16/11/2009 - 15:32

São Paulo, Flamengo ou Palmeiras, quem vai levar a taça, ao cabo das três rodadas que faltam para o apito final do Brasileirão?
Dos três, o único que pode alcançá-la sem olhar para mais ninguém é o Tricolor paulista. Aos outros dois, resta torcer pelo tropeço tricolor e vencer os jogos que lhe cabem.
Isso, grosso modo, porque infinitas são as possibilidades de fracassos e êxitos desses três times na briga pelos nove pontos restantes.
Assim como tedioso e inútil é tentar garimpar maiores ou menores dificuldades nos jogos que a tabela reserva para cada um, num campeonato tão nivelado como este, em que os aparentemente fracos criam forças diante dos aparentemente fortes e vice-versa, meu endereço, como me sussurra da varanda a estátua em papel machê de mestre Adonirã Barbosa.
Nestas alturas do campeonato, é tudo pedreira, porque a tensão extrema precede a entrada dos times em campo e, bola rolando, ela pode ser fatal.
Sobra-me, pois, uma única alternativa de análise, aquela que indica para os quesitos técnico e anímico.
Neste aspecto, o Palmeiras é o que me parece mais fragilizado nesse momento. Empatou um jogo que deveria ter e caiu, numa só rodada, da liderança para a terceira posição. Isso abala, cara. Mais ainda porque o time vem jogando mal há várias rodadas.
Contudo, se Muricy puder injetar ânimo novo na equipe e escalar o que tem de melhor, o Verdão continuará no páreo.
Já o Flamengo, dos três, é o que vem em disparada desde lá debaixo, neste segundo turno, praticando um futebol de primeira. Some-se a isso a força de sua torcida, que se espalha por esses brasis afora, delirante, e, então, o bicho pega.
Tecnicamente, é o que está jogando o melhor futebol, embora o Tricolor tenha dado sensíveis sinais de melhora na vitória sobre o Vitória. E, pela experiência de seu grupo tricampeão brasileiro, pode muito bem espantar o temor natural que invade a caça nesta reta final de perseguição.
Traduzindo: o São Paulo, pelos pontos de vantagem, O Flamengo, pelo futebol que está jogando, embora revele certo cansaço na segunda etapa, e o Palmeiras, já mais distante, pela possibilidade de jogar inteiro, nessa ordem, podem levantar a taça, é claro.
Vai apenas depender de quem tropece, onde e quando, neste campeonato dos tropeções históricos.
SIMPLESMENTE ANDRADE
Não há dúvida de que o ponto de inflexão desse Flamengo foi a entrada em cena, de surpresa, do meia Petkovic. Com ele em campo, Adriano, outro destaque do time, passou a jogar mais e está fazendo a diferença, como artilheiro do campeonato.
Assim como a recuperação de Zé Roberto, a chegada de Maldonado e a fixação do menino Airton e de Álvaro lá atrás contribuíram decisivamente para a prodigiosa arrancada do Mengo.
Mas, por trás disso tudo, esconde-se, em sua proverbial modéstia, a figura de Andrade, um dos mais completos volantes da história do nosso futebol, que tanto marcava com eficiência como sabia jogar com elegância e talento, naquele Flamengo inesquecível do começo dos anos 80.
Andrade não tem aqueles arroubos de chefe cheio de verdades, próprios dos nossos treinadores, ainda que iniciantes, nada disso. Apenas, tem a sabedoria de olhar o futebol com a clareza da simplicidade, esse atributo tão sofisticado que para os simplórios metidos a inteligentes soa como demérito, falta de sintonia com os tempos modernos, essas baboseiras todas.
Simplesmente, Andrade deu apoio àqueles que ele julgava capazes de responder positivamente em campo; armou sua equipe sob o sistema mais racional para obter o necessário equilíbrio entre defesa, meio de campo e ataque, e deixou rolar a harmonia decorrente dessas decisões.
Andrade não é daqueles sábios que estudam a semana inteira o adversário e montam sua equipe em função disso, muitas vezes alterando a escalação ou determinando funções não peculiares a este ou aquele jogador. Nada disso,aposta na quintessência de qualquer esporte coletivo, sobretudo o futebol: o entrosamento entre os atletas em campo, que só se aprimora com o tempo e a repetição dos movimentos de cada um.
