Depois da explosão amarela detonada neste blog, é hora de acalmar os ânimos e olhar para o horizonte – literalmente.
Paula Queiroz (entidade habilíssima, simbiose de jornalista e produtora, meu braço direito aqui no blog e lá na Casa Vogue) me ajudou a armar uma seleção azul do balacobaco em cima da nova tendência mundial, ditada pelos arautos das tintas.
Quem recomenda é uma grife das mais portentosas do assunto: a Coral, marca do grupo holandês AkzoNobel, acaba de lançar o “Colour Futures 2010″, estudo mundial sobre tendências e desenvolvimento de cores. Resultado da pesquisa sobre diversos elementos como arquitetura, design, artes, cultura, moda, realidades política e economia global, o estudo apresenta o tom “Céu Californiano” como a cor que guiará 2010.
Este tom claro simboliza horizontes infinitos, novos começos e energias renovadas. A cor, que pode ser associada a céu amplo, frescor da brisa e ar puro, é caracterizada pelos especialistas como otimista e com capacidade de oferecer sensação de pureza e bondade. “Tons de azul claros e etéreos como a cor de 2010 são reconhecidos por serem refrescantes, reconfortantes e liberadores, além de oferecerem grande auxílio no combate à tensão, cansaço físico e exaustão”, explica Paola Vieira, Gerente Global de Cores da AkzoNobel e integrante do time internacional de oito especialistas do Colour Futures.
As características da cor “Céu Californiano”, considerada a melhor representante do estado de espírito do próximo ano, estão associadas à mensagem-chave do Colour Futures 2010: Recuperação. A palavra remete às atuais expectativas da sociedade, que se direciona a um papel mais ativo do indivíduo. “Acreditamos que em um momento de incertezas quanto à economia, política e meio ambiente, a ideia é que as pessoas passem a valorizar mais os amigos, a família e as comunidades locais, além de cuidarem do planeta em prol de um futuro saudável”, diz Benito Berretta, Diretor de Marketing da AkzoNobel.
Segundo o estudo, “Recuperação” oferece a todos a oportunidade de rever, criar melhor, aperfeiçoar o que já existe, recuperando o sentimento de sabedoria coletiva para o futuro. E é justamente dentro desse contexto que a equipe de especialistas do Colour Futures identificou cinco temas predominantes em 2010 – e suas respectivas coleções de cores: Espaço Silencioso, Fantasia Fluida, Convicção Fundamental, Espírito Livre e Doce Lembrança.
Sacou? Para terminar o post azul com a malemolência que a cor pede, pesquei no youtube um videozinho retrô com uma música que toca fundo: “Azul da Cor do Mar”, de Tim Maia, que abocanhou a 44ª posição no hall das 100 melhores músicas brasileiras de todos os tempos. E dedico a canção ao Zé Renato Maia, sobrinho do Tim, responsável pelo design desta página choco-blue.
Muranos e cômoda Tania Bulhões; móvel de Wagner Archela para a C.O.D; cadeiras Micasa
Luminária de murano Emmanuel Babled; som Bang Olufsen; vasos Bendixt; banqueta Royal; cadeira Micasa;
Poltrona com tecido azul-bebê; vasos Evelino Antiquário; luminárias Quimera; Vaso de silicone Scandinavia Design
Potes Secrets de Famile; louça e porta-guardanapos Tania Bulhões Home
Abajur de murano Tania Bulhões Home; vasos F. Quartilho; cadeau Scandinavia; vidro Benedixt; poltrona Montenapoleone
Mesa do muralista brasileiro Paulo Werneck; poltrona de Michel Arnaud, by Atec; moringa Obra Prima Antiguidades; taças Cecilia Dale; banco laqueado Edith Diesemdruck; murano Tania Bulhões Home;
Araras Tania Bulhões Home; abajur Vila Vitória; cadeira Micasa; potiche Autore; móvel chinês Paulo Marques Antiguidades
Corais e aparador-totem Tania Bulhões Home; vaso coleção Blue & Me, Fabrizio Rollo; porcelanas Bali Express; poltrona Tania Bulhões Home
Copo Espaço Santa Helena; cadeira Mãos Art Contemporary; vasos Bittosi e Cartago; banqueta Montenapoleone; cabideiro Micasa
Poltrona Irmãos Campana; poltrona vazada e chaise Montenapoleone; pinha de bico de jaca Anno Dominni; vaso Quimera Antiguidades
Aparador e vaso Tania Bulhões Home; abajur Bertolucci; sofá de resina plástica Montenapoleone; enxoval Blue Gardenia; tapete By Kamy
Da esquerda para a direita: ambiente Wallcovering; banheiro Interbagno; parede pintada em “azul-céu californiano”, by Tintas Coral
Acho que já comentei aqui que o desfile de moda mais bonito que já vi foi o de Jum Nakao, em sua despedida do SPFW, em 2004. Bem, na minha opinião e na da torcida do Corinthians, né? As roupas de papel, com look meio renda, meio origami, super estruturadas e arquitetadas – e sumariamente rasgadas ao final da exibição, pelos próprios modelos, em performance apoteótico-libertária, sob as lágrimas dos fashionistas e wannabes, entraram para a história.
