
Chega de colher de chá (e não venham me acusar de nepotismo), mas até que alguém prove o contrário, continuarei bradando aos quatro ventos: o lounge da Vogue é, de novo, o mais bonito da SPFW. Repare no take exclusivo de Romulo Fialdini que, conforme prometido, postei aí em cima.
Mais do que uma área de trabalho (durante a semana de moda, o espaço é o QG da fofíssima Maria Prata e da turminha que faz o site da RG), o lounge recebe convidados especiais para brindar com vinho, champagne e fina estampa.
O dono do look? Monsieur Fabrizio Rollo, é claro, que tá aqui do lado soprando o conceito do mise-en-scene: “É uma biblioteca masculina, que mistura estéticas como o neoclássico, Império Francês, um tempero inglês e toques medievais. Não dá para classificá-la dentro um estilo específico. Se na moda não podemos simplesmente pegar um vestido do século 17 e reproduzí-lo (exceto se você estiver fazendo um figurino de época), na decoração a história é a mesma. O trabalho que faço é misturar estilos que, independentemente de conversar entre si, possam conviver perfeitamente numa linguagem nova, que cria um novo estilo”.
Nessa métrica, as paredes ganharam retratos a óleo e gravuras de personalidades históricas – de Napoleão a Shakespeare, do Rei Charles X a Pasteur. Uma importante coleção de mapas cartográficos dos séculos 17, 18 e 19, endossam o set list de arte.
Pelas estantes e transbordando pela grande mesa de trabalho, as pilhas de livros estão amontoadas: “Acredito que quem estuda, lê e pesquisa, faz bagunça. Está claro que o ambiente é vivido, usado, que tem gente trabalhando ali”.
Móveis escandinavos do anos 30 ou 60, cadeiras de Hans Wegner, “tecidos extraídos do guarda-roupa masculino”, nas palavras do Fabrizio, esquentam ainda mais o pedaço, armado a toque de caixa. “Tudo foi montado ultra-rápido, em apenas quatro dias – três de montagem e um de decoração. Fui escoltado pela minha fiel (e supercompetente) assistente Bianca Schaffer e pela equipe de montagem do Cacá Ribeiro.
Sempre começo apaixonado por uma determinada referência, que pode ser um elemento arquitetônico, um móvel, uma cor, uma padronagem de tecido. A partir dessa paixão, é que todo o resto se desenvolve. No caso, o ponto de partida foi a arquitetura neoclássica (embora cenográfica), com bandeiras de vidro acima das portas, cruzadas em X”, conclui o nosso editor de estilo.
Se for dar pinta na Bienal por esses dias, aparece lá para conferir.