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Posts com a Tag Uruguai

quinta-feira, 7 de abril de 2011 Clubes brasileiros, Libertadores | 02:42

SÓ O PEIXE NESTA NOITE

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Só o Santos, dentre os brasileiros desta quarta de Libertadores, cumpriu seu dever, vencendo o Colo Colo na Vila, por 3 a 2, o que lhe deu uma sobrevida na competição.

E o fez em grande estilo até o momento das expulsões de Neymar e Zé Love, já no segundo tempo, quando o placar replicava em números o que os peixeiros haviam feito em campo: 3 a 0, com direito a gol antológico do menino Neymar, que limpou dois, aplicou um lençolzinho noutro, tirou do goleiro e guardou.

Aí, literalmente, Neymar meteu a máscara na face e tomou o segundo amarelo e o vermelho, por conseguinte, como manda o livrinho com todas as letras.

O Colo Colo, com um a mais, partiu pra cima, fez seus dois gols no finzinho,e deixou a Vila de onze mil Neymares de fantasia com os cabelos em pé.

TRAGÉDIA EM DOIS ATOS

Já o Flu foi uma tragédia em dois atos no lendário palco do Centenário, em Montevidéu.

No primeiro, até que se atirou ao ataque e poderia ter aberto o placar. Mas, no segundo, a deixa de Garcia, que usou Berna como escada, desmontou todo o cenário tricolor criado antes e tirou a fala do Flu, que se desmilinguiu em cena.

E, a não ser que transforme a tragédia em epopeia, no terceiro e último ato, diante do Argentino Juniors, lá,o campeão brasileiro se retira definitivamente para as sombras dos bastidores da Libertadores.

O ANTI-INTER

Só me convenço de que foi o Inter, aquele time de branco que perdeu por 1 a 0 para o Jaguares, se me provarem com certidão passada em cartório.

Sim, porque o futebol opaco, sem o menor traço de criatividade e inócuo apresentado por aquele time de branco é justamente a antítese do colorido Colorado que estamos acostumados a ver na Libertadores.

Mas, se aquele time de  branco for mesmo o Inter, o que se prenunciava um galopinho manso em direção à próxima fase da Libertadores pode se transformar num traiçoeiro obstáculo na reta final.

COPA DO BRASIL

Com dois gols de Loco Abreu, sempre ele!, o Botafogo se livrou em casa do Paraná, por 3 a 0, com certa facilidade. O mesmo não se pode dizer do Vasco, que teve de virar em cima do ABC, graças ao menino Bernardo.

Assim como o São Paulo que, apesar de dominar o jogo com o Santa Cruz, na Arena de Barueri, sofreu o diabo para vencer por 2 a 0 e garantir sua permanência na Copa do Brasil, num jogo em que se presenciou uma cena inusitada: Rogério, o goleiro dos cem gols, creiam, perdeu um pênalti por pura soberba, ao tentar a cavadinha que Thiago Cardoso pegou com facilidade.

Mas, não foi por isso que o Tricolor paulista sofreu diante da severa marcação do Santa. Foi porque, depois de encetar uma blitz sobre o adversário no início do jogo que resultou no gol de cabeça de Rhodolfo, e desperdiçar outras cinco chances, levou quase a metade do segundo tempo para se aproveitar da expulsão do zagueiro pernambucano na marcação do pênalti lá atrás.

Só, então, Carpegiani trocou um dos três zagueiros pelo atacante William José, que fez a parede para Ilsinho marcar o segundo gol tricolor.

Enfim, de todos os favoritos desta rodada da Copa do Brasil, apenas o Galo conseguiu tropeçar diante do Prudente, lanterninha do Paulistão. Que fase, hein?

Notas relacionadas:

  1. NOITE DE GALA TRICOLOR
  2. NOITE TRICOLOR
  3. FLU E PEIXE NA HORA DA MORTE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

domingo, 13 de fevereiro de 2011 Futebol internacional, Seleção Brasileira | 02:27

A CARA DO BRASIL

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Foi uma festa como raramente se vê num campo de futebol. Mais do que uma festa brasileira, a celebração do que o futebol pode oferecer de melhor, em qualquer categoria, em qualquer tempo e em qualquer lugar do mundo.

