Da curva ao nirvana

Me perdoem os clichês, mas o primeiro post deste novo blogueiro que vos fala não poderia ser dedicado a outra entidade que não monsieur Oscar Niemeyer. Não vou cair em nenhum blablablá biográfico porquê o assunto tem sido explorado à exaustão pela mídia – o que vem bem a calhar no centenário do homem, diga-se de passagem. A verdade é que sempre tive apreço pelo bom velhinho. Ainda na faculdade, consegui a peripécia de falar com ele para um trabalho acadêmico; pouco mais tarde, aqui na Casa Vogue, onde estou há oito anos, boa parte deles ajudando a reportar a sua obra, só fiz aumentar essa admiração. Enfim, o que me atrai muito no legado niemeyeriano, além dos seus mandos e desmandos em concreto armado, é a elegância dos móveis, que conseguem ser eruditos e modernex no mesmo rabisco (espie a versão vermelha da marquesa aí em cima, edição limitada que a Hetty Goldberg tá vendendo no Rio).
Embora sua porção designer tenha sido um pouco ofuscada pela projeção das construções, as peças que ele desenhou a partir dos anos 70, para fazer o recheio dialogar melhor com o seu traço arquitetônico, são o que há. Outro sonho de consumo é a chaise de balanço que combina palhinha, madeira e aquela sensualidade inspirada nas suas musas. Ela ficou um tempão dando pinta na vitrine da Casa 21, na extinta loja da Avenida Europa, lembra?
E quase rolou um momento “And Oscar Goes to ”: dia desses uma megastore paulistana estava fechando parceria para comercializar, com exclusividade, os móveis de Oscarito, com todo um mise-en-scene especial para recebê-los, mas as negociações naufragaram aos 45 do segundo tempo. Uma pena, pois a lacuna existe e a demanda também. =( Já pensou que legal seria ter um espaço-design-niemeyer, só dele e de mais ninguém?

E eu tô me sentindo – ou melhor, tava. Como o todo poderoso andava superacessível para nós (Além de Casa Vogue ter falado com ele muitas vezes no ano passado, há alguns dias, intermediei uma entrevista sua com uma amiga, por conta da renúncia do Fidel), tentei bater um papo de novo para ver se descolava alguma novidade digna da estréia deste blog, mas levei um gentil passa-fora da Dona Vera, companheira e braço direito do homem: “Desculpe, mas desta vez não será possível atendê-lo. Oscar não está falando com ninguém da imprensa”. Uma das perguntas que eu tinha na manga – além de saber se ele fazia idéia do que vem a ser um blog – era justamente acerca de como lidar com o assédio em torno do seu centenário. Resposta dada! :P


Valendo-me por alguns instantes da magia de Niemeyer, ouso imaginar que o mestre, além de saber perfeitamente o que é um blog, certamente foi o inventor do seu conceito. Explico: entre um comentário e outro, lá vai a tal roda de falatórios! Sim, “roda”…
e que deus preserve Niemeyer!