E vire a página, mas devagar. Com um shape meio “Costura do Invisível” (mas sem papel e sem armagedon), o próprio Jum assina o look dessa poltrona descoladérrima para a A Lot Of Concept Store. Apelidada de Renda, a peça é fabricada com chapas curvas e recortes a laser, exatamente como os dos vestidos daquela coleção. Se você quiser ver a peça ao vivo, dê um pulinho na loja ou na Casa Cor Trio, na Galeria do Design, onde ela está exposta. Aliás, Jum Nakao é tema do espaço Estudio do Estilista, ambientado pela arquiteta Clélia Regina Ângelo, que fez homenagem merecida ao gênio. Não perca – ou se rasgue inteiro!
Enfim, aperta o play e sinta a nostalgia na pele com esse registro dos bons tempos de subversão fashion em terras brasilis, puxado no YouTube (meu canal favorito de “Vale a Pena Ver de Novo”):
E no ano em que a Bauhaus sopra noventa velinhas, Casa Vogue fez uma mega matéria sobre a lendária escola alemã que sacudiria para sempre as linhas cartesianas da arquitetura e do design. Se você não viu ainda, já para bancas: tá imperdível! A começar pelo elã da coisa…
Muito mais do que uma simples reportagem, nossa big-boss-com-bossa, Clarissa Schneider, poderosa que é, teve o insight e foi à luta: escolheu um time de estetas e encomendou, a cada um deles, uma criação de inspiração bauhausiana, sob medida. Elenco: Irmãos Campana, Marcelo Rosenbaum, Cláudia Moreira Salles, Attilio Baschera, Candida Tabet, Fernando Prado, Gerson de Oliveira e Luciana Martins.
De tão especial, a coisa evoluiu para a expo mais diferentona que já se fez sobre Bauhaus por essas bandas, sem nenhuma gotinha de pretensão sequer.
Uma prévia desse resultado, você espia aqui e agora, sem delongas (o resto, só na revista). Mas para finalizar em grande estilo, deixo vocês com um fragmento do texto que Flávia Rocha tão bem escreveu sobre o assunto: leitura obrigatória.
“Não é exagero dizer que o mundo não seria o mesmo sem a Bauhaus – sua filosofia humanista, socialista, democrática, universal, carregada do espírito utópico do entreguerras, superou o seu próprio tempo. A escola, que funcionou aos trancos e barrancos entre 1919 e 1933, deixou seu traço em aberto para que qualquer um, a qualquer momento, fizesse bom proveito dele. A semente lançada num território instável – a Alemanha pré-nazista – não fincou raízes geográficas (só na Alemanha, teve três endereços: Weimar, Dessau, Berlim, dissidentes a recriaram em Chicago em 1937 — hoje Illinois Institute of Technology, e desde 1999 funciona como uma fundação, a Bauhaus Dessau, além de ter inspirado outras escolas similares mundo afora). As raízes encontraram terreno fértil nas mentes que a conceberam, arquitetos, artistas, artesãos e designers europeus que tinham em comum um desejo de revolução: simplificar, massificar, transplantar o design das oficinas para as fábricas e para as ruas, aplicar modernidade no dia-a-dia.
