
Acabo de sujar as patinhas (muito prazeirosamente, diga-se de passagem) na nova concept store da Artefacto Beach & Country (www.artefactobc.com.br), que tá quase pronta para o mega-evento de abertura, domingo agora. Na contagem regressiva, centenas de operários estão lá, levantando poeira, enquanto outro punhado de arquitetos e decoretes chacoalham seus tapetes, almofadas e cortinas nos espaços ambientados à moda da Casa Cor.
Analisar tudo reluzindo, limpinho e bonitinho, com uma flutê de champagne numa mão e a outra livre para cumprimentar os amigos, é sempre uma delícia. Mas os bastidores sempre têm a sua graça. Flagramos Alberto Lahós e Marco do Marco batendo o último prego da sua suíte de praia; espiamos o Edgard Octávio dar os retoques finais no charmosíssimo bangalô que assina com Chinho de Luca e, por pouco, não pegamos Fabio Morozini se acidentando no seu chic Studio do Haras (ele machucara a perna um pouco antes, mas nada grave).
O fato é que, mesmo com o caos que antecede qualquer extreame makeover, deu para ter uma noção exata do que vai ser o novo empreendimento: a maior loja monomarca de decoração do Brasil (quiçá da América Latina), tanto em dimensões físicas como em conteúdo – e com direito a pose de oásis!
Do portão para dentro, a gente esquece que está em plena Avenida Brasil, a dois passos de rotas congestionadas como Augusta, 9 de Julho e Rebouças. Ali, os antigos casarões (dois imóveis obsoletos) deram lugar a um imenso complexo de 5 mil metros quadrados, cortados por primaveras, pinheiros, jabuticabeiras e carvalhos vertiginosos que camuflam os prédios vizinhos – do terraço, a vista livre dos arranha-céus lembra um horizonte caiçara, bem ao gosto da concept store. O projeto assinado por Débora Aguiar é um contemporâneo-quente distribuído em dois volumes principais, que combinam colunas e grandes vitrines descortinando o paisagismo de Gilberto Elkis.

Wair de Paula, diretor artístico da Artefacto e esteta de mão cheia, guiou nosso tour-preview (junto com Mariana Amaral e Taís Lopes), apontando o acervo caprichado que abrange mais de 900 “artefatos”, boa parte garimpada por ele, in loco, na China, Marrocos, Cingapura, EUA, Itália, Filipinas e Indonésia, além das peças insuspeitas assinadas pelo próprio Studio Artefacto e por designers internacionais especialmente para a marca (Karim Rashid e Kenneth Cobonpue estão entre eles).
A compilação, vista como um todo, remete ao que o próprio nome Beach & Country sugere: atender uma demanda exigente e sofisticada de casas de praia e campo, mas sem limites de gênero: também dá para pinçar tudo de bom para a sua varanda e, com um pouco mais de olho, garimpar um décor urbano completo, numa boa.
A bagunça estava, de fato, inclemente. A tinta, fresca. Metade dos móveis se escondiam em muitas voltas de plástico bolha. Alguns espaços, misteriosamente isolados por tapumes; outros, pingados de resíduos. Quase fomos atropelados pelo corre-corre de trabalhadores, com seu aríetes de madeira. Os profissionais estavam à beira de um ataque de nervos; um ou outro, sorria nervoso. Mas a expectativa de todos (incluindo a nossa) era explícita. Pode ser cedo para afirmar, mas algo me diz que Sampa está ganhando uma de suas lojas mais bonitas. Tomara que meu feeling esteja certo…