17/11/2009 - 15:26
Quem esperava um massacre brasileiro em Mascate, cujo nome ilustra bem a presença da nossa Seleção naquela cidade, quebrou a cara. Foram modestos 2 a 0, gols de Nilmar, que vai se firmando no grupo para a Copa, e do zagueiro árabe, contra, ao ser apertado na área por Hulk, a grande novidade da equipe, no segundo tempo.
Parte, porque a Seleção de Omã não é tão cega de bola como se imaginava por aqui. Parte, porque nosso time não revelou interesse suficiente para emplacar uma goleada, embora tenha perdido várias chances, assim como os árabes, diga-se. Ambos esbarraram, sobretudo, no bom desempenho dos dois goleiros.
Basta dizer que Kaká, a estrela da Cia. Amarela, só entrou em cena nos últimos minutos do primeiro tempo, para deixar definitivamente o campo no intervalo.
E é aqui que a porca torce o rabo: no seu lugar entrou Júlio Baptista, a antítese de Kaká: a força no lugar do talento.
Aliás, várias foram as substituições feitas por Dunga no segundo tempo, mas nenhuma incluiu o nome de Alex, ex-Inter, o mais indicado para conferir um tantinho de criatividade no nosso meio de campo tão carente desse atributo essencial.
Mas, enfim, como o que vale, nestes tempos bicudos, é o resultado, nosso time soma mais uma vitória num ano pródigo em bons resultados.
Cuco e ferrolho
No clássico de Carol Reed, O Terceiro Homem, o genial Orson Welles, no papel do nefando Lime, imortalizou a frase: “Em quinhentos anos de democracia, a única contribuição da Suiça à humanidade foi inventar o cuco”.
Acrescento: inventou também o ferrolho – essa retranca que subsiste até hoje no nosso futebol sob vários disfarces.
Finalmente, só agora, os suíços conseguiram romper essa barreira ganhando o Mundial de 17, de cabo a rabo, eliminando Brasil e outros mais cotados. Belê!
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: amistoso, Mundial Sub-17, Nilmar, Seleção Brasileira, Suíça
14/11/2009 - 18:03
A Inglaterra estava sem meio time, assim como o Brasil, muito desfalcado. A diferença é que os reservas da Inglaterra são muito inferiores, tecnicamente, aos reservas brasileiros, e o resultado foi a vitória do time do Dunga por 1 a 0.
E poderia ter sido de mais, já que Luís Fabiano desperdiçou pênalti do goleiro Foster em Nilmar, e Lúcio mandou uma canhota no poste, com o goleiro vencido.
Não foi um daqueles jogaços históricos, longe disso, mas, pelas circunstâncias, o Brasil exibiu uma bola coerente, e, em alguns poucos momentos, incisiva.
Era o que bastava para a hora.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: amistoso, Inglaterra, Seleção Brasileira
15/10/2009 - 15:27
Os números são irrefutáveis: ao fim dos três anos e caquerada de Dunga à frente da Seleção, o resultado foi altamente positivo.
A Seleção de Dunga obteve cerca de 75 por cento de resultados positivos, um índice, no mínimo, impressionante; levantou duas taças importantes – a Copa América e a Copa das Confederações -; manteve uma das maiores séries invictas da história, e concluiu as Eliminatórias em primeiro lugar, com a inesperada derrota do Paraguai, em Assunção, para a Colômbia.
Mais significativo ainda é que esses feitos foram conquistados por um treinador neófito, cuja primeira experiência na condução de uma equipe de futebol foi exatamente essa, com a Seleção.
Ao longo desse período, foi evidente o crescimento de Dunga no novo ofício. Começou mal, beirou a demissão num certo período, apesar dos resultados, e a equipe só cresceu mesmo nesta temporada.
Isso porque, para o brasileiro, não basta a Seleção vencer, embora isso seja essencial. É preciso que, em cada dez partidas, pratique um futebol convincente, em pelo menos oito. Não foi esse o índice observado, porém, Por isso, tanta contestação ao trabalho de Dunga na maior parte do tempo.
A Copa América, por exemplo, foi conquistada aos trancos e barrancos. Já a Copa das Confederações, ao contrário: entre outras coisas, fez um jogo brilhante na vitória sobre a Itália, a exemplo de um amistoso com os campeões do mundo. Brilhante e briosa foi também a vitória sobre a Argentina em Rosário, pelas Eliminatórias.
