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segunda-feira, 18 de abril de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 15:47

OS ESTADUAIS E A FÓRMULA BURRA

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Cada um escolhe a fórmula de disputa do campeonato estadual que mais lhe convier. Só a do Paulistão, em todo esse mundão verde-amarelo, não convém à ninguém, sobretudo à lógica elementar do futebol.

É de longe o mais irracional e desprezível de todos. Mas, que fazer se nossos cartolas são mesmo uns eternos desmiolados?

O pior de tudo é que segue um roteiro já antigo por aqui, e o presidente da FPF, mesmo diante da crítica unânime a esse sistema, insiste em defendê-lo, sem, ao menos, acenar com uma possível reformulação para o próximo ano.

Se o seu desejo é bajular os votos dos pequenos para sua eterna reeleição, vou-lhe dar uma sugestão para que ele amplie esse carinho e bote as coisas nos eixos.

Para o próximo campeonato, acrescente mais quatro clubes da Segundona aos vinte de praxe. Ficam 24 participantes, dividido em quatro chaves de seis clubes, tendo Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos como cabeças de chave.

Serão disputados quatro turnos. Cada turno terá um campeão extraído das semifinais entre os líderes de chave. Os quatro campeões de turnos disputarão em semifinal e final o título paulista.

No primeiro turno, jogam todos na própria chave. No segundo, A contra B e C contra D. No terceiro, A contra C e D contra B. No terceiro, A contra D e B contra C.

A disputa será jogo a jogo, o tempo todo, turno por turno, com datas reduzidas e o campeonato ganhará em emoção nunca vista antes.

Sim, porque, no fim, todos jogarão contra todos, e o último da chave sempre estará em condições de lutar pelo título de seu grupo até a rodada final.

Essa fórmula aqui proposta não saiu da cartola de ninguém. É fruto de mais de sessenta anos observando as coisas do futebol, sobretudo o paulista.

PAULISTÃO

Bem, de qualquer forma, aí estão as quartas de final do Paulistão, em jogo único, sem que haja nenhuma vantagem palpável para os que melhor se classificaram na longa e enfadonha fase de qualificação, a não ser o mando de jogo.

Dos quatro grandes – um deles, o destinado a ser campeão, a não ser que dê uma zebra do tamanho da incompetência dos nossos cartolas -, apenas o Corinthians não está competindo em torneio paralelo, tipo Libertadores ou Copa do Brsil.

E, se levarmos em conta a hierarquia da tradição, é aquele que mais foi beneficiado no jogo do emparelhamento desta fase, pois pega o Oeste, que acaba de empatar com o time reserva do São Paulo.

O problema é que o Cotrinthians, dos quatro grandes, é o que vem jogando um futebol mais opaco. Mas, é o Corinthians, gente!

Já o Palmeiras de Felipão, que enfrenta o Mirassol, outro clube sem tradição, embora tenha praticado um bom futebol nesta temporada, é o time mais talhado para o jogo de mata-mata. Sobretudo, por conta de Felipão, especialista nessas artes.

Quanto ao São Paulo, time de melhor elenco dentre os paulistas, tem oscilado muito, de acordo com o vaivém dos impulsos de seu treinador. Foi o que mais perdeu. Em compensação, terminou primeirão, ainda que muito próximo dos demais.

Enfrenta, porém, a Lusa, que passou pelo funil no último instante, no único clássico das quartas de final. Num jogo só, é sempre uma pedreira maior.

E o Santos tem pela proa jogo decisivo com o Táchira para seguir vivo na Libertadores, e pegará de frente a Ponte Preta, time de tradição e força técnica. Mas, como Muricy parece estar conseguindo vestir o Peixe com uma carapaça mais dura do que a habitual, sem perder a leveza ofensiva, será a hora de abrir o Alçapão da Vila.

É esperar pra ver.

