Sobrenatural De Almeida | Blog do Alberto Helena Jr.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 14:21

E DEU FLU NA LOTERIA

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Foram setenta e cinco minutos de profundo tédio no clássico decisivo do Engenhão, entre Botafogo e Fluminense – uma interminável sucessão de passes errados de lado a lado, muito pega-pega no meio de campo e praticamente nenhuma emoção nas áreas.

Até que, aos 30 minutos, bola alongada lá detrás colheu Herrera em disparada pela direita, sozinho; o passe do gringo saiu exato para Elkeson, no meio, tocar às redes de Diego Cavalieri.

Pronto, acendeu-se o pavio, e o jogo eletrizou-se, lá e cá, sobretudo depois que Abel mandou pra campo Araújo e Rafael Moura a fim de aumentar seu poder de fogo. Coube, porém, a um zagueiro – Leandro Eusébio – marcar o gol de empate, numa tentativa errada da defesa alvinegra de provocar a linha de impedimento, em bola lançada à sua área.

Aí, sobreveio a decisão por cobranças de tiros diretos da marca do pênalti, que, dizem, nada tem a ver com loteria, sorte ou azar, mas, simplesmente produto de treinamento adequado.

Pois, na véspera, Jean, que entrou no decorrer do segundo tempo, foi o rei das cobranças de pênalti nas Laranjeiras: converteu os seis batidos, cem por cento de aproveitamento.

Eis que, na hora H, Jean bate e Diego Cavalieri salva, como salvaria o último, cobrado por Loco Abreu, outro especialista no assunto.

Resultado: Fluminense e Vasco decidem domingo o título da Taça Guanabara. Outra loteria?

NOITE VERDE

Dois verdes fizeram a noite desta quinta-feira de Paulistão.

O Palmeiras, que, ao empatar por 1 a 1 com o Oeste, em casa, perdeu a liderança para o Corinthians, e o Guarani, que, ao bater o XV de Piracicaba por 2 a 0, no Brinco de Ouro da Princesa, tomou ainda por cima até a vice-liderança do Verdão.

Não vi o jogo de Campinas, de olho que estava no clássico carioca. Mas, não é difícil imaginar a superioridade bugrina, com base na brilhante campanha que vem cumprindo neste Paulistão.

Mas, vi o Palmeiras ser dominado pelo Oeste em boa parte do jogo. Tomou o gol logo de cara e conseguiu empatar no finalzinho do primeiro tempo. Mas, não teve descortino para, no segundo, mesmo com certo predomínio, mudar um cenário cada vez mais decepcionante.

Resta agora se reerguer diante do São Paulo, domingo, caso não queira repetir o mesmo trajeto do ano passado, quando começou a toda e foi, foi, foi e acabou fondo pro fundo, como dizia aquele luminar do passado.

O PESO DAS SUSPEITAS

Para Vagner Love, que conhece muito bem a posição, Deivid pensou na celebração antecipada antes de se cocentrar para empurrar aquela bola fatídica às redes vazias do Vasco.

Pode ser, como pode ter sido resultado de milhões de outros motivos, tantos quantos neurônios levamos na testa. Sem contar os fatores físicos, tipo velocidade da bola, eventual saliência imperceptível do gramado e tal e cousa e lousa e maripousa. Coisa para cem anos de estudos em laboratórios da mais alta tecnologia.

Mas, há quem creia no Sobrenatural de Almeida, figura criada pela fértil imaginação do dramaturgo e cronista Nélson Rodrigues. Aquela sombra miraculosa que intervém, para o bem ou para o mal, nos espaços abertos pela razão. Também pode ser, quem sou para duvidar do imponderável?

Prefiro, porém, do fundo de meu poço de ignorância sobre a alma humana, supor que esse foi o desfecho do acúmulo progressivo de suspeitas sobre seu futebol que tem arrastado esta passagem de Deivid pelo Flamengo.

Deivid, se nunca foi um craque deslumbrante, mostrou apreciável técnica e extrema eficiência por onde passou aqui no Brasil, no Santos, no Corinthians e no Cruzeiro. Nunca foi o cabeça-de-bagre em que se transformou no imaginário rubro-negro.

Sim, porque, desde que chegou à Gávea, a peso de ouro, que, diga-se, teve de cobrar na justiça, Deivid tem sido tratado como um estorvo, o cara que perde gols feitos. Há pouco tempo, num jogo importante (não me lembro mais contra quem), mas, nem tanto, do Brasileirão, cabeceou pra fora gol certo.

Lance corriqueiro entre artilheiros. Pois, o erro alcançou proporções inimagináveis na mídia, sobretudo carioca. Quando entrevistado pela tv a respeito, respondi que já vira coisas muito piores.

Ainda que marcando seus gols, alguns providenciais até, a cada jogo, Deivid, percebia-se, entrava em campo sob o peso das suspeitas crescentes. Não é fácil, meu.

O amigo, por certo, dirá: o grande craque costuma dar a volta por cima, nessas circunstâncias. É verdade. Eu mesmo sou testemunha de tantos casos assim. Mas, Deivid não é, nem nunca foi, um grande craque. É apenas um excelente atacante, tecnicamente melhor do que muitos fadados a sucedê-lo com a camisa do Flamengo.

Pode até ser que ele consiga se recuperar emocionalmente desse lance mortificante. Mas, livrar-se definitivamente das suspeitas que o perseguem desde sua chegada à Gávea, ah, isso é tarefa que me parece fora do seu alcance.

CAÇA AO MENINO

Muricy, depois da vitória do Santos sobre o Comercial, saiu reclamando do rodízio de faltas a que vem sendo submetido o menino-craque Neymar, jogo após jogo, sob o olhar complacente dos juízes.

- Desse jeito, uma hora vão quebrar o menino pra valer. Não tem essa de cai-cai, não. Ele apanha mesmo, sem parar. É preciso preservá-lo, principalmente, para a Copa de 2014.

Ah, mas não é função do juiz preservar este ou aquele jogador em campo, pois, isso seria privilegiar uns em detrimento de outros, dirá o frio catedrático do apito. Que arrematará: cabe ao juiz apenas aplicar as leis do jogo.

Eis aqui, nesta última frase, um equívoco básico sobre a função principal de um árbitro de futebol. As leis do jogo são as ferramentas práticas e legais para que o juiz, a suprema autoridade em campo, cumpra seu dever precípuo – o de preservar o espetáculo no tocante á parte disciplinar.

Não é seu dever apenas evitar o pior, uma lesão grave produzida por entrada desleal ou temerária em excesso do adversário. Suas atribuições vão além, no sentido de garantir a fluidez do jogo, o que implica em punir severamente o time que recorre ao famigerado rodízio das tais faltinhas necessárias, aquelas que, na verdade, matam o espetáculo no seu nascedouro.

Como a juizada flutua entre a mentalidade do sargentão, mais preocupado em impor sua otoridade (assim, com o mesmo), e a do funcionário público relapso, que faz vistas grossas à irregularidade para não se complicar, houve até a necessidade de se apelar para aquele expediente das sete faltas coletivas convertidas em cobrança de pênalti ou equivalente, que vigorou por uns tempos nos campos de futebol.

Grande ideia, que, infelizmente, não frutificou.

De qualquer forma, é dever fundamental do juiz preservar o espetáculo. E, por conseguinte, preservar os Neymares da vida, que eles são o espetáculo no fim das contas.

Notas relacionadas:

  1. UM ATAQUE DE ARRASAR PARA O FLA
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,