Allex in casa, por Allex Colontonio - Part 3
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01/07/2010 - 19:08

Aerolineas

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Salve! Cá estou, de casa nova, já ambientado – e super in (centivado) pelos fabulosos comments de amigos tão queridos na última pensata. Valeu pela força, galera!

Para reabrir os trabalhos deste puxadinho que volta com sangue nos olhos, nosso rentrée se inspira numa das fotos mais impactantes do meu número de estreia na Wish Report (aquele que tem Shirley Mallmann linda, leve e loira na capa). Idealizada por Stephanie Marie Elie e clicada por Eduardo Rezende, a produção junta no mesmo balaio o shape-gaivota do novo superesportivo Mercedes-Benz SLS AMG, a “língua” de Tomie Ohtake sobre o pórtico niemeyeriano do Auditório Ibirapuera, e a silhueta voluptuosa da top holandesa Celine Brink. Em comum no trio, as curvas aerodinâmicas que também aparecem como tendência forte no universo das formas e volumes – e que tiro como mote da seleção do dia.

Móveis de Jean Marie Massaud, um dos papas contemporâneos do design aerodinâmico

Criações de Konstantin Gric, que por aqui podem ser encontradas na Micasa

Ron Arad na cabeça! Designer acelera nas formas futuristas com perfume aerovintage

Uma das principais evoluções do desenho moderno, a aerodinâmica pegou a indústria de jeito nos anos 30, muito além de seus carrões possantes – pense em um ferro de passar roupas, por exemplo.

Philippe Starck mistura linhas consagradas na descolada Frank e abusa da inspiração aerodinâmica na cadeira que tem até um aerofólio no encosto

Se nos automóveis o efeito é físico – há uma ligação direta entre os desenhos de aeronaves, navios, carros, antenas, pontes e outros elementos com os quais o ar interage em sua superfície  –, nos móveis e utilitários ele é quase que meramente estético.

Produção dos Irmãos Bouroullec

Claro que muitos designers usam o recurso para favorecer a ergonomia (como fez o americano Henry Seely, em 1882, ao inventar o ferro elétrico tal e qual usamos hoje – uma das formas mais bem resolvidas da história, para alegria das donas de casa). Mas há uma intenção muito mais subversiva por trás dos desenhos aerodinâmicos do que propriamente funcional.

Sofá Zaha Hadid, estante de Shiro Kuramata e poltrona Studio Gunnlaugsdottir: nomes impronunciáveis, formas inimitáveis

A iraquiana Zaha Hadid é um exemplo: suas formas desconstruídas, fluídas, derretidas são absolutamente aerodinâmicas, seja na escala da arquitetura, seja no desenho industrial. Em ambos os casos, o apelo visual é catártico – nada que Verner Panton já não tivesse feito no final dos anos 50, mas ainda assim, há quem evoque o espírito com apelo pra lá de original. Da mesma escola, Ron Arad, Marc Newson, os Irmãos Bouroullec, Jasper Morrison, Konstantin Grcic, Marcel Wanders, Ross Lovegrove, Jean Marie Massaud e até Philippe Starck também acelaram nos aeroshapes.

Sofá e móvel em forma de cornucópia by Ross Lovegrove

Para quem curte uma pimenta futurista no décor, está aberta a temporada do aerodesign. Escolha os seus prediletos, dinamite as retas e dinamize o layout da casa.

Tronos-fetiche do moderninho Konstantin Grcic. A Micasa tem

A um passo da aerodinâmica, Marc Newson também se inspira no estilo

Cadeira Jasper Morrison, luminária Dominici, poltrona cleassica de Verner Panton (à venda na Clássica Design) e luminária-bandeja dos Irmãos Bouroullec

Poltrona em forma de coração, outro clássico de Verner Panton criado nos anos 50; banco super aero de Crhis Katasi

Aparador de Jacqueline Terpins

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Design Tags: , , ,
01/06/2010 - 21:17

Terra em transe…

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… e Allex em trânsito. Maquiavel dizia que “uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança”. Mas a gente demora um bocado para encarar uma guinada.

