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08/08/2009 - 21:43

QUE AVAÍ É ESSE, MEU?

Claro, o peixeiro amigo está aí maldizendo seu time, que vencia por 2 a 0, já segundo tempo avançando, e acabou cedendo o empate para o Avaí. Mesmo porque o Santos perdeu umas duas chances de ouro para ampliar o marcador, sobretudo com seu artilheiro Kleber Pereira.

Mas, há que admitir a espetacular arrancada do Avaí, que somou na Vila sua oitava partida consecutiva sem perder, largando a lanterna outro dia para vir aquecer-se ao sol de muitas esperanças já lá pra além do meio da tabela.

E muito deve o Avaí, nessa espetacular. reação ao seu meia Marquinhos, aquele Marquinhos Paraná que surgiu anos atrás como grande revelação do futebol paranaense, mas que passou obscuro por São Paulo, Flamengo, uma dezena de clubes, para ressurgir agora no Avaí de Silas.

Marquinhos é um daqueles meias serenos, que sabem fazer a bola circular, quando não a metem na medida para um companheiro em posição de concluir na cara do gol, tão raros no nosso atual futebol. Nao é nenhum craque excepcional, nada disso. Mas, sabe jogar. Ou mais do que isso: sabe fazer seu time jogar.

Quanto ao Santos… Bem, ou Luxa volta aos seus antigos conceitos, ou irá seguindo nesse passo: um pra frente, um pra trás.

KAKÁ E EUSÉBIO

Kaká estreou no Real, na goleada sobre o Toronto, em amistoso preparatório para temporada européia prestes a se iniciar. Jogou só o primeiro tempo, não marcou nenhum gol, mas teve boa movimentação, entrando em sincronia com seus ilustres parceiros de ataque: Cristiano Ronaldo, Raúl e Benzema.

A propósito, vale esperar pra ver se o técnico Pellegrini vai apostar mesmo nesse quarteto ofensivo para os jogos de verdade. Será uma ousadia inusitada até mesmo para o futebol europeu que avançou muito nesse sentido nos últimos anos.

Já o Milan, que Kaká deixou outro dia, que desastre… Empatou por 1 a 1 com o Benfica no Estádio da Luz, é verdade, e só perdeu nos pênatis. Mas, não jogou um tostão de bola. Foi envolvido inteiramente pelo Benfica de Ramires, Aimar e cia. bela ao longo de toda a partida, e só não levou um saco porque a dupla de zaga Nesta-Thaigo Silva salvou tudo no último momento.

Nos pênaltis, o Benfica saiu vencedor, graças, entre outros, a Ronadinho Gaúcho, que havia entrado no segundo tempo e que desperdiçou sua cobrança, e ficou com a Taça Eusébio.

Kaká e Eusébio… De súbito, a linha da memória atravessa quatro décadas unindo um ao outro, pelas semelhanças e diferenças. As semelhanças: ambos, meias-ofensivos, destros, donos de arrancadas incontroláveis e um irrepreensível senso de profissionalismo. A diferença: Eusébio foi gênio, goleador implacável, que aduzia às arrancadas impetuosas uma capacidade singular no cabeceio; Kaká é craque, grande estrela, mas ainda não pode ser chamado de gênio.

Na verdade, de todos os imensos craques que vi em campo, Eusébio foi o que mais se aproximou de Pelé, no estilo e eficiência, embora entre um e outro haja um abismo.

Outra diferença: Kaká, neste futebol tão carente de meias-armadores, tem que ser arco e flecha, ponto de partida e de chegada, enquanto Eusébio teve atrás de si, tanto no Benfica bicampeão mundial, quanto na Seleção Portuguesa terceira colocada na Copa da Inglaterra, a genialidade do passe mágico de Coluna.

De resto, é bola que segue, na esteira dos craques de ontem, de hoje, de amanhã, de sempre.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional Tags: , , , , , ,
18/07/2009 - 21:27

NORMAL E ESTAPAFÚRDIO

A rodada deste fim-de-semana do Brasileirão começou com um resultado normal e outro estapafúrdio.

Normal foi o Palmeiras, sob o comando sereno de Jorginho, vencer o Santo André por 1 a 0, gol de Diego Souza, em melê na área adversária, bola que sobrou.

