Segall sagaz

Ontem reclamei dos spams, mas olha só a coincidência que acabo de constatar folheando este lançamento da Cosac & Naify (www.cosacnaify.com): Spam (Sociedade Pró-Arte Moderna) também era o nome da entidade cultural criada por Lasar Segall no comecinho dos anos 30. Uma instituição que armava exposições, concertos, saraus e outros eventos ligados ao Modernismo. E note que curioso: os grandes bailes de carnaval das antigas, maior vitrine da tal Spam, tinham cenografia do próprio Segall, em carne, osso e pincel.

O fato é um dos muitos causos registrados no book Lasar Segall – Arte em Sociedade, de Fernando Antonio Pinheiro Filho. Um dos pilares do expressionismo no Brasil, o pintor lituano radicado no Brasil, para surpresa de muita gente (inclua-me na lista), realizou grandes trabalhos em decoração.

Colei uma reportagem na Folha, publicada no comecinho da semana, onde Pinheiro Filho conta ao jornalista Mario Gioia que “Os projetos de decoração (e de pintura decorativa) foram estratégicos para que Segall se aproximasse das frações da elite paulistana que cultivava as artes e que já tinha se aproximado dos modernistas.” Ou seja, segundo o autor, foi justamente a partir dessa “penetração” via décor, que o pintor conseguiu sua consagração no País. Segall era sagaz!

Entre as pérolas que recheiam o livro de 272 páginas, está a decoração do pavilhão de Arte Moderna de Olívia Guedes Penteado (1924 e 1925). Espia lá.

























