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14/11/2009 - 22:22

JOGANDO COMO LÍDER

Desta vez, sim, o São Paulo praticou um jogo de líder. Meteu 2 a 0 no Vitória e desperdiçou, por baixo, meia dúzia de chances claras — três delas, com o artilheiro Washington, ali na marca do pênalti ou a dois palmos da risca final.

O goleador nem precisava explicar, como o fez depois do jogo: estava na cara que o moço entrou em campo tolhido pela ansiedade de fazer os gols que seduzissem a torcida um tanto arredio à sua bola nos últimos tempos.

Mas, o mais importante foi a maneira como o São Paulo construiu a vitória, tocando a bola, envolvendo o adversário e criando as oportunidades de ampliar o placar através de tramas bem urdidas, bola de pé em pé, essas coisas triviais que viraram um bicho de sete cabeças no futebol brasileiro atual.

Além do mais, essa foi uma partida que bem exemplifica o que venho falando aqui sobre o líder do campeonato: seu segredo maior é ter um elenco sem craques excepcionais (a não ser Rogério Ceni), mas no qual reservas e titulares se equivalem, num bom nível, de tal maneira que sai um, entra outro e não há traumas.

Basta verificar, por exemplo, o que jogaram Arouca e Hugo, que, ao lado de Miranda, foram os melhores do time. Ambos saíram do banco e entraram na equipe como se estivessem lá há tempos.

Assim como a entrada dos meninos Marlos e Oscar, já no último terço do segundo tempo, conferiu mais velocidade e vigor, além do toque de habilidade que impediu o Sport de dar aquele bote final, pressionando a defesa tricolor, fato recorrente em quase todos os jogos do líder.

Se mantiver esse nível de desempenho, o São Paulo estará mais perto do título do que os demais, sem dúvida. O diabo é que nenhum jogo é igual ao outro, sobretudo neste campeonato tão imprevisível.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: ,
19/10/2009 - 17:01

A PERPLEXIDADE DE MURICY

Depois da derrota para o Flamengo, Muricy não estava nem divertido, nem malcriado. Parecia, isso, sim, perplexo diante do que vem ocorrendo não apenas com seu time, mas com a maioria dos postulantes ao título, neste momento.

Quando parece que este ou aquele vai engrenar, patina ou reflui. E olhe que ainda falta cerca de 1/4 do caminho a ser percorrido, como em adverte um dos nossos bloguistas aí embaixo.

Mas, se os que estão lá em cima, com exceção do Galo, que parece ter retomado impulso com a volta de Tardelli e a integração de Ricardinho na equipe, andam escorregando além da conta, outros vêm de posições inferiores, num crescendo ameaçador. São os casos de Flamengo e Cruzeiro, dois clubes de imensa tradição e bola respeitável nos padrões atuais do nosso futebol.

Ah, sim, e o Grêmio, que, se não embalou ainda, poderá fazê-lo a partir do clássico de domingo, contra um Inter, que continua o mesmo, apesar da troca de técnicos: uma no cravo, outra na ferradura. Uma eventual vitória sobre o rival antigo, lá no Sul, em geral vale por um campeonato, conferindo força moral extra ao vencedor.

Dando uma espiada por cima na próxima rodada, de qualquer forma, o Palmeiras surge como o grande favorito, diante de um Santo André caindo pelas tabelas. Joguinho, portanto, perigoso, pois, em caso de derrota, embora o Verdão não deva perder a liderança, corre sério risco de entrar em crise emocional que se refletirá decisivamente nas rodadadas subsequentes.

Outro verde que tem tudo para estancar a queda é o Goiás, que pega o lanterninha do campeonato, Flu, em casa. Mas, o Tricolor está dando o sangue para fugir do rebaixamento. Portanto, não são favas contadas.

Já o Galo, animado e atuando no Mineirão, mesmo assim não deverá encontrar facilidades diante de um Vitória bem dirigido por Mancini, com Ramón e cia., e que já começa a rondar a zona de classificação para a Libertadores, ao lado de Grêmio e a quatro pontos do Flamengo, o quinto colocado.