CARIOCÃO

Simplesmente Fla-Flu numa perna das semifinais da Taça Rio. E que Fla-Flu! De um lado, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves; de outro, Fred, Emerson, Conca e cia. bela.

É clássico pra mais de metro. E a chance de o Flu salvar parte da temporada tão frustrante até agora, já que o Flamengo estará de qualquer jeito na final do campeonato, a não ser que pape também este segundo turno.

Na outra perna, Vasco e Olaria, que empataram por 2 a 2 na rodada final da fase classificatória. Um Olaria surpreendente, é verdade, Mas um Vasco em ascensão vertiginosa nesta Taça Rio, depois do vexame na Taça Guanabara.

Desconfio que o Almirante toca esse barco em frente.

GAUCHÃO

Nas semifinais, o Grêmio pega o Cruzeiro, na casa do adversário, ou em qualquer outro local que a federação escolha, diante do impasse atual (o Grêmio se recusa a jogar num campo de grama sintética como o do inimigo).

Não está, nesta temporada, reproduzindo o mesmo futebol do ano passado, mas o Tricolor tem bala para pular à final.

Assim como o Inter de Falcão que enfrentará o Juventude.

Depois, é o de sempre – Gre-Nal pra matar a gente do coração.

Notas relacionadas:

  1. E DEU A LÓGICA
  2. LOVE, LOVE
  3. DUPLAS ARTILHEIRAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 14 de abril de 2011 Libertadores | 23:00

PEIXE EM NOITE SERENA

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O Peixe foi a Assunção, sob raios e trovões. Volta sob céu azul e estrelado, não só livre do risco imediato de desclassificação na Libertadores, como até com possibilidades de encerrar esta fase em primeiro no grupo, dependendo dos resultados da última rodada.

Jogou tranquilo diante de um Cerro tenso e sem força, defendeu-se com propriedade e contragolpeou sempre com perigo, sob o impulso de Arouca, que voltou de longo estaleiro, e a regência de Ganso, que tirou de letra toda a pressão exercida sobre ele nos últimos dias. Botou a bola no chão, alternou o ritmo de sua equipe, deu passes e enfiadas prodigiosas, além de outros babados e adereços, como aqueles dois chapeuzinhos de formato divertido e um tanto humilhante para os paraguaios atônitos.

Mas, foi aquele golaço de Danilo que serenou a noite e abriu as portas para a vitória por 2 a 1 – um disparo de canhota do meio da intermediária que entrou feito um bólide no ângulo direito do goleiro, logo no começo da partida.

Maikon Leite, que havia entrado no lugar de Diogo, machucado, fez o segundo, em bela enfiada de Ganso, e ainda desperdiçou mais três chances (uma delas salva pelo beque quase em cima da risca do gol).

E só tomou um, já nos descontos, quando merecia estar goleando.

Enfim, não foi apenas um alívio. Mas um sinal de que o Peixe, finalmente, pode retomar aquela bola refinada e exata de tempos recentes. E isso é ótimo para o futebol em geral.

NOITE NEGRA DO GRÊMIO

Já o Grêmio viveu uma noite negra em Santa Cruz de La Sierra, diante do frágil Oriente Petrolero. Não só perdeu a chance de terminar esta fase em primeiro no seu grupo, com o empate entre Junior Barranquilla e León (que gol impedidaço foi aquele do León, meu?). Mas, ainda por cima,, levou uma biaba por 3 a 0, placar que só não se multiplicou porque, no primeiro tempo, Victor fez quatro defesas providenciais, por baixo.

Bem que o Grêmio começou maneiro, dominando as ações e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, não agredia, nem tinha um pingo de criatividade no meio de campo coalhado de volantes.

Foi quando se viu a falta que faz Douglas nesse time.

Aí, no segundo tempo, já perdendo por 1 a 0, Renato Gaúcho tentou avançar o time com a entrada de dois atacantes – Vinicius Pacheco e Clementino. E avançou. O Grêmio, finalmente, passou a rondar a área inimiga com perigo.