Foram 10 anos. Densos, intensos, imensos. Com o pedigree Vogue, ergui pilotis que escoram o lado “platinum” do meu curriculum vitae. Complexo, convexo, suado e sofrido ­– mas reconhecido, graças a Deus. Muito além da superfície estética, aprendi naquela casa os quiprocós da criação, a engenhosidade da função e a excelência da publicação.

Entrei com a minha verborrágica sopa de letrinhas; os Carta, com o toque gourmet que tempera as revistas mais chics desses brasis. Não é tudo. Nas fissuras da fina estampa, tive a oportunidade de estudar arte, dissecar conteúdos, entrevistar ídolos, dar de cara com lendas vivas e cair na estrada em trips espetaculares que fizeram de mim um jornalista melhor. Um crachá que também garantiu acesso a veículos de outras plataformas – fashion, cult, pop ou blockbuster –, onde cravei assinatura em textos culturais, críticos, intelectuais, acadêmicos e politizados – ou pseudo tudo isso. Não salvei o planeta, é verdade – e tomei uma senda bem diferente daquele romantismo ambicionado por qualquer foca prestes a abocanhar o canudo de jornalismo, com sede de mudar o mundo num manifesto. Mas comemoro a odisseia sem um miligrama de culpa. Foram quase 120 edições e incontáveis colaborações com todos os títulos da casa. Muitos fios de cabelos brancos depois, parto para outra.

De fato, um parto também no sentido metafórico, já que deixo aqui amigos queridíssimos (Zé Renato, Ana Paula, Paula Queiroz – muitas vezes, meu braço direito neste blog –, Fabrizio Rollo, Ana Lúcia, Ana Montenegro, Tissy Brauen, Guilherme Marcon e muitos mais) e um pouco da minha alma. Levo outro tanto disso tudo comigo, para sempre. Foi uma escolha pessoal e intransferível – simplesmente vital para quem não se acomoda no conforto do ninho. Este puxadinho virtual continua despretensiosamente do jeito que sempre foi. Enquanto metabolizo a nova rotina – e só durante essa fase de transição –, fecho a quitanda por uns dias (deixo vocês com um patchwork das minhas duas últimas edições de Casa Vogue, junho e julho. Até daqui a pouco, de endereço novo, como editor-chefe da bacanérrima Wish Report. Te vejo lá, né?

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Casa Vogue Tags: ,
27/05/2010 - 10:37

A mosca que pousou em sua sopa

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E ontem começou a expo de Regina Silveira na Galeria Bolsa de Arte de Porto Alegre (www.bolsadearte.com.br). Adoro tudo o que ela faz. Regina ficou conhecida na década de 80, por suas paródias da perspectiva e das sombras projetadas. Naqueles anos loucos e desvairados, onde o exagero ditava as regras do jogo, a mulher realizou uma série do balacobaco batizada de Anamorfas, conjunto de gravuras e desenhos fundamentados em distorções dos contornos lineares de pequenos objetos.

O trabalho de Silveira, diversificado no uso de materiais e meios (gravuras, tapetes, objetos, vídeos, instalações, projeções), está fundamentado em suas reflexões sobre a natureza ilusionista de imagens e espaços, sejam representados ou experimentados.

Certa vez estive na casa da Luciana Brito e morri de amores pela mosca gigante de Regina posada numa parede do living – intrigante, instigante, divertida e absoulutamente interativa com o look da casa da galerista. Fiquei fã de carteirinha. Para o blog, escolhi duas louças-esculturas que jamais passariam despercebidas: uma com a insetolândia que a consagrou; outra com a surreal freada de pneu.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design Tags:
21/05/2010 - 11:37

Um montão

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Principal criativo da marca A Lot Of (www.alotof.com.br), o designer brasuca Pedro Franco fez e aconteceu durante a temporada milanesa no Salão Satélite (aquele reservado aos novos talentos, sob a batuta da “olheira” Marva Griffin).

Por lá, suas inventivas peças levaram um pouquinho do neo-twist nacional (aquele que a gente já sacou no genial Rodrigo Almeida & cia) para a gringaiada testar e aprovar.