Quanto ao Flamengo, em prodigiosa ascensão, pega um Botafogo ainda tentando de afastar da zona de descenso. Mas, é um clássico, como tal…

Situação mais ou menos como a do São Paulo, que vai à Vila enfrentar um Santos que terá de volta o meia Ganso, o que deverá fazer muita diferença no Peixe, que nem vai, nem volta. Só que o Tricolor, embora frequentando ainda o G-4, vem de sucessivas fracassos, ao contrário do Fla.

Como se vê, ao cabo dessa próxima rodada, a perplexidade de Muricy poderá se transformar em confiança, ou em desespero, tudo depende de para que lado a bolinha rolar.

VELHINHOS PIMPÕES

Num futebol que se caracteriza pela incrível capacidade de regeneração, lançando no mercado mundial uma pá de novos talentos, ano após ano, e num tempo em que tanto se louva a força física, a resistência e a velocidade, é de surpreender a legião de velhinhos pimpões que andam dando o tom do Brasileirão.

Aliás, não só aqui: acompanhe o amigo os jogos do Manchester United, líder do campeonato inglês, e se delicie com o desempenho de Ryan Giggs, aquele canhotinho prodigioso, quase quarentão. Há três ou quatro anos, como um Sílvio Caldas da bola (pra quem não sabe, o Caboclinho Querido, um dos quatro maiores cantores populares da nossa história, passou os últimos vinte anos de sua vida dando seu último show e gravando seu último disco), Giggs vem anunciando sua aposentadoria.

Mas, com aquela bola toda e aquele fôlego interminável, como? Giggs, aliás, lembra outro britânico hisórico, uma lenda do futebol inglês: Sir Stanley Matthews, que só foi pendurar as chuteiras depois dos 50 anos de idade. Aliás, com 45 anos de idade, deu um baile memorável, em Wembley, na Enciclopédia do Futebol, nosso incomparável Nilton Santos.

Surpreso? Pois, então, engula esta: meu querido amigo Zé Nogueira, da Rádio Eldorado, celebrou seus 80 anos de idade participando de um daqueles rachas semanais do que restou dos Namorados da Noite, time de artistas e boêmios desta província.

Mas, voltando aos campos tão exigentes do Brasileirão, aí estão Petkovic, Ricardinho, Ramón, Ronaldo Fenômeno, com todas as suaws cicatrizes e excesso de peso, Marquinhos, do Avaí, todos acima dos trinta e alguns beirando os quarenta. E todos brilhando entre tantos búfalos jovens, de força e disposição descomunais.

Perceba o amigo que, com exceção de Ronaldo, todos os demais citados são meias, articuladores de jogadas, função tão desprezada nos últimos tempos no Brasil, pois ainda há quem suistente a impossibilidade de jogadores desse talhe técnico participar pra valer de um futebol de músculos e têmpera tão afiados como os dehoje em dia.

Bobagem, ja que esses caras não jogam com os pés. Jogam com a cabeça, e cérebro, todos nós sabemos, não tem músculos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , ,
10/08/2009 - 17:13

AMANHÃ SERÁ OUTRO DIA

Mais três treinadores de certa nomeada estão na rua: Renê Simões, defenestrado pelo Coritiba, e Ney Franco, demitido pelo Botafogo, e Paulo César Carpegiani, dispensado pelo Vitória. Nenhuma surpresa, pois essa é a ciranda do futebol brasileiro, desde que Charles Miller desembarcou em Santos com as duas bolas primevas, há mais de século.

E a expectativa é sempre a mesma: quem sabe a troca de técnico não energize o elenco e o time sai do ramerrão em que se encontra? Às vezes, dá certo; muitas outras, não.

Agora mesmo, o amigo pode apontar o dedo para Ricardo Gomes, que chegou ao São Paulo tricampeão brasileiro mas em baixa preocupante, com um currículo ralo, e, de repente, encaminhou o time para uma reação que já o coloca nas fímbrias da disputa pelo título.

E Jorginho, no Palmeiras? Recebeu do justamente afamado Luxemburgo uma equipe que oscilava lá pelo quinto/sexto lugar na tabela, e, em meia dúzia de rodadas, elevou-o ao topo da classificação, entregando-o de mão beijada para Muricy, o ex-super campeão do São Paulo.

Mas, poderia arrolar aqui uma lista telefônica de trocas de treinadores que resultaram apenas em tantas outras trocas, sem nenhum avanço.