Tome tento, meu amigo. Era uma decisão não apenas do título sul-americano, mas também de uma vaga para as Olimpíadas, ameaçada pela vitória argentina contra a Colômbia, no jogo que precedeu ao nosso.

E quem era nosso adversário. Nada menos que o Uruguai, a Celeste Olímpica, que encerrava o hexagonal final em primeirão, com o passaporte para Londres carimbado e passado em cartório.

O Uruguai que sempre nos faz ressuscitar fantasmas do passado, embora esses se esfumem num piparote a cada vez que nos enfrentamos. Vão, mas voltam.

O Uruguai que passou sua gloriosa vida afiando suas defesas, suas retrancas, sempre temperadas por um grau de empenho que raia a violência.

Pois, foi esse Uruguai que nossos meninos destroçaram, numa exibição impecável de arte e eficiência: 6 a 0! Isso mesmo, meia dúzia de cocos nas redes deles, cada um mais bem elaborado do que o outro.

E, quem abriu e fechou a porteira foi o garoto Lucas, a maior revelação do futebol brasileiro no ano passado, e o craque do jogo. E não foi na marra, não, em três atos heroicos, desses conquistados no peito, no sangue, na raça, como nossas mais recentes gerações cultuam como se isso fosse futebol.

Nada disso, foi na habilidade, na ginga, no drible e na finalização certeira que Lucas desenhou o nosso futuro, com os traços graciosos e letais da nossa tradição.

Assim como o sucederam no pódio da partida Neymar, o artilheiro histórico do Brasil nessa disputa, e Oscar, dois meninos de toques refinados e muita inventiva.

Claro, todos os demais contribuíram com generosas parcelas de técnica e dedicação, mas, ao longo de toda a disputa – e, sobretudo, nesta conquista histórica – Casemiro, um volante que sabe jogar (e como!), Lucas, Neymar e Oscar foram os que deram o tom de um Brasil que começa a recuperar sua identidade, sua cara e sua alma.

Notas relacionadas:

  1. O CIVILIZADO MANO
  2. SHOW DE QUEM? DE CASEMIRO!
  3. DIEGO MAURÍCIO, UFA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

sábado, 10 de julho de 2010 Copa do Mundo | 17:56

ALEMANHA, COM JUSTIÇA

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O jogo foi disputado sobre o fio da navalha, literalmente, até o último lance, depois de Kiessling perder gol feito – aquela falta cobrada por Forlán, no travessão, . Dez centímetros pra baixo, e iríamos para a prorrogação, e, quem sabe, aos pênaltis, com desfecho imprevisível.

Mas, creio que se fez justiça: ao aguerrido, quando não heroico Uruguai, o quarto lugar, honrosa e inesperada posição para um time que, se não encantou pela técnica, comoveu pela entrega.

E, o terceiro lugar, prêmio de consolação para a Alemanha, time que ofereceu os momentos mais emocionantes e belos da Copa, praticando um futebol leve, inteligente, ofensivo e irradiando juventude de um grupo de garotos que ainda darão muito o que falar.

No toque da jabulani, especificamente, na revirada por 3 a 2 dos alemães, vale dizer que, mesmo desfalcada de alguns jogadores-chave, como o lateral Lahm e o atacante Podolski, dominou a maior parte do jogo, e criou as melhores chances para marcar.

Grande jogo e sugestivo prenúncio para a final deste domingo.

Notas relacionadas:

  1. UNIÃO É GRUPO
  2. O CIVILIZADO MANO
  3. ESPANHA, OLÉ!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

terça-feira, 6 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 19:14

O CIVILIZADO MANO

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Felipão já disse que pretende cumprir seu compromisso com o Palmeiras até 2012, quando, então pensará na possibilidade de dirigir uma seleção para a Copa do Mundo no Brasil.

Claro, macaco velho, sabe que quem entrar agora no lugar de Dunga, terá de enfrentar um bombardeio da opinião pública imenso, Mesmo porque passará os próximos dois anos testando um novo grupo, o que é sempre mais arriscado do que herdar um time já ajustado. Felipão, porém, por sua personalidade, reforçada pela aprovação praticamente unânime da crônica e do torcedor, seria a tábua de salvação para o presidente Ricardo Teixeira, inteiramente envolvida nas questões de preparação da próxima Copa. É entregar a rapadura para Felipão, e deixar a vida lhe levar.