Mas, sempre há que se exigir mais da Seleção, para quem a perfeição é uma meta inalcançável, mas presente no coração e na mente dos brasileiros.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Dunga, Seleção Brasileira
11/10/2009 - 19:38
A classificação antecipada, a altitude, as ausências de vários titulares, tudo isso pode explicar a derrota do Brasil para a Bolívia, em La paz, por 2 a 1. E explica: pois, o Brasil não foi nem de longe o Brasil dos últimos tempos em La Paz.
Tomou dois gols logo de cara, com Olivares, de cabeça, aos 9 minutos, e Marcelo Moreno (aquele brasilviano do Cruzeiro), de falta, que deixou Júlio César plantado no meio-de-campo enquanto a bola zunia no ângulo direito do nosso goleiraço.
Na verdade, o time só ganhou um pouco de dinamismo no segundo tempo, depois das entradas de Alex, Tardelli e Elano, o que nos permitiu reduzir o placar para 2 a 1, com Nilmar, na conclusão de bela trama entre Tardelli e Maicon.
A maior decepção, porém, ficou por conta da estreia de Diego Souza, no lugar e Kaká, que teve um gol a seus pés e mais nada. Mas, pelas circunstâncias, não vale tirar nenhuma conclusão definitiva sobre seu futuro na Seleção.
De resto, é reativar a perplexidade diante da vitória, na véspera, da Argentina sobre o Peru. Não pelo resultado em si, normal, em tempos normais. Mas, pela situação vivida pelos dois times: o gol impedido de Palermo já nos descontos, a bola na trave da Argentina, na sequência, disparada do meio do campo, o pênalti de Schiavi já no apito final, enfim, um tango argentino, da introdução ao acorde final.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Bolívia, Eliminatórias, Seleção Brasileira
09/10/2009 - 18:56
Parece que Dunga já definiu seu time para o jogo contra a Bolívia, a julgarmos os dois coletivos recentes na Granja Comary.
Nesse caso, dois são os pontos básicos: a passagem de Daniel Alves para o meio de campo, ao lado de Josué e Ramires, e a experiência com Diego Souza no lugar de Kaká, titular indiscutível.
A primeira, já foi alternativa de Dunga em vários jogos, e, talvez, se justifique pela enorme reserva energética do baiano, capaz de dobrar o problema da altitude. A segunda, uma escolha sábia para eventuais ausências de Kaká.
Afinal, nem Elano, nem Ramires, nenhum dos convocados anteriormente, tem um perfil técnivo capaz de substituir o titular. Era um dos poucos equívocos de Dunga em suas convocações. Quem sabe, Diego responda à altura. Espero.
Enfim, é esperar pra ver.
Assim como é de se ver como o Peru reagirá diante da Argentina, no jogo de Buenos Aires, dramático para os hermanos.
Sempre sobrará a lembrança amarga daquele jogo de 78 que nos impediu de decidir o título com a Holanda.
Eu estava lá, e nunca me esquecerei da entrada dos jornalistas peruanos na sala de imprensa, chorando e nos pedindo desculpas pela atuação ignóbil de sua seleção. Tempos depois, o ditador Alvarado condenou vários jogadores daquela equipe, e vários foram os testemunhos de jogadores peruanos, nos tribunais e na mídia, confessando a tramóia.
Mas, isso foi há mais de trinta anos. E não seria justo duvidar, hoje, dos peruanos, que, imagino, jogarão o que podem, o que não é muito, convenhamos.
Pelo sim, pelo não, porém…
BRASILEIRÃO
O grande clássico da rodada, sem dúvida, é o que será travado no Maracanã, entre Flamengo e São Paulo. Pois, os dois têm muito a perder e a ganhar.
Neste exato momento, o Flamengo dá sinais de estar melhor do que o São Paulo, embora a classificação na tabela diga o contrário. Além do mais, o Flamengo joga em casa, calculo, diante de uma multidão delirante.