Essa impaciência somada ao desejo quase mágico de que, num toque da varinha nova, tudo se transforme, na verdade, está encruada na alma do brasileiro, que apenas se projeta no futebol, enfim um mero espelho de nossa paisagem emocional.

Vota-se pra valer somente no presidente da República, logo elevado à condição de alguém capaz de, num gesto prodigioso, acabar com a corrupção, eliminar o desemprego, botar pão na mesa dos famintos, livrar-nos, enfim, de todo mal, amém. Simples impulso, nenhuma capacidade de tentar entender o todo pelas partes. Nenhum projeto. Ou vários, que não se sustentam diante da primeira adversidade.

Amanhã, será outro dia, como descanta o poeta popular, esse é o nosso lema, quando amanhã não passa da véspera de um outro dia qualquer.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros Tags: , , ,
06/08/2009 - 23:49

O EMPATE E AS GOLEADAS

Foi um jogo lancinante, em pelo menos três quartos de seu desenrolar, em que o Palmeiras teve um desempenho exemplar nos primeiros trinta minutos, quando marcou seu gol, com Cleiton Xavier, de cabeça, e o Grêmio virou do avesso nos minutos seguintes, ao empatar com Maxi López e obrigar Marcos a praticar duas defesas difíceis.

E, logo no início do segundo tempo, o Grêmio seguiu pressionando, a ponto de Wendell salvar um gol sobre a risca fatal. Em meio ao vaivém das trocas de jogadores e de esquema, pelos dois técnicos, Rever sofreu grave lesão na cabeça, e os gaúchos refluíram no final, quando o Verdão partiu para o sufoco, em vão.

Assim, o Palmeiras soma um ponto mais de distãncia em relação ao vice, Goiás, e ao terceiro, Atlético Mineiro, que folgou na tabela e tem um jogo a menos, mas deixou uma certa apreensão na torcida, que já vinha se acostumando com vitórias mais ou menos folgadas, embora um clássico contra o Grêmio é sempre dureza, lá ou cá.

GOLEADAS REDENTORAS

Demorou, mas o Flu tirou a barriga da miséria, ao golear o Sport por 5 a 1, no Maracanã, com um primeiro tempo singular de Roni, autor de um gol e de duas assistências para o menino Kieza. há tempos que a nação tricolor esperava isso, algo que a anime a acreditar que o Flu sáirá dessa incólume.

Assim como o Barueri, depois de bela campanha, vinha numa fase descendente, até meter 4 a 0, na Arena, no Vitória, que passou a patinar, após digna performance nas dez/doze primeiras rodadas do Brasileirão.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , ,
04/08/2009 - 17:34

RODADA DECISIVA, COMO TODAS

Évem, como dizem as baianinhas de saia de roda e penduricalhos de muito axé, mais uma rodada decisiva do Brasileirão. Isso mesmo: decisiva, pois, em campeonatos por pontos corridos, lá e cá, cada rodada é decisiva, cujos pontos disputados serão saudados ou lamentados lá na frente, na reta final.

E o Vitória de Carpegiani, por quem elas suspiram com graça e fervor, precisa se reabilitar diante do Barueri, quinta, na Arena, da derrota recente para o São Paulo, o que não parece nada improvável, desde que o adversário anda capengando, depois de bela campanha até três rodadas atrás.

Mesmo porque periga o Vitória ter mais torcida na Arena do que o Barueri, pelo simples fato de a Grande São Paulo ser a maior cidade nordestina do país, sobretudo de baianos natos e seus descendentes diretos.

Já o São Paulo, que venceu o Vitória na rodada passada, enfrenta uma pedreira maior até, ao receber o  Botafogo, que enceta uma reação na tabela nas mãos de Ney Franco. Não só pela força da camisa do Glorioso, mas pela arrancada recente que o despregou da zona de rebaixamento para o limiar da Sul-Americana.

Mas, o Tricolor começa a se ajeitar nas mãos de Ricardo Gomes, ainda que no velho esquema dos três zagueiros. Passou a marcar mais à frente, e está conseguindo fazer a bola circular com ciência no meio-de-campo, graças a pequenas, porém, fundamentais mudanças: o recuo de Hernanes à posição de volante, onde o rapaz se sente muito mais à vontade do que atuando como meia, e o visível crescimento do futebol de Dagoberto, herói das duas últimas vitórias tricolores, entre outras coisas.