Se realmente, Felipão não assumir a Seleção, resta como segunda alternativa outro gaúcho: Mano Menezes, já que Luxemburgo – tecnicamente, o melhor de todos, mas tão enrolado em outros tantos negócios que é sempre um pacote complicado, na cabeça do cartola e da mídia – parece fora do páreo, por enquanto.

Mano é um sujeito civilizado, e com experiência suficiente para assumir o cargo e selecionador do Brasil.
Talvez, seja, no momento, a melhor solução. Depois, só Deus sabe.

Fala-se em Leonardo, se não para técnico do Brasil, pelo menos como um coordenador de seleções. Não me parece má ideia. De qualquer forma, a Seleção Brasileira carece, ao menos, de um diretor de futebol, alguém com autoridade, competência e visão para mudar todo aquele esquema já desgastado da comissão técnica.

Alguém que tenha um nível de conhecimento sobre futebol que transcenda esse ramerrão vigente. Que mude a perspectiva fechada em resultados. Capaz, enfim, de retornar a Seleção ao caminho que lhe é devido: um time que jogue de acordo com nossa gloriosa história. E que tenha peito para segurar essa onda, nas vitórias e nas derrotas.

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Mano Menezes e Felipão em charge de Milton Trajano

HOLANDA, CLARO

O Uruguai rasgou o coração, mas deu Holanda, claro. Parodiando o Poetinha, raça é importante, mas, que me perdoem os pragmáticos de plantão, técnica é fundamental.

E a Holanda é, tecnicamente, mais bem dotada do que o Uruguai, que, por força das circunstâncias (muitos desfalques) teve de recorrer ao seu velho chavão: um time todo fechadinho lá atrás, à espera de uma chance de contragolpear mortalmente o adversário.

E assim foi. A Holanda com a bola nos pés, dominando cerca de dois terços da partida, com poucas chances reais de gol, é verdade, mas cevando o momento certo de dar o golpe fatal.

E isso se deu logo aos 17 minutos do primeiro tempo, com um disparo de canhota fenomenal de Von Bronckhorst lá do meio da rua, no ângulo esquerdo do goleiro.

Bem que o Uruguai, que deu seu primeiro chute a gol aos 35 minutos, chegou ao empate, com Forlán, também num tiro longo em que o goleirão holandês bobeou.

Mas, em dois minutos, no segundo tempo, dos 26 aos 28, os holandeses definiram a vitória, com Sneijder e Robben, de cabeça.

Sim, é verdade, o Uruguai pressionou no finzinho, depois do gol de Max Pereira, já aos 46 minutos, mas nada que colocasse em risco a vitória holandesa, justa e merecida.

Assim, os holandese vão para sua terceira final de Copa do Mundo, o que é um prodígio para um futebol que praticamente só se profissionalizou no final dos anos 60, embora o praticasse desde sempre, mas num nível quase amadorístico.

Já o Uruguai, que teve seu apogeu nos anos 20/30/40/50, pela primeira vez nas últimas décadas chega tão longe numa Copa do Mundo.

E chegou justamente porque trocou a retranca dos últimos tempos, essa aposta furada no machismo, na marcação, na violência até, por um jogo mais arejado, ofensivo, claro, dentro de suas limitações.

Quando teve de voltar ao lugar-comum, dançou.

ALEMANHA OU ESPANHA?

Alemanha ou Espanha? Confesso, meu coração balança. Balança entre o jogo fluente, técnico e ofensivo da Alemanha e o toque-toque da Espanha, herdado do nosso futebol, via Barcelona.

Se Fábregas, sob observação médica, puder jogar, a Espanha terá mais chance de impor seu jogo envolvente, quase hipnótico. Não perderá tanto, nesse sentido, se o escalado for David Silva, um canhoto habilidoso que compõem bem a parceria com Iniesta e Xavi no meio de campo.

Mas, se Del Bosque insistir com Torres lá na frente, sou capaz de apostar uma maria-mole que Khedira, Schweinsteiger, Ozil e Muller tomarão conta do setor e os espanhóis sofrerão o fogo do inferno.

De qualquer forma, um jogo de se assistir com o champanha gelando ao lado.

