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Posts com a Tag Seleção Brasileira

quarta-feira, 17 de agosto de 2011 Seleção Brasileira | 18:22

MARCELO, UMA DAS NOVIDADES

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Nesta quinta sai a convocação da Seleção Brasileira para o próximo amistoso, com algumas novidades. Uma delas é a volta de Marcelo, lateral-esquerdo do Real. Justa convocação pelo que o craque tem jogado por seu time. Mas, injusta a condenação pela mídia esportiva de André Santos, que, falhou feio, sim, contra a Alemanha, num lance. Mas, na soma de seu trabalho, foi mais positivo do que negativo.

Enfim, a vida é essa, um segundo que se esvai depressa, como diria o poeta popular.

Além de Marcelo, deverá haver mais novidades nessa chamada de Mano, pelo menos, no meio de campo e no ataque. Quem? Não sei.

Mas, posso garantir que Ganso, apesar de atravessar um momento difícil no trato com a bola e consigo mesmo, seguirá no time, Pois, essa é a maneira que Mano vê de recuperar plenamente – física, técnica e emocionalmente – um jogador precioso para a Copa de 2014.

Isso porque você varre o horizonte de jogadores com tais características – um armador autêntico – e acaba caindo no lugar-comum de um volante um tanto mais habilidoso para cumprir tão sutil tarefa.

É dura a vida de um treinador brasileiro nas condições atuais de Mano Menezes. Tem de acertar uma sintonia fina entre a renovação da  Seleção – não só de jogadores, mas também de estilo de jogar -, a falta de tempo adequado pra treinamentos entre um amistoso e outro, e obter os resultados que apenas contam para o torcedor comum e seus vassalos, a imensa maioria da imprensa.

Todavia, que fazer se não o papel de equilibrista, o mais arriscado dos ofícios, sobretudo quando não há uma rede de proteção embaixo?

Pensando bem, nesse caso, há. Não aquela eventualmente estendida pelo presidente da CBF, o patrão. Mas, aquela do mercado.

Técnico de Seleção Brasileira jamais ficou perdido na Avenida São João, nu, em noite de tempestade com a mão no bolso.

Muito menos alguém com o currículo de Mano, vitorioso no Grêmio, Corinthians e tal e cousa e lousa e maripousa,

Diante disso, aqui do meu modesto cantinho, sugiro ao treinador que deixe claro, enfaticamente, à nação que não estamos preparando um time para enfrentar Gana, Costa Rica, Argentina e quejandos. Mas, sim, armando uma equipe para disputar dignamente a Copa do Mundo, num profundo processo de renovação, o que é sempre doloroso e complexo.

MESSI, MESSI
Foi como um mergulho ao passado, tempos em que a tv nem existia entre nós.

Como as imagens da Esporte Interativo não alcançam minha caverna high-tech de Ibiúna, apelei para o velho companheiro, o rádio. E, na voz do Amigão, pela Estadão-Espn, senti redobrada a emoção do Camp Nou, onde Barça e Real realizaram outro jogo histórico, na decisão da Supercopa da Espanha.

Depois, colhi as imagens na internet dos cinco gols da partida, e, numa síntese de tudo, o óbvio: mas que craque esse Messi!

Fez dois golaços e meteu uma bola mágica para Iniesta abrir o placar. Quer dizer: decidiu o título a favor do Barcelona, que continua sendo impossível.

Mas, atenção, que esse Real vai dar trabalho ao Barça nesta temporada.

Notas relacionadas:

  1. MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE
  2. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
  3. UM ÚNICO VACILO, E MESSI…
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

terça-feira, 19 de julho de 2011 Campeonato Brasileiro | 16:34

O LÍDER E A ESTREIA DE RENATO

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Ainda tentando pensar as feridas deixadas pela precoce desclassificação do Brasil na Copa América, voltemos ao nosso campeonato doméstico agora mais atraente com a volta de algumas estrelas da Argentina e a entrada em cena de novos reforços.

É o caso de Renato, volante-meia que se revelou no Guarani, projetou-se no Santos de Robinho e Diego, passou bom tempo na Espanha e estreia nesta quarta no Botafogo que recebe o líder invicto Corinthians em São Januário, já que o Enegenhão acolhe as Olimpíadas Militares.

Renato junta-se a Marcelo Matos, Maicosuel e Marcio Azevedo para acionar a dupla de ataque formada por Elkeson e Herrera. Pena que o Glorioso não possa ainda contar com seu ídolo maior, o uruguaio Loco Abreu, servindo sua seleção na Copa América.

Mas, já é um avanço em relação ao time que Caio Jr. pegou para dirigir há pouco tempo.

O diabo é que pega um Corinthians redondinho, equilibrado e cheio de moral, que, por isso mesmo, pode se dar ao luxo de deixar no banco suas mais recentes e estelares aquisições: Alex e Emerson.

Não, não é um timaço desses pra arrancar suspiros esse time do Corinthians atual. Mas, joga de acordo com a cartilha básica do futebol e tem elenco para levar esse barco até o fim, embora, claro, uma hora vá perder. Quem sabe nesta noite de quarta? Tudo é possível, mas também improvável.

VERDÃO E FLA

Ambos estão de olho na vice-liderança do Brasileirão, ocupada pelo São Paulo. E se pegam nesta quarta-feira num Pacaembu provavelmente lotado para se reencontrar com o Gladiador, depois da novela vai-não-vai justamente para o adversário de agora – o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e outras celebridades.