O São Paulo, porém, apesar dos bons sinais, ainda não chegou ao formato ideal – talvez, nem chegue -, mas caminha nessa direção.

TIMÃO NOS AFLITOS

Ainda sem Ronaldo, mas com Edu no time, o Corinthians vai aos Aflitos enfrentar o Timbu lanterna, que na rodada anterior arrancou heróico empate do Flamengo, em pleno Maracanã. Aliás, nem tão pleno assim, onde a nota destoando foi protagonizada por Léo Moura, xingando a torcida.

A ausência de Ronaldo segue sendo uma lacuna impossível de ser preenchida, embora Souza, já no empate com o Avaí, tenha apresentado evolução significativa desde sua estréia no Corinthians.

E a presença de Edu implica num passe mais exato e em maior segurança para a defesa corintiana. Além de empurrar Elias mais à frente, onde o meia se dá tão bem como segundo volante. Acrescente aí a volta de Dentinho, e, tudo indica, teremos um Timão mais forte do que o do fim-de-semana. Com a cabeça fria, o Corinthians haverá de se moldar em novo time.

LÍDER IMPREVISÍVEL

Muricy, mal assumiu o comando do líder Palmeiras, e já imprimiu suas digitais no time. As digitais de um tricampeão brasileiro, o que vale ouro, sem dúvida. Mas, que descaracterizou o time até então em plena ascensão.

Se a justificativa de Muricy para impingir o esquema com três zagueiros contra o Sport, na pior exibição do time nas últimas sete/oito partidas anteriores, era porque o adversário usava o mesmo esquema, contra o Grêmio, nesta quinta, no Palestra Itália, isso cai por terra, já que o Tricolor gaúcho de Paulo Autuori mudou o braço da viola e joga com apenas dois zagueiros.

De qualquer forma, o Verdão tem todas as chances de acumular mais uma vitória, pois a recente goleada do Grêmio sobre o Cruzeiro, embora lídima, prejudica qualquer análise pelas expulsões de dois adversários.

Mas, se optar pelo sistema em que Muricy está aferrado, grandes são as possibilidades de o Grêmio, com seus Túlios, Adilsons, Tchecos e Souzas, dominar o meio de campo e ditar o ritmo do jogo.

Mais importante, porém, no caso, é celebrar os 36 anos de idade do goleiraço Marcos, na minha opinião, o maior da história gloriosa do Palmeiras, com todo o respeito a Oberdã, outro ícone, e a Leão, Valdir de Moraes, Primo e tantos que ali brilharam.

Idade de trinta e seis anos  para um goleiro do porte de Marcos é nada , quando sabemos que seus nobres parceiros de outras eras, no mundo todo, passaram dos quarenta jogando uma enormidade, como Carrizzo, Manga etc.

A propósito, pelo talento e pelo caráter de Marcos, se estiver nessa mesma forma às vésperas da Copa da África, teria um lugar na nossa Seleção, nem que seja para a reserva de Júlio César, que anda fechando o gol na Inter e na Seleção como poucos, diga-se.

TEMPO DO GOIÁS

O Goiás, em franca ascensão e celebrando a volta do filho pródigo, Fernandão, recebe no Serra Dourada um Flamengo machucado pelo empate com o Náutico no Maracanã, e cheio de dedos pela incompatibilidade entre Léo Moura, um dos seus principais jogadores, e a torcida, justamente no dia em que Andrade foi efetivado como treinador da equipe.

O Goiás, possivelmente, deverá ter de volta vários dos titulares que estiveram ausentes na heróica virada sobre o Santo André em São Caetano, o que aumenta em muito suas possibilidades.

O diabo é que o Goiás tem apresentado um resultado muito superior fora de casa do que no Serra Dourada: coisa de 78 por cento contra apenas 50.

É hora de virar esse jogo, se quiser seguir brigando pelo título.

RAPOSA, PEIXE, AVAÍ E FLU

O Peixe, por causa de seu jogo adiado com o Inter, teve um bom espaço para Luxemburgo prepará-lo com vistas ao jogo contra o Coritiba, no Couto Pereira, coisa rara nesse calendário opressivo do futebol brasileiro.

