aparato com direito a stylist, produtora e assistente, beauty maker & assistant, fotógrafo, modelo magérrima-cabelão-lata de spray na mão, diretora de redação, editor-chefe (os meus chefinhos), e eu, o repórter… No coletivo dele, uma penca de designers, artistas e produtores modernos e antenados também (people like us). Resultado: o fera Basquiat, que só viveu 27 anos, entre 1960 e 1988, ganhou um ambiente incrível e a cara dele, por tudo que li e vi no livro que o Wair de Paula me emprestou (e seu trabalho me fez lembrar mais uma vez de Alex Vallaury, Leonilson e Jadir Freire, entre outros tantos pós e contemporâneos dele, grafiteiros ou não), e pelos móveis, obras de arte e objetos selecionados a dedo para compor o décor – em que dá vontade de ficar pra sempre. A inspiração do texto, além de tudo de bacana à nossa frente, foram as músicas de época do Cazuza, anos 80 na veia. Afinal, além de tudo (grafites e heroínas como Madonna em sua cama), nosso herói morreu de overdose, como outros da letra J da vez: Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin. A vida foi breve, as marcas para sempre. Só não passe a perceber Basquiat em tudo o que agora vê por aí. Garanto: tem tudo a ver, sim, com o que vemos/vivemos hoje – só que de forma mais mainstream. Mas estes sintomas passam em um mês. A matéria fica: linda e ali registrada na Casa Vogue. Aprecie com moderação…”
Atenção: a capa que eu colei acima não é a que está nas bancas – escolher capa é um trabalho complicado: colocamos mil opções na frente, consultamos gregos e troianos, votamos e estudamos os prós e contras de cada uma delas, antes de determinar a eleita em si. Mas acho esse estudo tão genial, mas tão genial, que quis dividir com vocês. Clarissa teve a ideia do spray na mão da modelo garfitando o logo, e acrescentou o arranjo de flores de plástico à produção de Rosenbaum; Zé Renato entrou com o recorte e com o “A” estilizado da “Anarquia”. Romulo e Marcelo dirigiram a top com toda a ginga. Demais, não?
Para fechar o post no melhor estilo “Vida louca, vida breve”, escolhi um flashback do balacobaco. Clarissa e eu comentávamos agorinha, que nada mais Basquiat na música brasileira do que Cazuza. Zobaran fecha no discurso. Àqueles que, como eu, cresceram nos 80s, um salve com uma das frases mais definitivas (e suicidas) da nossa poesia-pop-cantada: “vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”:
Às portas de fechar a quitanda para mais um feriadão deste calendário brasuca-ôba-ôba (vou me jogar em Campos do Jordão, e você?), antecipo em post, com exclusividade, um pequeno recorte da nova casa de campo do Sig Bergamin, aqui pertinho de Sampa. Ontem estivemos lá (Zé Renato, Rômulo Fialdini e eu) para armar uma matéria superespecial da edição de junho de Casa Vogue – prepare-se, porquê ela virá mais quente do que nunca!
Sig Bergamin e sua cadela Ásia, em registro exclusivo para a Casa Vogue / foto: Rômulo Fialdini
Chegamos cedinho, junto com o sol do outono. Dia lindo, céu limpo, brisa fresca como as flores que saltavam aos olhos – as do jardim e as arranjadas em vasos, bules e canecas, com a ginga cara ao dono do pedaço. E lá veio o Sig com seus três mascotes, as frenéticas América, África e Ásia (a menorzinha, que você vê posando com ele), fazendo algazarra na varanda, em clima de comercial de margarina. Alcunhas tão cosmopolitas quanto os carimbos no passaporte do esteta-desbravador que as batizou.
Dentro da casa, a luz filtrada pelas árvores frondosas dava um tempero especial ao cenário, impregnado da alma do Sig. Suas digitais estão em cada cantinho: na combinação improvável (e deliciosa) de cores, padrões e volumes; na cultura que jorra dos artefatos pinçados nos quatro cantos do planeta – do Laos a Trancoso, com escala nos melhores mercados de Paris e Nova York; nos pôsteres de cinema; nas obras de arte; nas louças e nas coleções – de pano de prato, de bules, de cerâmicas, de pássaros. Uma assemblage trés chic que faz justiça ao seu status de maior decorador do Brasil. Mais? Em breve, na Casa Vogue.