Mas o Verdão ainda não terá em campo Valdívia, que se apresentou, bateu continência para Felipão e se dispôs a jogar, depois de alguns bons momentos na Copa América pelo Chile. Felipão prefere vê-lo definitivamente recuperado das recorrentes lesões.

Mesmo porque esse time, do meio de campo pra frente, parece-me bem ajustado, com Márcio Araújo jogando o fino, Marcos Assunção e sua bola parada mágica, e o incansável Patrick armando as jogadas para um ataque de respeito: Maikon Leite, Kleber e Luan.

O Fla, porém, não fica nada atrás, com Airton, Willians, Renato Abreu e Thiago Neves metendo bolas lá na frente para Ronaldinho Gaúcho e Deivid, que voltou a marcar gols, seu ofício.

É de se ver.

FIGUEIRA E GRÊMIO

O Figueirense, de tão promissor início no campeonato, declinou, mas não o suficiente para ser presa fácil do Grêmio, no Orlando Scarpelli, onde segue invicto.

Já o Grêmio vem forte na marcação do meio de campo, com o veterano Gilberto Silva ao lado de Fábio Rochemback. O refinamento do setor se dá por conta da volta de Douglas, no lugar de Marquinhos.

Mas, o Grêmio ainda está se reformulando nas mãos de Julinho Camargo, o que não nos oferece nenhuma garantia de sucesso.

MESSI, FORA!

Dias antes da derrocada diante do Uruguai, vi na tv um expert argentino desenrolando longa tese de sociologia de botequim, cujo desfecho era o seguinte, em poucas palavras: “Fora, Messi”.

Isso porque o craque saiu menino da Argentina, o que lhe teria apagado a identidade e o desvinculado de sua pátria e seu povo. Preconceito rasteiro com fumos de alta sociologia.  O mesmo, aliás, que ocorreu com Di Stefano, o maior jogador do mundo na década de 50, e repudiado por esse sentimento paroquial e primário.

Justamente Messi, campeoníssimo no Barça, o melhor time do mundo, artilheiro e rei das assistências, além de nos presentear a cada domingo com uma série inacreditável de jogadas espetaculares, dribles, passes, arrancadas, cobranças de falta e tudo o mais que o vasto repertório do futebol pode oferecer.

Simplesmente, eleito por duas vezes seguidas, aos 23 anos de idade, o melhor jogador do mundo.

Trata-se de um menino de comportamento exemplar em campo e fora dele. Não bota banca, não se atira ao chão a cada encontrão, não reclama dos companheiros com gestos ostensivos, apenas joga seu futebol tecido por fios de ouro.

Ah, mas na Seleção Argentina nem de longe é aquele Messi do Barcelona.

Sim, pelo simples fato de que o futebol é como a nossa vida – um eterno descompasso entre o individual e o coletivo.

Não há dois seres humanos absolutamente iguais sobre a face da Terra. Nem gêmeos saídos do mesmo ventre materno. Cada um de nós, desde a formação da raça humana até sua extinção, carrega nas digitais e no seu DNA marcas inconfundíveis que nos diferem dos demais.

Apesar desse estigma da individualidade, o ser humano carece de viver em sociedade, coletivamente, justamente para proteger sua individualidade.

Resumindo este papo furado: no futebol, a sociedade é o conjunto, o time. E a Argentina há muito tempo não consegue montar um time, onde Messi possa exercer sua individualidade compartilhada com os companheiros no seu verdadeiro nível.

Eis por que Messi foi pro espaço, assim como a própria Argentina e os sociólogos de plantão.

Inclusive este que vos fala.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, LÍDER
  2. AINDA LÍDER
  3. FLU, MAIS LÍDER
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 6 de junho de 2011 Ex-jogadores, Seleção Brasileira | 17:17

DO FENÔMENO À ENCRENCA

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Nunca um apelido coube tão bem num jogador de futebol como o Fenômeno do Ronaldo. Fenômeno de superação nas adversidades intermitentes sofridas em sua cintilante carreira. Fenômeno no trato com a bola e na intimidade com o gol. Fenômeno na quebra de tantos recordes. Fenômeno de marketing, capaz de tirar de letra várias situações constrangedoras, suficientes para arranhar a imagem pública de qualquer um, definitivamente. E, por aí, vai.

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Mano orienta Neymar na véspera de Brasil x Romênia: técnico não está preocupado com festa para Ronaldo, mas sim com a Copa América (AFP)

Portanto, nada mais justa do que essa homenagem que lhe será prestada amanhã, no Pacaembu, na sua despedida oficial da Seleção Brasileira, no amistoso contra a Romênia.

Mas, passados os dez, quinze minutos de tributo ao craque, voltemos nossos olhos para a Seleção de Mano, que inicia sua entrada no funil em direção à Copa América.

Nosso time sofrerá várias mudanças, sobretudo na defesa, com as dispensas de Júlio César, Daniel Alves e Lúcio. Até aí, nenhum problema aparente. Os três goleiros reservas – Victor, Fábio e Jefferosn – estão prontos para substituir Júlio César a qualquer momento.

Maicon, um dos destaques da Inter, reassume simplesmente o posto que foi seu no período todo em que Dunga esteve comando o time nacional. E David Luiz, guindado à zaga titular por Mano, na fase em que Lúcio não vinha sendo chamado, não só foi muito bem com a canarinho, como acaba de ser eleito uma das grandes revelações do futebol inglês.