Bauhaus, que significa “casa de construção”, teve três dirigentes, e cada um imprimiu sua marca nas diretrizes da escola. Entre 1919 e 1928, sob orientação de seu fundador, o arquiteto Walter Gropius, tiveram prioridade as oficinas técnicas, conciliando arte e artesanato à proposta de funcionalidade, um projeto que substituía ornamentação e exclusividade por produção em massa de peças de design. Entre 1928 e 1930, sob direção de Hannes Meyer e influência marxista, a Bauhaus se voltou para projetos arquitetônicos e industriais, sobrepondo funcionalidade à estética, o que causou grande controvérsia. Nos seus últimos anos, dirigida por Mies Van der Rohe, sob uma ótica intelectual, a Bauhaus voltou a se preocupar com a criação de uma estética modernista, liderada pelo departamento de Arquitetura. Na lista negra do Nazismo, foi fechada pelo governo de Hitler, em 1933. Passaram por lá, como instrutores, algumas figuras icônicas: Paul Klee, Johannes Itten, Josef Albers, Herbert Bayer, László Moholy-Nagy, Otto Bartning, Wassily Kandinsky, Piet Mondrian, Marcel Breuer… os vestígios de suas linguagens vemos por toda a parte, e veremos ainda no futuro.”
Luminária by Fernando Prado e fruteira dos Irmãos Campana
Estante modular e luminária da dupla Gerson de Oliveira e Luciana Martins; o tapete é de Marcelo Rosenbaum
Luminária de Claudia Moreira Salles; tecido de Attilio Baschera; estante Candida Tabet
Se a fraternidade é vermelha, a liberdade é azul e a igualdade é branca, não tem pra ninguém: a novidade é amarela! Meu último post repercutiu tanto que eu resolvi fazer um segundo apanhadão em ton-sur-ton desta cor cítrico-solar que tá com tudo e não tá prosa. Por hoje é só, pe-pessoal – sem muito blablablá, porquê em dia de fechamento a coisa aqui fica preta!
Estante Biela, de Wagner Archela para a COD. O gato preto (cover do Pipoca, mascote da minha mãe) não dá azar. A cadeira é do estúdio Mãos Contemporary Art
Poltrona Charles Eames da Clássica Design, mesa lateral Saarinen reinterpretada, Tania Bulhões Home
Banco Adresse, bowl Benedixt, set de espumas com pinça Droog, da Decameron
Aparador Adresse, Way Design; cadeira Montenapoleone; luminária Wall Lamps
Cinzeiro Lenat; latas Benedixt; cadeira Micasa; mesa lateral de Pedro Mendes
Abajur Puntoluce; Poltrona Leonardo Lattavo e Pedro Moog, Schuster; Pufe Futon Company; Banco Zanine Schuster
Set de produtos Tok & Stok
Fruteira vazada Benedix; Miniatura e almofadas Futton & Home; chaise Versace Home
Cena assinada por Roberto Migotto para a Casa Vogue
Embora o décor não seja tão efêmero como a moda (ainda bem, porquê não dá para mudar o look da casa como quem troca de roupa, né?), variar é preciso. Nem me refiro ao estilo, que é uma coisa menos mutante, mas sim às cores que pontuam o cantinho nosso de cada dia.
Estava aqui dando uma folheada rápida num livro chamado “Fundamentos da Geocromoterapia”, da espanhola Marta Povo (Editora Pensamento, 2004), estudiosa da energia das formas e das cores na seara doméstica, e pincei um texto que radicaliza essa proposta de caprichar na paleta: “As suas casas adoecem tanto ou mais que vocês mesmos. Os espaços são como seres vivos submetidos a diversas alterações de energia. Se vocês vão ao médico, mas voltam para casa e o lugar está ‘doente’, de nada adiantam as correções feitas sobre o corpo. A sua casa deveria ser um lugar de cura e equilíbrio, que favoreça o seu caminho, e não um lugar doente que roube as suas energias. É aí que entra a Geocromoterapia, método de correção da informação celular e psíquica dos ambientes, com finalidades preventivas, equilibrantes e evolutivas a partir do layout e das cores”.