As multirreferências do designer Sig Bergamin na decoração do seu ambiente pessoal / foto: Rômulo Fialdini
E eu tô de molho por ordens médicas. Nada grave, ainda mais depois de assistir ao estupendo Le Scaphandre et le Papillon, dramalhão francês de Julian Schnabel, que concorreu a 4 estatuetas do Oscar com esta autobiografia de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle (após um derrame cerebral, os movimentos do cara ficam resumidos ao abrir e fechar de um único olho – que ele usa para se comunicar e escrever um livro, por mais absurdo que isso possa parecer). Veja no trailer via You Tube:
No clima deste feriadão nostálgico, hoje e amanhã, como prometido, segue um fragmento dos diários de bordo das minhas últimas andanças pelo mundo, reproduzidos aqui a partir das matérias que acabamos de publicar em Casa Vogue. Voilá!
E por falar em revistas bacanas, outra magazine bonitona que recomendo é a Tania Bulhões #3, coordenada e editada por este blogueiro que vos escreve. Muita gente pensa que se trata de um catálogo da loja. Não é messssmo!
Como eu conto lá em cima, é uma revista de verdade, obviamente customizada dentro do universo da loja (que é muito mais que uma loja, é claro), mas tratada como r-e-v-i-s-t-a do prólogo ao epílogo, sem a menor pinta de catálogo (você vai sentir isso ao folhear o conteúdo e sacar o padrão editorial Vogue, com direito a excelência no tratamento de imagens, textos assinados por gente do naipe de Ignácio de Loyola Brandão, cliques de Tuca Reinés, Rômulo Fialdini e Alain Brugier, produções de Tissy Brauen, Ana Montenegro e Paula Queiroz, matérias de leitura e ideias chiquérrimas para inspirar você, seja lá qual for o seu estilo).
Ali, as coleções de Tania Bulhões e o lifestyle superabrangente da marca são apresentados em clima de manual prático para casas, mise-en-scenes e afins. Desta vez, inspirada pelo Ano do Brasil na França, a empresária apostou na fina estampa de quatro celebridades francesas para ambientar o conceito da temporada outono-inverno 2009: Brigitte Bardot, Jane Birkin, Grace Kelly e Gérard Depardieu. Um master class de glamour com pinceladas de bleu, blanc e rouge. “Acho chic!”, como diria Ailton Pimentel, saudoso amigo (e jornalistão dos bons) que há exatamente um ano subiu para o andar de cima…
… E chiqueria, chiqueria. A Casa Vogue (minha revista predileta!) de abril chega às bancas mais colorete do que nunca. Não precisa nem procurar muito (a capa vai encontrar você), com look quente, solar, alto astral, totalmente demais.
“Pintura Íntima”, a matéria principal, diz tudo sobre o tema-conceito da vez: a vida imita a arte. Sob medida para nós (e para vocês), Roberto Migotto (über-decorador e arc-amigo de todas as horas para produções estético-culturais de primeira) interpretou, em estilo e ambientação, a explosão colorida da pintora, escultora, cenógrafa e estilista franco-ucraniana Sonia Delaunay, pioneiríssima na derrubada das barreiras entre as artes plásticas e as aplicadas, lá na Paris dos anos 20, quando os modernos começavam a dar os ombros para os caretas.
O mise-en-scene ficou tão deslumbrante, mas tão deslumbrante, que deu até canseira na equipe para escolher a capa do número (uma tarefa sempre difícil, mas que desta vez ficou muito mais complicada, considerando o caminhão-baú de possibilidades à mão).
“Abusamos do vermelho, nossa base, mesclado a formas geométricas, listras e estampas criadas por Sonia, que dificilmente veríamos juntas num projeto comercial, embora muitas peças isoladas, ou mesmo algumas combinações possam perfeitamente ser usadas no dia a dia. É como um desfile de moda, que causa efeito e impressão, mas que não é exatamente comercial”, diz Migotto.
A pegada fashion ganhou pimenta com as caras, bocas e performance blasé da top Carol Demarqui, a bordo de um vestido da coleção que Valdemar Iodice desenhou inspirado justamente em Madame Delaunay. Não é que ela coube direitinho no papel da Soninha?