Assim como a dupla de volantes – Lucas Leiva e Ramires – tem dado conta do recado.

A encrenca começa aqui, no chamado terceiro homem de meio de campo, onde Ganso tem cadeira cativa, desde que possa jogar. Afinal, foi o único meia autêntico, com poder de organização e de criação superior, que entrou no time e resolveu logo de cara.

Mano, seguindo o roteiro por ele estabelecido no início de seu trabalho, na ausência forçada de Ganso, passou a testar alguns meias que poderiam fazer esse papel: Douglas, Renato Augusto e Jadson, se não me escapam outros, por exemplo. Não funcionou.

Então, animado pelo ótimo desempenho de Elano nos três primeiros meses da temporada, na sua volta ao Santos, Mano resolveu dar um passo atrás na sua proposta, escalando um terceiro volante por ali.

Há quem garanta ser Elano um meia genuíno. Não concordo. Mas, nem talvez seja esse o caso, pois Elano tem bom passe, experiência, e bate na bola como poucos de longa e média distâncias, assim como é mestre em bolas paradas. Mas, já nos últimos tempos vem revelando lentidão excessiva e pouca participação nos jogos, seja defendendo, seja armando.

Se quiser reornar ao caminho inicial, cabe ao treinador brasileiro, escolher entre estas alternativas para a posição, no elenco atual: Anderson ou Thiago Neves.

Anderson leva a vantagem de ser mais solidário na marcação e no fechamento dos espaços na nossa intermediária. Thiago, porém, é aquele canhoto de drible fácil e chute potente.

Há, porém, outra possibilidade: Lucas, que tem atuado, mais ou menos, como esse meia no São Paulo, embora não seja seu perfil futebolístico. Lucas é mais chegado ao drible e à condução de bola.

Na cabeça de Mano, a posição ideal de Lucas é no ataque, ali pela direita, fechando para o meio, quando o time estiver sem a bola. Bem pensado. Isso, porém, implicaria ou na saída de Robinho, ou na ausência de um centroavante típico.

Quanto a este, Fred desperdiçou sua chance diante da Holanda. Portanto, a hora, agora, é de Leandro Damião. O certo mesmo é que Neymar segue firme lá na frente. E nem poderia ser de outra maneira.

De qualquer jeito, não gostaria de estar nas botas de Mano, como diria aquele velho texano.

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
  3. SELEÇÃO PREVISTA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 4 de junho de 2011 Sem categoria | 18:57

MANO E O LUGAR-COMUM

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Por Milton TrajanoO Brasil começou e terminou o jogo contra a Holanda, sob vaias da torcida no Serra Dourada, com três volantes. Quer dizer, só não terminou com três volantes porque Ramires foi expulso. E, na maior parte do tempo, foi aquele ramerrão, muito pega-pega no meio de campo e raras emoções no ataque.

Houve, apenas um breve momento em que a Seleção Brasileira quebrou o lugar-comum e criou uma série de boas oportunidades, com Robinho, Neymar etc., no início do segundo tempo, sobretudo, depois da entrada de Lucas no lugar de Elano.

Mas, logo, Mano retornou ao esquema com três volantes, ao trocar Robinho por Sandro, o que animou a Holanda  a se aventurar ao ataque.

Ao assumir a Seleção, Mano deu sinais de que não só promoveria uma reformulação de elenco, mas, principalmente, de mentalidade, mudando a forma de nosso time jogar. Mas, aos poucos, começou a refluir para o clichê convencional de nossos times e até mesmo da Seleção que disputou a Copa do Mundo na África.

Fórmula que contraria inclusive sua maneira de pensar. Ainda é tempo de Mano escapar dessa armadilha ardilosa, aquela que recomenda não correr riscos para não criar marolas. Ao contrário: as vaias do Serra Dourada refletem bem que o torcedor brasileiro já está de saco cheio com esses sistemas em que a cautela pragmática submete a aventura e a imaginação, atributos eternos de nosso futebol.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, INTER, GRÊMIO, VERDÃO E SELEÇÃO
  2. O MODERNO E O ANTIGO
  3. E PODE?
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

quarta-feira, 30 de março de 2011 História, Seleção Brasileira | 15:50

O FANTASMA DA ÁREA

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Cafu é um dos maiores recordistas da história, além de ter sido titular da lateral-direita da Seleção Brasileira por mais de dez anos. Basta dizer que é o único craque do planeta que disputou quatro finais de Copa do Mundo, levantando a Taça por duas vezes, na última, como capitão.

Daqui a cem anos, quando morrer de velhice e seu caixão coberto pela bandeira nacional estiver sendo levado à morada final, alguém sentenciará: “Lá vai Cafu, o lateral que não sabia cruzar”.

Pois assim é o futebol: cola-se no sujeito um rótulo, verdadeiro ou não, e o infeliz o carregará vida afora, sem perdão.

No caso de Cafu, a coisa toda começou com a obsessão do saudoso Mestre Telê pelo cruzamento exato, perfeito. Não só Cafu, mas Edevaldo e outros tantos laterais sob o comando de Telê, sofreram e se beneficiaram da persistência do treinador, que, para os mais desavisados, era um sinal de que o craque não conseguia acertar o lance.

Não era. Era, isso sim, a compulsiva busca da perfeição por parte de quem, como jogador, fora mestre nesse tipo de jogada.

Como acompanhei a carreira de Cafu desde seus tempos de juvenil no São Paulo, esse estigma pregado na testa do craque me levava às vezes á indignação.