Simples assim, como Andrade.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Andrade, Flamengo, Palmeiras, São Paulo
14/11/2009 - 22:22
Desta vez, sim, o São Paulo praticou um jogo de líder. Meteu 2 a 0 no Vitória e desperdiçou, por baixo, meia dúzia de chances claras — três delas, com o artilheiro Washington, ali na marca do pênalti ou a dois palmos da risca final.
O goleador nem precisava explicar, como o fez depois do jogo: estava na cara que o moço entrou em campo tolhido pela ansiedade de fazer os gols que seduzissem a torcida um tanto arredio à sua bola nos últimos tempos.
Mas, o mais importante foi a maneira como o São Paulo construiu a vitória, tocando a bola, envolvendo o adversário e criando as oportunidades de ampliar o placar através de tramas bem urdidas, bola de pé em pé, essas coisas triviais que viraram um bicho de sete cabeças no futebol brasileiro atual.
Além do mais, essa foi uma partida que bem exemplifica o que venho falando aqui sobre o líder do campeonato: seu segredo maior é ter um elenco sem craques excepcionais (a não ser Rogério Ceni), mas no qual reservas e titulares se equivalem, num bom nível, de tal maneira que sai um, entra outro e não há traumas.
Basta verificar, por exemplo, o que jogaram Arouca e Hugo, que, ao lado de Miranda, foram os melhores do time. Ambos saíram do banco e entraram na equipe como se estivessem lá há tempos.
Assim como a entrada dos meninos Marlos e Oscar, já no último terço do segundo tempo, conferiu mais velocidade e vigor, além do toque de habilidade que impediu o Sport de dar aquele bote final, pressionando a defesa tricolor, fato recorrente em quase todos os jogos do líder.
Se mantiver esse nível de desempenho, o São Paulo estará mais perto do título do que os demais, sem dúvida. O diabo é que nenhum jogo é igual ao outro, sobretudo neste campeonato tão imprevisível.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: São Paulo, Vitória
11/11/2009 - 14:27
O São Paulo não joga bem há um bom tempo. Aliás, não jogou bem nem mesmo quando foi campeão. Mas, tem sido eficiente. Tanto, que somou pontos suficientes para levar o tri brasileiro e manter-se, agora, ali no topo da tabela.
E conseguiu tais proezas, basicamente, porque soube preservar o equilíbrio entre titulares e reservas. Entre quem sai, por lesão ou suspensão, e quem entra, a distância técnica chega a ser quase irrelevante.
Pegue o amigo, por exemplo, o caso presente: sem poder contar com Dagoberto, Borges e Jean, todos expulsos na última partida do time, o técnico Ricardo Gomes tem à sua disposição, para o lugar de Jean, Arouca, que seria titular na imensa maioria dos times que disputam a divisão especial do Brasileirão. E, para os de Dagoberto e Borges, Washington, o menino Oscar, Marlos e Hugo.
O amigo pode gostar mais deste ou daquele, mas no rigor da análise fria, todos estão ali mais ou menos no mesmo nível.
Outro dia, disse isso no Bem, Amigos e Jorge Wagner, sentado à minha frente, só fez balançar a cabeça em sinal de aquiescência.
O problema, já crônico, do elenco tricolor é a escassez de armadores, aqueles meias que permitam uma passagem mais sutil e inteligente da defesa ao ataque. E muito disso se deve à cristalização no São Paulo do sistema com três zagueiros, que retira do meio de campo a presença desse tipo de jogador, substituído, de hábito, por um volante ou um meia ofensivo.
Ricardo Gomes conseguiu, num determinado momento deste campeonato, melhorar um pouco o toque de bola nesse setor vital de qualquer equipe. Mas, nada ainda que se aproxime do nível de excelência desejado.
Isso tudo, porém, corre paralelo à disputa em si, à capacidade ou não de o time levantar o tetra ao cabo dessa corrida memorável. Esse é outro departamento.
E JOGAR BOLA?
Paulo Autuori já arrumou suas malas em direção às arábias, de volta. Dizem que a distância entre a proposta dos árabes e a disponibilidade do Grêmio era insuperável.
Mas, fico aqui me lembrando da última vez em que estive com Autuori, num papo descontraído depois do programa do Galvão. Falávamos sobre questões táticas, quando o treinador contou uma passagem emblemática.Depois de uma das derrotas do Grêmio, nos vestiários, ele foi coletando aqui e ali as observações dos seus jogadores.