Mesa lateral ripada, Conceito; abajur Bertolucci; balde de gelo vintage, em madeira pintada, de Jorge Zalszupin
Ok, pode parecer “poltergeist” demais para internautas céticos como eu. Mas ninguém precisa comprovar cientificamente (embora seja mais do que sabido) que algumas cores são muito mais aconchegantes do que outras; que determinados tons cansam ou excitam mais e por aí vai. No final das contas, experimentar é preciso.
Meu cafofo, por exemplo, já teve sua fase “laranja mecânica” (todos os plásticos da casa eram nessa cor: dos acessórios do banheiro às panelas da cozinha – praticamente só elas sobreviveram, já que não abro mão das minhas amadas Le Creusets, conquistadas com muito suor); radicalizei para um lance meio “black is beautiful” (coleciono vasos pretos e muitas outras peças negrinhas começaram a entrar no pacote para “ornar”); depois tentei clarear tudo com uma pegada “white party” (que, definitivamente, não tem nada a ver comigo – less is more só é bonito na casa dos outros, né?); e, finalmente, descambei para o indefectível “ensaios sobre beges, crus e marrons”.
Confesso que tenho sentido falta de cor, ultimamente, e venho incrementando aos poucos. Minha aposta da vez é o amarelo. Por enquanto, a incursão solar se resume a uma Arne Jacobsen de acrílico na entrada e a uma miniatura de Panton (souvenir da Mais Design) na estante de livros, mas a tendência é abusar – depois conto aqui o que tenho em mente.
Miniatura de Verner Panton; mesa Cravo; cadeira japonesa de Teruhiro Yanagihara
Os tons cítricos, tão em alta na moda (quem viu os desfiles da última temporada da Chanel, onde as modelos desfilaram com esmaltes jade – o último grito –, sabe do que eu tô falando), funcionam super bem em casa.
No ano passado arrematei num “brique-a-braque” uma penteadeira cinquentista, pés palito, meio detonada pelo tempo. Mandei pintar com tinta automotiva (que dá aquele efeito laqueado) e a peça ficou escandalosa de linda. Como não tenho (ainda) espaço para ela, tive que emprestá-la para a minha mãe, que não se mostrou muito disposta a devolver o móvel. Patrícia Favalle (amiga amada e jornalistona de primeira) viu, gostou e contou para outra jornalista e amiga querida, a Adriana Brito, que mandou pintar um cofre antigo (daqueles com cara de escotilha) com a mesma tinta, convertendo a peça paquidérmica num delicado criado-mudo.
Mas resolvi abrir alas mesmo para a cor depois que a Cynthia Garcia, uma das minhas divas do jornalismo e oráculo de estilo (ela sabe tudo de moda, décor e do estilo em si), me contou que pintou as portas da casa de amarelão, contrastando com batentes pretos e piso de parquê. Ousadamente chique, não?
Cerâmicas pintadas; garden seat La Boheme, by Phillipe Starck; abajur Kartell; estofado Egg
Voltando ao lado B, só para esgotar a pegada holística: o amarelo é a cor que mais contribui para a felicidade, por ser muito brilhante e alegre (é como estar em festa a cada dia). Também simboliza, ao lado da sua variação dourada, o luxo. Está intimamente relacionada ao lado intelectual do cérebro e a expressão de nossos pensamentos. Estimula o poder de discernir e discriminar, a memória e as ideias claras, o controle de decisão e a capacidade de julgar. Também ajuda a nos organizar, a assimilar inovações e contribui para a habilidade de compreender os diferentes pontos de vista. Como nem tudo são flores, também há um lance negativo: o amarelo contribui para alimentar o medo.
Impressões pessoais, pesquisas cromoterápicas e folclores à parte, vale registrar uma informação que denuncia a demanda mercadológica do tom: todo e qualquer modelo de móvel assinado, produzido hoje em dia, principalmente em acrílico e poliuretano, está disponível na cor amarela: de Charles Eames a Saarinen; de Pierre Poulin a Mies van der Rohe. Ou seja: o amarelo agrada.