Ah, mas o Mengão não terá Adriano, seu artilheiro e do campeonato, dirá o amigo mais cético. É verdade, mas aconselho o amigo a não desprezar a capacidade ofensiva dessa equipe, com Pet, Denis Marques e Zé Roberto, que voltou a ser aquele atacante arisco e habilidoso dos tempos do Juventus, do Cruzeiro e, principalmente, do Botafogo.
Já o São Paulo estará muito desfalcado, outra vez, embora tenha bola para encarar o Fla, lá, de igual para igual.
Aliás, é a chance, tantas vezes desperdiçadas, para o Tricolor se aproximar do líder Palmeiras, que vai aos Aflitos pegar o Náutico, em jogo problemático, Muito mais pel0s problemas do próprio Palmeiras do que pela eventual força do adversário, que joga em desespero.
Não apenas pela ausência sentida de Diego Souza, mas, acima de tudo, pela forma como o técnico Muricy encara a alternativa para surprir essa ausência. Em vez de apenas escalar alguém, como Devyvid Saconni, cujo estilo mais se aproxima ao do titular, prefere mudar o esquema de seu time, que, em geral, não funciona, com três zagueiros e tal e cousa e lousa e maripousa.
Quanto ao Galo, que dizer? Trata-se de um clássico histórico com o Cruzeiro, o que é sempre imprevisível, independendo do estágo em que esteja este ou aquele. E, sem Tradelli…
Dos integrantes do G-4, o que está melhor, novamente, na foto é o Inter, que vem de vitória, e pega em casa o Furacão em recuperação, mas nem tanto.
Eis a grande oportunidade de o Colorado voltar pra valer pela briga do título.
Sub-20
Na verdade, há um erro semântico na denominação desse torneio mundial. Não deveria ser chamado de Sub-20, desde que jogadores com a idade de 20 anos dele participam. Sub-20 seria de 19 anos pra baixo. Na verdade, é Sub-21. Mas, enfim, como ninguém mais dá bola pra essas coisas, vamos ao que interessa.
O Brasil, que deu um show na última participação, pega a Alemanha, que penou para vencer a Nigéria.
Mas, é aqui que a porca torce o rabo. Embora, o time brasileiro seja, tecnicamente, muito superiro, precisa ficar ligado no fato de que alemão não desiste até o último segundo. Aliás, foi assim que a Alemanha se classificou diante da Nigérias e é assim que se conta a história desse poderoso futebol, em todas as categorias.
Há uma forte tendência de o futebol brasileiro, desde os meninos, de, fazendo o placar, se acomodar. Diante dos alemães, não pode. Tem de jogar, pra valer, até o fim.
Jogar até o fim, por sinal, foi a palavra de ordem da Itália, que acabou caindo fora diante da Hungria, por 3 a 2, no tempo agregado – regulamentar e prorrogação. Mesmo com um jogador a menos – e, num breve momento, com dois – os italianos foram raça pura. Começaram perdendo por 1 a 0, empataram, sofreram o segundo gol já na prorrogação, empataram, e, depois de várias chances perdidas, acabaram sucumbindo, no final.
O jogo, na verdade, foi um porre, tecnicamente. Mas, uma festa emocional. Entre outras coisas, porque a Itália foi a de sempre, aquele time que pratica o calcio, não o futebol. Marca muito, sua muito e não é capaz de inventar nada.
Por seu lado, a Hungria, cuja glória passada se baseou na chamada Escola Danúbio, de muito toque e técnica refinada, foi uma Itália em ponto menor: marcou, errou passes à beça e jogou pouco.
São os novos tempos, infelizmente.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira
Tags: Diego Souza, Dunga, Flamengo, Kaká, Mundial Sub-20, São Paulo, Seleção Brasileira
08/10/2009 - 14:52
Pode até parecer uma cilada do destino: no instante em que o técnico Dunga pode dar o arremate final no elenco que irá à Copa, o jogo é lá nas alturas de La Paz.
Quer dizer: se Dunga decidir aplicar um teste decisivo com alguns dos recém convocados, tipo Sandro, Alex, Diego Tardelli, Diego Souza etc., terá de fazê-lo numa situação atípica, em que os testados já entrarão em campo sob o peso dos efeitos da altitude.
Mas, talvez, esse também venha a ser um teste a mais, quem sabe?
