Uma casinha em Springfield
Acabo de colocar no meu carrinho da Amazon o box com a 20ª temporada de “Os Simpsons”. Mesmo passando a barreira dos 30, continuo amarradão na série animada que Matt Groening criou 20 anos atrás para escandalizar os costumes norteamericanos com o que havia de mais politicamente incorreto na ocasião.
Eram os anos 90 e o mundo assistia de camarote à franca expansão da democracia, o colapso da União Soviética, a Guerra do Golfo, o clone de Dolly, o fim do Apartheid e a eleição de Mandela na África do Sul. Também se começava a sentir na pele os efeitos deliciosamente devastadores da globalização (como viver sem ela, hoje em dia?) que tomaria o planeta de assalto nos anos seguintes, com a popularização dos PCs pessoais e da internet. No Brasil, Collor assombrava a classe média com o fisco das poupanças e a gente temperava a macarronada de domingo com “The Simpsons”, exibido originalmente aqui pela Globo – àquela época, campeão absoluto de audiência.
Fundamentais na formação cultural de qualquer aborrecente plugado na cena pop, Bart e cia influenciaram não apenas a nossa forma de ver e lidar com o humor, mas nos nutriram de um entendimento nada distorcido (embora über ácido) da sociedade contemporânea na maior potência econômica mundial do planeta. E a gente se via ali, espelhados neles, já que, colonizados que somos, aprendemos a assimilar muito rápido tudo o que vem de fora – não que seja algo do qual devamos nos orgulhar. Mas que é assim, ah, é!
No balanço das horas, entre animês japas, blockbusters em 3D e uma enxurrada de cartoons cult, vieram evoluções mais apimentadas em animação, como South Park, Futurama (do próprio Groening), Family Guy e afins. Demodê ou não, continuo com o bom e velho Simpsons e sua maneira de sacanear a si próprios tanto quanto aos outros – incluindo arquitetos e decoretes famosos.
A casa da família, por exemplo, decorada por Margie Simpson à moda pastiche que faz a cabeça dos Yankees (quem nunca reparou na cortina estampada com espigas de milho da cozinha?), é um retrato do lifestyle da terra de Obama. No dia da mentira, entre imagens icônicas do desenho animado e a minha caricatura simpsoniana, colo aqui a planta da toca de Homer e um take do episódio engraçadíssimo onde o arquiteto canadense Frank Gehry (nem ele escapou!) baixa para dar um sopro de vanguarda no urbanismo careta de Springfield. O resto, você vê na Fox!






Paisagem de Nice, região costeira da França conhecida como Cote D’Azur ou Riviera Francesa / foto: Reprodução












































