2008 julho 31 | Allex in Casa
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Arquivo de julho 31st, 2008

31/07/2008 - 12:20

Segredos de liquidação

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Na semana passada a minha mãe – e um anúncio na televisão – me convenceram a dar um pulo na tal “Villa” de uma famosa marca de móveis (na verdade, um depósito de fábrica metido a besta) – não vou dizer o nome aqui porquê vai parecer ranço de jornalista revoltado, e eu juro que não é. Como estava à caça de um joguinho de sofás de fibra para botar na varanda da mommy, resolvi ceder aos apelos (dela e da propaganda, que davam conta de “um saldão com até 70% de desconto”) e me deslocar até a referida arapuca, em algum quilômetro perdido da Raposo Tavares.

Mesmo desconfiado – e ignorando os apelos do Anselmo (arquiteto e big brother de plantão), que ameaçou nunca mais olhar na minha cara se eu insistisse no programa – , confesso que fiquei chocado com o que encontrei por lá: móveis padrão superpop (no sentido mais feio desta palavrinha composta que eu amo), de desenho ultra-equivocado e matéria-prima suspeita, pseudo-modernex, a preços mais pomposos que os da Gabriel – sim, porquê eu já comprei cadeiras de design nos Jardins pela metade do preço “promocional” que os caras estavam tentando enfiar goela abaixo das infelizes vítimas atraídas para a ratoeira.

O episódio me fez refletir, um tanto irritado, sobre essa inflação do mercado mobiliário e a tendência de alguns fabricantes acharem que aquilo que fazem é mobília de alto padrão sem investir em tecnologia, pesquisa, design, qualidade e apresentação (ambientação bem produzida é tudo). Ok, ok: bom gosto é subjetivo e cada um compra aquilo que quer. Minhas ressalvas são quanto a vender o gato pela lebre. Veja as casas Bahia, do Seu Samuca, por exemplo: conquistaram a preferência da massa sem nunca pretender ser aquilo que não são. O padrão Bartira está lá, para quem quiser levar, atendendo à audiência sem posar de look milanês, com um carnê que todo mundo sabe que dura tanto quanto as portas de compensado. Ninguém fala que aquilo é móvel para a vida inteira. Sylvia-Design-Mulé-Gato, que aparece na tv vendendo seu sofazinho pop bem-feitinho (tem gente que gosta e ela sabe disso), até brinca que as ofertas “chiques no último” do seu “cafofo”, com a primeira parcela “só pra janeiro”, vão ajudá-la a comprar um fusca novo. Acho a figura genial, diga-se de passagem.

E a Etna foi outra que me enganou com promessas vãs de descontos eternos. Cara, eles vendem como “superliquidação” e “bota-fora” peças que, se comparadas aos preços originais, soam quase como uma zombaria. Também não rolou!

Se a minha saga teve final feliz? Ô, se teve. Acabei comprando o tal jogo (de junco de verdade, feito por artesãos de verdade) em Pinheiros, numa loja tradicional que realmente tava nos 50% off. Foi caro mesmo assim (e não deu pra parcelar em 30x), mas pelo menos é móvel para um bom tempo – talvez pelo resto da vida. Só não conto o nome da loja aqui para não parecer jabá…

E por falar em Dona Sylvia e Mulher Gato (e considerando a dificuldade de ilustrar o assunto abordado), olha só esses prendedores do Homem-Morcego que o Richard, diretor de arte da Vogue RG, me mostrou. Achei quase tão engraçado quanto a coluninha do Simão na Folha, contando sobre o “Batmãe”. Christian Bale, que interpreta o herói no cinema, foi acusado de agredir a própria mãe semana passada. Na Serafina do último domingo, Barbara Gancia contou o outro lado do babado: a mãe do Batman 2008 o largou ao Deus-dará na infância e reapareceu agora, pedindo U$ 200 mil emprestados. Merecia ou não merecia uns tabefes? Quem quiser os prendedores para pendurar a cueca no Halloween, é só procurar por aí, porquê eles já são febre. E quem reclamar do post no sense de hoje, leia novamente o de ontem, sobre a produção pop-cult, e o de amanhã, sobre a subjetividade da arte e o meu passeio ao MAM, no melhor estilo “Visitando Monsieur Duchamp”. Me aguarde!

Autor: Allex Colontonio - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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