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Arquivo de junho, 2009

15/06/2009 - 20:26

A insustentável leveza do ser

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Há quem torça o nariz para ele, mas o acrílico é um dos meus materiais prediletos no décor, em suas mais diferentes materializações. Em casa, tenho um bocado delas, desde uns copos baratinhos de bar da TokStok, passando por uma luminária risca-de-giz do Marton e um par de cadeiras Arne Jacobsen, entre outras transparências que curto combinar com madeira e afins, para quebrar o gelo.

E para quem duvida do pedigree da matéria-prima, um breve histórico: descoberto pelo Dr. Otto Roehm, em 1901, o acrílico pertence ao grupo das resinas metacrílicas. Trata-se de um elemento termoplástico, proveniente do petróleo, só que com muito mais transparência e rigidez do que o plástico, seu primo mais pobre.

Pela flexibilidade nos processos de fundição e pela solidez pós-produção, ele é uma das figuras mais versáteis do mercado, com durabilidade incrível – mesmo exposto ao tempo, o acrílico é dez vezes mais resistente do que o vidro, por exemplo, o que derruba o mito de fragilidade, salvo nos casos de espessuras muito finas. Claro que você não precisa montar em cima (ele pode envergar com o peso e craquelar por dentro) e nem esfregar uma palha de aço na superfície (risca fácil-fácil), mas, no geral, a manutenção não é onerosa.

Outra adversidade: acrílico, geralmente, custa caro. Mas, para quem gosta, o investimento vale muito, já que é peça para a vida toda. Embora hoje já seja considerado um clássico do décor, ele ainda carrega o status de material vanguardista, fazendo a cabeça dos modernos. Na década de 30, por exemplo, a chiquérrima Helena Rubinstein fez história com aquela sala de jantar deslumbrante, com mesas e cadeiras no melhor estilo Cinderela, bancando o efeito cristal. Mais tarde, nos 60s, as opções coloridas surgiram num boom explosivo pré-psicodelia, pasteurizado à exaustão nos 70s, depois esquecido por uns tempos, e resgatado com vigor pela indústria do design nas décadas seguintes.

O meu objeto de desejo da vez tá aí em cima: o móvel Gisela, do Wagner Archela (www.wagnerarchela.com.br), mago do acrílico que descobri há algum tempo e venho acompanhando de perto, com entusiasmo. Com espelho acoplado, ela pode ser usada como penteadeira, mas eu mandaria ver num portentoso aparador-bar, com umas garrafas vintage em cima ­ outro dia um famoso decorador disse que não tem nada mais cafona do que barŠ Então, acho que sou cafona, porquê eu não abro mão de uma bandejinha messsssssmo!

Repare como o shape clássico da peça ganha look oxigenado com a estrutura acrílica, em efeito retro-futurista. Aliás, reside aí uma das suas grandes vantagens: acrílico não envelhece jamais!

De volta ao Wagner (todas essas peças levam a sua assinatura), curto o seu trabalho tanto pela criatividade quanto por reconhecer a dificuldade operacional do acrílico. Seu manuseio exige espertise e tecnologia muito específicos, somados a um senso apurado de design ­ não é qualquer forma que cai bem em silhueta acrílica, considerando fatores como ergonomia, viabilidade técnica e afins.

Menino da italianíssima Mooca, o flerte de Archela com o material começou ao acaso. Engenheiro por formação e músico por vocação, Wagner cresceu influenciado pelo mix cultural e pelo perfil industrial do bairro. “A Mooca era repleta de pequenas metalúrgicas, marcenarias, estamparias, fábricas de roupas… A molecada vivia brincando dentro e ao redor das oficinas. Se a gente queria um brinquedo, descolava uns parafusos gigantes, rolimãs e peças de carro nas oficinas; depois, escolhia os caibros e retalhos de compensado nas fábricas de móveis e saíamos pela rua montando nossos brinquedos… aquele ambiente era incrível, muito criativo“, conta.

Wagner tocou por 10 anos no legendário Bourbon Street (casa que eu amo e que vialibizou muitas das entrevistas mais preciosas do meu portfólio, como B.B. King, Ibrahim Ferrer e Mary Wilson, das Supremes). Essa experiência na noite talvez tenha ajudado-o a equalizar poesia e função, o etéreo com a realização concreta, desde a primeira ciração em acrílico: uma série de vasos feitos a partir das chapas de um antigo aquário.