Na categoria “manual prático”, aproveitando a deixa, perguntei ao Fabrizio Rollo, nosso consultor de estilo favorito, quais as suas impressões sobre o amarelo. Claro que ele fez um giro histórico e fechou com altas dicas de combinação. Confira:
“O amarelo virou moda – mas não confunda moda com tendência. É curioso como essa cor, principalmente em suas tonalidades mais vibrantes, está em alta, se você considerar que, na Idade Média, as casas dos doentes contagiosos tinham suas portas pintadas assim, em sinal de alerta, o que lhe rendeu um status nada positivo. Uma das cores puras (como o vermelho e o azul), ela está ligada aos intelectuais, pois estimula o pensamento e o raciocínio. Mas cor é uma relação muito pessoal. Encarar ou não o amarelo na decoração, tem mais a ver com o seu gosto do que com qualquer outra coisa. Se você ama, porquê não usar? Tenha em mente que é um pigmento caro (é muito mais barato pintar a casa de branco, né?).
Cofre antigo garimpado por Adriana Brito, que mandou pinta-lo de amarelão; mesa lateral by Roberta Rampazzo; garden seat Kartell e bowl de murano da Arterix
E é importante ficar atento a alguns senões. Quando forte, por exemplo, principalmente se aplicado em grandes superfícies, o amarelo enjoa muito fácil. Também há outro equívoco comum: nunca pinte uma parede só de amarelo (ou de qualquer outra cor). Não existe nada mais cafona!
Em tons muito clarinhos, como o marfim, o amarelo é sempre elegante. Mas alguma ousadia na medida certa sempre causa sensação. Na história do décor do século 20, o living decorado pela inglesa Nancy Lancaster (uma das fundadoras da marca Colefax & Fowler), era inteiramente pintado em amarelo-trator (bem Caterpillar) em plena década de 50!
O amarelo-açafrão combina muito bem com tons militares e envelhecidos, para ambientes mais rústicos, com cara de campo. O amarelo puro é ultra-moderno (pense em Mondrian ou no arquiteto Rietveld). E muito cuidado ao misturar amarelo com vermelho. Dependendo da intensidade, você pode cair naquele look fast-food. E ninguém quer uma casa que estimule o apetite…”
Os móveis da grife italiana Paolo Lenti agora podem ser encontrados no Brasil através da Regatta Tecidos
Gente, que calor senegalês é esse? Definitivamente, não fui projetado para dias quentes – ainda me mudo para a Sibéria, hora dessas. Podem me chamar de cricri, mas a-d-o-r-o inverno. Pra mim, verão só é bom quando a gente pode se jogar de corpo e alma, seja à borda da piscina, debaixo de um chuveirão no jardim (olha como eu sou cafona!), diante de uma enseada fresh ou no deque de um barco, singrando os sete mares (ficar assando feito pão de queijo na redação, enquanto o mulherio semi-nu reclama do ar-condicionado, é a maior roubada…).
Por essas e outras, achei um alento essa imagem da Regatta Tecidos (www.regattatecidos.com.br), que traz para o Brasil a coleção de móveis da grife italiana Paola Lenti.
Batizada de “Aqua”, a coleção para área externa tem como inspiração a natureza, interpretada em formas bem limpas que aparecem nos vários produtos assinados pelo designer Francesco Rota. São 14 peças, entre poltronas, sofás, cadeiras, chaises, espreguiçadeiras, mesas de apoio e pufes multiuso – boa parte deles confeccionados em “rope”, espécie de corda criada com várias espessuras e formas especialmente resistente aos temíveis raios UV, cloro e água do mar. Bonito, né? (Se bem que, se o barco fosse meu, teria um pouquinho mais de cor, em look navy, de preferência).
Por hoje é só – tô ouvindo uma buzina meio Chacrinha, que pode ser a do tiozinho do picolé.
Acabo de sujar as patinhas (muito prazeirosamente, diga-se de passagem) na nova concept store da Artefacto Beach & Country (www.artefactobc.com.br), que tá quase pronta para o mega-evento de abertura, domingo agora. Na contagem regressiva, centenas de operários estão lá, levantando poeira, enquanto outro punhado de arquitetos e decoretes chacoalham seus tapetes, almofadas e cortinas nos espaços ambientados à moda da Casa Cor.