Não, não foi brilhante o Verdão, como nos dois últimos jogos. nem poderia ser, diante de um adversário bem organizado, sobretudo no seu sistema de marcação, e que possui nos disparos de Marcelinho Carioca e nos cabeceios de Nunes armas mortíferas, capazes de serem acionadas a qualuqer momento, independendo do andamento do jogo.

Mas, foi compacto, seguro, equilibrado emocionalmente, o bastante para ter o controle do jogo e do placar.

Assim, saltou para a liderança temporária do campeonato, que até poderá ser estendida, caso o Galo e o Inter vacilem neste domingo, o que não é nada impossível.

Afinal, o líder Atlético Mineiro vai ao Barradão enfrentar nada menos do que o Vitória, time que vem se mantendo ali no topo da tabela há muito tempo, e, que, em casa, é sempre osso duro de roer. E o Inter simplesmente tromba com seu eterno rival, Grêmio, no Olímpico, em jogo que, dizem, definrá o destino de Tite à frente do Colorado.

Já o resultado estapafúrdio foi essa goleada do Goiás, por 4 a 1 e de virada, sobre o Flu, no Maracanã.

Não que o Goiás fizesse menos por merecê-la. Mas, que diabo!, o Flu é o Flu, nem tanto Flu como alguns de seus torcedores e dirigentes imaginam, mas ainda assim…

SANSÃO E LUXA  

São Paulo e Santos, até outro dia, seria um clássico merecedor de manchetes e grande expectativa. Neste domingo, huummm… Pode ser, não duvido, que tenhamos um jogo emocionante, de alto desempenho e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, ambos estão tão cheios de dedos que não me parece haver campo para pés mais adestrados.

Ricardo Gomes segue em busca de qualificar seu time, enquanto Serginho só aguardo o momento de passar o bastão temporário para Luxemburgo, que está de volta à Vila pela quarta vez.

Aí, o Peixe vai de vez? Quem sabe? Luxa é do ramo e o atual time do Santos tem lá suas vantagens e muitas desvantagens, que Mancini não soube superar. De qualquer forma, Luxa tem uma afinada especial com o presidente, o que já lhe dá um bom respaldo para remontar um time que estava ainda em fase de transição.

TUDO AZUL?

Nananina! Eis um jogo tenebroso para o Cruzeiro, embora seja disputado no Mineirão, o que lhe confere certa vantagem. E nada tem a ver com a capacidade técnica do vice-campeão da América, e tudo a ver com sua alma ferida pela perda da Libertadores em pleno Mineirão ainda outro dia.

Pois o Cruzeiro não só terá de vencer a funda decepção com a derrota para o Estudiantes como também o temor de cair na zona de rebaixamento, suprema humilhação para quem sonhava com o título mundial de clubes, na véspera.

Por seu lado, o Corinthians precisa desde já fincar pé para dar aquele salto em direção à tríplice coroa, e nenhum trampolim melhor do que esse: bater o poderoso Cruzeiro na casa do inimigo.

Vai ser de lascar.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , , ,
14/07/2009 - 17:22

CRUZEIRO, NOSSO GUIA

O Cruzeiro é Brasil, sim senhor, neste confronto com o Estudiantes de La Plata pelo título da Libertadores, no Mineirão. Confesso que me causa náuseas essa mania mais recente de adversários domésticos torcerem contra o time brasileiro que está disputando uma competição internacional. Isso é de uma mesquinharia atroz.

É o nosso Cruzeiro do Sul, guia dos timoneiros sem bússola, um rumo que deveria ser seguido por todos os demais times brasileiros, no sentido de que é um dos raros a preservarem em campo suas identidade histórica.

Basta dizer que, nestas seis décadas em que acompanho o futebol, seja como amante da arte, seja por dever de ofício, não me lembro de um Cruzeiro que não praticasse um jogo técnico, ofensivo, rigorosamente dentro dos ensinamentos da brilhante e vitoriosa escola brasileira.

Não receba, por favor, o amigo estas palavras como fruto de chauvinismo, patriotismo, ufanismo, ou qualquer outro desses ismos que não me tocam nem de longe. É apenas uma constatação.

Não sei se os azuis vão levar a taça, nesta noite de quarta, ninguém sabe na véspera o que esse jogo tão caprichoso nos reserva para o dia seguinte.

Afinal, o Estudiantes é um bom time, que sabe tocar a bola bem ao estilo argentino do toco y me voy, orquestrado por um maestro no meio-de-campo, o eterno Verón.