Mesmo porque, na Copa, teremos de enfrentar esse problema da altitude, nunca, claro, como em La Paz. Tanto, que a CBF se programa para levar a concentração brasileira, na fase pré-Copa, para alguma de nossas montanhas friorentas, mas, sem o empecilho do ruço de Teresópolis.
O fato é que Dunga terá de aproveitar o jogo de domingo contra a Bolívia e o de quarta contra a Venezuela para colocar em ação essa nova turminha que começou a orbitar na zona da convocação final.
Aliás, eu gostaria muito de ver, por exemplo, esta formação, do meio-de-campo pra frente: Sandro e Lucas; Kaká e Alex; Nilmar e Diego Tardelli. Ou qualquer coisa no gênero. Duvido que Dunga tenha tal ousadia. Não combina com seu perfil de um treinador que, antes de tudo, busca a segurança máxima. Portanto, não abriria mão de uma escalação já mais entrosada, mantendo a base e o esquema vitoriosos nesta sua jornada à frente do time nacional.
Pelo que se consegue vislumbrar através do ruço da Granja Comary, no máximo, o nosso técnico arriscaria uma experiência com o lateral-esquerdo Filipe no lugar de André Santos. E uma ou outra das alternativas supra citadas, no decorrer da partida.
Aliás, na verdade, quem acabará escalando nosso time para o jogo de La Paz será mesmo os departamento médico, os fisiologistas, de acordo com avaliação do poder de resistência à altitude de cada um dos componentes do elenco.
Uma pena.
Isso, porque há os que sucumbem só ao pensar nessa síndrome. E há os que nem estão aí com a tal de altitude, e jogam como se estivessem à beira-mar. Nesse negócio, entram não apenas o pulmão, mas, sobretudo, a cabeça e a alma.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: altitude, Bolívia, Dunga, Seleção Brasileira
07/10/2009 - 14:23

Brasil comemora
Foi um show de técnica e habilidade dos meninos do Brasil sobre o Uruguai, pelo Mundial Sub-20, no Egito. O primeiro tempo, então, foi vertiginoso, quando o Brasil disparou 3 a 0, três gols de alta classe, sobretudo os dois de Alex Teixeira.
Por falar em Alex Teixeira, garoto de São Januário, que beleza sua exibição! Aliás, não foi a primeira vez neste campeonato que esse rapaz se destacou pela facilidade nos dribles, a inteligência no passe e a movimentação constante em alta velocidade. Cai pelos dois lados, dribla como quem está apenas conduzindo a bola, infiltra-se e conclui com graça e sutileza.
Mas, o Brasil não foi só Alex. Ganso deu seu toque de classe à vitória especial, pois diante de um adversário tradicional, aguerrido e de boa técnica, que também jogou bola, não apenas se defendeu. Assim como Giuliano, uma esperança que está se tornando realidade no Inter, que se ressente muito no Brasileirão de sua ausência.
Enfim, um trio de meias de alta classe, cada um no seu estilo, que se ajustaram num time que só tem Alan Kardec, do Vasco, autor de outro gol, como ponto de confluência na área, o que é muito promissor para um futebol que despreza solenemente esse tipo de jogador essencial.
No segundo tempo, os uruguaios atiraram-se ao ataque, marcaram seu gol de honra e perderam um pênalti, defendido por Rafael. Mas, mesmo sob pressão, o Brasil acumulou quatro chances claras para ampliar o placar. Magnífico!
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Mundial Sub-20, Seleção Brasileira
24/09/2009 - 18:22
Diga aí, amigo, há quanto tempo venho clamando pela chamada de meias autênticos para a Seleção de Dunga, seja para compor dupla com Kaká, seja como alternativa para eventual perda do titular absoluto nesta ou naquela partida?
Pois, obrou bem o Dunga ao convocar Diego Souza e de Alex, ex-Inter, com vistas aos jogos finais das Eliminatórias, contra Bolívia e Venezuela, dois jogos experimentais, já que estamos lá, com inédita antecedência nesta fase de turno e returno.
Diego Souza, destro, dono de tiro potente e molejo, com nítida vocação ofensiva a partir do meio-de-campo, embora volante de origem, é o que mais se aproxima do estilo de Kaká.
Alex, canhoto, que tanto pode atuar no meio, como na ala esquerda ou no ataque, a exemplo do que fez no Inter, é aquele esquerdinha hábil que tanta falta faz ao nosso time.
