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Arquivo da Categoria Arquitetura

26/05/2009 - 19:36

Alguma coisa acontece

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Sampa não tem praia, não tem montanha, é cinzenta e entulhada, sufocada pelo concreto, mas a gente não larga ela de jeito nenhum. Pródiga em aglutinar gente bacana, antenada e guerreira, a megalópole mixa sotaques estéticos e culturais que não estão no mapa. No recheio dos edifícios que tentam arranhar os céus da urbe, ou em oásis debruçados sobre o perímetro horizontal, um mosaico de tocas cheias de personalidade dão conta do jeito plural de ser e viver do paulistano – ou dos imigrantes que adotaram essas bandas como sua terrinha.

De olho nesse raio-x que não poupa os paredões de cimento, a editora Metalivros (www.metalivros.com.br) lança “Casas de São Paulo“, book bacanérrimo que registra 46 residências de estilos antagônicos. Com cliques impecáveis do Tuca Reinés e textos saborosos de Maria Ignez Barbosa, a obra estampa, em 240 páginas, fragmentos de décor e arquitetura que revelam, além da personalidade dos seus donos, um tanto da sofisticação do principal estado do País. O projeto vem sendo pensado há quase 20 anos pelo editor Ronaldo Graça Couto, e as casas foram editadas sequencialmente em três categorias: urbanas, campestres e praianas, conduzindo o leitor a uma viagem pela intimidade residencial de personalidades proeminentes na comunidade paulista.


No sentido horário, partindo da primeira imagem no canto superior esquerdo, as casas de: Gloria Kalil, Neco Stickel, Arthur Casas e Joyce Pascowitch

Minha amada e idolatrada big boss Clarissa Schneider (diretora da Casa Vogue e maior autoridade em chiqueria que eu conheço), assina o prefácio e abre as portas do seu apê para o livro – uma lição despretensiosa de estilo, como ela o é. Quase todas as residências reveladas em Casas de São Paulo são de pessoas conhecidas na mídia, porém, algumas vezes, pouco conhecidas na intimidade. Gloria Kalil, Charlô Whately, William Maluf, Attilio Baschera e Gregório Kramer, Waldick Jatobá, Joyce Pascowitch, Hector Babenco, Sig Bergamin e Houssein Jarouche integram o time. Confira!


No sentido horário, partindo da primeira imagem do canto superior esquerdo, as casas de: João Armentano, William Maluf, Maria Ignez Barbosa, Sig Bergamin, Luisa Strina e Tuca Reinés

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Design, Décor Tags: , , , , ,
20/05/2009 - 21:11

No rabo do jacaré

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No caldeirão de Zaha Hadid (olha ela aqui de novo!), moda, arquitetura e design são farinhas do mesmo saco. Lembra do sapatinho que ela desenhou para a Melissa? Pois agora a arquiteta iraquiana rabisca mais um pisante, desta vez para a Lacoste (meu jacaré predileto, diga-se de passagem).

A novidade não acrescenta absolutamente nada de novo ou subversivo ao portfólio da designer, mas dá um sopro de vanguarda na marca do tenista francês René Lacoste, cujo desenho original da sua peça mais notória, a camisa polo, é praticamente o mesmo, desde 1927 (graças a Deus! Adoro a inovação… mas existem certas coisas que, definitivamente, não podem ser “mexidas”). Tradição de um lado, modernidade absoluta (e polêmica) do outro: Zaha é o que há de mais badalado no panorama internacional da arquitetura contemporânea. Mas, as formas que saltam da sua telinha de plasma 40”, dividem opiniões. Como sempre rasgo elogios inflamados à mulher, desta vez achei mais conveniente, para efeitos jornalísticos, ser menos opinativo e virar a moeda. Fabrizio Rollo, editor de estilo de Vogue e Casa Vogue, solta o verbo: “No começo, a estética dela causou um impacto no mundo. Parecia que nós precisávamos daquele ‘beliscão’ de modernidade e futurismo. Mas com o beliscão, vem o grito. Está na hora de coisas mais macias e doces, de menos dor. A impressão que dá é que ela se senta ao computador para criar, aperta um botão, e… o computador faz tudo para ela… Tenho um amigo, o arquiteto belga Vincent Van Doysen, que com suas linhas puristas conquistou clientes como a atriz Julianne Moore, que compartilha a mesmo opinião que eu”, diz.

