SOUZA, O FAZ-TUDO
Se eu fosse um desses treinadores andarilhos do futebol brasileiro, matéria à mão aquela mala de emergência, com escova de dentes, pasta, um par de cuecas, camisas, meias e.. Souza. Se vou pra Taquaritinga, Souza vai comigo. Barcelona? Idem. Seleção? É pra já.
O bicho é mirrado, jeitoso, e cabe em qualquer espaço, qualquer time, qualquer esquema, qualquer situação. Já disse e repito que Souza me faz lembrar aquele mulatinho que o amigo já viu em um desses tantos campos de várzea, que se chega de mansinho à beira do gramado ou terrão, chuteira debaixo do sovaco, e fica ali à espera do convite:
- Quer entrar?
- Quero.
- Em que posição?
- Tanto faz.
Entra no tanto faz e faz tanto que sai de campo aclamado pelos companheiros da hora, que lhe entopem de raspadinha, birra e churrasco. Sim, nunca será craque de seleção, celebridade a bordo de um caminhão de dinheiro, nada disso. Só sabe jogar, muito mais do que a imensa maioria de tantos badalados que andam por aí.
Nesta noite de quinta, Souza finalmente estreou pelo Fluminense na vitória por 3 a 1 sobre o Macaé, já que há duas rodadas foi expulso antes de levantar véu de seu talento. Fez dois gols – um de falta, outro de puro oportunismo.
Dinamizou o meio-campo de seu time e plantou na cabeça de Muricy uma interrogação: como aproveitá-lo quando todas as estrelas do time estiverem a postos.
Ora, Muricy sabe melhor do que ninguém que sempre haverá um lugar para Souza nesse ou em qualquer outro time de futebol.
Divã mágico
Não há divã mais mágico do que uma boa vitória. Ou duas, ou três, como o Palmeiras completou no Paulistão nesta noite de quinta-feira.
Na volta gloriosa de Marcos, depois de longa ausência, o Verdão meteu 3 a 1 no Paulista, com categoria e já alcançou a vice-liderança do campeonato, ultrapassando o São Paulo, nas contas de desempate por pontos.
Na verdade, o atual time palmeirense não é tão ruim como se diz por aí. Diria que está na média, entre os grandes. Paulistas. Parecia mais estar num patamar mais baixo por tudo que tem cercado sua atribulada vida nos últimos tempos.
Mas, nova direção, vida nova, sobretudo porque a nova direção fez o óbvio: botou a folha de pagamento dos jogadores em ordem.
Não, nada disso. Não é que jogador só joga se levar dinheiro. Mas, convenhamos, ninguém trabalha feliz e a mil por hora com salários atrasados, essas coisas. Enquanto a bola rola, você fica pensando como vai pagar a hipoteca, a prestação do carro, o aluguel, o quitandeiro, seja lá qual for o seu nível de vida e o tipo de seus empenhos.
Então, se a questão do Palmeiras era claramente mais emocional do que técnica, o que vier para aliviar a alma de seus jogadores será sempre bem-vindo.
E o resultado, que queiram ou não, se reflete em campo.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Campeonato Carioca, Fluminense, Palmeiras, Paulista, Paulistão, Souza