De lá para cá, Wagner tem feito sucesso em ferias internacionais, mostras e publicações em geral. Mas ele está só começando…

Um dos principais nichos do design em Sampa, a Forma (www.forma.com.br) ­ que, ao que tudo indica, vai mudar de endereço, deixando o tradicional prédio da Cidade Jardim para uma segunda marca, a c.o.d ­ montou uma vitrine com os grandes nomes do design contemporâneo made in Brasil. Claro que Archela está, merecidamente, entre eles.

Que o legado do acrílico – e do Wagner – continuem, leves, translúcidos e para toda a vida!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Design, Décor Tags: , , , , , ,
10/06/2009 - 22:33

Espero a chuva cair

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E chove a cântaros na Paulicéia – dá medo só de pensar no trânsito. Feriadão encharcado à vista. Mas não é o Armagedon, né? Afinal, o que pode ser mais “auspicioso” (não vejo a novela das oito, mas adoro este verbete um tanto quanto erudito que tá todo mundo resgatando, principalmente a Ana Lúcia, minha jornalista-braço-direito, tiete histérica do Raj) do que a combinação dia molhado + pernas para o ar? Prosaicos prazeres, do qual sou praticante confesso.

Inspirado pela preguiça (e esboçando um bocejo no meio do fechamento), escolhi um sofazão dos bons para ilustrar o post desta quarta com cara de sexta.

De uma forma geral, não curto muito a neo-combinação da madeira com estofados que anda rolando por aí, com suas estruturas de encosto multiuso que acabam fazendo as vezes de estante, aparador ou coisa que o valha. Mas achei simpático este modelo Antonio (nome curioso), assinado pela designer Fabíola Bergamo, da marca 2.9, para a loja Manufatura.

Seguindo a prerrogativa básica do bom design em tempos de sinal vermelho da natureza (tem gente que ainda não se ligou nisso, por incrível que pareça), Bergamo aposta em fornecedores que trabalham com matéria-prima reciclada e de relacionamento sustentável. Sua coleção é composta por sofás, poltronas, mesas e luminárias, realizadas apenas com madeiras certificadas, a maioria proveniente da Fazenda da Serra, em Ribeirão Preto, cujo projeto Gondwana fez da propriedade um modelo rural baseado no desenvolvimento sustentável.

Além da matéria-prima ecologicamente correta, essa marcenaria valoriza a mão de obra qualificada, destacando os cortes e encaixes primorosos das peças (técnicas centenárias de produção foram recuperadas para a feitura de objetos e móveis com madeira caída, em processo de certificação junto ao Imaflora, que representa o selo FSC).

De volta ao mood do sofá, nosso rechonchudo Antonio leva lambris de jequitibá, em folha de madeira maciça, frizada por sulcos que dão um aspecto contemporâneo e elegante ao móvel. O mais bacana é que, apesar do contorno sólido e rígido, a gente olha para ele e sente vontade de sentar (não é assim que deveriam ser todos os sofás?).

Enquanto a chuva não passa, se jogue no seu “sentador” predileto (espero que ame aquele que você tem, caso contrário, troque já!) a bordo de uma Casa Vogue ou de um bom DVD. Eu já reservei o meu: o cult japonês Departures, Oscar de Melhor Estrangeiro deste ano, que conta a história de um violoncelista desempregado que vai trabalhar numa funerária e redescobre o sentido da vida com os mortos. Ok, enredo bizarro, mas ouvi dizer que o filme é lindo.

E quando a água despenca do céu (e a pessoa que você ama está a quilômetros de distância, ralando lá no Fashion Rio), a gente também fica mais melancólico (e, consequentemente, mais cafona). Fecho a quitanda com uma musiquinha brega que eu amo, na voz afinadíssima da Zizi Possi em sua fase mais blockbuster, a italiana: “E Chiove“. O clip canastrão (e extra oficial) é montagem a partir de “I’m Singing in the rain“, do fabuloso Gene Kelly. Ou você prefere a “Umbrella” da Rihanna?