De resto, é o habitual, com exceção de Robinho que, machucado, cedeu seu posto a Diego Tardelli. Se bobear, perde a vaga, mesmo sendo o jogador símbolo do time de Dunga por tudo que já fez nestes últimos quatro anos com a camisa amarela, pois Tardelli tem técnica e habilidade para a função e ainda por cima é emérito artilheiro.
Assim como Felipe Melo, suspenso pela expulsão contra o Chile. Mas, este já tirou sólida carta de crédito pelas atuações anteriores. Só precisa domar seu temperamento, um tanto explosivo.
Por precaução, Dunga, ao chamar Juan, chamou também Miranda como estepe, já que o romanista, nos últimos tempos, tem sido vítima recorrente de contusões de demorada recuperação.
Gostaria de ter visto também nessa lista o nome de Cleiton Xavier, mas ele pode ter sido omitido porque se machucou na vitória do Palmeiras sobre o Cruzeiro.
Mas, valeu a convocação de Sandro, que está muito bem no Inter, dispensado da Sub-20 justamente para servir o time titular, ainda que como reserva de Gilberto Silva.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Alex, Diego Souza, Dunga, Seleção Brasileira
29/06/2009 - 15:27
Foi, sim, uma vitória épica, essa do Brasil sobre os EUA. Pelo desenrolar do jogo, não pela dimensão das forças em confronto.
Explico: se o Brasil metesse 3 a 0, como o fez no jogo da fase de grupos da Copa das Confederações, não haveria nem um traço épico nessa vitória, dada a imensa diferença histórica e técnica entre os dois times.
Épico, porém, não significa excelência técnica. Nesse aspecto, o Brasil não cumpriu – a não ser em breves momentos do segundo tempo – seus altos desígnios. Foi muito mais guerreiro, determinado do que qualquer outra coisa. Claro que esse atributo é também essencial, mas jogar bola, esse, sim, é o nosso destino.
Mas, virar um placar de 2 a 0 contra, numa decisão qualquer, nas condições em que isso ocorreu, com o adversário inteiro até o final, sem pênaltis ou gols ilícitos (ao contrário: aquela bola de Kaká entrou e o juiz não deu), é, sem dúvida, um feito épico.
Mas, passando de pato a ganso – e, neste momento, estou vendo três patinhos brancos deslizando no regato que banha meu jardim, como a saudar a vitória brasileira -, então, quer dizer que já temos o time da Copa e que Dunga está mais firme do que as Muralhas da China no comando da Seleção?
Bem, a não ser que advenha uma catástrofe irremediável, Dunga selou sua passagem para a Copa do Mundo, não apenas pela conquista da Copa das Confederações, com cinco vitórias – uma delas, sobre a Itália, campeã do mundo, mas, também, pela reação nas Eliminatórias nos jogos que precederam a ida à África do Sul.
Quanto ao time, não há nenhuma garantia, pois, até lá, sempre haverá a possibilidade de lesões, queda acentuada de rendimento deste ou daquele jogador, aparecimento súbito de um craque desses que estão acima de qualquer suspeita e tal e cousa e lousa e maripousa.
Esse time mesmo já teve bons e maus momentos, mesmo no curso das vitórias recentes. Isso faz parte. Mesmo porque há outros fatores, além dos técnicos e táticos, que contribuem para tanto – cansaço, falta de tempo para treinamento adequado, má fase deste ou daquele jogador etc.
Mas, digamos, como um exercício de imaginação, que essa turma toda chegue na Copa do Mundo nos trinques, o que ficará ainda faltando? Estou convencido de que falta uma alternativa tática confiável para quando as coisas não correrem do jeitinho que a gente gosta.
Na defesa e no ataque, não há muito o que se cogitar: os últimos convocados se suprem na medida do necessário. Mas, no meio-de-campo é que a porca torce o rabo. Há volantes demais e meias de menos.
Não custa nada Dunga trocar dois ou três volantes por dois ou três meias habilidosos. Vai que precisa, não é mesmo?