Modernas até o tutano, todas as peças seguem as tendências direcionadas pelo Salão, mas têm como conceito básico a chamada Brazilian Soul, dosada com interesses comerciais, relevância cultural e temática da exposição. Curtiu?

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Design Tags: , ,
19/05/2010 - 14:59

Mais que nada

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E Tokujin tá com tudo e não tá prosa. Muito além das subversões contemporâneas de muito conceito, baita impacto e pouca assimilação, o designer japonês também manda muitíssimo bem quando resolve fazer algo convencionalmente bonito – se é que existe algo universalmente belo, já que a estética é a coisa mais subjetiva que eu conheço. Sua nova coleção de acrílicos (sou apaixonado pelo material, vocês sabem), composta por poltronas, sofás, mesas, bancos e cadeiras, é de uma chiqueria sem fim. Com linhas retas puríssimas que quase desaparecem no horizonte do living, as peças impressionam pela espessura do material, usado aqui em blocos maciços que marcam território pela solidez absurda, compondo um look paradoxalmente rígido, forte e levíssimo. É tudo. Ou nada, dependendo do seu ponto de vista. Com exclusividade para a Kartell.

+ www.kartell.com

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Design Tags: , , ,
18/05/2010 - 12:18

Frango assado

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Ok, eu sei: parece aquele naco de papel alumínio que a gente acabou de sacar de cima do assado do forno e jogar de lado, meio amassadinho. Mas antes de torcer o nariz para a poltrona da foto (sim, é uma poltrona), analise os fatos:

Feita com tecido altamente tecnológico (a partir de alumínio reciclado, tramado com fibra de algodão) a cadeira mutante é uma das criações mais ousadas da prancheta über-vanguardista do japa Tokujin Yoshioka (um dos designers mais bombados do circuito). Lançado pela Moroso no último Salão de Milão, o móvel assume a anatomia do corpo e acomoda ergonomicamente – dizem que é super confortável.

“A memória é um lugar que completa o seu próprio design, mudando de forma. Esta cadeira se transforma com a interação e memoriza a sua forma, fazendo eco com a beleza da natureza, com suas expressões em constante mutação, dando a ideia de que o projeto nem sequer existe “, diz Tokujin.

+ www.tokujin.com

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Design Tags: ,
17/05/2010 - 12:20

Abacachic!

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Mais um fechamento tumultuado – e nós somos experts em descascar o abacaxi, quebrar o coco e não arrebentar a sapucaia. Tomo emprestado o título do rei do trocadilho desta redação, Monsieur Fabrizio Rollo, para batizar o post do dia com uma dose de genialidade cítrica.

Acaba de sair a nova revista-catálogo da Tania Bulhões Home (taniabulhoeshome.com.br), coordenada e editada por este que vos escreve, com fotos do lince César Cury, produção impecável da ainda mais impecável Paula Queiroz, direção de arte do meu ídolo Zé Renato Maia e supervisão da todo-poderosa (e toda-fofa) Tania e sua equipe – capitaneada por Lord Marcelo Tucci. E chega de adjetivos, porquê senão vão achar que eu tô levando jabá!

A revista marca oficialmente a temporada 2010 da loja com cara de chateau, recheada de novidades clássicas, contemporâneas ou casuais, marcadas por uma brasilidade que não esnoba a influência europeia dos nossos colonizadores. Por essas e outras, apesar do friozinho que sopra a Paulicéia, vale a dica do look tropicaliente.

Símbolo da realeza (com coroa e tudo), o abacaxi dourado da foto é uma mesa lateral de latão e vidro, totalmente feita à mão, com mais de 200 pecinhas minuciosamente encaixadas. Meio over para alguns e maravilhosa para outros tantos, a peça não passa despercebida, definitivamente. Eu, que adoro uma dose de surrealismo, Lalanes e afins, confesso: acho chic no úrrrrrrrrrrrrrtimo e teria um par delas – não fosse o preço tão azedo para o meu humilde borderô: quase R$ 12 mil cada (só de pensar, brotou uma afta no meu bolso).