Sucede que o Tricolor avançou demais, abriu um buraco no meio de sua zaga, e por ali, em dois contragolpes, o Oriente botou uma pedra sobre esse assunto.

O consolo é que o Grêmio já tinha viajado com a classificação para a próxima fase da Libertadores na bagagem.

Resta saber, agora, quanto esta noite negra vai assombrar o Olímpico nos próximos dias.

Notas relacionadas:

  1. NOITE DE GALA TRICOLOR
  2. FLU E PEIXE NA HORA DA MORTE
  3. SÓ O PEIXE NESTA NOITE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

quarta-feira, 13 de abril de 2011 Libertadores | 14:05

GRÊMIO E SANTOS NA LIBERTADORES

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Grêmio e Santos jogam sua sorte na Libertadores nesta quinta-feira, ambos fora de casa, o que é sempre um obstáculo a mais.

A situação do Grêmio é bem mais confortável do que a do Santos, pois estará em Santa Cruz de La Sierra, diante do já eliminado Oriente Petrolero, disputando a liderança de seu grupo, o que será alcançado, caso vença e o Junior Barranquilla tropece frente ao Huánaco.

E, mesmo desfalcado de Douglas, Carlos Alberto e Gilson, o Tricolor gaúcho tem bala para voltar de lá com os três pontos. Pois, dos três, apenas Douglas está jogando o suficiente para representar uma grande perda.

Já o Peixe joga a vida contra o Cerro Porteño, time paraguaio de tradição e que ocupa o segundo lugar na tabela de seu grupo, três pontos acima dos santistas. É vencer ou vencer. Senão, babau.

E, mesmo vencendo, terá ainda de confirmar sua passagem para a fase seguinte da Libertadores diante do Táchira, na Vila.

O diabo é que o Santos estará desfalcado de três titulares de escol: Neymar, Elano e Zé Love, e sob o comando de um técnico – Muricy – que assumiu o time outro dia. O que representa isso?

Representa que toda a carga cairá sobre os ombros de Ganso, neste momento tão delicado da carreira do jovem craque – ainda longe de sua melhor forma física e técnica, pelos sete meses de estaleiro, e submetido a essa saraivada de notícias e boatos que rondam sua eventual saída da Vila.

Bem, há males que vem pra bem, diz a sabedoria popular. Sendo este um momento cruciante da vida do jovem craque, é de se ver como reagirá em campo. Se vencer o jogo e todas as tensões que cercam sua presença em campo, por certo, terá amadurecido uns cem anos em 90 minutos.

Notas relacionadas:

  1. GRÊMIO E CRUZEIRO NA LIBERTADORES
  2. SELEÇÃO, PAULISTÃO E GRÊMIO
  3. GRÊMIO, SIM; TIMÃO, NÃO.
Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

domingo, 10 de abril de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Copa do Brasil | 21:48

A EFICIÊNCIA DO FLA

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O clássico carioca esteve longe das suas tradições, distante das expectativas atuais, mas dentro da realidade atual das duas equipes. Quer dizer: um Botafogo de elenco apenas razoável e em fase de transição, com a chegada do novo treinador, Caio Jr., e um Flamengo estrelado, de campanha irrepreensível na temporada, mas que não consegue brilhar.

Assim, venceram os números, o desempenho: 2 a 0 para o Flamengo, dois gols de Thiago Neves, uma das estrelas rubro-negras que ainda não conseguiu encantar, embora venha sendo altamente eficiente.

A ESTREIA DE MURICY

Muricy, finalmente, sentou no banco do Santos, em Americana. E o que viu em campo, por certo, não lhe deu felicidade.

Com Ganso, poupado, a seu lado, Muricy certamente viu um Santos inoperante, embora tivesse o domínio da maior parte do jogo. Nem tão firme na defesa como ele pretende, nem tão ofensivo como vinha sendo em passado recente.

