PRA FRENTE, ARSÉ’NAL
Meu chapinha Rodrigo Bueno, um dos jovens cronistas esportivos mais bem informados e formados da praça sobre futebol internacional, foi na mosca, na transmissão pela Espn da vitória do Arsenal sobre o Tottenham, no Derby Londrino, por 3 a 0, neste sábado: ah, se tivéssemos um treinador como Arséne Wenger, que busca a excelência acima do resultado…
Apesar de dispor de um orçamento milionário, Wenger (ou será Lupin, o investigador refinado saído da pena de Maurice Le Blanc?), prefere garimpar talentos quase anônimos para montar seus times sob o prisma do espetáculo, antes de mais nada. E o que se vê, a cada rodada, é esse futebol nem sempre vitorioso, mas inegavelmente aprazível, pleno de toque de bola, envolvente, insinuante e agressivo, que nunca despreza o lance inventivo e surpreendente, que justifica o título acima, uma simbiose de Arséne com Arsenal.
Se há algum tempo o Arsenal não ganha títulos, já bateu recordes históricos no secular futebol inglês, ainda outro dia, nos tempos de Henry e cia. E contribuiu em muito para transformar o campeonato inglês na mais gostosa e competitiva Liga mundial.
Sim, temos por aqui alguns poucos técnicos comprometidos com o espetáculo, além do mero resultado. Mano, do Corinthians, Adílson, do Cruzeiro, por exemplo. Assim como o foi por muito tempo Luxemburgo, hoje disperso entre tantos outros afazeres.
Mas, a imensa maioria, apoiada por boa parte da mídia, das torcidas e das diretorias dos clubes, prefere apostar no resultado como recurso de preservação do cargo.
É a cultura do brasileiro, dizem. Não é, se esticarmos essa visão por um período histórico maior do que as úlimas duas décadas. Mas, ainda assim: cultura é algo que se cultiva, volúvel, pois: O que vale hoje não significa nada amanhã.
O futebol inglês, até outro dia, era uma chatice sem fim: bola na área, para os grandões lá meterem a cabeça. Hoje, é uma graça, sobretudo pela variedade de estilos e conceitos, mas, todos – Arsenal, Manchester, Chelsea, Liverpool, para ficarmos só com os grandes – comprometidos com o sentido do jogo: a busca permanente do gol.
Acorda, Brasil!
SAUDADES, JUVENAL
Vi pouco o zagueirão Juvenal em ação, que atuou de 43 a 59. Mas, se pudesse descrevê-lo buscaria as tintas e as linhas de Gauguin: um negro de formato sólido, quadrado, nariz achatado, pernas curvas e expressão ausente.
Firme no combate, porém, técnico no primeiro passe, Juvenal, embora sem a altura dos beques atuais, era excelente no corte de cabeça em sua área.
Ainda que baiano, começou lá no Sul, e viveu seu auge no Flamengo e no Palmeiras, onde se sagrou campeão do mundo, na célebre Copa Rio de 51. Mas, perdeu a Copa de 50, de cujo time brasileiro era o último remanescente, e pagou um preço altíssimo por isso, junto com o goleiro Barbosa e o lateral-esquerdo Bigode. Os três foram estigmatizados pelo resto de suas vidas: Bigode, porque não parou Gigghia; Juvenal, porque não lhe deu a devida cobertura, e, Barbosa, porque não aparou o tiro fatal.
Dizia-se, na época, que Juvenal era chegado a uma manguassa (ou será manguaça?), uma mardita. Mas, isso , na época – terá mudado tanto? -, era mais ou menos lugar-comum. O fato é que Juvenal foi um baita zagueiro, num tempo em que os beques tinham de se haver, mano-a-mano com atacantes de extrema habilidade, sem as tantas proteções extras de hoje em dia.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional Tags: Arsenal, Arsene Wenger, Tottenham