Mas, desconfio que dá Cruzeiro, com gol de Kléber, o Gladiador, e outro, de despedida de Ramires. Pelo menos, torço, confesso, que assim seja.

DANÇA DO DIABO

Quem acompanha o futebol por um bom tempo não mais se surpreende com essa Dança do Diabo, como intitulou seu antigo livro de memórias o ex-técnico Francisco Sarno.

A surpresa é que, apesar de tantas vagas abertas, treinadores do porte e fama de Luxemburgo, Parreira e Muricy estejam por aí à deriva, assim como o emergente Mancini, que caiu sob uma chuva de ovos, o que me remete à velha máxima lusitana repetida pelo saudoso Oto Glória: sem ovos, não se faz omelete. (Os ovos a que ele se referia eram aqueles que entram em campo, não os que a torcida fez explodir nas janelas do ônibus santista).

A explicação é mais simples do que parece: grana. Grana e um certo desfastio desses técnicos.

Sim, porque os clubes começam a desconfiar que, com o nosso calendário, com tão pouco espaço oferecido ao técnico para treinar adequadamente suas equipes, mais os cofres vazios por tantas razões, o melhor é transferir os vultosos investimentos nos chamados treinadores de ponta para reforçar o elenco, abrindo espaços para interinos ou emergentes que possam tocar o barco mais ou menos da mesma maneira a um custo infimamente menor.

Mas, enfim, isso tudo pode ser apenas circunstancial. Amanhã, o Muricy assume o Santos; Parreira, o Palmeiras; Luxa, o Inter, ou até se associe com um clube de menor expressão, essas coisas, e tudo volta ao normal.

O problema todo é que, com o advento do Brasileirão por pontos corridos, mais o renascimento da Libertadores para nossos clubes (a Copa do Brasil se insere nesse cenário continental), os chamados clubes grandes brasileiros ainda não caíram na nova realidade, muito diferente daquela dos tempos em que os estaduais eram reis.

Naqueles tempos, eram de dois a quatro clubes disputando o título principal da temporada, em cada estado. No máximo, o jejum seria de três anos.

Hoje, são, por baixo, dez clubes dos grandes centros, sem contar as eventuais surpresas, competindo pelo cetro nacional. Pela lei das probabilidades, cada um poderia levar a taça de nove em nove anos. Uma eternidade para nossa cabecinha.

Acrescente aí o risco de rebaixamento, suprema vergonha para os bambambans do pedaço.

Cartola, mídia e torcida nem de longe enxergam as campanhas dos grandes sob essa perspectiva. Ao contrário, se tal clube, que investiu numa comissão técnica de nível e em alguns bons jogadores, não vestir a faixa de campeão, no mínimo, é um fracasso retumbante, mesmo que seja vice.

Só o tempo mudará essa ótica. Se mudar. Enquanto isso, todos continuaremos a seguir os passos da Dança do Diabo.

E AÍ VEM MAIS

Vem aí a décima primeira rodada do Brasileirão, com boas possibilidades de novas cabeças rolarem Ou, de algumas periclitantes se salvarem.

É o caso do interino Jorginho, no Palmeiras. Vai que o Verdão faça bela figura diante do Mengão, no Maracanã, cujo gramado foi destroçado pelo show do Roberto Carlos.

Se o presidente do Palmeiras já começa a acalentar a ideia de mantê-lo até onde der, terá de se render às evidências e soldar a permanência do atual treinador, que, cá entre nós, só precisa de um tempo para provar sua competência.

Afinal, o Flamengo vem muito bem, obrigado, e joga em casa, o que é sempre um grande negócio para os rubro-negros.

Outro que poderá se firmar um pouco mais, no conceito da mídia e da torcida, é Ricardo Gomes, cujo São Paulo vai ao Mineirão pegar nada menos do que o Galo forte, vingador e líder isolado do torneio.

Para tanto, muito contribuirá se o técnico tricolor olhar mais adiante e configurar seu time nos padrões mais modernos, com apenas dois zagueiros e um meio de campo mais ágil e hábil.

E Tite, desse Inter tão decantado no início da temporada e que, além das quedas na Copa do Brasil e na Recopa Sul-Americana, vem de derrota para o Furacão? Dizem que se u prazode validade vai até o Grenal. Mas, se fizer fiasco diante de um Fluminense acéfalo, na zona do rebaixamento e tal e cousa e lousa e maripousa, sei não se Tite chega até lá.

