05/10/2009 - 15:59
Era inevitável: depois de meia dúzia de insucessos seguidos, o que rebaixou o Inter de forte candidato ao título a mero pretendente a uma vaga na Libertadores, o técnico Tite foi demitido.
Tite, embora tenha montado esse time campeão gaúcho e vice da Copa do Brasil, que tantas esperanças semeou no início da temporada e que se manteve firme lá no topo da tabela por quase todo o Brasileirão, nunca foi a menina dos olhos da torcida colorada. Ao contrário: mesmo na melhor fase do Inter, era duramente questionado por grande parte da galera – entre outras coisas, ranços da eterna rivalidade com o Grêmio, muito identificado com o treinador dispensado.
Mas, o que mais se questionava era sua aparente falta de ousadia na formação do time e nas substituições ao longo das partidas. Afinal, mesmo depois da perda de dois jogadores valiosos – Alex e Nilmar -, o Inter se manteve á tona. Só que, na hora de dar o bote decisivo, de partir pra valer em direção ao título, refluiu.
A gota d’água, sem dúvida, foi a derrota para o Coritiba, por 2 a 0. Uma derrota fruto mais da imposição anímica do Coritiba do que por eventuais superioridades técnicas.
Na transmissão pela Sportv, Milton Leite e Maurício Noriega tocaram na ferida: o Coritiba exalava vontade de vencer; o Inter, burocraticamente, esperava o tempo passar. E o tempo passou, sobretudo para Tite no Inter.
E agora? Bem, o Colorado tem duas alternativas à sua frente: uma, imediata; outra, mais a longo prazo.
Se quiser ainda buscar a faixa de campeão brasileiro, ou mesmo recuperar sua vaga na Libertadores, o que está ao seu alcance, terá de chamar um técnico menos afeito às táticas e mais motivador, para mexer com a cabeça e a alma do time. Um desses técnicos de tiro curto, que chegam, chacoalham o elenco e obtêm efeitos imediatos, mesmo que não tenham estofo para longas empreitadas.
Mas, se considerar que o mais importante é investir num treinador de renome, estrategista e tal e cousa e lousa e maripousa, melhor seria promover o auxiliar mais habilitado, e tramar com calma a escolha e a contratação do novo técnico efetivo, pensando já na próxima temporada.
De resto, é esperar que os próprios jogadores tomem tento da situação e se desdobrem em campo, qualquer que seja o novo treinador, para impor sua melhor técnica, o que não é nenhuma tarefa impossível.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros
Tags: Coritiba, Internacional, Tite
10/07/2009 - 15:11
Imagino a torcida colorada rubra de vergonha e indignação por mais uma perda significativa do Inter neste semestre: depois da Copa do Brasil, para o Corinthians, a Recopa, diante da pálida LDU, em Quito. Nem tanto pela derrota em si, mas, sobretudo, pela forma como o Inter se conduziu lá, sem um pingo de força ou talento, dois quesitos que chegaram a elevar o time à condição de melhor elenco do país ainda outro dia.
Dá-se, então, que o Inter volta a campo neste domingo, diante do Furacão, na Arena da Baixada, numa situação insólita: embora líder do Brasileirão, com todas as chances de levantar essa taça, jogará, sem dúvida, sob pressão extrema. Principalmente, o técnico Tit, ainda mais à sombra de Muricy, xodó do Inter, que acabou não caertando sua eventual ida para o Palmeiras.
Como todos sabemos, nessas circunstâncias, apesar de todas as declarações em contrário da diretoria do Inter, quem sempre paga a conta é o treinador de plantão, seja ele Tite, Muricy ou Luxemburgo.
MURICY E O PALMEIRAS
Confesso que me surpreendi com esse desfecho decepcionante da novela Muricy-Palmeiras, embora fosse clara certa relutância do treinador em pular assim de cara o muro que separa o CT do São Paulo do CT do Palmeiras, na Barra Funda.
Entre outras coisas porque sua profunda identificação com o São Paulo seria uma pedra no sapato constante: a qualquer tropeço, a já exigente torcida verde, sem falar nos tradicionais cornetas do Parque, jogariam na cara do treinador essa pecha.
Por outro lado, não me espantaria se o Palmeiras, ao longo da espera de um contato decisivo com Muricy, passou o tempo refazendo suas contas. Afinal, uma das razões fundamentais da demissão de Luxa, técnico com cartel muito superior ao de Muricy, era o alto preço que o Verdão pagava a Luxemburgo e sua corte, com retorno bem inferior ao esperado.
Resta, agora, ao Palmeiras procurar uma alternativa mais econômica. um desses treinadores menos badalados mas que emergem com boa figura no cenário nacional. Alguém como Dorival Jr., de passado ligado ao clube, como ex-jogador e sobrinho de um dos imortais do Palestra Itália – Dudu. Mas, Dorival está em plena atividade no comando do Vasco. Quem sabe, Silas, do Avaí?