Notas relacionadas:

  1. SERÁ PATOLÓGICO?
  2. SEM FELIPE, JOSUÉ?
  3. DOIS JOGAÇOS À VISTA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 1 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 14:44

OLHO NA ESQUERDA

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Direto de Johanesburgo – Até onde se sabe dessa ostra em que a Seleção se transformou, Felipe deve voltar ao time e Daniel Alves segue no lugar de Elano, que, pelo jeito, não voltará a campo nesta Copa, embora o médico, logo depois da contusão, tivesse anunciado a pronta recuperação do jogador.

Elano é um dos preferidos de Dunga, pois tanto faz a função de volante, como descai para a direita, de onde lança bons cruzamentos. Mas, Daniel Alves, além de cumprir o mesmo papel, é mais ágil e agitado. Não sei se perdemos muito com a ausência do titular.

Esse, aliás, não deve ser o nosso maior  problema para o jogo desta sexta-feira com a Holanda. O nó está ali na lateral-esquerda, onde Michel Bastos está em fase de readaptação. Por ali costuma jogar Robben, o craque maior da Holanda.

A exemplo de Messi e do nosso inesquecível Mário Sérgio, dois canhotos que gostam e gostavam de jogar pela direita, Robben, mesmo ainda sem suas melhores condições físicas, faz desse seu pedaço. Ali, cria e fulmina.

Dunga, obviamente sabe disso, e, deve, no treino secreto, ter desenvolvido uma proteção especial para Michel Bastos, espero. Mas, como tudo, nessa Seleção é mistério…

Por outro lado, cabe-nos explorar as eventuais falhas do adversário.

E quais são?

Basicamente, a dupla de zaga, formada pelo experiente, mas impreciso Heitinga, e por Mathisen. Ambos recebem a proteção de Van Bommel, mais um armador do que marcador, e Jong, de técnica relativa.

Assim, se Kaká, Robinho e Luís Fabiano estiverem inspirados, dificilmente o Brasil deixará de seguir em frente nesta Copa.

CELESTE NAS ESTRELAS

Há muitas Copas a Celeste Olímpica não cumpre campanha tão promissora. Sei lá, talvez, desde 1970, se a minha falha memória não falha, quando foi eliminada, em jogo duríssimo, por aquele timaço brasileiro, a melhor Seleção do mundo de todos os tempos, na minha modesta opinião. E, da Fifa, também.

Não, não é um esquadrão inesquecível esse time uruguaio, longe disso. Não tem aqui um Schaffino, um Pedro Rocha, um Francescolli, enfim, um desses craques que fazem história e organizam qualquer equipe.

Mas, conseguiu se ajeitar durante a Copa, com uma defesa raçuda comandada pelo nosso mui conhecido Lugano, e formar um trio atacante interessante, com Forlán, na armação, Cavani e Luisito Suarez na complementação.

Pega, nesta sexta-feira a única remanescente das seleções africanas que por aqui passaram, Gana, de futebol agressivo, veloz, mas um tanto desconjuntado e impreciso nas finalizações.

Gana, porém, tem três jogadores, pelo menos, que merecem especial atenção: o meia Muntari, da campeoníssima Inter de Milão, o experiente Appiah, do Bolonha, e Gyan, do Rennes da França. Jogadores rodados na Europa, de certa qualidade, que podem complicar a vida dos uruguaios.

Mas, pelo visto até aqui, a Celeste tem seu nome gravado nas estrelas.

BRIGA DE CACHORRO GRANDE

Maradona e seus discípulos, com sede de vingança de Copas passadas, provocaram a dar com o pau os alemães, que, por sua vez, revelaram inusitada irritação. O jogo deste sábado, portanto, deve ser disputado num clima emocional até agora inusitado nesta competição.

Prevê-se muita catimba e até atos de violência, se o juiz não souber dosar suas decisões, o que contraria as estatísticas das duas equipes nesta Copa, pelo menos. O fato é que, nos planos tático e técnico, a Alemanha leva vantagem no primeiro, por ser um time mais compacto e objetivo, e a Argentina, no segundo, graças sobretudo ao talento de Messi e de Tevez. De qualquer forma, ambos jogam ofensivamente e a promessa de muitos gols adensa-se com a chegada da hora da partida.

ESPANHA X PARAGUAI

Quanto ao outro jogo do sábado, a Espanha é franca favorita. É tecnicamente muito superior ao aguerrido Paraguai, que, apesar do péssimo desempenho contra o Japão, melhorou muito nos últimos tempos nos quesitos toque de bola e ataque.