Por fim, quem não tem que provar nada é Mano Menezes (nem podia ser diferente), que recebe no Pacaembu o Sport, time de campanha mediana no campeonato.

Mas, atenção, pode perfeitamente enfrentar certa turbulência, pois o Corinthians jogará desfalcado de sete titulares, dentre eles, Elias, que o Fenômeno, outra noite, no Bem, Amigos, classificou como o melhor jogador brasileiro da atualidade.

Será a chance de Jucilei, de tantas expectativas, comprovar que está apto a assumir o lugar do titular, um dos cogitados, aliás, para pular pela janela européia de contratações.

Elias, embora tenha jogado muito pouco na derrota por 3 a 0 para o Grêmio, tem sido uma das âncoras do Corinthians, nesta gloriosa campanha do seu time. 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Libertadores, Treinadores Tags: , , , , ,
29/05/2009 - 00:30

NOITE PARA LUXA NÃO ESQUECER

Foi uma noite para Luxemburgo apagar de seu glorioso memorial, mas preservar viva em sua memória, para nunca mais repetir tamanho equívoco.

Contra um Nacional retrancado desde os tempos das Missões, Luxemburgo colocou seu Palmeiras no Palestra Itália com tr~es beques de ofício, mais dois volantes de contenção, um armador e dois atacantes. E naufragou nessa barca furada, abraçado a todos eles.

Palmeiras x Nacional-URUNesse interregno, fez uma mixórdia, trocando ainda no primeiro tempo o volante Souza pelo centroavante estreante Obina e o ponta Marquinhos para atuar como lateral no lugar de Capixaba.

Não exatamente por isso, pois o time era um pastiche em campo, mas, sim, pelo talento individual de Diego Souza, o Palmeiras fez 1 a 0 aos 10 do segundo tempo.

Foi o bastante para Luxemburgo trocar o artilheiro Keirrison pelo volante Jumar. Resultado: 1 a 1, gol de Garcia.

Isso, sem contar as duas defesas providenciais de Marcos no primeiro tempo, muito mais do que fez o goleiro uruguaio (qual é mesmo o nome?). Quer dizer: com tanta gente para se defender de um time que jogava entrincheirado em seu campo, ainda assim, Marcos é forçado a praticar defesas difíceis.

E o mais patético era ver Luxemburgo à beira do campo esbravejando para seus zagueiros tocarem a bola, em vez de dispararem chutões a esmo.

Ora, ora, você enche o time de zagueiros e quer que seu time toque a bola? Isso não faz jus à história de Luxemburgo e de nenhum técnico medianamente perspicaz.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores Tags: , , ,
28/04/2009 - 19:34

PALMEIRAS E BARCELONA POR UM FIO

O Palmeiras tenta salvar seu primeiro semestre, em Santiago, contra o Colo-Colo, onde e quando uma vitória basta para levar o time à próxima fase da Libertadores e, sobretudo, a uma reflexão mais profunda do que ocorreu com essa equipe que iniciou o ano em alta e acabou ficando de fora da decisão do Paulistão e enroscada num fio de esperança na Libertadores.

Desconfio, embora evitando apostar todas as minhas fichas nisso, que as duas escorregadas recentes do Palmeiras – na reta final do Brasileirão e na do Paulistão – estão ligadas à mudança de conceitos de Luxemburgo, que abraçou, nas duas ocasiões (com Martinez e Marcão), o conceito dos três zagueiros, que ele tanto refutou no passado.

Mas, podem ter sido outras as causas, ainda mais relevantes, não sei. Só sei que o Palmeiras terá de ser fluente e ofensivo lá em Santiago, onde apenas a vitória interessa, diante de um Colo-Colo, que, se já não é uma potência dos Andes, segue a escola argentina de tocar a bola até o adversário arriar de tédio.

E esse é o grande risco: se o Verdão não tiver um meio-campo ao mesmo sólido, hábil e numeroso o suficiente para impedir isso, corre o sério risco de voltar de lá lamentando todo esse tempo perdido.

AH BARÇA…
O Barcelona plantou a bandeira catalã no campo inglês, e passou o tempo todo assediando a área inimiga, protegida por sólida muralha, em vão. O Chelsea sequer arriscava sair em contragolpes, com duas exceções no primeiro tempo, quando o perigo rondou a meta de Valdés, mais por erros da defesa do que por acertos do ataque inglês.