Melhorou um pouco com a entrada de Ganso, no segundo tempo, mas nada que justificasse placar maior do que o zero a zero final. Aliás, quem esteve mais perto de marcar, na verdade, foi o Americana. Ou melhor: marcou, mas o juiz anulou.

SHOW TRICOLOR

Curioso esse detalhe: mesmo desfalcado de vários titulares, dentre eles o menino Lucas, sua principal atração, e com dois zagueiros apenas, o São Paulo foi a Bauru, deu um show de bola e meteu quatro gols no Noroeste.

Vale destacar aqui as atuações de Carlinhos Paraíba, Dagoberto, mais uma vez, Marlos e Jean, como autêntico lateral-direito.

Ah, sim, vá somando mais um gol de Rogério, de pênalti.

FALCAO E A GOLEADA

Obviamente, nada tem a ver a contratação de Falcão para o lugar de Celso Roth com a súbita goleada do Inter sobre o Universidade, pelo Gauchão: 6 a 2!

Mas, não foi assim, uma moleza, não. O Universidade saiu na frente, com 2 a 0, e o Colorado teve de correr para virar um caminhão de melancia sobre o adversário.

Quanto a Falcão, é só desejar-lhe toda sorte do mundo, que merece.

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS? DEIXE-ME EXPLICAR
  2. FLA E JOEL
  3. RECEITA PARA OS PRAGMÁTICOS: PEIXE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 7 de abril de 2011 Clubes brasileiros, Libertadores | 02:42

SÓ O PEIXE NESTA NOITE

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Só o Santos, dentre os brasileiros desta quarta de Libertadores, cumpriu seu dever, vencendo o Colo Colo na Vila, por 3 a 2, o que lhe deu uma sobrevida na competição.

E o fez em grande estilo até o momento das expulsões de Neymar e Zé Love, já no segundo tempo, quando o placar replicava em números o que os peixeiros haviam feito em campo: 3 a 0, com direito a gol antológico do menino Neymar, que limpou dois, aplicou um lençolzinho noutro, tirou do goleiro e guardou.

Aí, literalmente, Neymar meteu a máscara na face e tomou o segundo amarelo e o vermelho, por conseguinte, como manda o livrinho com todas as letras.

O Colo Colo, com um a mais, partiu pra cima, fez seus dois gols no finzinho,e deixou a Vila de onze mil Neymares de fantasia com os cabelos em pé.

TRAGÉDIA EM DOIS ATOS

Já o Flu foi uma tragédia em dois atos no lendário palco do Centenário, em Montevidéu.

No primeiro, até que se atirou ao ataque e poderia ter aberto o placar. Mas, no segundo, a deixa de Garcia, que usou Berna como escada, desmontou todo o cenário tricolor criado antes e tirou a fala do Flu, que se desmilinguiu em cena.

E, a não ser que transforme a tragédia em epopeia, no terceiro e último ato, diante do Argentino Juniors, lá,o campeão brasileiro se retira definitivamente para as sombras dos bastidores da Libertadores.

O ANTI-INTER

Só me convenço de que foi o Inter, aquele time de branco que perdeu por 1 a 0 para o Jaguares, se me provarem com certidão passada em cartório.

Sim, porque o futebol opaco, sem o menor traço de criatividade e inócuo apresentado por aquele time de branco é justamente a antítese do colorido Colorado que estamos acostumados a ver na Libertadores.

Mas, se aquele time de  branco for mesmo o Inter, o que se prenunciava um galopinho manso em direção à próxima fase da Libertadores pode se transformar num traiçoeiro obstáculo na reta final.

COPA DO BRASIL

Com dois gols de Loco Abreu, sempre ele!, o Botafogo se livrou em casa do Paraná, por 3 a 0, com certa facilidade. O mesmo não se pode dizer do Vasco, que teve de virar em cima do ABC, graças ao menino Bernardo.