Todas elas, sem exceção, falavam que o time precisava ter mais garra, marcar mais, fechar espaços, enfim, essas tão recorrentes instruções da imensa maioria dos nossos técnicos que já se fixaram no inconsciente do jogador brasileiro. Foi quando Autuori pediu silêncio e arrematou: “E jogar bola? Jogar bola não entra nesse receituário, não?”
Se essa mentalidade fosse restrita apenas ao Grêmio, que tem uma longa tradição guerreira e cuja cultura enfatiza esses elementos acima de tudo, o que, porém, não impediu o Tricolor gaúcho de montar times que jogavam bola e muito bem, seria aceitável. Mas, o diabo é que isso está impregnado na alma do nosso futebol, desde a última década, por baixo.
Conceitos reforçados sempre que um time com tal perfil levanta a taça. Aí, a turma dos pragmáticos de plantão aponta o campeão e ratifica: olhai, ganhou o mais guerreiro, pois futebol é resultado. Sim, claro, se todos jogam sob o mesmo figurino, um deles será campeão. E todos os demais perdedores, que também elegeram esses conceitos como prioritários, não contam?
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Grêmio, Jorge Wagner, Paulo Autuori, São Paulo
09/11/2009 - 15:57
Não, não, meu caro, nem o Palmeiras dançou de vez, nem o Galo perdeu definitivamente a chance de ainda disputar o título brasileiro nesta reta final do campeonato. Tampouco o São Paulo já pode ir polindo a taça, embora, na teoria, a sequência de jogos que lhe restam pareça menos árdua do que a dos demais, talvez com exceção do Flamengo, este, sim, já tão próximo da liderança que todas as esperanças rubro-negras são plenamente justificáveis.
Ah, sim, e não nos esqueçamos do Cruzeiro, que faz um seguindo turno exemplar, o que lhe permitiu chegar à zona de disputa do título, também.
A propósito, em meio a esse clima de total imprevisibilidade, já que os times sobem e descem ao sabor da maré, vale aqui ressaltar apenas o aspecto técnico e suas diferenças entre esses cinco pretendentes ao título.
São Paulo e Palmeiras, ainda que na frente dos demais, são os que têm apresentado o futebol mais desconexo. Fortes na defesa, comandada por dois goleiraços – Rogério Ceni e Marcos – e eficientes no ataque, carecem, contudo de uma armação no meio-de-campo mais fluente e consistente.
O Verdão, quando pode contar com a dupla de meias – Diego Souza e Cleiton Xavier -, desde que o técnico Muricy não insista na formação com três zagueiros, melhora cem por cento nesse quesito. Mas, o São Paulo ainda não resolveu de vez essa questão.
Em contrapartida, Flamengo, Cruzeiro e Galo são os que apresentam um jogo mais harmônico, com maikor equilíbrio entre os três setores – defesa, armação e ataque.
Mas, cada um deles tem sido extremamente dependente deste ou daquele jogador fundamental. O Flamengo se transformou a partir da chegada de Álvaro, Maldonado e, sobretudo, Petkovic . O Galo é refém de Diego Tardelli, não só o artilheiro do time, mas aquele atacante que contribui demais na armação. O Palmeiras, da dupla Diego-Xavier, e assim por diante.
Só o São Paulo dá a sensação de que não depende deste ou daquele jogador, embora Rogério e Hernanes tenham sido essenciais.
Na rigor, não há muita distância técnica entre titulares e reservas do São Paulo parece ser bem menor do que nos outros rivais ao título. E isso, talvez, justifique sua liderança temporária, que pode acabar sendo definitiva, ao fim de tudo.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Atlético-MG, Flamengo, Palmeiras, São Paulo
05/11/2009 - 00:15
Se no primeiro tempo o 1 a 1, gols de Rafael e Dagoberto, mais ou menos refletiu o equilíbrio das duas equipes, no segundo, as circunstâncias levaram o São Paulo a celebrar o empate como um grande feito.
Afinal, quando o juiz apitou o encerramento da partida, o Tricolor estava com oito jogadores contra onze. E nem mesmo levou um daqueles sufocos tradicionais – bolas nas traves e tal e cousa e lousa e maripousa.
Assim, acabou sendo um placar até favorável ao Tricolor paulista, embora correndo o risco de perder a liderança para o Verdão, no fechamento da rodada, no fim-de- semana. Sobretudo, porque tudo isso serviu para forjar ainda mais a alma tricolor na disputa pelo título.