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Décor Tags: , ,
13/05/2010 - 17:35

Chic no úrrrrtimo

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E hoje tem pregão chic na Paulicéia. João Pedrosa, a maior autoridade em antiquariato que eu conheço, bate o martelo para quem der mais em Colecionando Chic, leilão que agita os bambas ligados em arte e décor.

Vi o catálogo do prólogo ao epílogo e afirmo: são 160 peças simplesmente espetaculares, garimpadas em viagens, feirinhas ou cooptadas nos leilões e acervos mais concorridos do mundo – com a expertise e o bom gosto singulares de Monsieur Pedrosa.

Entre, fotografias (como o belíssimo retrato de Carmen Miranda, feito por Jean Manzon nos anos 40), muranos, cerâmicas (um prato de Fornasetti dos anos 60 está entre as estrelas), serigrafias (fique de olho na de Ivan Serpa), pôsteres, pinturas e biombos (você vai ficar de queixo caído pela peça de quarto folhas pintada por Buffoni nos anos 50), dá pra confiar de olhos fechados na curadoria do antiquário, colecionador e galerista que sabe tudo de estilo.

A quem interessar possa, reproduzo aí embaixo o texto do próprio curador, explicando o conceito do acervo e sua razão de ser. Um motivo a mais para investir em peças certificadas pelo tempo, pela história e por uma estética acima de qualquer suspeita:

“Porque chic? Porque o chic se faz necessário no mundo de hoje mais do que nunca. O que é chic? Não explique o seu chic, ou outras pessoas podem copia-lo. Ou até mesmo você. E isso nunca é chic. Peças na coleção tem chic. Uma qualidade indefinível. No conjunto e no indivíduo. No coletivo ou no particular. Todas as peças aqui oferecidas, são provenientes de 2 coleções com um só tema, ele mesmo, o Chic. Aqui estão não só artistas que já foram ou sempre serão chics, mas peças chics dos mais variados tipos de artistas. Começa-se com arte dos anos 1950/60/70, como o construtivo Ivan Serpa; e um expressionista abstrato francês, que foi moda em seu tempo: Georges Mathieu.”

E o mais pop de todos: Victor Vasarely. Uma poética aquarela de Cícero Dias e uma magnífica pintura abstrata de John Graz, de 1975, são high-lights. Conseguimos provar que até artistas que tem algo kitsch tem obras chic: Walter Lewy e Toyota. Mais arte chic na forma de nus, retratos, e naturezas-mortas. Nas artes decorativas, um raríssimo biombo de Buffoni, um italiano, que foi paulistano nos anos de 1950 a 70. Mobiliário tem seus grandes nomes, que começa pelos internacionais Hoffman e Florence Knoll, para chegar aos brasileiros Dinucci, Zanine, Sérgio Rodrigues, e Scapinelli.

Na forma de art déco, ferronerie dos anos 40, e uma peça muito rara do estilo aerodinâmico brasileiro, uma mesa lateral, com o tampo marchetado com motivo de araucárias. Em fotografia, algumas colecionáveis fotos de grupos, de moda do século XIX, e elegantes estudantes do entre-guerras inglês. Na fotografia, clássicos, como Pierre Verger e Jean Manzon, internacionais como Miguel Rio Branco, e modernos, como Daniel Klajmic, Martin Usborne, e Rubem Azevedo, com um díptico quase único. Um vaso raríssimo do genial Dino Martens, para a vitreria “Arte Vetraria Muranese” (A.Ve.M.), da extraordinária série “Oriente”. Vidros de Ingeborg Lundin e Max Werboeket, além de Timo Sarpaneva e Tappio Wirkalla. Um prato dos anos 1920, do artista Art Déco parisiense, Leon Leyritz. Peças nórdicas de Iittala, Kosta, e Orrefors. Cinzeiros da vitreria A.Ve.M., de Murano dos anos 50, e os coloridos e decorativos vasos-garrafa, dos anos 1960/70. Cerâmicas vão dos anos 1930 até 1970, incluindo grandes nomes do Art Déco francês como o famoso F. Bichoff. E outros grandes nomes como Gouda (Holanda), Beswick Ware (Inglaterra), Amphora (tcheca), Streamline (Norte-americana), Bavária (Alemanha), Fat Lava (Alemanha Oriental), e Rosenthal Netter, marca alemã, feita na Itália, para o público norte-americano, são destaques. Além de uma peça única da melhor cerâmica nacional: Ars Bohemia, desenhada com ponta seca. E o italiano genial Piero Fornasetti, com um de seus divertidos pratos de porcelana. As artes gráficas estão representadas por raridades geniais como 4 gravuras do livro “Sertum Palmarum Brasiliensium” de J. Barbosa Rodrigues, de 1903, a melhor peça da flora brasileira do século 19. E gravuras de interiores Art Déco, do folio parisiense, de 1925, “Ensembles Mobiliers “, do editor Charles Moreau. Um poster do fashion designer dos anos 1980, Jean-Charles de Castelbajac, e outro do mestre do design gráfico e decorativo dinamarquês dos anos 1960/70: Bjorn Winblad.