O diabo é ver que o sempre ponderado Vicente Del Bosque não conseguiu achar uma fórmula para incorporar a bola redondinha de Fábregas a esse time. Mesmo a Espanha perdendo um pouco do dinamismo na troca de bola do meio-campo ao ataque, pela presença de dois excelentes volantes – Alonso e Busquets – mas por demais retraídos.

Contudo, nessas questões de mata-mata, onde o imponderável ganha maior presença, superioridade técnica nem sempre decide o jogo.

Notas relacionadas:

  1. UM FESTIVO DIA DE CÃO
  2. A VEZ DO MALANDRO
  3. E A COSTA DO MARFIM?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 10 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 15:33

A VEZ DO MALANDRO

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Direto de Joanesburgo - Como versava o velho samba, agora é que eu quero ver/ quem é malandro não pode correr.

Na verdade, malandragem, nessa Seleção do Dunga, está fora. Nem a saudável malandragem do passado, que se confundia com inventividade, habilidade e ousadia. Muito menos a deletéria, aquela feita de furtivas escapadas noturnas, de indisciplinas geradas pela vaidade ou pela indolência deste ou daquele.

A turma é disciplinada, coesa e come na mão do técnico, que rosna para toda sombra que passar à porta da concentração, amiga ou inimiga. Esquema, táticas, escalação, até mesmo as possíveis alterações estão devidamente delineados na prancheta do professor, que os jogadores seguem à risca.

Obviamente, muito melhor do que a bagunça. Mas, não tão edificante como alternativas mais transparentes e criativas sugerem.

A entrevista de Elano, nesta quinta-feira revela bem esse espírito. Justamente ele, que deveria dividir o setor de criação de jogadas do time, prefere se autodefinir como um eterno coadjuvante.

De fato, são todos coadjuvantes, talvez com exceção de Kaká e Robinho, que quebrou a lei do silêncio imposta pelo treinador para dar uma entrevista à Rede Globo, no dia de folga dos jogadores.

Mas, enfim, como em todas as Copas que entramos, desde 38, o Brasil é um dos favoritos à conquista. E isso é bem possível.

Raciocine comigo, companheiro: o jogador médio brasileiro é, em regra, superior, tecnicamente, ao jogador médio estrangeiro. A maioria das seleções é composta de jogadores médios.

Logo, se, por acidente qualquer, um Cristiano Ronaldo, um Messi, um Rooney, um Drogba, um desses poucos craques que desequilibram em seus times, estiver de fora na hora do confronto com o Brasil, nossas chances de vitória triplicam.

Portanto, como dizia o sambista maior, Cyro Monteiro, sempre que adentrava um recinto, quem é de bênção, bênção! Quem é de saravá, saravá!

charge daniel alves messi

Charge com Daniel Alves e Lionel Messi, por Milton Trajano

Treino secreto

O céu de Joanesburgo amanheceu com algumas nuvens brancas e esparsas, anunciando o frio que invadiria o dia e a noite. De manhã, nossos craques participaram de um treino secreto, que, segundo consegui apurar, na verdade, foi um coletivo.

Detalhes? Só consultando um oráculo.

À tarde, um treino alemão, em que o campo foi reduzido à metade e cinco equipes de quatro ou cinco jogadores, se revezavam, cada um vestindo uma cor diferente: branco, azul, verde, vermelho e verde.

O frio, já então, era de rachar, mas a moçada mexeu-se pra valer.

O mais importante da história toda é que Júlio César treinou com tudo, sem revelar nenhuma restrição aos seus movimentos.

Ao contrário, houve um lance em que ele foi simplesmente espetacular, defendendo três bolas atiradas cara a cara, em sequência. Coisa de cinema!

Melhor boa nova não poderia haver, pois nossa defesa é excelente, sem dúvida. Mas, muito da sua proficiência se deve ao goleiraço Júlio César, um paredão, como gostava de dizer o saudoso e até hoje insuperável Mário Moraes.

Bafanas em alta

África do Sul e México abrem a Copa nesta sexta-feira. Não se trata, claro, de um espetáculo inesquecível, a não ser pelo ritual próprio do maior torneio de futebol do mundo.