AMARELINHA QUE AMARELA
Os meninos da Argentina, alguns como Villalva e Araujo de primeira categoria, venciam, já no segundo tempo, por 2 a 0 a Colômbia, pelo Mundial de 17. Mas, a Colômbia, virou para 3 a 2, com merecimento e dando de lambuja um pênalti convertido e anulado pelo juiz, sob a alegação de que houve invasão.
Confesso que espiei bem o lance e não vi a tal da invasão, antes da cobrança do pênalti.
Aproveito, então, para mandar um recadinho ao meu chapa, grande repórter e âncora da Jovem Pan, Wanderley Nogueira, detrator contumaz dos nossos meninos em favor dos hermanos: pelo visto, a camisa amarela da Colômbia bastou para amarelar os nossos irmãos do sul, como tem acontecido há anos entre os marmanjos.
ALÁ, MEU BOM ALÁ!
O Barça, no seu toque-toque, não conseguiu varar a retranca absoluta do Rubin Kazan, pela Liga dos Campeões.
O técnico adversário montou um ferrolho com onze dentro da sua grande área, e, lá na frente, apenas Alá e Maomé, Seu Profeta, invocados sempre pelo rosário entrelaçados nos dedos. A coisa, com todo respeito, deve funcionar, pois o Barça, apesar do domínio absurdo de bola, coisa de 90 por cento, meteu uma bola no poste, com Ibrahimovic, e desperdiçou, por baixo, mais umas quatro oportunidades claras de abrir a contagem, que se fechou até o final.
Em contrapartida, o Arsenal, a versão inglesa do Barça sem o mesmo resultado, goleou o holandês AZ, em casa, numa exibição de gala de Fabregas, volante que vira meia e vira artilheiro assim como quem está tomando um copo d’água.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
Tags: Argentina, Arsenal, Barcelona, Grêmio, Liga dos CAmpeões, Mundial Sub-17, São Paulo
04/11/2009 - 00:30
O São Paulo vai ao Olímpico não apenas em busca de uma vitória, mas, sobretudo, atrás de gols suficientes para tirar a vantagem do Palmeiras, nas contas finais da liderança. Até agora, são três gols a mais do Paleiras. No resto, estão rigorosamente empatados.
Como até mesmo essa diferença é pequena, corremos o risco de esse campeonato ser decidido pelo quesito fair-play. Ou seja: ganha quem tiver menos cartões amarelos e vermelhos.
Pelo senso comum, não deve ser sobre o Grêmio, no reino encantado do Tricolor gaúcho, que o Tricolor paulista deverá tirar essa diferença. Ao contrário, se voltar de lá com um empatezinho maneiro já será um alívio.
Mas, pela lógica perversa deste Brasileirão, tudo é possível, até uma goleada, de qualquer dos Tricolores em ação.
Caso estranho
Muito estranho esse caso: Val Baiano, o implacável artilheiro do Barueri, que foi para a geladeira na derrota do seu time para o São Paulo, por causa daquela história mal contada sobre suposta viagem da mala branca, volta já no próximo jogo, juntamente com Renê, outro citado de viés nesse episódio.
Na prática, só o São Paulo levou vantagem em todo o imbroglio.
Liga dos Campeões
Milan e Real fizeram um jogo emocionante e de boa técnica, no San Siro, com destaque para kaká e Marcelo, pelo Real, e de Ronaldinho e Pato, pelo Milan.
Ah, dirá o amigo mais cético, o cara está puxando a sardinha para os brasileiros. Não, nada disso, caso contrário elogiaria também Dida, que pegou algumas bolas difíceis, mas que falhou em vários outros lances.
De fato, os brasileiros citados jogaram bem, e Ronaldinho marcou para o Milan, de pênalti, enquanto Marcelo e Kaká construiram a jogada do gol de rebote de Benzema.
Mas, as melhores jogadas foram realizadas por Pato, que marcou um gol belíssimo anulado inexplicavelmente pelo juiz, que deve ter dado toque, num lance em que o brasileiro carregou a bola claramente com o o peito.
Por seu lado, o Manchester United classificou-se para a próxima fase da liga dos Campeões ao empatar com o CSKa por 3 a 3, numa reação fulminante, depois de estar perdendo por 3 a 1.