Analisar tudo reluzindo, limpinho e bonitinho, com uma flutê de champagne numa mão e a outra livre para cumprimentar os amigos, é sempre uma delícia. Mas os bastidores sempre têm a sua graça. Flagramos Alberto Lahós e Marco do Marco batendo o último prego da sua suíte de praia; espiamos o Edgard Octávio dar os retoques finais no charmosíssimo bangalô que assina com Chinho de Luca e, por pouco, não pegamos Fabio Morozini se acidentando no seu chic Studio do Haras (ele machucara a perna um pouco antes, mas nada grave).
O fato é que, mesmo com o caos que antecede qualquer extreame makeover, deu para ter uma noção exata do que vai ser o novo empreendimento: a maior loja monomarca de decoração do Brasil (quiçá da América Latina), tanto em dimensões físicas como em conteúdo – e com direito a pose de oásis!
Do portão para dentro, a gente esquece que está em plena Avenida Brasil, a dois passos de rotas congestionadas como Augusta, 9 de Julho e Rebouças. Ali, os antigos casarões (dois imóveis obsoletos) deram lugar a um imenso complexo de 5 mil metros quadrados, cortados por primaveras, pinheiros, jabuticabeiras e carvalhos vertiginosos que camuflam os prédios vizinhos – do terraço, a vista livre dos arranha-céus lembra um horizonte caiçara, bem ao gosto da concept store. O projeto assinado por Débora Aguiar é um contemporâneo-quente distribuído em dois volumes principais, que combinam colunas e grandes vitrines descortinando o paisagismo de Gilberto Elkis.
Wair de Paula, diretor artístico da Artefacto e esteta de mão cheia, guiou nosso tour-preview (junto com Mariana Amaral e Taís Lopes), apontando o acervo caprichado que abrange mais de 900 “artefatos”, boa parte garimpada por ele, in loco, na China, Marrocos, Cingapura, EUA, Itália, Filipinas e Indonésia, além das peças insuspeitas assinadas pelo próprio Studio Artefacto e por designers internacionais especialmente para a marca (Karim Rashid e Kenneth Cobonpue estão entre eles).
A compilação, vista como um todo, remete ao que o próprio nome Beach & Country sugere: atender uma demanda exigente e sofisticada de casas de praia e campo, mas sem limites de gênero: também dá para pinçar tudo de bom para a sua varanda e, com um pouco mais de olho, garimpar um décor urbano completo, numa boa.
A bagunça estava, de fato, inclemente. A tinta, fresca. Metade dos móveis se escondiam em muitas voltas de plástico bolha. Alguns espaços, misteriosamente isolados por tapumes; outros, pingados de resíduos. Quase fomos atropelados pelo corre-corre de trabalhadores, com seu aríetes de madeira. Os profissionais estavam à beira de um ataque de nervos; um ou outro, sorria nervoso. Mas a expectativa de todos (incluindo a nossa) era explícita. Pode ser cedo para afirmar, mas algo me diz que Sampa está ganhando uma de suas lojas mais bonitas. Tomara que meu feeling esteja certo…
Sempre me empolgo quando um grande arquiteto mira a sua prancha para a concepção de produto. Afinal, o que é o design senão a própria arquitetura traçada numa escala reduzida, com todos os valores que pedem as artes humanistas? É o caso da luminária “Mayuhana”, cria do japonês Toyo Ito (o cara que projetou a Serpentine Gallery, em Londres – só isso, tá?).
Como se fosse um novelo de lã (mas com aquela lógica que os nipônicos adoram), ele trança filamentos delgados de fibra de vidro sobre um molde de forma orgânica, que tem esse look meio colmeia, meio casulo, ao mesmo tempo muito modernex. O efeito de iluminação é bacanérrimo, já que a luz filtrada brinca com o jogo de sombras à moda zen, lembrando aquelas luminárias folclóricas de papel-arroz. No Brasil, com exclusividade na Dominici (www.dominici.com.br).
