O que mais me impressiona em Neymar é que o menino não pipoca diante das maiores pressões. Foi assim quando, sob intensa expectativa, estreou pra valer no time titular do Santos, no início do ano. Foi assim quando estreou na Seleção principal, fazendo gols e outros bichos.
Mas, nesta madrugada de terça-feira, extrapolou.
Desembarcou em Tacna, no Peru, para disputar o Sul-Americano Sub-20, sob todos os holofotes, cercado de microfones, manchetes e fotos em profusão nos jornais, gritos histéricos dos fãs, essas coisas todas. Era a estrela da companhia, a estrela do torneio, em verdade.
Pois, entrou em campo, e, sob intenso bombardeio das pernas duras dos defensores paraguaios, meteu quatro gols, os últimos dois num momento crítico para a Seleção Brasileira, depois da expulsão de Zé Eduardo e na esteira do primeiro gol inimigo.
E, quanto mais os paraguaios acertavam as canelinhas do nosso Neymar, mais canetas, chapéus, dribles em série, passes espertos, o garoto ia espalhando pelo gramado.
Coisa de craque, na alma e nos pés, centelhas de gênio, ousaria dizer.
Afora Neymar
Afora Neymar, se isso é possível, já que ele foi o centro de tudo na vitória do Brasil sobre o Paraguai por 4 a 2, vale dizer que a nossa Seleçãozinha promete.
O Paraguai, em qualquer categoria, sempre foi osso duro de roer. Os índios correm feito o diabo, se entregam à luta de corpo e alma, além de possuírem uma técnica cada vez mais respeitável.
Mesmo assim, os meninos do Brasil, embora um tanto esparsos demais em campo pra meu gosto (preferia a linha de zaga mais próxima do meio de campo e este do ataque, numa formação compacta de intermediária à intermediária), botaram a bola no chão, fizeram 2 a 0, com Neymar, de pênalti, e numa escapada pela esquerda, e poderiam sair para o intervalo já goleando.
No início do segundo tempo, porém, houve a expulsão de Zé Eduardo seguida do gol de Viera, em cobrança de corner, o que desestabilizou nosso time.
O técnico Ney Franco foi rápido no gatilho: sacou o meia Oscar para reforçar a marcação de meio-campo com o volante Fernando, e, na sequência trocou o lateral-direito Danilo por Galhardo.
Mas, foi um balão lá de trás, convertido em golaço de Neymar, que reequilibrou nossa equipe. O quarto de Neymar, que peitou o goleiro e concluiu de cabeça sobre a risca fatal, apenas cimentou a goleada. E, nem mesmo a expulsão de Henrique e o segundo gol paraguaio, de Montenegro, em saída em falso do goleiro Gabriel, chegou a ameaçar a vitória final.
Destaques? O lateral-esquerdo Alex Sandro, o volante Casemiro, o zagueiro Uvini, e, claro, Neymar.
Oscar e Lucas, pelo que já mostraram nesta temporada, ficaram devendo um pouco, e o goleiro Gabriel assustou em três saídas de gol.
Há, porém, que se descontar o nervosismo da estreia, e a determinação dos paraguaios, que não é mole.
Cariocão
O mais charmoso e bem arquitetado campeonato estadual do Brasil, apesar do excesso de clubes que o disputam, começa amanhã com Vasco e Flamengo em campo.
O Vasco recebe o Resende em São Januário, quem sabe com Carlos Alberto, seu mais expressivo jogador, em campo. Dou esse tom de dúvida sobre a presença do craque em campo porque tem sido essa a história de Carlos Alberto no Almirante, ou Gigante da Colina, como preferem os mais jovens: uma sucessão de ausências pontilhada por alguma presenças.
Carlos Alberto me encantou quando surgiu muito jovem no Fluminense e nas categorias de base da Seleção Brasileira. Via-o como um meia-armador de habilidade e desortino. Menino ainda transferiu-se para o Porto, onde Moutinho resolveu colocá-lo mais à frente, naquela célebre conquista da Liga dos Campeões.
Mas, já então, Carlos Alberto mostrava-se um jogador ciclotímico, dado a súbtos destemperos em campo. Rodou mundo, jogou no Corinthians, onde peitou o técnico Leão, que não é figura fácil de se conviver, e finalmente, desembarcou em São Januário, onde seguiu a rotina de longas esperas.
Mas, Carlos Alberto está escalado, embora o Vasco deva sentir outras ausências, de jogadores como Eduardo Costa, Dedé, a grande revelação vascaína na zaga, e Anderson Martins, por razões burocráticas.
Não sei da força do Resende, mas, apesar de tudo, acho que dá Vasco.
Já o Flamengo, sem seus estelars reforços – Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves -, pega o Volta Redonda, no Engenhão.
Ronaldinho, segundo a previsão da comissão técnica rubro-negra, só daqui a dez dias.
Fosse eu o Luxa, colocaria desde já Ronaldinho em campo. Não só para atender a expectativa da nação rubro-negra, mas, sobretudo, porque Ronaldinho já cumpriu sua pré-temporada, que, na Europa, é no meio do ano.
Até outro dia estava treinando e jogando pelo Milan, apesar de o técnico Allegri o ter aproveitado pouco no time titular. Logo, é se livrar das toxinas das Festas de Fim de Ano, o que deve ter feito em Londrina, e partir para a luta.
E, com todo o respeito pelo Time do Aço, esse confronto seria aquele amistoso do qual Ronaldinho não participou, bom para afiar o ritmo de jogo do craque, essas coisas.
Mas, enfim…