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Arquivo da Categoria Artes

18/06/2009 - 20:34

Cartas a um jovem designer

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Estou dando uma folheada no interessantíssimo “Cartas a um jovem designer”, livro que os big brothers Campana lançaram há alguns dias, lá na Firma Casa (já comentei aqui, an passant), pela editora Campus-Elsevier (a detentora da série “Cartas a um jovem…”, que já publicou desde Fernando Henrique Cardoso – “Cartas a um jovem politico”, a Marília Pêra – “Cartas a uma jovem atriz” e Alexandre Herchcovitch – “Cartas a um jovem estilista”, cujo texto original fora escrito pelo saudoso amigo Ailton Pimentel; entre outros correios bem endereçados a pupilos entusiasmados).

Não vou descarregar aqui, pela enésima vez, aquele container de elogios sobre os caras, mas olha só que bacana esse trecho: “É preciso olhar para além do produto ou componente, sem preconceitos, ou seja, sem conceitos pré-formados. Só assim é possível deslocar os ralos de esgoto doméstico, feitos de plástico branco, para compor um tampo de mesa de refeição”, contam eles, entre um e outro case que combina a teoria e a prática da profissão, tanto para quem quer seguir carreira, quanto para os leitores interessados em saber um pouco mais sobre o assunto.

Enquanto o livro bomba nas boas lojas do ramo, os Campana continuam segurando a onda na elite do design internacional. Em cartaz no Vitra Design Museum (www.design-museum.com) – aquele projetado por ninguém menos que Frank Gehry, na Alemanha -, a exposição Antibodies revê os 20 anos de carreira da dupla, com um apanhadão geral dessa produção que catapultou o subversivo ao superpop, o lixo ao luxo, a reciclagem ao design estrelado, o ordinário ao extraordinário.

Agora vou lá no SPFW, que acontece no prédio da Bienal em São Paulo até o próximo dia 22, ver o que tem de bom – entre a moda e o design, existem muito mais coisas do que a nossa vã filosofia pode supor – e depois conto pra vocês. Abraços!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , , , ,
08/06/2009 - 21:48

Quem dá mais?

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Looks naturebas estão entre as poucas sumidades do décor (ou quase unanimidades, para fazer jus ao bordão de Nelson Rodrigues). E é quase impossível não gostar da mobília de Hugo França, já que pouca gente respeita tanto as formas naturais quanto ele (que só trabalha com resíduos já descartados pela mãe natureza ou pelo homem – como canoas velhas, toras queimadas, vestígios de árvores e que tais – e não desmata nada, que fique bem claro).

Com traço totalmente eco-friendly, a interferência no shape é mínima, o que explica muito o sucesso internacional do artista, adepto do estilo art brut. Quer um exemplo do tal prestígio do homem? A Sotheby’s promove no próximo dia 12 um leilão dedicado às peças mais importantes do design do século XX. A seleção dos lotes vai desde as clássicas luminárias Tiffany do início do século passado, até criações de Frank Gehry.

Nesse mexidão bem transado, sobrou espaço para a chaise Taja, by Hugo, que abre o evento como uma das apostas mais bacanas do primeiro lote. França é o único designer brasileiro entre nomes como Jean Prouvè, Isamu Noguchi, Wendell Castle, Gio Ponti e Alexandre Noll.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , ,
05/06/2009 - 11:00

Punk design

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Se você curte adesivos, cola mais. Se é adepto de mobília customizada, então… senta que lá vem história! Olha só que bacana essa dica do über-gênio André Rodrigues, editor do SPFW e alguém que, como eu, adora a subversão em prosa, verso, cor e forma: os designers Jimmie & Martin (www.jimmiemartin.co.uk), autores dos i-sticks mais descolados que eu já vi; e dos móveis que nem Alice viu em sua trip ácida pelo País das Maravilhas.