Resultado: a classificação para a final ficou por um fio.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Futebol internacional Tags: , , , , , ,
09/03/2009 - 14:55

A MANCADA DE LUXA

Absolutamente desproporcional ao que aconteceu em campo foi a intempestiva reação do técnico Luxemburgo, depois do clássico de domingo. Ainda mais diante da dimensão histórica daquele momento representado pelo gol de Ronaldo, na sua terceira volta aos gramados.

Mesmo porque o clássico em si e seu resultado de 1 a 1 foram decepcionantes e nem de longe arranharam a brilhante campanha do Verdão no campeonato, que continua líder, com a folga de um jogo a menos.

O primeiro tempo foi um longo bocejo, sob o calor infernal de Prudente, e o segundo um tanto mais movimentado, em que o Palmeiras, depois de saltar na frente como consequência de falha brutal do goleiro Felipe, que Diego Souza soube aproveitar com astúcia e habilidade, teve duas ou três boas chances de ampliar o placar, em contragolpes.

O juiz, alvo de toda a indignação de Luxemburgo, errou, mas muito menos do que os jogadores de parte a parte. Errou menos, diria, do que o próprio Luxemburgo, que abriu mão de seus princípios para armar uma retranca feroz com três becões lá atrás, mais um quarto na lateral-esquerda, além de dois volantes de contenção.

Não sou analista da alma humana, mas desconfio que Luxemburgo transferiu para a arbitragem sua própria autocondenação.

Entende-se, mas não se justifica.

Afinal, Luxa, pela idade, experiência e títulos conquistados, já deveria saber domar seus impulsos em nome da grandeza de seu currículo e de seu status como um dos maiores treinadores da história do nosso futebol. E olhe que vi muitos.

E O TRICOLOR, HEIN?

Perder para o Mogi, então lanterna do campeonato, faz parte, é do jogo, ainda mais jogando com seu time reserva… Mas, peraí, que time reserva foi esse? Vá contando, meu amigo: Rogério Ceni, Miranda, Rodrigo, Júnior César, Hugo, Richarlyson, Joílson, Dagoberto – os que não têm sido titulares absolutos o eram até outro dia.

Não havia ali nenhum juvenil, nenhum recém-chegado em fase ainda de adaptação, essas coisas. Todos já estão treinados e condicionados ao esquema de Muricy e tal e cousa e lousa e maripousa.

Então, como justificar desempenho tão pífio?

Se bem analisada, a performance dos reservas do São Paulo, domingo, não foi muito diferente das que os titulares têm oferecido, quando em tardes ou noites menos inspiradas. Ou melhor: menos sincronizadas.

Sim, porque o São Paulo tricampeão brasileiro é basicamente sincronia, na repetição dos mesmos movimentos e ações. Repete, não cria. Se todas as peças funcionarem de acordo com a programação, jóia. Se o movimento coletivo, falhar e a bola parada não resolver a questão, quem é capaz ali de inventar, criar uma solução individual?

Nem Muricy, o técnico. Só um Muricy, o jogador.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros Tags: , , , , ,
03/02/2009 - 16:45

VERDÃO, LÁ EM CIMA

Afivele sua máscara de oxigênio que vamos subir o morro atrás Palmeiras, que, nesta noite, pega o Real Potosi lá nas alturas, por uma vaga na fase da Libertadores pra valer.

É verdade que o Verdão fez essa escalada de quatro dias levando na bagagem o tesouro dos 5 a 1 que enfiou no Real, aqui no nível do mar. É diferença pra chuchu, convenhamos, o que praticamente assegura a sobrevida do Palmeiras na Libertadores.

Ah, mas dirá o implicante amigo, o Cruzeiro, que já foi um dia Palestra Itália como o Palmeiras, esteve lá, há pouco tempo, e levou justamente de 5 a 1, placar gêmeo.

Tudo por conta dessa maldita altitude de mais de 4 mil metros, que, sim, golpeia os pulmões dos caras, mas também atua na cabecinha da turma, provocando o tal efeito psicossomático.

E é para evitar ou amenizar esse segundo efeito que Luxemburgo está fazendo uma lavagem cerebral nos seus atletas. Resumindo o discurso do técnico: o bicho não é tão feio quanto parece se fingirmos que ele não existe.