Cera vez, li na imprensa italiana o que meus olhos me diziam a cada rodada: Cafu era o rei das assistências na Roma. Cerca de 60 por cento dos gols romanistas nasciam dos cruzamentos perfeitos de Cafu.

Bastava, porém, Cafu vestir a camisa canarinho e lá vinha a mesma cantilena: não sabe cruzar!

Numa dessas ocasiões, perguntei ao Cafu o que acontecia, afinal.

- Olhe lá dentro da área e você verá a diferença – respondeu-me o craque com aquele sorriso maroto do Jardim Irene.

Realmente, esse é um vezo do futebol brasileiro em geral nos últimos dez, quinze anos: com medo de levar contragolpes, nossos treinadores viciaram até os atacantes a ficar todo mundo aquém da linha da bola. Então, o lateral vai ao fundo, cruza e lá na área, um ou, no máximo, dois atacantes se aventuram a disputar essa bola contra quatro ou cinco defensores.

Sou do tempo em que o ataque dos cem gols do Corinthians formava uma verdadeiro leque na área inimiga quando Claudio preparava-se para cruzar da direita: Luisinho, no bico esquerdo da grande área, Baltazar, na marca do pênalti, Carbone um pouco além e Mário fechando pelo bico direito da pequena área, lá na extrema esquerda da linha alvinegra. Passasse a bola por um, por dois, não passaria do terceiro ou quarto.

Outro dia, Cafu esteve no Bem, Amigos, e, levantada essa bola pra ele, foi incisivo:

- Na Europa, é de lei ter, pelo menos, três atacantes na área, quando o lateral ou ala prepara o cruzamento. Isso é treinado e exigido por todos os t[ecnicos. Aqui, não. Ao contrário.

Pois é.

Notas relacionadas:

  1. GRAÇA E PREOCUPAÇÃO
  2. UM FESTIVO DIA DE CÃO
  3. É MAIS OU MENOS ISSO AÍ
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira | 15:03

AMBIÇÃO E VAIDADE

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Respondendo a algumas das questões formuladas pelos nossos bloquistas, quero dizer que, sim, no bojo dessa decisão de Ricardo Teixeira, em formalizar o título brasileiro de 87 em favor também do Flamengo, além do Sport, viaja a intriga política, tendo por base, sobretudo, a questão dos direitos de transmissão pela tv do próximo Brasileirão.

Dividir para conquistar é uma velha máxima que o mestre Maquiavel já ordenou em texto brilhante há séculos, embora a prática venha desde quando os primeiros homens se abrigaram nas cavernas.

Juntando Flamengo ao Corinthians, os dois clubes de maiores torcidas do Brasil, portanto, de maior audiência, como seus aliados, Ricardo imagina romper o bloco fechado do Clube dos Treze, comandado por Fábio Koff, com apoio irrestrito de Juvenal Juvêncio, desafeto do presidente da CBF.

Rompido assim, o Clube dos Treze, o processo de licitação na base do envelope fechado, em que a melhor oferta leva estaria inviabilizado, levando a questão para uma solução negociada entre clubes e tv, separadamente.

Se o golpe deu certo ou não, só saberemos depois do desfecho das negociações. É esperar pra ver.

O que acho disso tudo?

Bem, meu amigo(a), há muito tempo deixei de ter esperança na raça humana. E, nessas histórias onde a grana preta e a luta pelo poder falam mais alto, não há mocinhos nem bandidos. Apenas, ambição e vaidade.

Papo com Ney Franco

Ney Franco é um moço inteligente, articulado, tomado por aquela serenidade mineira que muitas vezes se confunde com sabedoria, atributo essencial para um técnico de seleções de jovens como a que ele levou à conquista do Sul-Americano Sub-20 e à uma das duas vagas para as Olimpíadas em Londres.

Mas, por trás do corte conservador de sua personalidade aparente, agita-se um lance de ousadia, quase em conflito com seu temperamento.

Pegue o amigo aquele momento fatal da decisão com o Uruguai, quando, Saimon comete o pênalti e é expulso. Por reflexo, Ney Franco chamou o volante de contenção Zé Eduardo à beira do gramado, já que não havia nenhum outro zagueiro disponível no banco brasileiro. Sua intenção era a de trocar o meia Oscar por um volante de marcação e tentar segurar o resultado.

Era o gesto convencional, natural a qualquer treinador naquelas circunstâncias, em que o Brasil, que vencia por 2 a 0, poderia levar o gol, e, com um a menos, o sufoco inevitável, prenúncio da virada que nos levaria á breca.

Eis que o menino uruguaio perde o pênalti, e logo em seguida fazemos o terceiro. Ney, então, percebeu na hora a oportunidade de ir além do óbvio e tentar o magnífico – uma vitória histórica.

Golpe de sorte? Intuição que deu certo? Chame do que quiser. Mas, o fato é que, já nesse mesmo torneio, em fase anterior, quando a situação, vista sob o ângulo do convencional, exigia que essa troca fosse feita, Ney inverteu a fórmula estabelecida: em vez de colocar em campo um volante, aumentou o número de meias com a entrada de Alan Patrick, que, na ocasião, infelizmente, não respondeu à altura de seu futebol.

Isso tudo pude esclarecer com o próprio Ney Franco, num papo de meia hora antes do início do Bem, Amigos, na Sportv.