Acima, wallpaper do duo Jimmie&Martin – o adesivo pode ser muito bem usado como cabeceira fake de uma cama box / foto: Divulgação

Estetas por natureza, o ex-modelo e o ex-vendedor de design se conheceram num clube em Estocolmo, na Suécia. Rolou uma química e, quando se deram conta, estavam morando juntos. E colecionando traças e troços. “Consumíamos peças de antiquários, feiras de antiguidades e leilões. Comprávamos os objetos e, durante o processo de restauração, percebíamos que lhes faltava ousadia e contemporaneidade. Então começamos a interferir com grafites, estampas, desenhos. Foi a maneira que encontramos de tornar imperfeito aquilo que era perfeito. A perfeição é um tédio. Um dia, quando estávamos de mudança, uma pessoa viu os móveis e adorou, pediu para colocarmos à venda em sua loja. E foi assim que tudo começou“, contaram os meninos ao André, direto do seu QG em Londres.

Vieram então algumas congratulações de estofo, como os prêmios “Novos Designers do Reino Unido”, “Melhor Design de Mobiliário” e “Design & Decoration”, além da parceria com mister Phillipe Starck nos interiores do hotel St Martins Lan. Tá?

Mas além dos adesivos (grandes simuladores da realidade, como os de criado-mudo que ficam perfeitos contracenando com uma cama de verdade), eles também brincam com a proporção dos móveis e objetos, subvertendo geral numa produção divertidíssima. Cores sintéticas e fluorescentes, caveiras, grafites, pink flamingos, animal prints e frases de efeito grafitadas dão o tom no acervo (vide a seleção e tire suas próprias conclusões).

Algumas sacadas são geniais, como o móvel preto antiquíssimo que granhou uma explosão de cores nas gavetas (foto acima). “Não acreditamos que estamos destruindo as peças, pelo contrário. Estamos recriando móveis antigos porque achamos que as pessoas não querem mais madeira crua. Os consumidores buscam cada vez mais customização do produto final. Então mantemos a forma original, que é praticamente insuperável, e recriamos a estética para atrair tanto os clientes mais conservadores, que apreciam as formas clássicas, quanto os mais ousados, que buscam elementos transgressores”.

O duo Jimmie (direita) e Martin: punk design na veia / foto: Divulgação

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , , , , , ,
04/06/2009 - 21:57

Harry Potter

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Os óculos com aros redondos lembram os usados pelo “macumbeiro” mais pop do planeta. Qualquer semelhança não é mera coincidência: Jeff Zimmerman, designer e artista plástico norte-americano, sempre se interessou pela alquimia das matérias. Descobriu o poder da mutação na forja do vidro e tem enfeitiçado uma legião de admiradores com sua glass art, que mixa leveza e impacto em formas etéreas, quasetão tecnológicas quanto orgânicas. Tatuado na mão esquerda, com ares de runas celtas, o símbolo químico do vidro denuncia seu pacto com o ofício que abraçou. Entre luminárias (algumas delas com proporções nababescas) e esculturas que lembram as de um outro Jeff (o Koons, com seus balões de metal superinflados), morri de amores pelos vasos de look prateado – que separei aqui para mostrar para vocês.


Reparem como o banho interno de prata dá um efeito cromado à peça, como se o recheio fosse a superfície e vice-versa. Apenas um dos truques que ele saca da manga. Fui apresentado ao Zimmerman na semana passada, durante seu périplo brasileiro, pela arc-arquiteta Fernanda Marques e pela top-produtora e fofíssima amiga Bianca Schaffer. Fiquei embasbacado com o trabalho do cara, que fala apaixonadamente sobre como acata a forma do material durante a queima e faz a direção artística a patir de então: “o fogo me fascina; observar a mutação da massa vítrea sob as chamas e determinar o que o objeto vai virar a partir do rumo que ele tomou, é um dos pontos altos deste trabalho”.

A própria Fernanda Marques, antenadíssima que é, tem causado sensação na Casa Cor São Paulo 2009 com seu espaço que, entre outros hypes, traz as criações de Jeff. Zesty Meyers, mecenas da R20th Century Gallery, que representa o trabalho do artista, é profético: “Ele está só começando”. Assino e dou fé.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , , , ,
05/05/2009 - 10:24

Koolhaas veste Prada

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Outro dia assisti um filme coreano esquisitíssimo chamado “O Hospedeiro” (confira o trailer oficial aqui), do diretor Bong Joon-ho. Carregado de mensagens subliminares, este foi, com certeza, um dos mais pertubadores que já vi. O enredo parece de uma boboseira sem fim, tipo aquela novelinha de mutantes da Record, mas é coisa séria: um cientista despeja substâncias tóxicas em um rio de Seoul, alimentando um monstrengo medonho que emerge das águas sedento por sangue.