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Design, Décor Tags: , , , , , ,
09/06/2009 - 19:07

Parasita

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Saca só que cool essa estante Parasite, que eu colei do sempre quente Dezeen. Cria da estudante sueca Johanna Landin (esses alunos escandinavos e sua fantástica herança criativa…), a peça é de uma frugalidade quase constrangedora (daí a sua genialidade): consiste em caixas de madeira ecológica suspensas por um sistema de cordas – encaixadas em sulcos na estrutura – e anzóis nas extremidades.

O grande barato é combinar os módulos e pendurá-los como quiser, com ou sem simetria, regulares ou inclinados. Rusticão, o look natureba fica um luxo com o azul vivo das cordas. O efeito, vanguardista ao extremo, pode até não ser a sua praia, mas admita: a engenhosidade da coisa merece respeito.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Design Tags: ,
08/06/2009 - 21:48

Quem dá mais?

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Looks naturebas estão entre as poucas sumidades do décor (ou quase unanimidades, para fazer jus ao bordão de Nelson Rodrigues). E é quase impossível não gostar da mobília de Hugo França, já que pouca gente respeita tanto as formas naturais quanto ele (que só trabalha com resíduos já descartados pela mãe natureza ou pelo homem – como canoas velhas, toras queimadas, vestígios de árvores e que tais – e não desmata nada, que fique bem claro).

Com traço totalmente eco-friendly, a interferência no shape é mínima, o que explica muito o sucesso internacional do artista, adepto do estilo art brut. Quer um exemplo do tal prestígio do homem? A Sotheby’s promove no próximo dia 12 um leilão dedicado às peças mais importantes do design do século XX. A seleção dos lotes vai desde as clássicas luminárias Tiffany do início do século passado, até criações de Frank Gehry.

Nesse mexidão bem transado, sobrou espaço para a chaise Taja, by Hugo, que abre o evento como uma das apostas mais bacanas do primeiro lote. França é o único designer brasileiro entre nomes como Jean Prouvè, Isamu Noguchi, Wendell Castle, Gio Ponti e Alexandre Noll.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , ,
05/06/2009 - 11:00

Punk design

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Se você curte adesivos, cola mais. Se é adepto de mobília customizada, então… senta que lá vem história! Olha só que bacana essa dica do über-gênio André Rodrigues, editor do SPFW e alguém que, como eu, adora a subversão em prosa, verso, cor e forma: os designers Jimmie & Martin (www.jimmiemartin.co.uk), autores dos i-sticks mais descolados que eu já vi; e dos móveis que nem Alice viu em sua trip ácida pelo País das Maravilhas.

Acima, wallpaper do duo Jimmie&Martin – o adesivo pode ser muito bem usado como cabeceira fake de uma cama box / foto: Divulgação

Estetas por natureza, o ex-modelo e o ex-vendedor de design se conheceram num clube em Estocolmo, na Suécia. Rolou uma química e, quando se deram conta, estavam morando juntos. E colecionando traças e troços. “Consumíamos peças de antiquários, feiras de antiguidades e leilões. Comprávamos os objetos e, durante o processo de restauração, percebíamos que lhes faltava ousadia e contemporaneidade. Então começamos a interferir com grafites, estampas, desenhos. Foi a maneira que encontramos de tornar imperfeito aquilo que era perfeito. A perfeição é um tédio. Um dia, quando estávamos de mudança, uma pessoa viu os móveis e adorou, pediu para colocarmos à venda em sua loja. E foi assim que tudo começou“, contaram os meninos ao André, direto do seu QG em Londres.

Vieram então algumas congratulações de estofo, como os prêmios “Novos Designers do Reino Unido”, “Melhor Design de Mobiliário” e “Design & Decoration”, além da parceria com mister Phillipe Starck nos interiores do hotel St Martins Lan. Tá?

Mas além dos adesivos (grandes simuladores da realidade, como os de criado-mudo que ficam perfeitos contracenando com uma cama de verdade), eles também brincam com a proporção dos móveis e objetos, subvertendo geral numa produção divertidíssima. Cores sintéticas e fluorescentes, caveiras, grafites, pink flamingos, animal prints e frases de efeito grafitadas dão o tom no acervo (vide a seleção e tire suas próprias conclusões).