Sou contra essa arquitetura escultural, em larga escala – em exceções, tudo bem. Mas imagine uma cidade abarrotada de prédios esculturais. Seria um caos, uma agressão urbana. Por mais verticalizadas que sejam, no conjunto, as linhas puras compõem um skyline mais harmônico”, conclui.

Na seleção de imagens abaixo, sem crocodilagem, uma retrospectiva do traço de Zaha, aplicado em prédios, móveis, casas e coisas:

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Design Tags: , , , , , ,
07/05/2009 - 19:49

A lista

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O escritório TsAO & McKOWN Architects, de Calvin Tsao e Zack McKown, ficou com o prêmio de Design de Interiores / foto: Divulgação

Saindo do forno, a lista do 10º Prêmio Anual de Design do National Design Museum sacode Nova York – e o mundo.


O pavilhão de artes Heyri, do escritório SHoP, condecorado com o prêmio de Arquitetura / foto: Divulgação

Passado o zigue-zague milanês, um timão de designers, jornalistas, educadores e agitadores culturais da Big Apple votou nos profissionais mais expressivos de 2008, a partir de critérios como excelência dos produtos, grau de inovação, impacto público e consciência ambiental.


Através de centenas de exposições, publicações e apresentações de designers do mundo inteiro, o Walker Art Center ganhou o prêmio de Design Corporativo ou Institucional / foto: Divulgação

Os vencedores deste ano refletem os novos tempos. Vivemos numa era que exige envolvimento público e na qual o design deve ser executado com o uso responsável dos recursos. O impacto público dos vencedores demonstra que o design tem um alcance amplo em diversos setores do mercado“, disse Paul Warwick Thompson, diretor do museu.


Coleção de outono/inverno 2009/10 da Calvin Klein, sob comando do mineiro Francisco Costa, premiado na categoria fashion do National Design Museum / foto: Divulgação

O brasuca Francisco Costa, estilista da Calvin Klein, arrematou a categoria fashion do Prêmio (leia reportagem by André Rodrigues no site SPFW). Abaixo, um resumete dos condecorados:

Prêmio pelo Conjunto da Obra: Bill Moggridge

Prêmio Cérebro do Design: Amory B. Lovins

Prêmio Corporativo ou Institucional: Walker Art Center

Prêmio de Arquitetura: SHoP Architects

Prêmio de Design aplicado na Comunicação: The New York Times

Prêmio de Design de Moda: Francisco Costa para Calvin Klein Collection

Prêmio de Design Interativo: Perceptive Pixel Inc.

Prêmio de Decoração de Ambientes: Tsao & McKown Architects

Prêmio de Paisagismo: Hood Design

Prêmio de Design de Produto: Boym Partners

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Design, Décor Tags: , , , ,
05/05/2009 - 10:24

Koolhaas veste Prada

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Outro dia assisti um filme coreano esquisitíssimo chamado “O Hospedeiro” (confira o trailer oficial aqui), do diretor Bong Joon-ho. Carregado de mensagens subliminares, este foi, com certeza, um dos mais pertubadores que já vi. O enredo parece de uma boboseira sem fim, tipo aquela novelinha de mutantes da Record, mas é coisa séria: um cientista despeja substâncias tóxicas em um rio de Seoul, alimentando um monstrengo medonho que emerge das águas sedento por sangue.

Meio nonsense, meio sci-fi, meio dramalhão off-Hollywood, o filme é muito mais político do que parece, tocando em feridas como as relações da Coreia x Estados Unidos, ética governamental, pandemia (olha que visionários!), o urbanismo desenfreado e suas consequências óbvias, como a poluição. Na fotografia (sombria, mas fantástica), dá para notar nuances concretas de um gigante asiático que se destaca também por sua arquitetura vanguardista. Daí o link com o post de hoje.