Meio nonsense, meio sci-fi, meio dramalhão off-Hollywood, o filme é muito mais político do que parece, tocando em feridas como as relações da Coreia x Estados Unidos, ética governamental, pandemia (olha que visionários!), o urbanismo desenfreado e suas consequências óbvias, como a poluição. Na fotografia (sombria, mas fantástica), dá para notar nuances concretas de um gigante asiático que se destaca também por sua arquitetura vanguardista. Daí o link com o post de hoje.

O pavilhão Prada Transformer (sim, aquele da grife italiana), inaugurado no finzinho de abril, é a mais nova criação do gênio holandês Rem Koolhaas, um dos maiores compassos da atualidade. Composto por quatro formas geométricas – círculo, hexágono, cruz e retângulo –, o prédio de 20 metros de altura foi instalado ao lado do Palácio de Gyeonghui, no centro de Seoul, como espaço sazonal de exposições. A primeira da temporada, “Waist Down – Skirts by Miuccia Prada” , já tá no ar. Desfiles, shows e outros eventos já estão programados. Por isso a estrutura mutante.


Os moldes de aço desenvolvidos por Rem Koolhaas, com inspiração em formas geométricas – círculo, hexágono, cruz e retângulo / imagem: Divulgação


Acima, o conceito mostra que o Prada Transformer pode ser usado para desfiles, exposições de arte, projeções de cinema e eventos especiais / imagem: Divulgação

Ao invés de ter apenas uma condição, concebemos um pavilhão que, através da rotação, adquire um caráter diferente e acomoda diferentes necessidades. É um projeto excitante por ser o primeiro híbrido entre a moda Prada e a Fondazione Prada“, diz Koolhaas. É, parece que a moda inventada por Zaha Hadid (lembra do pavilhão itinerante que ela desenhou para a Chanel?) pegou mesmo. Até na Coreia!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Design Tags: , , , , , , ,
13/04/2009 - 20:58

Azulejo para sentar

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Dica para deixar esta segunda-feira cinzenta um pouco mais azul. A chaise deslumbrante da foto, assinada por Flávia Pagotti, combina pés cromados com assento e encosto em peça única, sem emendas, tramadas no corian com estampa über-sofisticada. O processo é tão tecnológico que o cálculo do corte é programado por computador, facilitando o efeito “revestimento”. A inspiração, é claro, veio da herança portuguesa da azulejaria, que veste muitas fachadas em São Luis do Maranhão. Você encontra na Dpot (www.dpot.com.br).

O pano de fundo dos post é pura nostalgia, com um recorte do acervo do Museu do Azulejo, em Lisboa, Portugal – lugar onde estive algumas vezes e para onde pretendo voltar outras tantas (é sempre inspirador, né?). Boa semana!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , , , , ,
07/04/2009 - 17:38

Design sem fronteiras

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Na foto acima, a poltrona “Diz”, de Sérgio Rodrigues / foto: Divulgação

O MAM (www.mam.org.br) estreia hoje, a partir das 20h, a expo “Design brasileiro hoje: fronteiras”. Com curadoria da sabe-tudo Adélia Borges (juro que não conheço ninguém mais expert no assunto do que ela), a mostra explora a produção atual nas mais diversas áreas. O objetivo é apontar a relevância global e a multidisciplinaridade inerente ao design produzido atualmente no país, por meio de peças utilitárias com vocações antagônicas, de móveis a objetos, equipamentos, veículos, acessórios, livros, embalagens, luminárias, vinhetas e apresentações para tevê e cinema, etc. Dessa forma (ou através dessas formas, como preferir), será possível perceber como o design permeia o cotidiano das pessoas (e acredite: ele está em tudo aquilo que você vê).