E mais:

1 – Que Lucas tem alma e bola para ser chamado, sim, já na próxima convocação de Mano Menezes.

2 – Que Neymar, o artilheiro e maior estrela do campeonato, com quem conviveu por dois meses, é bom de grupo, parceiro, disciplinado, e sem um pingo de máscara.

3 – Que Casemiro é um volante como poucos, mas que precisa conter um pouco seus ímpetos ofensivos, controlando melhor seus avanços com a volta ao setor.

4 – Que ele pretende seguir nesse trabalho na CBF, ampliando seu campo de ação, mantendo contatos mais estreitos com treinadores das equipes de base do país inteiro, no intuito de catequizá-los para a nova ordem das Seleções Brasileiras (titular e de jovens): aquela que aponta para um jogo mais destemido, técnico e hábil do que apenas de força.

Pois, que os deuses da bola iluminem o caminho desse mineiro discreto, mas, nem por isso, menos ousado. É disso que precisa nosso futebol.

Notas relacionadas:

  1. LÍDER E VICE: TORNEIO À PARTE
  2. A VOLTA DE RIVALDO
  3. DIEGO MAURÍCIO, UFA!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

domingo, 23 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros, Seleção Brasileira | 17:30

O CERTO QUE DEU ERRADO

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O empate por 1 a 1 com a Bolívia, não poderia ser mais frustrante para os meninos do Brasil. Afinal, eles passaram o tempo todo praticamente sem correr maiores riscos no campo adversário. Abriram o placar no final do primeiro tempo, com Henrique, em cruzamento de Danilo, criaram várias chances de gol, meteram quatro bolas nas traves bolivianas, e, num contragolpe fortuito, Rios selou o resultado.

Juan, Casemiro (mais uma vez) e Lucas fizeram uma partida de alto nível, e a decisão de Ney Franco em aproximar Neymar de Lucas no sistema de armação, pelo meio, deu maior consistência e fluência ao setor. E até mesmo as mudanças feitas no segundo tempo – entradas de Oscar, no lugar de Zé Eduardo, e Galhardo, no de Danilo.

Juan foi um esteio na defesa, com sua canhota precisa; o meio-campo anulou a armação boliviana e apoiou o tempo todo o ataque, que se mexeu, buscou, achou, mas não conseguiu completar o placar que as circunstâncias sugeriam.

Mas, enfim, que fazer, se o futebol é isso mesmo: cada enxadada, em vez de minhoca, uma surpresa, às vezes amargar, às vezes venturosa.

Rivaldo e a tradição

O São Paulo costuma ser refém de uma tradição que ele mesmo exalta sempre que a situação aponta para essa solução – a contratação de um jogador de nomeada.

Essa história pode ter começado com Friedenreich, o primeiro grande ídolo nacional, que, já além dos 30 anos, integrou o São Paulo da Floresta, no início dos anos 30. Mas, essa  integração foi mais decorrência da herança do Paulistano do que de um investimento especial.

Na verdade, a coisa toda começou com a chegada ao Canindé (então, o espaço tricolor) de Leônidas da Silva e Don António Sastre, no início da década de 40.

Leônidas, o Diamante Negro, o Homem de Borracha, foi o Pelé de sua época. Mas, em 42, quando foi contratado a peso de ouro pelo São Paulo, desembarcou na Estação do Norte, no Largo da Concórdia sobre os ombros de uma multidão, embora já fosse considerado velho e com o joelho bichado.

A imprensa anunciou o negócio na base daquela anedota do matuto  mineiro que chegava, ingênuo, em São Paulo e logo caía na conversa do malandro e lhe comprava um bonde. Leônidas foi chamado, pois, de bonde. Acabou sendo a mais cintilante estrela daquele time que ganharia cinco campeonatos paulistas na década.

Que De…Sastre. Esta foi a manchete de um jornal da cidade na estreia de Sastre no São Paulo. Craque histórico do Independiente  e da Seleção Argentina, onde era reverenciado como El Maestro, Sastre, se transformou no grande condutor do Expresso da Vitória, a Máquina de Costura, aquele timaço dos anos 40.

Mas, entre as vindas de Zizinho, que deu ao São Paulo o título de 57, Gérson, nos anos 70, e de Cerezo, Alemão, a volta de Raí, nos 80, o Tricolor amargou apostas equivocadas em veteranos, como Didi, Jair Rosa Pinto e Cláudio Cristóvam de Pinho, entre outros.

Logo, como se vê, tudo não passa de aposta. Se der certo, ótimo; se não der, esqueçam.

Notas relacionadas:

  1. A VEZ DE DIEGO SOUZA
  2. MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE
  3. A VOLTA DE RIVALDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

terça-feira, 18 de janeiro de 2011 Campeonatos Estaduais, Seleção Brasileira | 03:04

NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR

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O que mais me impressiona em Neymar é que o menino não pipoca diante das maiores pressões. Foi assim quando, sob intensa expectativa, estreou pra valer no time titular do Santos, no início do ano. Foi assim quando estreou na Seleção principal, fazendo gols e outros bichos.

Mas, nesta madrugada de terça-feira, extrapolou.

Desembarcou em Tacna, no Peru, para disputar o Sul-Americano Sub-20, sob todos os holofotes, cercado de microfones, manchetes e fotos em profusão nos jornais, gritos histéricos dos fãs, essas coisas todas. Era a estrela da companhia, a estrela do torneio, em verdade.