Os bafana-bafana estão entusiasmados com sua seleção, que é, tecnicamente, fraca. Mas, que, sob o comando de Parreira e incentivada pela galera pode surpreender um México que outro dia vi enfrentando a Inglaterra e me decepcionou. Os mexicanos, porém, são guerreiros e jogo de Copa é outro departamento.

França em baixa

Em seguida, o Uruguai pega uma França desacreditada. Ambos campeões do mundo, feitos, porém, distantes no tempo. A  França, mesmo sem ter um Zidane, um Platini ou um Kopa, que a conduziram a um patamar superior na história, tem alguns jogadores que merecem respeito.

Henry, sua maior estrela, está em plena decadência. É reserva no Barça, pra não dizer mais. Benzema, a jovem promessa, não conseguiu se firmar no Real. Restarão, pois, Ribéry, astro do Bayern, Malouda e Anelka, que ressurgiram no Chelsea para que a França tente, nesta Copa, apagar a má campanha na Eurocopa.

Ingleses e argentinos

No sábado, entram em campo mais dois dos sérios candidatos ao título. A Argentina, imprevisível, por conta de seu treinador maluquete, Maradona, enfrenta a Nigéria, e a Inglaterra pega os EUA, uma pedreira, não pela qualidade do time norte-americano, mas, principalmente, por sua determinação. Contudo, se Messi e Rooney acertarem o pé, fatura resolvida.

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. COMEÇO ANIMADOR
  3. O VALOR DA TANZÂNIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 14 de outubro de 2009 Seleção Brasileira | 21:48

SEM FESTA, NEM CHORO

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Não foi a festa que Campo Grande esperava, mas também não foi nenhuma tragédia, esse empate sem gols do Brasil com a Venezuela, no estádio Morenão.

Em outros tempos, um placar desses, em qualquer campo, seria tratado como mácula indelével na alma do futebol brasileiro. Mas, hoje em dia, com o evidente progresso da Venezuela dentro das quatro linhas, sem, contudo, atingir um patamar superior no palco sul-americano, acaba sendo até aceitável, nas circunstâncias em que ocorreu; o Brasil classificado com folga e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, nem é por isso. É, sobretudo, porque, depois de um primeiro tempo deplorável, a nossa Seleção praticou um bom jogo, no segundo, principalmente a partir da expulsão (justa) de Miranda, que deixou o braço no rosto do adversário, por mais incoerente que isso possa parecer.

O fato é que passamos o tempo restante no campo inimigo, metemos duas bolas no poste venezuelano, em cabeceio de Gilberto Silva e colocada de Kaká, e pudemos ver alguns sinais muito positivos emitidos por Alex e Diego Tardelli, nos poucos minutos em que estiveram em ação.

Alex, sobretudo, pois entrou na lateral-esquerda, no lugar de Felipe Luís, que estreou muito timidamente.

Pena que ambos não tivessem entrado desde o início, já que são raras as chances de Dunga observar alguém além da turma já testada desde o início de sue trabalho.

Mas, enfim, vamos em frente.

FESTA DE MARADONA

Mais charges no blog do Milton Trajano

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Festa mesmo quem fez foi Maradona e seus parceiros, depois da agoniada classificação para a Copa do Mundo, quando a Argentina bateu o Uruguai, em pleno estádio Centenário, por 1 0, gol de Bolatti, no finzinho da partida.

O jogo foi tecnicamente muito fraco. Mas, não se poderia esperar o contrário, naquele clima tenso criado antes da partida. Todos – argentinos e paraguaios, técnicos, torcidas, até a bola – estavam com o coração na boca. Todos, menos um: Verón, que, com talento e ciência, deu o tom de sua equipe, suprindo inclusive a falta de harmonia habitual do time de Maradona.

É nesses momentos que o craque revela sua real grandeza.

Notas relacionadas:

  1. MÁRIO E OS DEUSES DO FUTEBOL
  2. NERVOS NO BICO DA CHUTEIRA
  3. DUNGA NO RUMO CERTO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

sábado, 6 de junho de 2009 Seleção Brasileira | 18:26

VITÓRIA HISTÓRICA

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Foi uma vitória histórica, dessas para entrar nos almanaques do futebol: depois de trinta e três anos sem conseguir vencer o Uruguai em Montevidéu, metemos 4 a 0 neles, placar, aliás, que poderia ter se multiplicado, se considerarmos que foi pênalti em Luís Fabiano, não marcado pelo juiz, o mesmo Luís Fabiano que teve mais dois gols a seus pés, conjurados pelo goleiro Vieira, autor de um frango tão enorme, no chute longo de Daniel Alves, que daria para alimentar todo o Cone Sul.

