Pegando o gancho dos grafites (ou grafittis, como preferem os puristas), saca só o figurino hot-hot-hot dessas geladeiras. Descolex é pouco, né? Pois elas são só a pontinha do iceberg. Parceria da Micasa (www.micasa.com.br) com o Estúdio 20.87, as máquinas ganharam look turbinado pelas mãos dos designers Julio Zukerman e Henrique Lima, do duo “Mulheres Barbadas”. Conhecidos pelo trabalho autoral de muitos elementos e poucas cores (e por disponibilizar seus desenhos para download na web), os ilustradores trabalham preenchendo espaços com desenhos über-moderninhos, simbiose das culturas do HQ e da arte de rua. O bacana da parceria da dupla com a Micasa, é o pedigree em dose dupla: além dos produtos do Estúdio 20.87 (como as geladeiras pop-popozudas), a dupla também customiza as peças de design 5 estrelas da Vitra. PS: eles vão grafitar, de cabo a rabo, um dos ambientes da Casa do Lado (loja anexa à Micasa), com pôsteres, quadros e desenhos nas paredes e tetos, com direito a um plus: o diretor Luciano Sanches vai filmar toda a peripécia para um documentário.

Legenda: Geladeiras customizadas pelo “Mulhores Barbadas”, na Micasa
Dica da Paula Queiroz, Tomaz Viana, representado pela Galeria Movimento (www.galeriamovimento.com.br) é outro grafiteiro que curte linkar sua arte com o universo doméstico. Seu barato é pegar móveis antigos e pintar o sete neles.

Legenda: A velha gaveta de cômoda ganhou look terceiro milênio no grafite de Tomaz Viana
Ainda da série “ArtParade”, a mana Patrícia Favalle (jornalistona das melhores que conheço e amiga-gêmea-quase siamesa deste blogueiro que vos escreve), está morrendo de amores pelo trabalho do Jgor (www.jgor.com.br), artista novo na praça, totalmente off road, mas com desenho super in. Ela aposta nele – e eu também. Mas como Paty consegue ser ainda mais inflamada do que eu em suas chancelas, deixo-a com a sopa de letrinhas sobre o cara (muito bem temperada, por sinal).
“O pincel tange descontrolado sobre a superfície. Do azul ao vermelho as cores encontram-se inéditas, imprimindo nas latas, portas, papelão, telas e outras variáveis urbanas a criação do paulista José Ferreira Junior. Como se observa nos seus quadros, marcados pela referência de Jean-Michel Basquiat, a força bruta das formas unida à liberdade do graffiti, transcende os contornos da imagem num contexto entorpecente. No raciocínio permitido pela semelhança, José, que nasceu em Cajuru, cidade do interior paulista, se transformou no grafiteiro JGor. Já na Paulicéia, desde 2003, o jovem balzaquiano fez da arte marginal sua própria linguagem, estendendo a produção aos calques de canetinha, giz de cera, óleo, esmalte e técnicas mistas. O aprendizado desenvolvido sem mestres, teorias, materiais e informações didáticas, – eis mais uma afinidade com Basquiat –, é instintivo e popularesco, sem que isso lhe cause demérito algum. Afinal, como questionava o poeta-andarilho Gentileza: “O que é mais inteligente, o livro ou a sabedoria?” Patricia Favalle

Legenda: Óleo de Jgor lembra as pinturas de Basquiat
Fechando o post do dia na mesma onda, mas numa prancha um pouco mais lúdica e romântica, vale espiar o trabalho da Calu Fontes (www.calufontes.com). O vaso de porcelana com pinturas e apliques de flores, pássaros e mandalas, dá uma deixa da nova coleção da arquiteta-ceramista-ilustradora. Calu é expert em customizar xícaras, vasos, pratos, moringas, vasilhas e o que mais a sua imaginação mandar. “Não desenho croquis, sigo adiante e deixo as linhas fluírem. Por isso, quando inicio a pintura, nunca sei como ela ficará no final”, diz.

Legenda: Vaso da ceramista Calu Fontes: “pixação” romântica e cheia de estilo