Azeitado

A primeira vez que vi uma oliveira foi em Cascais, Portugal, muitas primaveras atrás (ok, os açorianos trouxeram mudinhas para o Brasil logo no começo da colonização, há mais de 500 anos, mas eu nunca tinha visto um pé de azeitona por essas bandas, tá?). No ápice da minha ignorância, não resisti: olhei para um lado, olhei para o outro, fiz a cara de criminoso mais cafa do planeta e arranquei uma azeitona do pé como quem rouba um rolex no farol. Dei uma mordida no furto e fiquei com um gosto intragável (alguém aí já comeu mamona?) amarrando a boca por um bom tempo – vivendo e aprendendo: a azeitona que consumimos passa por um processo de “cura” e “adoçagem” de 40 dias. Mas não pense que fiquei traumatizado com tão infeliz degustação. Adoro uma tapenade e uso azeite como água (um hábito saudável, segundo o meu cardio, para quem eu minto um pouquinho a respeito das quantidades aplicadas). Mas vamos ao que interessa.
Ainda não descobri se o mobiliário feito com madeira de oliveira é anti-ecológico ou não – se você souber, me conta, por favor. Óbvio que não me refiro àquelas oliveiras monumentais, que é claro que ninguém derruba (pode ser papo-furado de guia turístico, mas na Grécia e na Itália, eles costumam dizer que existem árvores com mais de 2.000 anos!). Mesmo assim, lá fora, a gente vê muito artesanato esculpido em oliveira – dá vontade de trazer tudo, mas cada almofariz custa uma fábula e pesa meia tonelada (confira no clique de Alain Brugier, lá da cidadezinha medieval de Eze-Village, pertinho de Nice, onde estivemos há alguns dias. A lojinha em questão, a L’Herminette, só tinha manufaturas de oliveira).

Por aqui, a produção com esse tipo de madeira é tão ou mais rara do que os pés da Dona Olívia. Para você sentir o drama, descolamos a fruteira do Arnaldo Danemberg (www.arnaldodanemberg.com.br), que traz, na borda, até bolinhas alegóricas da frutinha (sim, azeitona pertence a família das frutas – com caroço e tudo!). O fato é que a a Ana Lúcia acabar de compartilhar comigo uma info ótima, dita por um amigo seu, expert em direito ambientalista: “A oliveira é uma árvore que vale muito mais em pé do que deitada, já que demora muito tempo para crescer e não existe uma tradição moveleria que a use como matéria-prima”. Tá registrado!





