Capa do livro sobre André Lima na coleção “Moda Brasileira”, da Cosac Naify / foto: Divulgação

Olho no descritivo: Com uma posição assegurada no cenário internacional, o design brasileiro vê neste início de século a ampliação de suas fronteiras internas, possibilitando a descoberta de olhares diferenciados em todos os cantos do Brasil. A criação nessa área deixa de ser algo restrito às grandes metrópoles ou trazido do exterior.

Faqueiro “Riva”, de Arthur Casas e Rubens Simões / foto: Divulgação

O recorte da mostra são projetos recentes, do século 21, de maneira a mostrar um momento em que o design no Brasil floresce como nunca em sua história. Internamente, assiste-se à expansão das divisas geográficas, com a atividade se disseminando por praticamente todos os Estados do país. No cenário internacional, há um crescente reconhecimento e penetração do design brasileiro, celebrado por atributos como inventividade e criatividade. Nesta seleção, a idéia “não é fazer um ranking dos melhores, muito menos de traçar um panorama exaustivo de uma produção que é vasta e plural“, nas palavras da curadora. O que se busca é mostrar a amplitude e variedade de um campo que só vem se desenvolvendo e profissionalizando cada vez mais por todo o país.

Mesa “Seis”, do (meu favorito) Marcelo Rosembaum / foto: Divulgação

Assim, ao lado das famosas sandálias Melissa desenhadas pelos irmãos Campana,  figuram as bijuterias de borracha de autoria de Marzio Fiorini. A vassoura Noviça, produzida pela Bettanin e criada por Liane Schames Kreitchmann, se junta à lavadora de roupas desmontável Superpop, de Chelles e Hayashi Design. Frequentemente, profissionais de outros campos de atuação cruzam a fronteira do design: o artista Guto Lacaz emprestou sua inventividade para a Tok Stok na forma do porta-revistas Zig Zag; a identidade visual do Colégio Vera Cruz ficou a cargo de Alexandre Wollner, um dos expoentes do concretismo; o arquiteto Isay Weinfeld é representado na mostra pela fruteira de sua criação (veja lista completa dos participantes abaixo).

Anel “Puzzle Mix”, de Antonio Bernardo / foto: Divulgação

Sintetizando, é por meio dessas intersecções e múltiplas possibilidades que o design vem saindo das pranchetas especializadas para as prateleiras de lojas de todos os tipos e segmentos, provando que o design brasileiro alia praticidade, beleza e inovação ao cotidiano. Como define Adélia Borges, “se a contemporaneidade dilui as fronteiras, o design é por definição a atividade em que elas se interpenetram, em projetos em que a inventividade se põe a serviço de um cotidiano e de um mundo melhores para todos nós“, diz.

A clássica sandália Melissa interpretada pelos Irmãos Campana / foto: Divulgação

Em cartaz até 28 de junho.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , , , , ,
02/04/2009 - 20:11

Alegria, alegria…

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… E chiqueria, chiqueria. A Casa Vogue (minha revista predileta!) de abril chega às bancas mais colorete do que nunca. Não precisa nem procurar muito (a capa vai encontrar você), com look quente, solar, alto astral, totalmente demais.

“Pintura Íntima”, a matéria principal, diz tudo sobre o tema-conceito da vez: a vida imita a arte. Sob medida para nós (e para vocês), Roberto Migotto (über-decorador e arc-amigo de todas as horas para produções estético-culturais de primeira) interpretou, em estilo e ambientação, a explosão colorida da pintora, escultora, cenógrafa e estilista franco-ucraniana Sonia Delaunay, pioneiríssima na derrubada das barreiras entre as artes plásticas e as aplicadas, lá na Paris dos anos 20, quando os modernos começavam a dar os ombros para os caretas.

O mise-en-scene ficou tão deslumbrante, mas tão deslumbrante, que deu até canseira na equipe para escolher a capa do número (uma tarefa sempre difícil, mas que desta vez ficou muito mais complicada, considerando o caminhão-baú de possibilidades à mão).

Abusamos do vermelho, nossa base, mesclado a formas geométricas, listras e estampas criadas por Sonia, que dificilmente veríamos juntas num projeto comercial, embora muitas peças isoladas, ou mesmo algumas combinações possam perfeitamente ser usadas no dia a dia. É como um desfile de moda, que causa efeito e impressão, mas que não é exatamente comercial”, diz Migotto.