Mas, se desviarmos o olhar para a nossa meta, então, veremos que Júlio César foi o grande pilar dessa conquistas, com meia-dúzia de defesas incríveis, além dos dois gols salvos por Daniel Alves, no primeiro tempo.

Esse gol, porém, em vez de se aproveitar da natural depressão que se abateu sobre a Celeste, por um breve momento, recuou, e o Uruguai passou a pressionar. Mesmo assim, aos 35 minutos, Juan foi lá e, em duas cabeçadas certeiras ampliou.

Contudo, só na segunda etapa, quando Luís Fabiano marcou o terceiro gol brasileiro, numa boa trama entre Robinho, Kaká, Elano e o artilheiro, que acertou belo tiro cruzado, sem ângulo, nós conseguimos botar a bola no chão esburacado do estádio Centenário.

E esse foi um fator decisivo para que o Brasil não tocasse a bola melhor e por mais tempo, envolvendo o adversário, ao nosso estilo tradicional.  Não o único, porém: a presença de três volantes de contenção também influiu estruturalmente nessa clara dificuldade do time brasileiro ao longo da maior parte do jogo.

Mas, o que ficará para a história é o placar de 4 a 0, raro em confrontos desse tipo, fechado por pênalti sofrido e convertido por Kaká.

Por Milton Trajano

OS DESTAQUES

 Júlio César, sem dúvida, foi espetacular, porque interveio nos momentos mais críticos, de forma sensacional.

A dupla de zaga – Lúcio e Juan – foram impecáveis, enquanto Daniel Alves fez um gol e salvou outros dois.

No meio-de-campo, Felipe Mello confirmou sua presença, marcando e armando mais do que seus outros dois parceiros de setor – Elano e Gilberto Silva.

Kaká, embora abaixo de suas habituais performances, pontuou jogadas decisivas, e Luís Fabiano foi o mais pontiagudo de nossos atacantes, como sempre, aliás. O diabo é que acabou sendo expulso injustamente, pois pulou sobre o goleiro e perdeu, na sequência, o equilíbrio, cena interpretada erroneamente como tentativa de cavar pênalti, pelo juiz.

E Robinho? Robinho errou passes como todos os demais jogadores em campo, mas ajudou muito (incrível, como as pessoas não vêem isso!) na marcação, roubou bolas preciosas até na área brasileira, deu um passe esperto para Elano, que não soube aproveitar, puxou o contragolpe que resultou no gol de Luís Fabiano, aquele que definiu de vez a vitória, e tal e cousa e lousa e maripousa. A turma, porém, continua atirando pedras no rapaz, dizendo que ele tentou enfeitar cada bola que recebia.

É, como sempre, o chavão imperando sobre a visão e a reflexão.

Notas relacionadas:

  1. A VEZ DE AMAURI
  2. BELA VITÓRIA
  3. NAS NÉVOAS DE TERESÓPOLIS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

sábado, 31 de janeiro de 2009 Seleção Brasileira | 22:09

BRAVO, MENINOS!

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Na abertura do hexagonal decisivo do Sul-Americano Sub-20, nossos meninos se reabilitaram da derrota de outro dia para os uruguaios, e devolveram-lhes os mesmos 3 a 2, com categoria, diga-se.

O Brasil fez um primeiro tempo impecável, quando Walter, o artilheiro do Inter, meteu dois gols – um deles, para ser recortado e colado no álbum de recordações: despacho lá de trás do becão, o goleador, em plena corrida, escoltado por dois zagueiros uruguaios, apara a bola no peito do pé e, no pingo, bate direto.

No segundo tempo, ainda sob os efeitos do gol uruguaio, em falha do goleiro Renan, o nosso time só fez resistir ao assédio adversário, até que Douglas Costa entrasse para resolver tudo com seus dribles e um disparo fatal de 25 metros.

Vitória animadora, essa.

Notas relacionadas:

  1. PODE, COMO NÃO PODE
  2. JOGANDO COM A ESPERANÇA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,