Algumas sacadas são geniais, como o móvel preto antiquíssimo que granhou uma explosão de cores nas gavetas (foto acima). “Não acreditamos que estamos destruindo as peças, pelo contrário. Estamos recriando móveis antigos porque achamos que as pessoas não querem mais madeira crua. Os consumidores buscam cada vez mais customização do produto final. Então mantemos a forma original, que é praticamente insuperável, e recriamos a estética para atrair tanto os clientes mais conservadores, que apreciam as formas clássicas, quanto os mais ousados, que buscam elementos transgressores”.

O duo Jimmie (direita) e Martin: punk design na veia / foto: Divulgação

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , , , , , ,
04/06/2009 - 21:57

Harry Potter

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Os óculos com aros redondos lembram os usados pelo “macumbeiro” mais pop do planeta. Qualquer semelhança não é mera coincidência: Jeff Zimmerman, designer e artista plástico norte-americano, sempre se interessou pela alquimia das matérias. Descobriu o poder da mutação na forja do vidro e tem enfeitiçado uma legião de admiradores com sua glass art, que mixa leveza e impacto em formas etéreas, quasetão tecnológicas quanto orgânicas. Tatuado na mão esquerda, com ares de runas celtas, o símbolo químico do vidro denuncia seu pacto com o ofício que abraçou. Entre luminárias (algumas delas com proporções nababescas) e esculturas que lembram as de um outro Jeff (o Koons, com seus balões de metal superinflados), morri de amores pelos vasos de look prateado – que separei aqui para mostrar para vocês.


Reparem como o banho interno de prata dá um efeito cromado à peça, como se o recheio fosse a superfície e vice-versa. Apenas um dos truques que ele saca da manga. Fui apresentado ao Zimmerman na semana passada, durante seu périplo brasileiro, pela arc-arquiteta Fernanda Marques e pela top-produtora e fofíssima amiga Bianca Schaffer. Fiquei embasbacado com o trabalho do cara, que fala apaixonadamente sobre como acata a forma do material durante a queima e faz a direção artística a patir de então: “o fogo me fascina; observar a mutação da massa vítrea sob as chamas e determinar o que o objeto vai virar a partir do rumo que ele tomou, é um dos pontos altos deste trabalho”.

A própria Fernanda Marques, antenadíssima que é, tem causado sensação na Casa Cor São Paulo 2009 com seu espaço que, entre outros hypes, traz as criações de Jeff. Zesty Meyers, mecenas da R20th Century Gallery, que representa o trabalho do artista, é profético: “Ele está só começando”. Assino e dou fé.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Artes, Design, Décor Tags: , , , , , ,
03/06/2009 - 19:34

O cio da terra

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Outro dia alguém me perguntou quais eram as lojas mais chiques da decoração em São Paulo. Fiz cara de paisagem e respondi com um enigma irritante, mas procedente: “depende daquilo que for chic pra você”. Volto a bater na tecla: chiqueria, muitas vezes, é tão relativa quanto gosto. Mas existem certos endereços que são mais finos do que a vã subjetividade pode supor – e alcançam o status de objetos de desejo justamente por conta disso. É o caso do Empório Beraldin (www.emporioberaldin.com.br), tocado pelos simpáticos Zeco e Valéria. Das coleções com pele de rã (versão brasuca do luxuoso – e nada ecológico – galouchat de arraia) aos bordados regionais, passando pelos mais lindos tecidos pintados à mão e pelos pastilhados de côco, osso e chifre, tudo ali salta aos olhos, convida ao toque, é belo e elegante.

A novidade da estação, batizada de Superfícies, traz móveis, revestimentos, tapetes e acessórios em cartela de cores de tons terrosos, marrons e beges, presentes no solo brasileiro, e diversas matizes de cinza inspiradas em minerais como basalto e ferro. O preto e o branco também entram na jogada, representando características da nossa arquitetura modernista. Por exemplo: interpretados pela artista plástica e designer Bia Martinez, veludos-jacquard fabricados na Bélgica, assim como tecidos de puro linho bordados à mão na Índia, reproduzem os desenhos das calçadas de pedras portuguesas projetadas por Burle Marx, no Rio.