Pois, entrou em campo, e, sob intenso bombardeio das pernas duras dos defensores paraguaios, meteu quatro gols, os últimos dois num momento crítico para a Seleção Brasileira, depois da expulsão de Zé Eduardo e na esteira do primeiro gol inimigo.

E, quanto mais os paraguaios acertavam as canelinhas do nosso Neymar, mais canetas, chapéus, dribles em série, passes espertos, o garoto ia espalhando pelo gramado.

Coisa de craque, na alma e nos pés, centelhas de gênio, ousaria dizer.

Afora Neymar

Afora Neymar, se isso é possível, já que ele foi o centro de tudo na vitória do Brasil sobre o Paraguai por 4 a 2, vale dizer que a nossa Seleçãozinha promete.

O Paraguai, em qualquer categoria, sempre foi osso duro de roer. Os índios correm feito o diabo, se entregam à luta de corpo e alma, além de possuírem uma técnica cada vez mais respeitável.

Mesmo assim, os meninos do Brasil, embora um tanto esparsos demais em campo pra meu gosto (preferia a linha de zaga mais próxima do meio de campo e este do ataque, numa formação compacta de intermediária à intermediária), botaram a bola no chão, fizeram 2 a 0, com Neymar, de pênalti, e numa escapada pela esquerda, e poderiam sair para o intervalo já goleando.

No início do segundo tempo, porém, houve a expulsão de Zé Eduardo seguida do gol de Viera, em cobrança de corner, o que desestabilizou nosso time.

O técnico Ney Franco foi rápido no gatilho: sacou o meia Oscar para reforçar a marcação de meio-campo com o volante Fernando, e, na sequência trocou o lateral-direito Danilo por Galhardo.

Mas, foi um balão lá de trás, convertido em golaço de Neymar, que reequilibrou nossa equipe. O quarto de Neymar, que peitou o goleiro e concluiu de cabeça sobre a risca fatal, apenas cimentou a goleada. E, nem mesmo a expulsão de Henrique e o segundo gol paraguaio, de Montenegro, em saída em falso do goleiro Gabriel, chegou a ameaçar a vitória final.

Destaques? O lateral-esquerdo Alex Sandro, o volante Casemiro, o zagueiro Uvini, e, claro, Neymar.

Oscar e Lucas, pelo que já mostraram nesta temporada, ficaram devendo um pouco, e o goleiro Gabriel assustou em três saídas de gol.

Há, porém, que se descontar o nervosismo da estreia, e a determinação dos paraguaios, que não é mole.

Cariocão

O mais charmoso e bem arquitetado campeonato estadual do Brasil, apesar do excesso de clubes que o disputam, começa amanhã com Vasco e Flamengo em campo.

O Vasco recebe o Resende em São Januário, quem sabe com Carlos Alberto, seu mais expressivo jogador, em campo. Dou esse tom de dúvida sobre a presença do craque em campo porque tem sido essa a história de Carlos Alberto no Almirante, ou Gigante da Colina, como preferem os mais jovens: uma sucessão de ausências pontilhada por alguma presenças.

Carlos Alberto me encantou quando surgiu muito jovem no Fluminense e nas categorias de base da Seleção Brasileira. Via-o como um meia-armador de habilidade e desortino. Menino ainda transferiu-se para o Porto, onde Moutinho resolveu colocá-lo mais à frente, naquela célebre conquista da Liga dos Campeões.

Mas, já então, Carlos Alberto mostrava-se um jogador ciclotímico, dado a súbtos destemperos em campo. Rodou mundo, jogou no Corinthians, onde peitou o técnico Leão, que não é figura fácil de se conviver, e finalmente, desembarcou em São Januário, onde seguiu a rotina de longas esperas.

Mas, Carlos Alberto está escalado, embora o Vasco deva sentir outras ausências, de jogadores como Eduardo Costa, Dedé, a grande revelação vascaína na zaga, e Anderson Martins, por razões burocráticas.

Não sei da força do Resende, mas, apesar de tudo, acho que dá Vasco.

Já o Flamengo, sem seus estelars reforços – Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves -, pega o Volta Redonda, no Engenhão.

Ronaldinho, segundo a previsão da comissão técnica rubro-negra, só daqui a dez dias.

Fosse eu o Luxa, colocaria desde já Ronaldinho em campo. Não só para atender a expectativa da nação rubro-negra, mas, sobretudo, porque Ronaldinho já cumpriu sua pré-temporada, que, na Europa, é no meio do ano.

Até outro dia estava treinando e jogando pelo Milan, apesar de o técnico Allegri o ter aproveitado pouco no time titular. Logo, é se livrar das toxinas das Festas de Fim de Ano, o que deve ter feito em Londrina, e partir para a luta.

E, com todo o respeito pelo Time do Aço, esse confronto seria aquele amistoso do qual Ronaldinho não participou, bom para afiar o ritmo de jogo do craque, essas coisas.

Mas, enfim…

Notas relacionadas:

  1. ATÉ QUE ENFIM, SÃO PAULO
  2. NEYMAR, FRED, KAKÁ, GANSO E PATO
  3. SEM GANSO E NEYMAR, TÁ BOM ASSIM
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 17 de novembro de 2010 Seleção Brasileira | 17:33

UM ÚNICO VACILO, E MESSI…

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Ao longo de toda a partida o Brasil foi melhor, teve a bola a seus pés por um tempo maior e, se não chegou a criar grandes chances de gol, meteu uma bola na trave e esteve rondando a área argentina com maior frequência, sobretudo no primeiro tempo.