Pode funcionar, sobretudo se o Palmeiras reproduzir lá em cima o futebol que tem praticado aqui embaixo, por, pelo menos, dois terços da partida.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores Tags: , ,
30/01/2009 - 14:24

VERDÃO NAS ALTURAS

O Palmeiras já está subindo o morro para sacramentar, lá nas alturas de Potosi, a vaga na fase pra valer da Libertadores que praticamente conquistou ao meter 5 a 1 no Real, no Palestra Itália, nesta quinta-feira.

E que 5 a 1 emblemático foi esse, com direito a mai dois gols de Keirrison, outro de Cleiton Xavier e o primeiro de Edmílson com a camisa verde, os três jogadores que deram um novo perfil ao Palmeiras nesta arrancada imprevista e extremamente animadora no início da temporada.

Os três, que desembarcaram outro dia no Palestra, assim como o colombiano Armero e o baiano Willians, passam a sensação de que há anos estão por ali batendo sua bola de valor.

Não é possível, em casos como esse, deixar de exaltar a ação do treinador. Sobretudo, quando se trata de Luxemburgo, de quem se pode não gostar por isso ou aquilo, mas que, armando um time de futebol, é capaz de prodigiosos desse tipo, sim, senhor. 

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores Tags: , , , , , ,
16/11/2008 - 18:58

URUBU DE CASACA

Foi uma tarde de gala do Flamengo no Maracanã, contra um Verdão atrapalhado na defesa, mas disposto sempre a buscar a vitória, mesmo quando a desvantagem era de dois gols, o que se repetiu ao longo de um jogo que honra a ofensiva escola brasileira de futebol, contrariando a imensa maioria dos jogos chatíssimos que marcaram este Brasileirão.

A formação com três zagueiros do Palmeiras foi um buraco só, sobretudo porque Roque Jr., querendo fazer tudo acabou, fragmentando o setor. E, Luxa, em fase de inferno astral, jamais conseguiu consertar as falhas do time, mesmo porque, inexplicavelmente, abriu mão de contar com Denílson.

Já o Flamengo, sob a inspiração de Ibson, autor de três gols, e de Kleberson, com duas assistências e um gol, chegou aos 5 a 2 com autoridade e alegria. Ibson e Kleberson jogaram demais!

E o Fla volta à luta. Não só por uma vaga na Libertadores, mas, agora, também novamente com chances de disputar o título, enquanto o Palmeiras, torturado pelos últimos dois maus resultados e a reação da torcida no dia do embarque para o Rio, sei não, vai ter de buscar forças nas entranhas.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , , , , , ,
04/11/2008 - 14:32

PALMEIRAS, BOTA E INTER

Pelo visto, Luxemburgo resolveu jogar a toalha na Copa Sul-Americana. Afinal, enviou uma delegação de apenas catorze jogadores para Buenos Aires, com vistas ao jogo contra o Argentino Juniors, na noite desta quarta-feira.

O grosso da turma ficou por aqui mesmo, treinando, de olho no Grêmio, jogo-chave para ambos na corrida em direção á taça do Brasileirão. Mas, pelo sim, pelo não, Luxa não mandou pra lá a rebarba, não. Aqui e ali preencheu com alguns titulares, como Kleber, que não poderá enfrentar o Grêmio, Denílson, seu décimo-segundo jogador, Martinez e tal e cousa e lousa e maripousa.

Quer dizer: jogou a toalha mas não muito longe: um pé em cada canoa, na esperança de que as duas se mantenham à tona.

Já Botafogo e Inter não podem se dar a esse luxo. Para os dois, que têm ralas chances de chegar até mesmo à zona da Libertadores, o negócio é tentar salvar os dedos nesta temporada. Nesse sentido, a Copa Sul-Americana vem a calhar.

Dos dois, o Inter é o que está um passo à frente, embora seu adversário, na quinta à noite, seja um papão de títulos internacionais como poucos neste hemisfério – o Boca. Mas, será o Boca mesmo? Pois, no Beira-Rio, foi um Boca reserva e o Colorado soube se aproveitar disso e fazer o placar que lhe dá boa vantagem lá: 2 a 0. 

Quanto ao Botafogo, que pega o Estudiantes, na quarta, a desvantagem é significativa, pois perdeu a primeira, na Argentina, por 2 a 0. E o Estudiantes, embora não seja aquele bicho feroz dos anos 70, tem lá seus Veróns que provocam muito calor em qualquer adversário, mesmo jogando no Engenhão.

Enfim…

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa Sul-Americana Tags: , , , , , , , ,
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