
Vitória, na verdade, não tem sido a peça de resistência no cardápio de Felipão, desde sua festejada volta ao Palmeiras. Há quem diga que, a propósito dos cinco jogos sem vitória sob o seu comando, Felipão dungou.
Não me parece preciso isso. Afinal, Felipão sempre foi assim, meio desbocado, irritadiço, um tanto temperamental nos momentos críticos, embora também saiba recorrer ao bom humor quando lhe convém. Diria que está mais para Muricy do que para o Dunga da Copa do Mundo.
Os mais maldosos, então, garantem que nesta noite de quarta-feira, enfim, Felipão conhecerá, não necessariamente a vitória, mas com certeza o Vitória, vice-campeão da Copa do Brasil – Toninho Cecílio, que ele conhece de longa data, diga-se.
O problema é que Felipão voltou para o Palestra Itália a bordo de uma negociação milionária e cercada de uma expectativa quase messiânica.
No imaginário verde, era chegar e tocar aquela lata-velha para transformá-la em ouro reluzente na hora. Ora, na vida real sabemos que não é bem assim que as coisas acontecem.
Em primeiro lugar, o elenco palmeirense não é nenhuma lata-velha, embora não seja nem de longe uma Ferrari. Mas, não é inferior, por exemplo, ao líder Fluminense, que corre lá na ponta, anos-luz à frente do Palmeiras.
Felipão, na verdade, nunca se notabilizou por ser um estrategista de sofisticadas soluções técnicas ou táticas, ainda que seja excelente treinador de times. É muito mais, no entanto, um motivador, um líder que sabe mexer com os brios de sua equipe e tal e cousa e lousa e maripousa.
E é justamente na sua praia que Felipão não está conseguindo até agora obter os resultados desejados, pois o time segue inseguro, hesitante, como o era nas mãos de Muricy e todos os outros que o antecederam nos últimos tempos, com exceção daquele breve período sob o comando do interino Jorginho.
Desconfio que seja essa a origem das reações um tanto intempestivas do treinador, não propriamente as perguntas dos repórteres sobre quais explicações ele pode dar para a série de cinco jogos sem vitória.
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INTERINO DEFINITIVO
O São Paulo acaba de anunciar algo inusitado: um técnico interino que até pode se transformar em definitivo, enquanto dure. Sérgio Baresi, que apesar do apelido herdado do extraordinário italiano Franco, foi um zagueiro que não conseguiu alçar grandes voos, mas que fez bela figura á frente dos juniores do São Paulo na última Copa São Paulo.
Não apenas porque a conquistou, mas, sobretudo, porque traçou um perfil muito distinto daquele adotado pelos titulares: uma equipe ofensiva, leve, envolvente, com bom toque de bola e aguda no ataque. Se conseguir transplantar esse modelo para o time titular, Baresi não será apenas definitivo, mas eterno.
Com Baresi, o São Paulo tem a chance de iniciar uma remodelação progressiva. Não só da equipe, renovando-a com o lançamento de garotos que estejam em condições de já ir entrando na equipe principal para pegar cancha. Mas, principalmente, implantar um novo modelo de jogo, mas próximo do que se pratica nos principais centros do mundo, algo mais semelhante ao nosso Santos do que essa retranca, sucata dos anos 90, que tem prevalecido nos últimos tempos, para o bem e para o mal.
FALANDO EM SANTOS…
Ao contrário de Felipão que resolveu jogar a toalha no Brasileirão e apostar tudo na Sul-Americana, Dorival Júnior, no Bem, Amigos, foi enfático: mesmo já com vaga assegurada na próxima Libertadores, vai encarar tanto esse torneio continental quanto o Brasileirão com igual interesse.
Prevejo, porém, problemas maiores do que o esperado se o Santos perder agora o volante e meia Wesley, não tão badalado quanto Ganso e Neymar, por exemplo, mas essencial para manter esse ritmo alucinante com que o Santos, que pega nesta quinta o Avaí, na Vila, passa da defesa ao ataque.
De qualquer forma, Dorival Júnior já deu uma pista, no papo que se sucedeu ao programa, na mesa do Lellis. Lembrando seu ilustre tio Dudu, um meia ofensivo de muita vitalidade e habilidade insuficiente para a época, embora excelente tecnicamente, que foi recuado para a cabeça-de-área, onde plantou seu nome para a eternidade, Dorival deu a dica – é o que pretende fazer, sempre que possível.
É muito melhor você recuar um meia não tão hábil para a posição de volante do que inverter o processo, tendência dos últimos vinte anos, transformando um volante em meia, pois abre espaço para meias autênticos ao mesmo tempo em que qualifica o setor dos volantes, mais técnicos e hábeis do que os habituais brucutus de plantão.
Aliás, foi o que fez Antonio Lopes com Wesley, nos tempos do Atlético PR: recuou o garoto, que era um meia contestado, para transformá-lo num volante de fino desempenho.
RENATO DE VOLTA AO LAR
A verdade é que Silas não conseguiu passar pelo goto, assim mesmo, sem “s” (quem não souber, procure no dicionário, hábito que todos deveriam cultivar principalmente nestes tempos de internet), do torcedor gremista, desde que lá chegou.
Ganhou o Gauchão, montando um time leve demais para o gosto (agora, com “s”) da torcida tricolor, e passou esse tempo todo sob intenso bombardeio, com alguns breves momentos de trégua.
Com a crítica situação na tabela do Brasileirão, não havia como mantê-lo no comando do Grêmio. E a diretoria foi rápida e certeira no gatilho: trouxe logo sua antítese – Renato Gaúcho, ídolo revelado pelo próprio clube, onde foi campeão mundial e outros bichos de bom tamanho.
Agora, é esperar pra ver como toda essa energia se transformará em sinergia, pelo menos, o suficiente para arrancar o Grêmio da situação incômoda atual.