E por falar em olhinhos puxados, começa hoje, no Shopping Iguatemi SP, o Japan Design, feira de produtos de arte, moda e design japoneses organizado pela JETRO – Japan External Trade Organization. “São Paulo, uma das grandes capitais do mundo, está em sinergia com o evento que já passou por Milão, Paris e Nova York. Esperamos um público seleto, consumidor de arte e design, que prima pela qualidade e sofisticação dos produtos japoneses”, explica Hiroshi Hara, Diretor Vice-Presidente da Jetro. “Moscou e Dubai serão os próximos destinos”, completa.
Até 4 de outubro, você pode conferir (e comprar) produtos tradicionais de diferentes localidades da terra do sol nascente. De Oita, por exemplo, a Aki utiliza papelão cortado a lazer em suas criações. São formas de animais, manequins e embalagens, recortadas em 3 D.
Entre tapetes e mobílias fabricadas em junco, de Kyoto vem a técnica milenar do Urushi, pintura em laca que remonta há mais de cinco mil anos, que aqui colore peças de madeira e resina com acabamento brilhante. Na onda da imagem que abre o post, a Taniguchi traz luminárias assinadas pelo premiado designer japonês radicado na Itália, Toshiyuki Kita. As peças são confeccionadas em papel artesanal washi, com técnica especial que dispensa as emendas nas cúpulas.
Olá! Cá estou de volta – com meu coté forasteiro, ainda um pouco preguiçoso nesta terça-feira tempestuosa (com cara de segunda), pós-feriadão. Não que eu esteja reclamando: lá na Cote D’ Azur o sol ardia horrores (um tanto quanto excessivamente para os padrões pouco pigmentados da minha cutis pálida e sardenta).
Sangue e suores a parte, viajar é sempre bom, principalmente para sagitarianos inquietos como este que vos escreve. Mas isso é assunto para outra hora – tô preparando um tratado a respeito e depois reproduzo tudo aqui, como das outras vezes.
Para abrir os trabalhos da temporada setembrina no espírito de Nice, Eze, Saint Paul de Vence, Grasse, Cannes e adjacências, com suas marinas abarrotadas de iates e veleiros sobre águas muito azuis, recomendo uma dobradinha infalível para o próximo figurino do seu décor: azul e branco.
Não que seja a eureka da vez, ou uma senhora tendência (o duo nunca saiu de moda, convenhamos), mas o look navy funciona muito bem dentro e fora de casa, principalmente quando as temperaturas sobem – é clássico, elegante, fresh.
Os cromoterapeutas dizem que o azul, por integrar o time das chamadas cores frias, tem uma vibração mais sutil. Por isso está associado a calma, ao relaxamento, a paz interior e a fé.
Indo um pouquinho mais longe, é também a cor da consciência superior, ligada à visão espiritual do chacra frontal. Tá bom pra você?
Esteticamente, esse tour pela fatia mais glam da costa mediterrânea só endossou aquilo que a gente já tava vendo por aqui - saí do Brasil com uma vaga mancha bleu na cabeça, depois de perceber a alta dos tons nas últimas feiras de décor (tanto aqui, na Craft, Gift e Paralela, como nas mostras gringas que a gente acompanha por osmose) e de fazer a revista da Tania Bulhões Home, cuja nova coleção se inspira no colonial mineiro – Sig Bergamin, nosso craque da mistura, arrasou na combinação, como você pode notar na abertura do post.
E como mistura fina é a expressão de ordem no nosso mundinho, tome nota: azul é impecável com branco, mas cai muito bem quando diluído com todas as outras paletas também.
Aposte sem medo de errar! Olho na seleção e inté amanhã, agora sem interrupções. Palavra de escoteiro…
Paisagem de Nice, região costeira da França conhecida como Cote D’Azur ou Riviera Francesa / foto: Reprodução
Parafraseando Fitzgerald (o escritor, não a Ella), vou dar um pulinho ali na Cote D’Azur e já volto – uma work-trip daquelas, com pompa e circunstância de férias. Mando notícias do mundo de lá, na medida do possível – como faço sempre que encontro algo descolex deste nosso universo esteta. Beijão e até a volta!