Luxa, que é errático e exaustivo nos seus discursos, sabe como nenhum outro armar seus times, treiná-los devidamente, motivá-los e tal e cousa e lousa e maripousa. Vale verificar se isso ainda funciona.

Quanto ao Coritiba, que, depois de uma arrancada prodigiosa para longe da zona do rebaixamento, refluiu, esse é um daqueles jogos em que não pode bobear. Confesso que não apostaria nem em um, nem em outro.

Já o Avaí, nessa virtuosa escalada desde a lanterna, jogando em casa, dificilmente deverá deixar escapar um belo resultado diante de um Santo André em crise. Basta evitar que Marcelinho Carioca tenha uma daquelas chances de cobrança de falta perto da área em que o veterano craque costuma transformar em pênalti.

E a Raposa, a que veio? Bem, o Cruzeiro ainda carrega nos nervos os eflúvios da frustrante perda da Copa Libertadores da América. Tem time para se reerguer, embora já nem almejando o título. E esse é o momento de readquirir o equilíbrio, jogando no Mineirão contra um Furacão que não passa de brisa leve neste campeonato.

Por fim, o Fluminense, em plena reformulação administrativa, com a saída do gerente Alexandre Faria, a provável volta de Branco (fala-se, também, em Parreira para uma função dessas) e a chegada de Valdir Espinosa como apoio a Renato Gaúcho, que já começa a ter sua cabeça a prêmio.

Tudo lá em cima. E, no campo? No campo, o Flu é um time frágil, que transita pela zona do rebaixamento há muito tempo, e que recebe o Sport, outro desesperado. É jogo de vida ou morte, já que disputado entre dois que brigam para sair do bloco dos desesperados.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , , , , ,
02/08/2009 - 19:42

TOQUE TRICOLOR

O São Paulo, sob o comando de Ricardo Gomes, é realmente outro time, independentemente, do esquema adotado pelo treinador. E isso ficou muito claro na vitória por 1 a 0, mais um gol de Dagoberto, sobre o Vitória, lá no Barradão.

O Vitória, todos sabemos, é um dos mais ajustados times do campeonato. E, atuando em casa, é pedreira ao dobro.

Pois, o Tricolor jogou nas regras da arte: nada de chutões da defesa ao ataque, nada de bolas alçadas à área inimiga para o cabeceio de um grandalhão eventual lá na frente. Nada disso. Pôs a bola no chão, e, aos toques, se impôs e chegou ao gol, aos 28 minutos do segundo tempo, em esperta jogada de Dagoberto pela esquerda.

Antes, Borges já havia desperdiçado três boas chances para abrir a contagem.
Assim, o São Paulo vai acertando seu time, dentro de um padrão aceitável de toque de bola, subindo na tabela, enquanto o Vitória segue sendo uma equipe de primeira, que briga por uma vaga na Libertadores.

TIMÃO NA MUDA

O Corinthians, em pleno processo de transformação com a saída de quase meio time, não conseguiu ir além de um empate por 0 a 0 com o Avaí, no Pacaembu.

Nessas circunstâncias, não foi pouco, pois o Avaí, em franca ascensão, criou e desperdiçou, por baixo, três oportunidades de ouro para marcar.

TRISTE FLA-FLU

A derrota do Flu para o Furacão, por 1 a 0, foi fatal para o Tricolor carioca. Pois, perdeu para um candidato direto ao rebaixamento. E, mais: o jogo nem foi na Arena da Baixada, casa do Atlético PR. Foi em Londrina, no Estádio do Café. Assim, o Flu assume a lanterna do Brasileirão, e o eventual choque da chegada de Renato Gaúcho se fragmenta em várias desesperanças.

Da mesma forma, o empate, no Maracanã, do Flamengo com o Náutico, outro frequentador contumaz da zona do rebaixamento, reduz as grandes expectativas dos menguistas em relação à efetivação de Andrade como técnico do time. Mas, isso tudo faz parte do show de um campeonato tão disputado como este.

TÉCNICO DE CHUTEIRAS

O Santos acaba de recepcionar Emerson, o veterano volante do Grêmio, da Seleção, do Leverkusen, Juventus de Turim, Roma e Milan. Não sei das condições física e, consequentemente técnicas, de Emerson, que não joga há muito tempo.