Eis que, já nos descontos, um vacilo de Douglas no meio de campo ofereceu a bola para ninguém menos do que Messi, o maior jogador de futebol da atualidade do mundo. Pois, Messi, que até então teve uma atuação discreta, dispara com a bola colada á canhota mágica, passa por David Luiz, por Thiago Silva, uma dupla de zaga impecável durante toda a partida, e toca no canto esquerdo de Victor: 1 a 0, placar final, e primeira vitória argentina sobre o Brasil depois de uma longa série de derrotas.

O resultado, porém, como se vê, foi circunstancial – um lance, protagonizado por um gênio, a um minuto do apito final, e pronto!

Nesta quadra da vida da Seleção Brasileira, no entanto, o mais relevante não é o resultado, mas o comportamento da equipe diante de um rival antigo, de forte constituição ofensiva e determinado.

E, confesso: se o desempenho brasileiro não chegou a me entusiasmar, tampouco decepcionou. Foi o time que determinou o ritmo do jogo, foi firme na defesa, equilibrado no meio de campo e veloz no ataque, que, por sinal, melhorou com a entrada de André no lugar de Neymar. Assim como melhorou com a entrada de Douglas no lugar de Ronaldinho Gaúcho.

Não que os titulares tivessem jogado mal, nada disso. Mas, pelo andamento da carruagem, àquelas alturas do jogo, as substituições se justificavam plenamente. Pelo meu gosto, teria mantido Neymar e trocado Ramires, que, mais tarde acabopu sendo substituído por Jucilei.

Mas, o amigo, por certo, quer saber o que achei de Ronaldinho Gaúcho, nessa sua volta à Seleção. Bem, cumpriu mais ou menos o papel que lhe reservou Mano Menezes – o de coadjuvante ali no meio de campo. Mais ativo do que de hábito, mas menos do que o exigido. Quase fez um golaço, de letra, deu dois ou três dribles ao seu estilo, mas não chegou a ser aquele protagonista que seu excelso futebol exigiria dele.

Quem esteve bem mesmo, aquele que me encheu os olhos, foi André Santos, pela lateral-esquerda. Não apenas conteve Messi por ali como saiu para o jogo, distribuiu passes, arriscou, enfim, jogou bola em alto estilo.

E isso é muito animador, pois aquele setor tem sido um prego na nossa chuteira desde os tempos áureos de Roberto Carlos.

De resto, que essa derrota não mude os rumos escolhidos por Mano Menezes. A Seleção perdeu, como poderia ter empatado ou até vencido, num lance semelhante, como ocorreu algumas vezes na série invicta quebrada nesta quarta-feira em Doha. O importante é que jogou bola.

O herói Assunção

Nem o Gladiador, nem He Man, o herói dessa história acabou sendo mesmo Marcos Assunção e seu tiro certeiro. Mas, qual a novidade, se este tem sido o epílogo de quase todos os jogos do Palmeiras neste segundo semestre, sobretudo na disputa da Copa Sul-Americana?

Mas, atenção: o executor do Goiás, no Serra Dourada, nesta primeira rodada das semifinais foi Marcos Assunção. Contudo, seu idealizador foi o técnico Felipão, que, no intervalo, ao ser entrevistado na tv, foi claro sobre as instruções no intervalo: “Luan tem de jogar mais aberto; os que estão sob marcação individual (leia-se Lincoln) têm de impor sua melhor técnica; e Marcos Assunção deve ocupar aquele espaço ali pela direita da intermediária deles, que está aberto”.

Dito e feito, pois foi exatamente por ali que Marcos Assunção penetrou para disparar aquele tiro exato, no ângulo esquerdo de Harlei.

Bem, depois, o Palmeiras se retrancou, jogou a chave fora e só esperou o tempo passar para celebrar mais do que esperava: não só um gol no campo adversário, que vale mais, mas também a vitória, que vale praticamente o passaporte para a final da competição.

Tributo a Nena

Foi-se o Olavo Rodrigues Barbosa, o nosso Nena, aos 87 anos de idade.

Nena, zagueirão de fé, gaúcho de boa cepa, revelou-se naquele inesquecível Inter dos anos 40. Teve uma breve e brilhante passagem pelo Vasco para formar no histórico time da Portuguesa do início dos anos 50: Muca; Nena e Noronha; Djalma Santos, Brandãozinho e Ceci; Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Simão.

Negro espigado, peito largo, rosto anguloso encimado por um penacho carapinha metido entre duas entradas precoces e profundas, Nena era daqueles beques que dispensavam uma trincheira de volantes à sua frente.

Fronte erguida, magnífico no jogo aéreo, firme na disputa da bola rasteira, saía jogando elegantemente com suas chuteiras 44, sempre apontando dez pras duas, fossem ponteiros de relógio.

Jogou pouco pela Seleção Brasileira, mas formou no numeroso elenco da Copa de 50, mas tem em seu currículo dois títulos internacionais, além das tantas fitas azuis obtidas pela Lusa nas célebres excursões à Europa: uma Copa Rio Branco, em 47, contra os uruguaios, e uma Taça Oswaldo Cruz, contra o Paraguai.

Um grande zagueiro, um líder em campo e uma figura inesquecível.