Muito desfalcado, o Manchester não se achava em campo até a água bater no queixo. Aí, já pela metade do segundo tempo, encetou a reação que deixou tudo igual e lhe garantiu a vaga.
A turma precisa aprender que inglês e alemão só para de jogar quando o juiz apita o fim da partida. Antes, não, em quaisquer circunstâncias.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Futebol internacional
Tags: Grêmio, Liga dos CAmpeões, São Paulo
02/11/2009 - 16:05

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Os matemáticos fazem e refazem seus cálculos a cada rodada; os astrólogos buscam nos céus uma conjunção de estrelas que lhes aponte para o ungido, aquele destinado a ser campeão; os experts da mídia analisam a tabela, jogo por jogo, e, no fim, só se contradizem, porque os fatos subvertem a lógica mais elementar.
O psicólogo de plantão diria que esse Brasileirão tem os mais fortes traços esquizóides desde que os pontos corridos foram reinstalados nos nossos campos, alternando-se profundas depressões com luminosas euforias.
E o torcedor torce, enquanto exuma fantasmas nos gestos dos juizes contra seus respectivos times, enxergando verdadeiras conspirações por trás do ato individual e humano de cada um, em circunstâncias sempre diversas.
O certo é que o futebol, esse brinquedo dos deuses levado às últimas consequências pelos homens, apesar de toda tecnologia como suporte, teorias e cousa e lousa e maripousa, no fundo, muitas vezes, se resume num drible inesperado, numa cabeçada certeira, num chute fatal, numa defesa espetacular do goleiro, na falha deste ou daquele beque, no pênalti marcado ou não pelo juiz, na sinalização infeliz de um impedimento pelo bandeirinha, enfim, essa soma de detalhes aleatórios ou não que fazem o sal do jogo.
Claro que uma equipe composta por jogadores de técnica superior, bem preparada física, tática e psicologicamente, terá sempre mais possibilidade de vencer outra, inferior nesses quesitos.
Ainda mais se incorporar a esses valores tradição, torcida imensa, gerenciamento administrativo adequado, grana etc.
Apesar disso, a zebrinha sempre estará espiando uma brecha, atrás da meta, para partir em desabalada carreira campo adentro.
A vantagem do sistema de disputa por pontos corridos é a de que, raramente, esse bicho entra em cena na hora de um time levantar a taça. Quase sempre, o melhor, na média do campeonato, vence.
O diabo, na atual competição nacional, é que a diferença técnica entre os primeiros e os últimos é muito pequena, quase insignificante. Dá-se, então, que qualquer previsão está, de saída, prejudicada pela imponderabilidade presente em qualquer confronto, independentemente se seja a disputa entre os candidatos ao título, ou destes contra os ameaçados de rebaixamento, em casa ou fora.
Tivéssemos por aí um Santos de Pelé, um Cruzeiro de Tostão, um Inter de Falcão, um Flamengo de Zico, um Botafogo de Garrincha, Didi e Nilton Santos, um Palmeiras de Ademir da Guia, enfim, um desses timaços da história, não há dúvida de que dispararia na ponta.
Mas, não temos. São todos mais ou menos do mesmo nível.
Logo, o negócio é continuar esquentando as calculadoras e perscrutando as estrelas para tentarmos achar um sinal do escolhido.
Feliz ou infelizmente, essa é a lógica deste Brasileirão, tão pobre tecnicamente, mas tão intenso em expectativas.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Ademir da Guia, Didi, Nilton Santos, Palmeiras, Pelé, São Paulo
31/10/2009 - 21:49

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São Paulo e Flamengo, dois dos mais fortes concorrentes ao título e a vaga na Libertadores, foram os grandes vencedores deste sábado, embora ambos praticassem um futebol bem abaixo do possível. Mas. nessa quadra do campeonato, onde os nervos tolhem a imaginação e desviam os passes, isso é natural.
No Morumbi, o Tricolor, que saltou momentaneamente para a liderança, bateu o Barueri por 1 a 0 – e até poderia ampliar esse placar com Washington e Dagoberto -, gol de Jorge Wagner, na sequencia de cobrança de falta por Hernanes. Mas, foi dominado pelo adversário a maior parte do jogo.
Mais ou menos o que aconteceu com o Flamengo, num Maracanã em festa, contra o Santos. Léo Moura levantou e Adriano, de cabeça, finalizou, o mesmo Adriano que ainda meteu uma bola na trave.