Objetos decorativos como caixas de laca japonesa art-Déco, bandejas, luminárias, tapetes espelhos e, nada mais chic, aquarelas de interiores assinadas por Ben Botoeiek. Bronzes de animais incluem um rato no estilo cartoon, que é outra jóia do leilão, prata da ainda atual marca W.M.F. e até portuguesa, feita à mão, dos anos 1940.

Esse é também um leilão de peças acessíveis, pois fora 10% das peças (16), que são high-lights internacionais, e que tem estimativas de acordo com seu status, as outras 90% das peças (144), tem o preço médio de apenas R$ 2.000. Cada peça tem características próprias, seja no material raro ou exótico, na manufatura formal, na assinatura perfeita para aquele objeto, seja uma indefinível qualidade que é quase intangível, ou até uma característica óbvia. Essa é uma seleção que merece ser chamada como tal, e um leilão único. Com essa rara curadoria é possível mobiliar e acessorizar qualquer endereço elegante, quando não completar com high-lights, uma chic e erudita coleção.” João Pedrosa, curador.

+ www.artepedrosa.com.br

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: ,
12/05/2010 - 16:31

Geração Coca-Cola

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Por Sergio Zobaran

No ar, mais uma edição da Mostra Artefacto – a 19ª. Sergio Zobaran, colaborador querido de Casa Vogue e deste blog, foi lá e conta tudo pra gente, com sua sopa de letrinhas sempre bem temperada. Bon apétit!

O grande desafio de uma mostra de decoração produzida por uma só loja é a obrigação do profissional-expositor, seja arquiteto, decorador ou paisagista, de utilizar os mesmos móveis, da mesma marca – afinal, este é o ‘leitmotif’ da exposição: apresentar sua coleção anual. Na Artefacto, pioneira deste tipo de evento no comércio (desde 1992), em todo o Brasil, isso acontece, claro. Mas a marca, que produz tudo o que vende na sua linha tradicional (hoje tem, ainda, uma cadeia de lojas Basic e outra para Beach&Country), traz uma quantidade tão grande de acabamentos, que fica difícil você ver um móvel repetido exatamente igual. Acontece também, é claro, mas é mais raro. Porque a empresa tem sua própria fábrica, em Iperó, interior do estado de São Paulo, e lá produz todos os modelos das coleções anuais que lança em muitos, mas muitos acabamentos e revestimentos diferentes (madeiras certificadas, aço de todo jeito, ferro, resina e etc., e fibras em geral, material em que aposta desde o seu início, trinta e quatro anos atrás, entre as naturais e as sintéticas, práticas para as ambientações outdoor).