A pegada fashion ganhou pimenta com as caras, bocas e performance blasé da top Carol Demarqui, a bordo de um vestido da coleção que Valdemar Iodice desenhou inspirado justamente em Madame Delaunay. Não é que ela coube direitinho no papel da Soninha?

Inspiração pouca é bobagem. Num impulso sagitariano, bateu uma vontade louuuuuuca de pintar as paredes do meu lar, doce lar de vermelho-cereja. Mas tô segurando as pontas – pelo menos até terminar de pagar a penteadeira vintage que mandei laquear de amarelo-safari (o mesmo tom do recamier da capa desta edição), para usar como bar-solar de drinks furta-cor, baratos e afins. Um dia, mostro aqui como ficou. Enquanto isso não acontece, dá uma espiada no conteúdo desse mês:

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Casa Vogue, Design, Décor Tags: , , , , , , , ,
01/04/2009 - 23:59

As flores de plástico não morrem

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Neste 01/04, o post aterrissa na sua tela em clima de “April’s Fool’s”. Não existe nada mais apavorante no décor do que flores artificiais, né? Principalmente aquelas hiper-realistas, que enganam à primeira vista e logo decepcionam quem chega perto.

Sempre carreguei esta bandeira, mas abri uma pequena exceção ao conhecer o trabalho da artista plástica e designer Hella Jongerius, no Dezeen.com

Totalmente manufaturadas, as peças da moça são produzidas em argila, madeira, papel, couro, alumínio e o que mais tiver à mão. As técnicas esculturais de Jongerius não buscam um fake look, mas uma interpretação livre das formas orgânicas das flores, sobretudo as exóticas, com seus caules, pétalas e bulbos estilizados, em mood pop-art-futurista, tétrico, meio fálico, despretensioso e sem espinhos. Enfim, é de mentirinha, mas é divertidíssimo!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , ,
30/03/2009 - 19:15

Bonequinhas de luxo

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Audrey Hepburn que nos dê licença, mas não existe luxo mais luxuoso do que a solidariedade. E entre as entidades brasileiras que realizam ações sociais com um pé na filantropia e o outro no estilo, a Orientavida (www.orientavida.org.br) integra o time das mais relevantes.

Criada em 1999 com o objetivo de capacitar as mulheres da cidade de Potim (município carente na região de Guaratinguetá), ensinando técnicas de costura, bordado, crochê e tricô, num processo notável de geração de renda para a comunidade, a Ong completa dez anos com grandes feitos. Quer um exemplo de fé? Foi a turminha de Potim que bordou os enxovais do Papa Bento XVI, em seu périplo recente pelo Brasil.

A dedicação e profissionalismo são tamanhos, que uma das técnicas mais complexas dominadas pelas bordadeiras é o Boutis, criado originalmente na França, para o enxoval de Napoleão Bonaporte. Madame Nicoile, presidente do Museu Francês do Boutis, veio de Paris especialmente para ensinar o ponto raro às bordadeiras de Potim, processo que levou meses.

Para celebrar esta primeira década sem dar ponto sem nó, a Orientavida bolou uma coleção lúdica-divertida-descolex de bonecas personalíssimas: “Estamos homenageando as mulheres que nestes 10 anos nos ajudaram, cada qual à sua maneira. Fizemos 25 bonecas lindas, inspiradas nelas”, conta Celeste Chad, presidente e fundadora da instituição.

Na foto abaixo, ao centro, a versão doll da nossa big boss de Casa Vogue, Clarissa Schneider, uma das colaboradores assíduas da ONG. Gostou do look? Imagine que a Bob Store confeccionou o jeans sob medida para a chiqueria da mulher, ladeada por Helena Montanarine (esquerda) e Maguy Etlin (direita).

Essas e outras “bonequinhas de luxo” estarão à venda no coquetel de comemoração que rola no dia 15 de abril, no Oscar Café. A renda, é claro, será totalmente revertida para a Orientavida.


Da esquerda para a dir.: bonecas inspiradas em Helena Montanarine, Clarissa Schneider e Maguy Etlin / foto: Divulgação

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Casa Vogue, Design Tags: , , , , , , , ,
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