Inspiração pouca é bobagem. Num impulso sagitariano, bateu uma vontade louuuuuuca de pintar as paredes do meu lar, doce lar de vermelho-cereja. Mas tô segurando as pontas – pelo menos até terminar de pagar a penteadeira vintage que mandei laquear de amarelo-safari (o mesmo tom do recamier da capa desta edição), para usar como bar-solar de drinks furta-cor, baratos e afins. Um dia, mostro aqui como ficou. Enquanto isso não acontece, dá uma espiada no conteúdo desse mês:
Audrey Hepburn que nos dê licença, mas não existe luxo mais luxuoso do que a solidariedade. E entre as entidades brasileiras que realizam ações sociais com um pé na filantropia e o outro no estilo, a Orientavida (www.orientavida.org.br) integra o time das mais relevantes.
Criada em 1999 com o objetivo de capacitar as mulheres da cidade de Potim (município carente na região de Guaratinguetá), ensinando técnicas de costura, bordado, crochê e tricô, num processo notável de geração de renda para a comunidade, a Ong completa dez anos com grandes feitos. Quer um exemplo de fé? Foi a turminha de Potim que bordou os enxovais do Papa Bento XVI, em seu périplo recente pelo Brasil.
A dedicação e profissionalismo são tamanhos, que uma das técnicas mais complexas dominadas pelas bordadeiras é o Boutis, criado originalmente na França, para o enxoval de Napoleão Bonaporte. Madame Nicoile, presidente do Museu Francês do Boutis, veio de Paris especialmente para ensinar o ponto raro às bordadeiras de Potim, processo que levou meses.
Para celebrar esta primeira década sem dar ponto sem nó, a Orientavida bolou uma coleção lúdica-divertida-descolex de bonecas personalíssimas: “Estamos homenageando as mulheres que nestes 10 anos nos ajudaram, cada qual à sua maneira. Fizemos 25 bonecas lindas, inspiradas nelas”, conta Celeste Chad, presidente e fundadora da instituição.
Na foto abaixo, ao centro, a versão doll da nossa big boss de Casa Vogue, Clarissa Schneider, uma das colaboradores assíduas da ONG. Gostou do look? Imagine que a Bob Store confeccionou o jeans sob medida para a chiqueria da mulher, ladeada por Helena Montanarine (esquerda) e Maguy Etlin (direita).
Essas e outras “bonequinhas de luxo” estarão à venda no coquetel de comemoração que rola no dia 15 de abril, no Oscar Café. A renda, é claro, será totalmente revertida para a Orientavida.
Da esquerda para a dir.: bonecas inspiradas em Helena Montanarine, Clarissa Schneider e Maguy Etlin / foto: Divulgação
Por falar em Maison & Objet, resolvi resgatar uma peça espetacular que foi apresentada ao mundo no ano passado (embora pouca gente tenha visto na ocasião), e que, segundo sopraram no meu ouvido, tá vendendo igual banana entre algumas celebrities, esnobando a crise.
Exageros sagitarianos à parte, para quem, assim como eu, andava achando as últimas criações de Patricia Urquiola pasteurizadas demais, aqui vai a resposta da moça. Sensação em Paris no segundo semestre de 2008, a poltrona Crinoline é um escândalo. O shape portentoso, em visual meio “fábula encantada”, dosa o lado opulento dos tronos e seu espaldar altíssimo, com linhas muito leves – repare na trama espaçada, arejada, que desemboca em desenhos super dimensionados, vazados. Em cuia invertida, os pés, também trançados em fibra, completam o look natureba-contemporâneo. Da mesma linha, a versão pocket-poltrona, também é uma graça. O lançamento é da B&B Itália.
Também da prancheta de Patricia (que, diga-se de passagem, é pupila de ninguém menos que Achille Castiglione), a chaise Canasta é outro new-hit da temporada.
Pasteurizada? “Eu continuo tentando apurar o meu olhar sobre as coisas. Minhas propostas nunca deixaram de observar a pureza das linhas que podem se aliar a interferências de certa formas ornamentais, quase esculturais. Algumas pessoas analisam que o meu trabalho chegou num momento em que havia um cansaço geral em relação ao design frio e cerebral que acontecia nos anos 90, quando se destacavam apenas os projetos minimalistas. A expansão de trabalhos me deixou mais rápida na depuração das ideias”, contou a designer espanhola à Casa Vogue, no ano passado.