O pavilhão Prada Transformer (sim, aquele da grife italiana), inaugurado no finzinho de abril, é a mais nova criação do gênio holandês Rem Koolhaas, um dos maiores compassos da atualidade. Composto por quatro formas geométricas – círculo, hexágono, cruz e retângulo –, o prédio de 20 metros de altura foi instalado ao lado do Palácio de Gyeonghui, no centro de Seoul, como espaço sazonal de exposições. A primeira da temporada, “Waist Down – Skirts by Miuccia Prada” , já tá no ar. Desfiles, shows e outros eventos já estão programados. Por isso a estrutura mutante.


Os moldes de aço desenvolvidos por Rem Koolhaas, com inspiração em formas geométricas – círculo, hexágono, cruz e retângulo / imagem: Divulgação


Acima, o conceito mostra que o Prada Transformer pode ser usado para desfiles, exposições de arte, projeções de cinema e eventos especiais / imagem: Divulgação

Ao invés de ter apenas uma condição, concebemos um pavilhão que, através da rotação, adquire um caráter diferente e acomoda diferentes necessidades. É um projeto excitante por ser o primeiro híbrido entre a moda Prada e a Fondazione Prada“, diz Koolhaas. É, parece que a moda inventada por Zaha Hadid (lembra do pavilhão itinerante que ela desenhou para a Chanel?) pegou mesmo. Até na Coreia!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Design Tags: , , , , , , ,
02/04/2009 - 20:11

Alegria, alegria…

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… E chiqueria, chiqueria. A Casa Vogue (minha revista predileta!) de abril chega às bancas mais colorete do que nunca. Não precisa nem procurar muito (a capa vai encontrar você), com look quente, solar, alto astral, totalmente demais.

“Pintura Íntima”, a matéria principal, diz tudo sobre o tema-conceito da vez: a vida imita a arte. Sob medida para nós (e para vocês), Roberto Migotto (über-decorador e arc-amigo de todas as horas para produções estético-culturais de primeira) interpretou, em estilo e ambientação, a explosão colorida da pintora, escultora, cenógrafa e estilista franco-ucraniana Sonia Delaunay, pioneiríssima na derrubada das barreiras entre as artes plásticas e as aplicadas, lá na Paris dos anos 20, quando os modernos começavam a dar os ombros para os caretas.

O mise-en-scene ficou tão deslumbrante, mas tão deslumbrante, que deu até canseira na equipe para escolher a capa do número (uma tarefa sempre difícil, mas que desta vez ficou muito mais complicada, considerando o caminhão-baú de possibilidades à mão).

Abusamos do vermelho, nossa base, mesclado a formas geométricas, listras e estampas criadas por Sonia, que dificilmente veríamos juntas num projeto comercial, embora muitas peças isoladas, ou mesmo algumas combinações possam perfeitamente ser usadas no dia a dia. É como um desfile de moda, que causa efeito e impressão, mas que não é exatamente comercial”, diz Migotto.

A pegada fashion ganhou pimenta com as caras, bocas e performance blasé da top Carol Demarqui, a bordo de um vestido da coleção que Valdemar Iodice desenhou inspirado justamente em Madame Delaunay. Não é que ela coube direitinho no papel da Soninha?

Inspiração pouca é bobagem. Num impulso sagitariano, bateu uma vontade louuuuuuca de pintar as paredes do meu lar, doce lar de vermelho-cereja. Mas tô segurando as pontas – pelo menos até terminar de pagar a penteadeira vintage que mandei laquear de amarelo-safari (o mesmo tom do recamier da capa desta edição), para usar como bar-solar de drinks furta-cor, baratos e afins. Um dia, mostro aqui como ficou. Enquanto isso não acontece, dá uma espiada no conteúdo desse mês:

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Casa Vogue, Design, Décor Tags: , , , , , , , ,
20/03/2009 - 12:34

Blogueiros-decorex em coro

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Quem viu a matéria sobre os blogueiros de décor no Estadão de domingo? Se você perdeu, clique aqui e confira.