A 19ª Mostra também tem parceiros comerciais fortes, entre aqueles produtos que não fabrica, como armários, cozinhas, pisos, metais e uma gama maior de iluminação, o que faz complementar tudo o que um ambiente decorado precisa para ter vida e parecer real – ou cada um deles seria apenas mais um trecho de loja, ou showroom, como a Artefacto prefere chamar. Até porque é verdade: o que fica apenas exposto, em ambientações básicas, no setor das imensas lojas que possui, não está à venda para pronta-entrega, e só é vendido ao final de um ano, coincidindo com o término da mostra. Bem, vamos à deste ano. Obs: como editor da revista-catálogo da Artefacto e do portal da empresa na internet pelo quarto ano consecutivo, fica difícil fazer uma análise, e delicado também… Mas posso apontar alguns destaques, dividindo-os por cores, como fiz no impresso de 130 páginas que é distribuído a todos que entram em cada Artefacto pelo Brasil afora, edições 100% diferentes entre si, pois são relativas, especificamente, a cada uma das mostras estaduais, de Manaus a Curitiba.

Vamos finalmente à 19ª Mostra, realizada na loja-sede da Rua Haddock Lobo, nos Jardins: as cores predominantes nos ambientes são o branco, o preto (e o P&B combinado), o cinza, beges em diversos tons, até o marrom. Mas tem também um grupo de coloridos, com predominância do amarelo (a marca apostou na cor, e lançou uma linha em tom bem forte), e o azul marinho, com pitadas de rosa choque, entre outras menos votadas. No grupo dos brancos, a suíte de hotel boutique de Milène Nowicki e Joyce Altschüler chama a atenção: total white look. No encontro com o preto, Roberto Migotto faz vitrine contemporânea com toque de amarelo e clean – ponto alto, literalmente: os pendentes de Tom Dixon. Patricia Anastassiadis arrasa com sua suíte, pois agora foca hoteis como ninguém. Chris Hamoui segue carreira ascendente usando lambris com força. E Marcia e sua linda filha Mariana Lazzuri quebram o ritmo do branco da cozinha com madeira de demolição, muito bom! A sala de leitura de Adriana Bijarra Cuoco é supresa agradabilíssima (inclusive de termos o sogro famoso Francisco Cuoco na inauguração). Nos cinzas, Ana Maria Vieira Santos esclarece porque é grande no assunto: basta olhar. E Toninho Noronha faz o tipo total gray look com fé! Boniiito… Felipe Diniz estreia na Artefacto em gênero low profile, à exceção dos propositalmente exagerados lustres diferentes entre si e máscaras africanas. Shenia Nogueira e Paula Almedida atacam de anos 1980 em total black.

Já nos beges, a rainha deles, Débora Aguiar, enfrenta o maior ambiente, na cobertura, com a simetria que dá segurança e um “ooohhh!!!” de todos: quem não gosta de conforto com tanta tranquilidade??? E Leila Barakat traz de Manaus um bom gosto que a gente não conhecia. Nos marrons, acima dos beges, Maithiá Guedes explora o lugar mais difícil, o patinho feio que virou atração: banheiros + halls de dois andares. E Marcelo Mujalli ousa na sobriedade em homenagem ao filho jovem. Fábio Morozini faz link moda-decoração: grife dos pés (repare o tapete) à cabeça. Fernando Piva: classe de sempre com lareira ecológica. De Campinas, a dupla Cimino&Scheibel traz uma parede de ripas inesquecível. Assim como as paredes pink de Silvana Curi e Flávia Yazbek, e as amarelas de Consuelo Jorge. Verde, pero no mucho, Gilberto Elkis entra com o azul moderno dos novos móveis em fibra, e o do céu também, já que tem este privilégio em seu jardim aberto. Vale a visita já, pelos ambientes de onde podem sair (suas próprias) ideias (adaptadas ao seu gosto e bolso), e pela arte espalhada – de tudo, para todos os gostos. Amém!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Décor Tags: ,
10/05/2010 - 18:48

Le Corbu

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Moderna até hoje, a poltrona LC3, clássico do kaiser Le Corbusier desenhado em 1929, causou frisson na temporada milanesa 2010. Tudo bem que ela nunca saiu de moda – e que 80 anos depois continua sendo uma das peças mais imprescindíveis do décor contemporâneo –, mas a versão reeditada pela Cassina (www.cassina.com) vai muito além do shape original. Saem de cena a estrutura cromada e o acabamento de couro legendários e entram tubulações coloridíssimas e tecidos explosivos, em efeito cheio de astral. Quero uma de cada!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Design Tags: ,
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