Assim como o São Paulo que, apesar de dominar o jogo com o Santa Cruz, na Arena de Barueri, sofreu o diabo para vencer por 2 a 0 e garantir sua permanência na Copa do Brasil, num jogo em que se presenciou uma cena inusitada: Rogério, o goleiro dos cem gols, creiam, perdeu um pênalti por pura soberba, ao tentar a cavadinha que Thiago Cardoso pegou com facilidade.

Mas, não foi por isso que o Tricolor paulista sofreu diante da severa marcação do Santa. Foi porque, depois de encetar uma blitz sobre o adversário no início do jogo que resultou no gol de cabeça de Rhodolfo, e desperdiçar outras cinco chances, levou quase a metade do segundo tempo para se aproveitar da expulsão do zagueiro pernambucano na marcação do pênalti lá atrás.

Só, então, Carpegiani trocou um dos três zagueiros pelo atacante William José, que fez a parede para Ilsinho marcar o segundo gol tricolor.

Enfim, de todos os favoritos desta rodada da Copa do Brasil, apenas o Galo conseguiu tropeçar diante do Prudente, lanterninha do Paulistão. Que fase, hein?

Notas relacionadas:

  1. NOITE DE GALA TRICOLOR
  2. NOITE TRICOLOR
  3. FLU E PEIXE NA HORA DA MORTE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 5 de abril de 2011 Clubes brasileiros | 19:12

MURICY É TRABALHO

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Muricy é trabalho, não genialidade. Perseverante, inteligente, embora sem diploma na parede ou papo rebuscado, perspicaz, mas um tanto teimoso, herança da Vila Sonia e do contágio transmitido por seu mestre, Telê Santana. Mas, não é aquele tipo raro de treinador capaz de chegar, e, numa palestra antes do jogo incendiar a alma da equipe, ou, de, num passe de mágica, mexer uma peça e arrumar todo o conjunto.

O que quero dizer com isso é o seguinte: bem que Muricy poderia ter abreviado suas férias a tempo de trabalhar esse time do Santos para o jogo decisivo contra o Colo Colo, nesta quarta-feira, na Vila, pela Libertadores.

De qualquer forma, cedo ou tarde, finalmente Santos e Muricy se acertaram, como estava escrito nas estrelas desde que o treinador abandonou as Laranjeiras, de repente.

E, para que essa parceria dê certo, será preciso que ambas as partes cedam um pouquinho em suas pretensões e visão sobre o que deverá ser o novo time, sob o comando de Muricy.

O treinador, em entrevistas anteriores, já se disse disposto a buscar uma formatação ofensiva, obedecendo ao perfil histórico do Peixe. Que assim seja, para o bem de todos.

Já a torcida e a diretoria deverão entender que, apesar da permanência da dupla Ganso-Neymar, o atual Santos está longe de reproduzir aquele futebol mágico do primeiro semestre do ano passado.

As perdas, de lá pra cá, foram muitas e extremamente significativas: Arouca, que foi o mais brilhante volante da temporada passada, baixou enfermaria por longo tempo e só agora está voltando a bater bola; Wesley, aquele volante múltiplo, veloz e hábil que fazia a ligação vertiginosa com o ataque, se pirulitou, assim como o centroavante André e o ágil e inventivo Robinho, além de Madson, que sempre dava uma sacudida no time quando entrava no segundo tempo, e Marquinhos, organizador por excelência.

Ganso está voltando de longa inatividade, com um talhe mais robusto do que nos tempos de relampejante ascensão, e levará algumas rodadas ainda para readquirir a forma ideal.

Quanto a Neymar, de quem se pode falar o que quiser menos falta de empenho, uma coisa é jogar com Robinho, atazanando o adversário do outro lado; Ganso, em forma, metendo-lhe bolas inimagináveis, e a dupla Arouca-Wesley chegando a toda hora, em velocidade. Outra, muito diferente, é ter de fazer praticamente sozinho tudo isso, mais os gols salvadores.

