Na Vila, encerrando com chave de ouro a rodada de domingo, a doce rotina desse Santos maravilhoso: 5 a 0 sobre o Monte Azul, com direito a dois gols de Ganso e mais um de André, legítimo, anulado pelo bandeirinha zarolho.
E olhe que o Peixe não verteu sequer um pingo de suor, nem mesmo maculou o glorioso uniforme branco.
Ah, mas o Monte Azul é um saco de pancadas. É verdade. Mais verdadeiro, porém, é que todos – com as exceções de praxe – são sacos de pancada para esse Santos inconcebível até outro dia. São 70 gols em 21 jogos na temporada, média de mais de 3 gols por partida, próxima daquela extraordinária marca do Peixe, em 58, com Pelé e cia.
Isso, só no quesito eficiência. O show extra – os dribles, os passes, chapéus e outros truques deliciosos – vai como um bônus.
CLÁSSICAS EMOÇÕES

Foi um clássico emocionante, disputado sobre o fio da navalha, com o Corinthians dando as cartas durante todo o primeiro tempo, quando abriu e ampliou o placar, chegando a 2 a 0, gols de Elias e Danilo depois de meter duas bolas nas traves do adversário, num lance só. O Tricolor diminuiu antes do final, com Jean, mas antes das expulsões de Washington e Dentinho.
A propósito, vale sempre lembrar que o juiz está ali para preservar o espetáculo, não para afirmar sua autoridade, que é implícita, inarredável. Na Inglaterra, sobretudo, onde se pratica o futebol mais espetacular do mundo atualmente, o juiz, num caso desses, chamaria os dois jogadores, passaria uma descompostura nos dois, manda-vos apertar as mão e jogo que segue.
Mas, aqui, prevalece o conceito da otoridade, segundo o qual, se não cortar o mal pela raiz, ele brota e toma conta do campo. Coisa de gente pequena, que pensa pequeno.
Mas, talvez por isso mesmo, ou não, o fato é que no segundo tempo, o jogo pegou fogo, os espaços se abriram e o Corinthians logo chegou aos 3 a 1, com Roberto Carlos, em cobrança de falta e falha de Rogério Ceni.
Bem, aí o jogo cairia numa modorra natural, e assim foi até os 29 minutos, quando Rodrigo Souto, colhendo falta cobrada por Hernanes, reduziu o placar para 3 a 2. O mesmo Rodrigo Souto que empataria, nove minutos depois, em levantamento de Cicinho, que entrara no lugar de Hernanes.
Aliás, até aqui, os dois treinadores erraram a mão nas substituições, mas Mano Menezes haveria de se redimir com a entrada de Iarley no lugar de Ronaldo Fenômeno, absolutamente inútil enquanto esteve em campo, já no finzinho.
Iarley recebeu na esquerda, limpou o beque e cruzou para Alex Pirolito tocar contra de cabeça: 4 a 3,
Esse resultado, se não abalou muito o São Paulo, pelo menos em relação à sua colocação na tabela, deu uma sobrevida ao Timão, ameaçado, às vésperas da última rodada da fase de classificação, de ficar de fora do mata-mata final.
Além do que, finalmente, esses dois times ofereceram um bom espetáculo a suas torcidas, aumentando a esperança de que esse espírito se incorpore ao da Libertadores, que é o grande objetivo de ambos.
E NÃO VAI
O Verdão patina, patina, e não vai em frente. Desta vez, empatou, sábado, com o Mirassol, num Palestra Itália vazio, sem nem mesmo arremesso de amendoim envenenado por parte da torcida.
Até que o Palmeiras começou bem, fez 1 a 0, com Robert, em pênalti sofrido por Cleiton Xavier. Mas, depois, refluiu, tomou o empate, perdeu Cleiton Xavier ainda no primeiro tempo, machucado, e não teve forças para ir além.
Tá feia a coisa por lá. Tão feia, que, segundo leio, até o presidente pensa em renunciar. Também não é assim.
SÓ PATINA
É o Inter que só patina. Com todo aquele elenco de primeira, não ganha há seis jogos e neste domingo perdeu mais uma, desta vez, para o Caxias, por 2 a 0. E, segundo os relatos que nos chegam do Sul, o Colorado beirou o ridículo, com uma atuação desastrosa, presa de extremo nervosismo, obviamente fruto da tão longa série de insucessos.
Na véspera, o todo-poderoso do Inter, Fernando Carvalho, ratificou seu voto de confiança no técnico uruguaio Jorge Fossati, o que, em princípio é sempre um gesto ajuizado. A não ser que Fossati seja o centro nervoso dessa irradiação negativa que toma conta do time e do Beira-Rio.
É coisa para se averiguar com zelo e profundidade.
Por outro lado, o Grêmio segue lépido e fagueiro, mesmo todo destroçado por contusões e outros bichos. Venceu o Esportivo por 2 a 0, em ritmo de treino, dizem de lá, e parece ter exorcizado todos os fantasmas que bailavam sinistramente em torno do técnico Silas. Só faltava que não.
COM GAÚCHO, 3 A 0
Nem sempre o técnico é o responsável pela má fase de um time. Mas, às vezes, sua troca, em geral por alguém mais próximo dos jogadores, como é o caso de Gaúcho, no Vasco, a coisa funciona.
Prova disso, os 3 a 0 do Vasco sobre o Fluminense Dodô, que estava no fundo do poço, voltou lampeiro e até fez gol por baixo das pernas do goleiro: Carlos Alberto, que mofava na enfermaria, entrou exalando saúde por todos os poros, e o Almirante assumiu o leme da partida, sobretudo no segundo tempo, ganhando um clássico que não apenas lhe dá sobrevida no campeonato, como afasta de São Januário as nuvens mais tenebrosas. Mas, ainda o céu do Almirante não é de brigadeiro, não.