Mas, sei que Luxemburgo, desde os tempos em que dirigia a Seleção, o considerava um verdadeiro técnico dentro das quatro linhas. Aliás, isso ouvi de vários outros treinadores, dentre eles, Felipão.

Se tiver fôlego e músculos para enfrentar a empreitada, Emerson, por certo, será de extrema valia para irradiar serenidade e visão de jogo aos seus jovens companheiros do Santos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , ,
23/07/2009 - 23:30

GALO E TIMÃO, QUE SUFOCO!

Os goleiros Aranha e Felipe foram os heróis da noite, no Mineirão e no Pacamebu, o que assegurou a liderança isolada do Galo e o salto do Corinthians à quarta posição da tabela.

No Mineirão, o Atlético bateu o Fluminense, na estréia do técnico Renato Gaúcho, por 2 a 1, mas não foi mole. Embora dominasse o primeiro tempo e tivesse obtido a vantagem por 2 a 0, já no segundo, com gols de Serginho e Tardelli, o Galo, em seguida, entregou a bola e os espaços para o Tricolor carioca que reduziu com Kieza (não foi contra?) e imprimiu, nos minutos finais, tal pressão que o empate zumbiu no ouvido das traves alvi-negras.

Assim também foi no Pacaembu, onde o Corinthians, já desfalcado dos que pularam a janela, e tenso pela iminência de novas defecções, fez 2 a 0 no Vitória, com Dentinho e Jean, em passes exatos de Ronaldo e Douglas, e depois pendurou-se nos braços de Felipe, durante praticamente todo o segundo tempo, quando o Vitória foi soberano em todos os sentidos.

De qualquer forma, aí está o Galo, com todos os méritos somados lá no topo, e o Corinthians chegando, apesar das perdas pelo caminho.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , ,
16/07/2009 - 23:38

DOIS PIPAROTES DO GALO

O Atlético, com dois piparotes, se livrou sem sobressaltos do São Paulo no Mineirão, reassumindo assim a liderança isolada do campeonato.

Dominou o jogo, de cabo a rabo, e, logo de cara, num vacilo de Miranda, Diego Tardelli arrancou e tocou na saída do goleiro. E, no início do segundo tempo, Serginho entrou tabelando para marcar o segundo gol. Era o que bastava, mesmo porque, enquanto o Atlético era um time soldado em seus três setores, que jogava fácil com a bola nos pés, o São Paulo esgarçou-se em campo, transformando-se em presa fácil do adversário, pois nem era sólido na marcação, nem criativo na armação, tampouco agudo no ataque.

Enquanto isso, um Corinthians desfalcado penava no Pacaembu para superar o Sport, que abriu a contagem, tomou a virada com dois gols de Ronaldo e outro de Cristian, mas teve bola e fôlego para empatar.

Não fosse aquele disparo enviezado de Moradei já no final, e o Timão estaria amargando um empate fora de hora e lugar.

Quem, contudo, segue imponente, quando deveria estar vivendo uma crise pela demissão de seu treinador afamado, é o Palmeiras, que, na véspera, bateu nada menos do que o Flamengo, no Maracanã, por 2 a 1.

Na verdade, o placar pouco diz, pois o que valeu foi aquele primeiro tempo exemplar do Verdão, quando fez 2 a 0, gols de Diego Souza e Ortigoza, em noite inspirada de Diego Souza. No segundo, o Fla reagiu, chegou ao seu gol, de pênalti, com Adriano, e aplicou um sufoco no final, quando o Palmeiras já estava desfigurado pelas alterações.

Com o empate do Vitória nos Aflitos por 1 a 1, o verdão sobe para a terceira colocação, logo abaixo do Inter, que, depois de um susto, venceu o Flu, no Beira-Rio, por 4 a 2, e já briga pelo título, com a perspectiva mais próxima de Jorginho ser efetivado como seu treinador de fato e de direito.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , ,
28/06/2009 - 21:44

CLÁSSICOS, GAÚCHOS E BARUERI!

O clássico carioca não foi apenas oxo, como costumava dizer meu amigo Walter Abrahão na falecida TV Tupi de São Paulo. Foi, sobretudo, xoxo, ops, chocho. Havia o apelo da despedida de Thiago Neves do Flu e da presença do Imperador no Fla. Dupla frustração: Neves jogou muito abaixo do que é capaz e Adriano perdeu um gol na pequena área de fazer inveja àquele ex-rubronegro célebre.