Vieram, em contrapartida, Elano, Keirrison e Jonathan, que só sai do estaleiro para dar uma voltinha. O centroavante, desde que desembarcou na Vila, jamais conseguiu reproduzir a bola que lhe deu breve fama no Coritiba e no Palmeiras. E Elano é a antítese de Wesley: lento, dono de bom passe e mestre nas bolas paradas, confere ao time outro ritmo, outra concepção de jogo.

Um time de futebol é a síntese das características de cada jogador. São elas que, no fim, acabam determinando o padrão de jogo.

Logo, se o Santos, nas mãos de Muricy, não conseguir atingir aquele parâmetro do primeiro semestre do ano passado, que a torcida não acrescente aos problemas atuais a adoção do clichê de retranqueiro a Muricy.

A não ser, claro, que ele, por teimosia ou convicção, escale três zagueiros, dois volantes de contenção e adote o contragolpe como único recurso. Aí, ninguém segura a galera peixeira.

Isso, claro, se o time não vencer todas, o que também é bem possível.

LIGA DOS CAMPEÕES

Foi, sem dúvida, a jogada mais espetacular dos últimos tempos, e uma daquelas pra entrar na antologia do futebo. Lançamento para Milito, que chegaria sozinho à área, interceptado por providencial peixinho do goleiro do Schalke, fora da área. Sucede que a bola cai nos pés de Stankovic, no meio-círculo, e o jogador interista faz o que Pelé não fez: mete a bola nas redes alemãs, com uma precisão de vídeo-game.

Isso, aos 23 segundos de bola rolando, o quinto recorde na história dos gols relâmpagos da Liga dos Campeões. Mas, pra quê? Só pra atiçar a alma germânica, que, no fim das contas, conseguiu a proeza de virar um caminhão de repolhos sobre o time de Leonardo, que está de orelha ardendo: 5 a 2, pode?

E olhe que o goleiro Júlio César nem pode ser culpado pela goleada inesperada. Pegou bolas incríveis, até em alguns gols do adversário.

Mas, o tom quem deu foi Raúl, esse veterano e ainda extraordinário atacante, que já atingiu a prodigiosa marca de setenta gols em jogos da Liga, afora os tantos mais que fez pelo Real em campeonatos nacionais.

Já o Real Madrid, em casa, vestiu a camisa virtual do Barça e botou o Tottenham na roda. Dominou do início ao fim, e ganhou folgado, com dois de cabeça de Adebayor, em mais um dia inspirado de Marcelo, que vem se transformando numa estrela do constelado Real.

FRONTEIRA EM PÉ DE GUERRA

Os gaúchos Inter e Grêmio vão à guerra nos dois próximos dias.

O Colorado pega o Juagares, lá, o que não é nenhuma moleza. Mas, com D’Alessandro e Oscar jogando o que estão, a parada fica menos difícil.

Depois, será a vez do Grêmio, que não está bem, nem mal no torneio. Mas, que ficará beleza se passar pelo Juniors Barranquilla, no Olímpico.

É só ter cuidado com aquele cabeludinho, meia-esquerda, deles, e apostar no talento do menino Leandro, a grande sensação tricolor nesta temporada, que a coisa toda se ajeita.

Notas relacionadas:

  1. A QUEDA DE MURICY
  2. O SONHO DE MURICY
  3. MURICY E A VILA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

segunda-feira, 4 de abril de 2011 Libertadores | 15:44

FLU E PEIXE NA HORA DA MORTE

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A situação do Fluminense, na Libertadores, é delicada, já que terá de passar pelo Nacionmal, lá em Montevidéu. Mas a do Santos é periclitante, pois se não vencer o Colo Colo na Vila, nesta quarta-feira, estará praticamente fora da próxima fase da competição.

E o curioso é que Flu e Santos começaram o ano sob as vestes de maiores favoritos, dentre os brasileiros. O Flu, não só pela faixa de campeão brasileiro que ostenta como, sobretudo, pelo elenco que possui. E o Santos porque, com a esperada volta de Ganso, recuperaria aquele futebol mágico do primeiro semestre do ano passado.