MURICY RETICENTE
Não tenho conversado com Muricy nos últimos tempos, apesar de vizinhos aqui em Ibiúna, onde ele descansa e reflete sobre seu futuro. Desconfio que ele anda agastado comigo, o que lastimo mas entendo. Afinal, passei, por baixo, este ano e meio pedindo para que Muricy mudasse o braço da viola, escapasse daquele círculo de giz que ele mesmo riscou ao seu redor, fixando-se num sistema que tornava seu time previsível, repetitivo e sem brilho.
A propósito, alguns internautas me cobram coerência: como, depois de tantas críticas, venho aqui condenar a demissão de Muricy do São Paulo?
Poderia, simplesmente, responder-lhes como o sábio: coerência é apanágio dos idiotas. Mas, não o farei, pois, não é esse o caso: ao mesmo tempo em que critiquei a postura tática inflexível do São Paulo de Muricy, antes mesmo, muitos anos atrás, venho repetido que se trata da maior vocação para técnico de futebol de que me lembro nas últimas décadas.
Uma coisa é o sistema adotado por Muricy; outra coisa é seu potencial como treinador de futebol, sua honradez, sua disposição de trabalhar de sol a sol na montagem de uma equipe, seus conhecimentos sobre os segredos do futebol, esse jogo tão simples em toda a sua complexidade.
O fato é que passei agora pouco pela frente do seu condomínio e me deaprei com uma fila de pretendentes aos seus serviços técnicos que atravessava a estrada.
Qual o clube que não quer Muricy, tricampeão brasileiro?
O primeiro a saltar na frente foi o Palmeiras, que, aliás, só se desfez de Luxemburgo, o mais vitorioso técnico brasileiro, depois que soube que Muricy estava na praça.
Muricy, porém, está reticente: aceita ou não aceita o convite? Pediu uns dias para pensar.
Num prato da balança está o pudor de assumir o grande rival do São Paulo, clube que está entranhado na sua alma simples e direta. No outro, o desejo da família de que ele continue mesmo por aqui, na rota São Paulo-Ibiúna-Guarujá.
Ora, se Muricy estivesse pensando em trocar o São Paulo pelo Palmeiras por vontade própria, por uma oferta irrecusável etc., esse sentimento de lealdade se justificaria plenamente. Mas, não é o caso. Muricy foi simplesmente defenestrado do Morumbi. Logo, ninguém poderia condená-lo por aceitar uma oferta do Palmeiras nessas circunstâncias.
O homem, porém, é a soma de seus desejos e hábitos, muitas vezes conflitantes. E o que Muricy gostaria mesmo, lá no fundo, era suspirar feito Greta Garbo: Leave me alone!
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Mundo, Seleção Brasileira, Treinadores
Tags: Copa das Confederações, Copa do Mundo, Dunga, Ibiúna, Muricy Ramalho, Palmeiras, São Paulo, Seleção Brasileira, Volantes
28/06/2009 - 17:48

Foi uma vitória épica e uma conquista exemplar do Brasil na África do Sul. Conquista exemplar porque conquistamos a Copa das Confederações ganhando todos os jogos, alguns deles, com folga e apresentando bom futebol. E uma vitória épica porque os EUA, fazendo jus à tradição que marca estes confrontos, deu-nos um sufoco inusitado, ao disparar logo de cara, dos 9 aos 27 minutos do primeiro tempo, 2 a 0, gols de Dempsey e Donovan, seus dois melhores jogadores, por sinal.
E o Brasil, ali, com a bola nos pés, sem saber o que fazer com ela, até que, ao raiar da etapa inicial, aos 46 segundos, Luís Fabiano recebe na entrada da área, mata e gira de canhota para reduzir o placar e, aí, sim, colocar nossa Seleção no jogo.
E veio o gol de Kaká, que nem bandeirinha, nem juiz deram. Em seguida, as mudanças que mudaram a fisionomia do nosso time – as entradas de Dani Alves no lugar de André Santos e de Elano, no de Ramiores. Meio perdido entre ir e vir.
Kaká, então, aos 29, carregou pela esquerda, cruzou para Robinho emendar na trave, e, na recarga, Luís Fabiano, de cabeça, empatou o jogo que Lúcio desempataria em cabeceio certeiro na cobrança de córner de Elano.
Justo prêmio para o capitão e sempre presente Lúcio, um dos maiores zagueiros de nossa história.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
Tags: Copa das Confederações, Seleção Brasileira
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