Marcelo Lima, arquiteto e jornalista plugadíssimo em tudo o que rola no circuito, captou a força da casa como tema na web e reportou os principais canais do gênero – como a Casa da Cris e o Lá em Casa, da fofíssima Simone Quintas. Esse puxadinho nosso de cada dia, é claro, não ficou de fora do mapeamento do cara (o que me deixou muito honrado, diga-se de passagem).

E não é que o assunto rendeu pano para a manga? Fechamos a semana com acessos dobrados por aqui.

Claro que o episódio fatídico dos corais – aquele que quase culminou com uma torta do PETA na minha cara – foi o foco do trecho sobre o AllexinCasa.

Só para lembrar, mais uma vez: minha paixão por corais é mais do que legítima. Mas só por corais FAKES, ok?

Nada mais cafona e anti-ecológico do que apoiar a pesca clandestina desses elementos marinhos em nome da vaidade. Corais naturais são incríveis, desde que estejam vivos, no fundo do mar, fazendo tocaia para moréias e não adornando mocréias (a indústria predatória dos corais inclui tanto o mercado joalheiro quanto o de decoração). Retirá-los de seu habitat extrapola a crueldade e a falta de bom senso: é crime dos graves!

Mas é muito legal apostar nas formas tétricas do bicho como inspiração para acessórios de gesso, resina, cimento, polímero, acrílico, massinha, gelatina, biscoito… O espelho da foto, por exemplo, tem look fantástico (para quem gosta da estética, é claro) e é totalmente sintético, criado em terra firme, by Artefacto Beach & Country.

No mais, ponto para o Marcelo, que além de ser ponta firme na seara onde atua, é gente do bem. Até segunda!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Design, Décor Tags: , , , , , , ,
29/01/2009 - 13:29

Casa de Iberê

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E a Fundação Iberê Camargo, lá nos pampas, é um marco tanto nas artes como na arquitetura do Brasil e do mundo – vide o Leão de Ouro que o projeto abocanhou na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2002.

O que eu acabo de descobrir é que, além da estrutura espetacular, Álvaro Siza, arquiteto português bambambã que assina o projeto da fundação, também desenhou móveis e acessórios sob medida para contracenar com a beleza purista daquelas linhas. Não são lindos? Ouvi dizer que uma marca italiana está interessada em editar os móveis do cara. É esperar para ver…

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Design, Décor Tags: , , , , ,
06/01/2009 - 13:23

2000 inove

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Salve, salve! Tem alguém aí? Por aqui já voltamos com tudo, para mostrar que a labuta nossa de cada dia castiga a carcaça, mas dignifica o homem. Haja janeiro! E ninguém aguenta mais os trocadilhos com nove e inove – e nem as vinhetinhas manjadas da Globo. Mas 2009 começou e estamos mais otimistas (ou seria obamistas?), ativistas, malabaristas e fazedores de revista do que nunca (espie a Casa Vogue do mês, nosso Especial Decoradores e Showrooms, com rechonchudas 620 páginas, para sacar melhor essa vibe).

Num ano de mudanças grafadas (aproveito a deixa para manifestar aqui os meus quiproquós com essa reforma ortográfica), onde quase não sobrou lugar para acentos, hífens e tremas, o verbete globalização ganhou novo sentido, readequando-se do velho capitalismo selvagem à mais solidária preocupação com os vizinhos – estampada na Folha de São Paulo de hoje, com aquela garotinha morta retirada dos escombros de uma escola da ONU na Faixa de Gaza. Mas dias melhores virão. Ou não?

Quando Martin Luther King teve aquele sonho e John Lennon cantou a serenidade entre os povos, tudo não passava de psicodelia. Mas eles provaram que devaneios podem ser convertidos em desejo: só queremos paz sem demagogia e harmonia sem hipocrisia… O que vale mesmo é esse mexidão delicioso de culturas e raças, essa troca de idéias, sejam úteis ou fúteis, que nos torna tão humanos, diversos, complexos. É pedir muito?

Dá até dor na consciência escrever sobre design numa era de questões tão emergenciais. Mas o que seria de nós sem a pluralidade? E o clichê diz tudo: “cada um na sua, respeitando todo mundo, por uma vida  melhor”.