Em contrapartida, o menino Ganso cobrou dois pênaltis aparados por Bruno, o que não é pouco, convenhamos.
Agora, resta torcer para que o Corinhians se agigante contra o Palmeiras, em Presidente Prudente, que o Goiás ressurja no Serra Dourada frente ao Galo, que o Inter tropece no Beira-Rio contra o Botafogo e que o Flu apronte no Mineirão sobre o Cruzeiro.
Haja torcida, pois apenas o clássico paulista tem um grau de imprevisibilidade capaz de contrair o coração do torcedor. Mais pela força da tradição do que pela capacidade atual de Corinthians e Palmeiras.
Mesmo porque o Verdão parece ter reacendido a centelha de campeão com a goleada da última rodada.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Flamengo, São Paulo
29/10/2009 - 23:08
Parodiando o grito da galera tricolor, o líder está de volta, em grande estilo, garota.
Mais do que os 4 a 0 sobre o Goiás, no Palestra Itália, e a recuperação da liderança do Brasileirão, o Palmeiras resgatou a confiança ao jogar bem. Isto é: jogou com autoridade, cuidando da defesa, que é de lei, mas buscando o resultado com fé e capacidade.
E, no centro de tudo, a figura, às vezes cômica, às vezes trágica, de Obina, autor dos três gols e de um passe genial de calcanhar para o gol de Sacconi.
Era tudo o que o Verdão precisava nesta reta final do campeonato, sobretudo porque o Galo perdeu para o Flu, que se superou e foi melhor a maior parte do jogo.

Charge de Milton Trajano
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Goiás, Obina, Palmeiras, São Paulo
29/10/2009 - 19:17
Tenho ouvido e lido por aí que, se o São Paulo vencer mais um Brasileirão em seguida – o quarto -, o que não é nada impossível, chegou a hora de mudar o braço da viola. Entre outras coisas – e por isso, também – já há um movimento na cúpula do futebol brasileiro para que, já na próxima temporada haja um retorno ao mata-mata, no lugar dos pontos corridos.
O argumento básico para tal retrocesso é o de que o campeonato ganharia em emoção, com disputas diretas entre os seus principais pretendentes ao título.
Ora, ora, mais emoção do que estamos vivendo com seis times concorrendo, a meia dúzia de rodadas do final, à faixa de campeão, mais as três vagas restantes para a Libertadores?
Aliás, nesta abençoada era dos pontos corridos, vivemos sempre a mesma expectativa, senão com tantos candidatos na fita, pelo menos dois ou três. E o campeão sempre será aquele que, tecnicamente, esportivamente, num prazo civilizado de disputa, chegou na frente. É o tipo de competição onde o acaso ou as circunstâncias cedem lugar à competência.
Desde que o mundo é uma bola, nesse sistema, ganha o melhor, o mais bem preparado em todos os sentidos, salvo as exceções de praxe. Em todo o planeta é assim há mais de século. Só no Brasil ainda haja quem insista em inventar fórmulas esdrúxulas que fogem ao mero campo esportivo, apostando na loteria do mata-mata.
E o curioso é que só o Brasil tem tantos postulantes ao título, por força de suas respectivas camisas e histórias de tantas glórias.
Na Europa, em cada país, há dois ou três favoritos eternos. No Brasil, por baixo, são dez na saída, e cinco ou seis, na chegada.
Ah, mas nossos estádios atravessam meses com públicos reduzidos, em relação a outras partes do mundo. Sim, é verdade, apesar de cada jogo, nos pontos corridos, seja uma decisão, ao contrário do mata-mata, em que se passa o ano inteiro jogando partidas sem nenhuma finalidade a não ser classificar aqueles quatro ou oito já sabidos de antemão.
Aliás, era assim. Ou já se esqueceram? Os estádios às moscas o ano inteiro, para se encherem nos poucos embates do mata-mata final.
Qualquer criança brasileira sabe que as razões de estádios vazios, na atual circunstância, são a crônica violência nos estádios, provocada basicamente pelas tais torcidas uniformizadas, as caquéticas dependências dessas praças de esportes e ao tipo de jogo nada empolgante, defensivo, retranqueiro, adotado pela maioria dos nossos treinadores.
Era sobre isso que eles deveriam se debruçar, não sobre o sistema de disputa.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: CBF, São Paulo
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