"Eu quero uma casa no campo…

…Onde eu possa compor muitos rocks rurais, e tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais”. Lembra disso? Em tempos de odes à tecnologia e ao luxo sintético, a casa da árvore de Fernanda Abs e Fred Benedetti foi um alento na pasteurizada Casa Cor 2008, que abriu ontem para o tradicional brunch de imprensa – depois eu conto tudo, mas não espere muitas news de lá.

Na onda da sustentabilidade, com uso maciço de eucalipto de manejo florestal e soluções batutas de otimização de luz e ventilação naturais, o espaço passou longe das caricaturas caras ao gênero. Sem makes, sem o folclore do look “casinha da vovó”, sem forçar a barra, o cantinho assinado pelo casal – parceiros de vida e de carreira – era a tradução da família feliz, com direito às suas lindas filhas perambulando para lá e para cá, além da fofura do mascote Bernese. Criança e cachorro são sempre garantia de atenção – não à toa, todo mundo parou para fotografar em massa. Mas no contexto, o traço bem traçado de Fred e Fernanda dispensaria qualquer apelo do gênero.

O volume contemporâneo, minimalista na essência e quente na ambientação, suspenso por pilotis na altura das copas das árvores do Jockey, exibe uma faceta arquitetônica superantenada da dupla (poderia se passar fácil-fácil por algum projeto do australiano Sean Godsell, por exemplo). “Originalmente o teto era quadrado, bem seco. Contrariando algumas opiniões, resolvemos fazer um telhado mesmo, mais conveniente para esse tipo de construção”, conta Fernanda. Ponto para eles!

Recheados de clássicos do design numa leitura mais orgânica, moderna, que usa e abusa da madeira, os interiores aconchegantes se abrem para um deque debruçado sobre a paisagem. Um sonho de casa de campo, como na canção de Zé Rodrix na voz de Elis, que colo na trilha do dia.
Link Youtube:
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