Os calçadões de Ipanema formam desenhos coordenados com tecidos duplos de mesclas de linho e algodão, enquanto os calçadões do Leblon e Copacabana ganham proporções tri-dimensionais nas cortinas vazadas feitas de cordões macramés. Niemeyer é homenageado com desenhos gráficos e geométricos, como riscas de giz e linhas descontínuas, produzidas em algodão e linho. Lindo, lindo.

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Design, Décor Tags: , , , , ,
02/06/2009 - 11:15

Decora Brasil

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Sob o tema da “Sustentabilidade”, a Casa Cor São Paulo 2009 recebe os visitantes com um jardim suspenso em homenagem ao pintor e paisagista Burle Marx. No detalhe, uma frase célebre do artista: “Gostaria que os que viessem depois de mim, pudessem ao menos ver alguma coisa que lembrasse o país fabuloso que é o Brasil, do ponto de vista botânico, dono da flora mais rica do mundo”.

E sábado retrasado (23/05) rolou o brunch de imprensa da Casa Cor São Paulo. E lá fomos nós, cheios de boa vontade – apesar do despreparo da assessoria de imprensa para conosco, jornalistas bem intencionados (e ocupadérrimos) que se propõem a dedicar uma manhã inteira do precioso final de semana para cobrir um evento cuja única razão de existir é justamente crescer e aparecer (primeiro para a mídia, que se encarrega de reportar aquilo que absorve para o mundo). Mágoas à parte, esta foi a minha única ressalva quanto à organização, que pareceu bem mais funcional.

O grande barato fica por conta da sustentabilidade, que virou prerrogativa básica em todos os espaços. Nada mais cafona e demodê do que trabalhar com madeira não certificada ou qualquer outro material que agrida o nosso tão sofrido meio ambiente. Ponto para o time! Alguns participantes vão bem longe no look in natura. O jardim vertical da paisagista Gica Mesiara, na entrada principal, é um luxo, por exemplo.

Conceitualmente, em geral, vê-se mais do mesmo. A diferença é que as alamedas estão ainda mais extensas, já que são 110 ambientes disputando a sua atenção nesta 23ª edição. Outras duas mostras simultâneas, Casa Hotel e Casa Kids, dilatam o roteiro.

A maratona cansa um pouco – mesmo os aficionados por décor, como é o caso da minha tchurminha. Pelo caminho, a gente confabula um bocado: “puxa, esse quase acertou”, “aquele errou feio”, “teria um ambiente assim”, “não teria aquele de jeito nenhum”, “nossa, que tipo de pessoa moraria nessa casa?”. Mas apesar da liberdade opinativa que tenho neste blog, acho extremamente deselegante gongar qualquer um dos trabalhos apresentados. Os caras ralam um bocado para participar da Casa Cor. Investem tempo, dinheiro, sangue, suor e paixão naquela vitrine que, muitas vezes, pode determinar o êxito da sua agenda profissional pelos próximos anos. Fato: Casa Cor é projeção – e das grandes. Partindo dessa premissa, não vale apontar aquilo que, para mim, é um equívoco estético (e que pode não ser para você). O mercado está aí, democrático, com lugar para todo mundo – logo, cada qual com a sua demanda! E gosto é a coisa mais subjetiva do planeta, seja ele estético, gastronômico, musical ou sexual – pronto: falei!

Apesar da lacuna deixada pela ausência de tops como Sig Bergamin, Marcelo Rosenbaum, Roberto Migotto, Esther Giobbi e Fabrizio Rollo (que arrasou na sua estreia na edição passada), tive boas surpresas por lá, ainda segundo o meu radar pessoal e intransferível. E dessas, faço questão de destacar algumas, com comentários – confira o top 10 que fiz para o site www.spfw.com.br


Gica Mesiara – Paisagismo do Foyer de Entrada


Francisco Cálio – Sala de Jantar – Apartamento


Fernando Piva – Apartamento do Solteiro


Dado Castelo Branco – Bangalô


William Maluf – Home Theater Casa


Fernanda Marques – Loft


João Armentano – Fuori Cittá


Debora Aguiar – Refúgio do Velejador


Arthur Casas – Cabana do Xamã


Zoe Gardini – Lounge de Interligação


Fred Benedetti e Fernanda Abs – Suíte Ricardo Almeida

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Arquitetura, Design, Décor Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
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