Mas, algo me diz que os astros conspiram para dar a Jorginho, o interino, um tempo suficiente para acabar se acomodando no cargo. Se assim for, nosso Cantinflas terá de aproveitar bem a chance deste sábado, em casa, contra o Náutico. Uma vitória convincente poderá ser a primeira pedra do degrau. Nunca se sabe, pois tão volúvel é a alma do cartola como do torcedor.
PASSO ATRÁS?
Falando de Muricy, Palmeiras e São Paulo, é ijnevitável chamar à roda o novo técnico tricolor, Ricardo Gomes, que chegou ao Morumbi para mudar o braço da viola de Muricy. Tentou duas vezes, ganhou uma, perdeu outra, e agora parece estar disposto a dar um passo atrás nessa busca de uma nova maneira de o Tricolor jogar.
O São Paulo recebe o Flamengo no Morumbi. Um Flamengo motivado por já rondar o G-4, embora venha desfalcado de Ibson (despediu-se já dos companheiros), seu principal articulador de jogadas de meio-campo, de Juan, machucado, e, talvez, de Kleberson. mas, vem com o Imperador comandando a tropa lá na frente.
Talvez, até mesmo por temor da potência ofensiva de Adriano, é que Ricardo Gomes cogite da volta ao esquema com três zagueiros de ofício. Aliás, a bem da verdade, com a presença de Eduardo Costa á frente da zaga, no fundo, no fundo, o esquema com Ricardo Gomes não diferia muito daquele que Muricy aplicava nos seus últimos tempos de São Paulo.
Sim, claro, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. A não ser quando a prudência se confunde com medo e o caldo de galinha, já passado, provoque azia. mesmo porque quem vai e volta a toda hora, acaba não saindo do lugar. E o lugar ocupado pelo São Paulo na tabela é, no mínimo, preocupante.
HORA H
Este é um clássico emblemático para os dois: para o Corinthians, o momento de dar o grande salto no Brasileirão, que lhe permitirá chegar definitivamente á zona de luta pelo título do Brasileirao; para o Grêmio, a oportunidade de fincar sua primazia no Olímpico, espantar eventuais fantasmas que rondam o clube neste semestre, além de pular para uma posição mais digna em relação à sua força e à sua tradição.
Afinal, o Grêmio, vencendo, daria um tapa de luva de pelica no eterno rival Inter, que acaba de perder a Copa do Brasil justamente para esse Corinthians, como ganharia um moral extra por bater aquele que é considerado o melhor time da temporada no país, até agora.
Quanto ao Timão, uma vitória mobilizaria ainda mais elenco, comissão técnica e torcedores nessa eventual arrancada em direção à terceira coroa.
Embora o Corinthians me pareça mais arrumado e incisivo do que o Grêmio, em clássicos desse porte, ainda mais sob o apoio delirante da torcida azul, nunca se sabe.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros, Treinadores
Tags: Internacional, Muricy, Palmeiras, Tite
04/12/2008 - 00:37
O sofrido gol de Nilmar, no finzinho da prorrogação, não foi por acaso, embora todo o desenho da jogada possa sugerir o contrário. O gol de Nilmar, que deu ao Inter o primeiro título de um clube brasileiro da Copa Sul-Americana, na verdade, só podia ter sido de Nilmar, como timbre de nobreza a esse craque renascido tantas vezes das cinzas.
Desde que voltou de seu último longo estágio de recuperação, Nilmar vem jogando um bolão, cada vez mais fino, rodada a rodada do Brasileirão, rodada a rodada da Sul-Americana. E marcando gols providenciais, de canelça, de cabeça, no bate e rebate com este contra o Estudiantes, quando não irretocáveis pequenas obras-primas.
Nesta noite de quarta, por exemplo, foi sempre o jogador mais agudo de seu time, aquele que, leve e veloz, infiltrava-se na zaga inimiga com o perigo expresso nos dois pés. Sobretudo, numa noite de pouca inspiração de seu parceiro ilustre, o canhoto Alex, cuja substituição foi um equívoco do técnico Tite, embora Taison, seu substituto, tenha dinamizado o lado direito do Inter, zona morta até então.
Mas, é que Alex, num chute à meia ou longa distância, numa cobrança de falta, poderia definir um jogo tão enroscado para o Inter como esse, em que tomou o gol de Alayes aos 20 minutos do segundo tempo e deixou-se dominar até a metade da prorrogação.
Mas, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, como dizia aquele apresentador japonês da TV Lusitânia, e o Inter meteu a mão no caneco transbordando de leite e mel. E é isso o que interessa neste momento de plena celebração.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa Sul-Americana
Tags: Alayes, Estudiantes, Internacional, Nilmar, Tite