VOLANTE VOLA
Magnífica a entrevista da dupla Dunga-Jorginho ao Arena do Cleber Machado, porque, antes de tudo, elucidativa. Pelo menos, num ponto crucial, que tem sido o principal foco de todas as discussões sobre a Seleção Brasileira: a figura do volante.
Volante vola, como diria Dante. Cabeça-de-área, leão-de-chácara, ou qualquer denominação que o amigo queira dar ao médio que se planta à frente da área, como um zagueiro mais avançado, não vola, fica.
Portanto, pelo amor de Deus, técnicos, jogadores, cartolas, locutores, cronistas, parem de chamar de volante o mero cabeça-de-área.
Gilberto Silva, ex-zagueiro do Atlético, que se adiantou para fora da área, tempos atrás, nunca foi volante. Foi, é e será cabeça-de-área. Anos atrás, jogava bem melhor do que joga hoje, o que é natural. Portanto, não vamos desperdiçar nosso tempo discutindo a atual forma de Gilberto Silva.
A questão é a seguinte: a figura do cabeça-de-área está em plena extinção nos centros mais avançados do futebol mundial, há algum tempo. Até mesmo por aqui, no Brasil, sempre atrasado quando se trata de evolução tática, já não se acha um número significativo desse tipo de jogador.
Tanto, que o próprio Dunga embatucou a turma do Arena ao pedir um substituto de Gilberto Silva, com as mesmas características. Não há. Ou, se há, não tem maior significação na ordem das coisas.
Logo, urge Dunga mudar o braço da viola, pois não pode ficar refém de um jogador de estilo em extinção, sem substituto à vista. Afinal, o esquema da Seleção Brasileira, de seara tão generosa em craques, não pode ficar refém de um jogador, por melhor que ele seja, pelo resto da vida.
PS: Quero dizer que há lugar, sim, para Gilberto Silva na Seleção, na melhor das hipóteses, como alternativa defensiva, de acordo com o desenrolar deste ou daquele jogo. E só. E que essas observações nada têm a ver com a gloriosa carreira desse jogador, tão precioso na conquista da Copa de 2002.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Gilberto Silva, Seleção Brasileira