Já o clásico paulista esteve alguns pontos acima no quesito vibração, mas sem nenhum brilho especial. Foi um jogo dividido em dois tempos. No primeiro, o Palmeiras teve o controle da bola e dos espaços, e fez seu gol… isso mesmo, com Obina aproveitando rebote de Douglas em tiro esperto de CCleiton Xavier. No segundo, o Santos voltou melhor, com Robson no lugar de Neymar, e chegou ao empate justamente com Robson, num melê na área verde.

OS GAÚCHOS

Destaque mesmo nessa roada, em termos individuais, foi Bolaños, que passou dentro da concha sua breve passagem pela Vila, autor dos três gols do Inter, na vitória sobre o Coritiba, o que abafou no nascedouro o grito da galera (”É Muricy”) e confirmou o Colorado na vice-liderança, posição excepcional com o time jogando a maioria das partidas com seus reservas.

Já o outro gaúcho – o Grêmio, também com seu time misto – levou de 3 a 1 do Sport na Ilha do Retiro. Mas, atenção: até a expulsão de Jonas, autor do gol gremista, o Tricolor gaúcho estava melhor na parada. A partir daí, o Leão mostrou suas garras, partiu pra cima e, já na prorrogação plantou os números finais no placar. E olhe que Elder Granja perdeu o gol do campeonato ao preferir cavar pênalti – passou por quatro, pelo goleiro e se atirou.

OLHE SÓ O BARUERI!

Isso mesmo: olhaí o Barueir, em quarto lugar na tabela. E vale dizer que não chegou ali impulsionado pelo vácuo, não. Chegou, metendo 4 a 2 no líder Galo.

Grande vantagem, dirá o baiano rubronegro: afinal o Vitória está em terceiro, e ninguém fala nada? É verdade: brilhante campanha do Vitória, sob o comando de Carpeggiani, que andava meio escondido nos últimos tempos.

Mas, calma, vamos esperar um pouco que a jornada é longa e pedregosa.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , ,
19/05/2009 - 17:24

DECISÕES NA COPA DO BRASIL

São três clássicos que definem vagas para a fase seguinte da Copa do Brasil, atalho para a Libertadores, sonho de todos os clubes brasileiros.

No Maracanã, o Fluminense recebe o Corinthians, com a desvantagem mínima do 1 a 0 emplacado pelo Timão no primeiro jogo da série, em São Paulo. Desvantagem tão pequena que basta um gol de falta, digamos, de Thiago Neves, no início da partida, para que tudo vole ao zero.

Na verdade, a grande vantagem do Timão sobre o Flu é o conjunto mais afiado, herança da Segundona, quando Mano moldou praticamente essa equipe que não só voltou à elite do futebol brasileiro engalanado por campanha excepcional como ainda por cima papou o Paulistão deste ano.

O problema, que tem sido a maior solução, paradoxalmente, é Ronaldo Fenômeno. Joga, não joga? E, se jogar, voltará a atuar como o fez no Paulistão?

Bem, se há um atributo essencial no futebol de Ronaldo é a imprevisibilidade. De repente, tira da cartola um lance genial, um gol decisivo, e, pronto!

Em escala bem menor, é mais ou menos o que tem acontecido com a dupla de ataque do Inter, que recebe o Flamengo no Beira-Rio: Nilmar e Taison. Justamente o oposto do que ocorre com o Flamengo, que toca-toca-toca, mas, na hora da conclusão, nada.

Por fim, um desafio imenso para o Vitória: recuperar-se em casa da goleada por 4 a 0 impingida pelo Vasco em São Januário. Mas, depois da vitória sobre o Sport, pelo Brasileirão, quem sabe? É possível, mas muito improvável, pois o Vasco vai ganhando um perfil sólido nas mãos de Dorival Jr.

CHICÃO-LUSO?

É o que está se desenhando por aí: o Benfica chegou para levar o zagueiro-artilheiro do Corinthians, Chicão, o que lhe parece muito conveniente. E ainda por cima estica o olhar para Ramires, um dos três pilares do Cruzeiro.

Começou a temporada de caça. Salve-se quem puder!

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil Tags: , , , , ,
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