E para abrir os trabalhos da temporada, quero compartilhar com vocês o cartão de “Merry X-mas and Happy New Year” mais genial que recebi, direto de Kuala Lumpur, Malásia. Cria do arquiteto Jouin Manku, do estúdio Roland Halbe (www.rolandhalbe.de), a escada da Y House, com seus degraus esculpidos em pétalas de madeira, traduz os nossos anseios por uma Era mais florida.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Design Tags: , , ,
18/12/2008 - 17:16

As curvas que você desenhou para mim

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“A arquitetura não me interessa, o que me interessa é a vida”. Sábias palavras as dele, Oscar Niemeyer, que completou mais um ano de vida no último dia 15/12 para somar aos seus cem, muito bem construídos. Você já viu a coleção que a H. Stern lançou a partir dos croquis arquitetônicos do Oscarito? Pela primeira vez, o arquiteto aprova pessoalmente e imprime sua assinatura numa linha de balagandãs em sua homenagem, a partir dos próprios croquis. Entre as belezuras, há uma jóia desenhada por ele numa serigrafia dos anos 80 e várias outras inspiradas em traços femininos. “As jóias são muito bonitas e bem leves. É incrível como conseguiram fazê-las iguais aos meus desenhos”, diz.


A coleção nasceu por iniciativa de Roberto Stern, presidente e diretor de criação da H.Stern, que sempre privilegiou as formas orgânicas e curvilíneas nas jóias. “Não encontramos linhas retas na natureza, por isso gosto da assimetria e dos traços irregulares, mais humanos e naturais”, diz Stern.

A inspiração dos designers não foi a forma final das obras de Niemeyer, mas o elemento primário delas: os traços e contornos aparentemente despretensiosos que, depois de trabalhados, transformam-se em conjuntos arquitetônicos como aqueles de Brasília e da Pampulha, do Copan e do Parque Ibirapuera, o Museu de Arte Contemporânea, em Niterói, e por aí vai.

Se Niemeyer parece torcer as retas em seus monumentos de concreto e transforma as curvas na solução natural para as suas criações, a H.Stern faz o mesmo com ouro e diamantes nesta coleção. Além dos contornos curvilíneos e dos espaços vazios – cultuados no legado arquitetônico da nossa lenda viva – também foram retratados nas jóias. Anéis, pulseiras e brincos valorizam as linhas simples intercaladas por espaços vazados.

A Coleção H.Stern por Oscar Niemeyer tem jóias de ouro e diamantes, divididas em oito linhas e batizadas com nomes de desenhos, obras e de alguns projetos famosos. Carregam a simplicidade dos traços, que se resumem a poucas e essenciais linhas: soltas, livres e contínuas.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Design Tags: , , , , , ,
20/11/2008 - 14:42

Eu tenho um sonho

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E por falar em voz de divas e em True Colors, hoje é o dia da Consciência Negra. O título do post bem que poderia ser “Black is beautiful”, mas achei previsível demais para um blog de design. E eu até tentei evitar esse lance de cotas, mas não resisto: Pense rápido em quantos arquitetos, decoradores ou designers negros você conhece. Seja lá qual for o seu partido, um fato é óbvio: nossa esfera profissional ainda é extremamente caucasiana e segregadora. A nossa e todas as outras. Espero que o novo “dono do mundo” provoque uma reação em cadeia nessa cultura contemporânea pouco pigmentada, impulsionando uma obanização em massa, em todas as searas. Trata-se de direitos e oportunidades iguais, o que, cá entre nós, ainda é um sonho distante. Essa obra acima, o Idea Store, em Nova York, é do genial David Adjaye, nascido na Tanzânia, radicado em Londres e cidadão do mundo… Já publicamos o trabalho dele na Vogue muitas vezes, e somos fãs incondicionais do seu traço e da sua trajetória.

E domingão tem show da Chaka kan no Parque da Independência. Tô roendo as unhas desde já, me preparando para os agudos da mulher que inspirou Whitney Houston, Prince, Mary J. Blidge e meio milhão de outras estrelas da black music. Deixo vocês com a minha predileta da Chaka, Ain´t Nobody…

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura Tags: , ,
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