Notas relacionadas:

  1. GALO E LEÃO, NA CABEÇA
  2. BALANÇO FINAL
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

terça-feira, 16 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira | 14:18

UMA DECISÃO

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Já fomos fregueses de caderneta – como se dizia naqueles sombrios anos 30/40/50 – deles. Levávamos sovas monumentais, na bola e no pau. Fosse nos antigos Campeonatos Sul-Americanos, nas já extintas Copas Roca, em amistosos, o resultado era sempre o mesmo.

Mas, a partir da conquista da Suécia, em 58, começamos a virar a moeda. E, dos anos 70 pra cá, viemos somando longas séries invictas diante dos argentinos. Agora mesmo estamos aí, sei lá há quanto tempo, sem perder deles. Inclusive naquela decisão célebre da Copa América, quando eles jogaram muito melhor, mas o Imperador Adriano virou tudo de cabeça pra baixo no finalzinho da partida.

Contudo, é bom não reduzir o poder da atual Seleção Argentina, que enfrentamos num amistoso com cara de decisão, em Doha, no Qatar, nesta tarde de quarta-feira. Do meio de campo pra frente, mesmo sem a presença de Tevez, Aguero e Cambiasso, por exemplo, os argentinos têm um poder de fogo respeitável.

Messi continua esmerilhando no Barça, embora até hoje não tenha reproduzido com a camisa alvo celeste o mesmo desempenho. E Higuaín, mesmo não sendo um craque na acepção mais exigente do termo, está no Real fazendo um gol atrás do outro.

Não sei ainda qual será a formação argentina para o confronto com o Brasil, mas seis que isso passa a ser um tanto irrelevante diante das alternativas de que dispõe seu treinador, Sergio Batista.

O ponto fraco desse time, porém, é a defesa, desde o goleiro e passando pela linha de zaga. E é em cima disso que Mano Menezes deverá estabelecer sua tática de jogo.

Mesmo porque a nova Seleção Brasileira, nas mãos de Mano Menezes, tem revelado esse espírito mais ofensivo, leve e insinuante, com jogadores moldados para tal tarefa, tipo Ronaldinho Gaúcho, Neymar, Robinho etc.

Justamente por conta dessa nova mentalidade adotada pelo time nacional, somada a longa série invicta diante deles, é que esse jogo ganha dimensões maiores para nós do que a de um simples amistoso.

Uma eventual derrota diante da Argentina – o que não é nada improvável, pelas circunstâncias – despertará o clamor embutido dos pragmáticos de plantão: ora, ora, o tal do futebolzinho faceiro do Mano esboroou logo que pegou um time forte!

Portanto, todo cuidado é pouco. Assim como pouca será qualquer ousadia.

O predestinado

Há caras que nasceram mesmo com a estrela na testa, predestinados a deixar sua marca no mundo, nos momentos mais críticos. Não só pelo que são capazes de fazer, fizeram ou fazem, mas, sobretudo, pelo que os outros imaginam possam eles fazer.

O amigo já percebeu que estou falando de Ronaldo Fenômeno, um desses escolhidos pelo destino.

Reveja a cena decisiva do jogo decisivo contra o Cruzeiro no Pacaembu, o pênalti de Gil em Ronaldo que o craque corintiano converteu na vitória do seu time.

Fosse qualquer outro atacante alvinegro que estivesse matando aquela bola dentro da área, de costas pra meta azul, e Gil, até então impecável na defesa de sua área, simplesmente chegaria por trás do sujeito e ali esperaria uma definição prosaica, barrando a possibilidade da virada para o gol.

Mas, não era um atacante qualquer que estava matando aquela bola no peito. Era Ronaldo. Ao se dar conta disso, muito provavelmente, uma luzinha vermelha acendeu na mente de Gil, que, no ato, entrou em curto-circuito: partiu com tudo, cabeça encolhida, ombro direito à frente, e atirou-se sobre as costas de Ronaldo.

Pênalti, claro!

Afinal, entre Gil e a bola havia o corpanzil de Ronaldo. Não daria para o zagueiro alcançar a bola a não ser atropelando o atacante. Não há o que discutir.

Mas, o efeito do gol de Ronaldo não se extinguiu naquele instante, nem nos reflexos sobre a disputa do título. Foi além: desestruturou de vez o Cruzeiro, dos jogadores ao presidente, passando pelo técnico, que passaram a enxergar naquele lance uma conspiração global para favorecer o Corinthians.

Com isso, se Cuca não conseguir recuperar o moral da tropa em tempo, o Timão livrou-se de um concorrente poderoso na corrida pela faixa de campeão, antes mesmo das rodadas finais.

Já disse aqui e repito: se Ronaldo, aos 34 anos de idade, com aquele físico mais de lutador de sumo do que de jogador de futebol, com todas as cicatrizes de tantas e tão as graves lesões sofridas ao longo de gloriosa carreira, receber três bolas de jeito, uma ele guarda.

Pois, foi o que ocorreu nesse jogo com o Cruzeiro: a primeira, ele disparou, raspando o poste; na segunda, foi desarmado na hora do chute; na terceira, rede.

E olhe que não tem jogado metade do que jogou naquela campanha da Copa do Brasil, ano passado, o que significa nem dez por cento do que jogava nos bens tempos.

Mas, sua simples presença em campo, depois de longa ausência, já bastou para que o Corinthians retomasse o rumo do título.

É o poder da predestinação.

Notas relacionadas:

  1. E SE RONALDO JOGAR?
  2. TRÊS VEZES RONALDO
  3. E, CONTUDO, FOI PÊNALTI
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

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