Em menos de três meses, o cenário imaginado virou de ponta-cabeça. Muricy abandonou o barco das Laranjeiras, e o Flu não conseguiu ainda se reerguer nem mesmo no campeonato carioca.

E, na Vila, a volta de Ganso, que se prenunciou auspiciosa, na sua reestreia, acabou resultando numa crise entre o craque e a torcida, que, depois da derrota do Santos para o Palmeiras, vaiou muito o jogador, chamando-o de mercenário.

Isso, claro, como fruto da desastrosa condução das relações entre o clube, o jogador e os investidores nos direitos econômicos de Ganso, DIS, que querem de qualquer maneira baixar a multa contratual pra negociar o jovem craque com o exterior.

Chegaram até a sugerir que clubes grandes do Brasil servissem de laranja, uma ponte para a Europa, com a precária duração de três meses, tempo que nos separa da janela europeia de contratações.

O fato é que Ganso tem contrato com o Santos por mais quatro anos, creio. Dizem que com um salário digno e a multa de 50 milhões, que é salvaguarda do clube.

Alguém de juízo precisa dizer no ouvido de Ganso que essa estratégia é a pior possível para ele, num momento em que, depois de sete meses parado, sua recuperação física e técnica em campo pode perfeitamente ser confundida com corpo mole, o que, para a torcida, é imperdoável, e para a opinião pública em geral, uma indignidade.

De qualquer forma, Flu e Santos entram nesta semana numa zona dividida pela tênue linha que separa a glória do fracasso sem remissão.

NOITE DO GALO DOIDO

Lá pelos meados dos anos 70, quando a Lusa tinha um timaço, logo depois de ter dividido o título paulista com o Santos e de ter sido vice do São Paulo, em noite tempestuosa, o saudoso presidente Oswaldo Teixeira Duarte, numa só penada, embarcou numa barca praticamente o time todo e atirou-o ao Tietê.

Foi, então, batizada de A Noite do Galo Doido.

Lá estava, entre tantos craques, Basílio, prata da casa, que, no ano seguinte receberia o título de Pé de Anjo, pelo gol da vitória contra a Ponte Preta, que quebrou o tabu alvinegro de vinte e três anos sem título.

Lembrei-me desse episódio histórico diante do rapa feito agora pelo presidente do Atlético Mineiro, que, num gesto drástico, completou a leva de cerca de 40 por cento dos jogadores por ele contratado nos últimos tempos.

Dentre eles, o volante Zé Luís, que parece disposto a pendurar de vez as chuteiras, e Ricardinho, campeão mundial pelo Brasil e um dos raros meias-armadores autênticos de nosso futebol.

Zé Luís estava fora de cena, mas Ricardinho vinha jogando e bem.

Sejam quais forem os motivos dessa dispensa em massa, trata-se de uma prova de incompetência monumental por parte da diretoria do Galo. Ou houve um erro brutal nas contratações; ou um equívoco de igual tamanho nas dispensas.

O fato é que o Galo, apesar de ter dado sinais de vida sob o comando de Dorival Jr., esse, sim, é uma barca à deriva num mar em que o Cruzeiro, seu mais feroz rival, singra de vento em popa.

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. O PEIXE E A VOVÓ
  3. VIRADA DA GALERA TRICOLOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

sábado, 2 de abril de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 08:19

ATAQUE VERSUS DEFESA

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É o confronto entre o melhor ataque do Paulistão e a melhor defesa do Brasil. Pelo menos, é o que dizem as estatísticas.

Mas, Santos e Palmeiras, o clássico deste domingo na Vila, podem nos oferecer algo mais do que dizem os números – um espetáculo de alto nível técnico, sobretudo se Valdívia for aprovado nos testes finais.

Então, poderíamos ter Valdívia, Lincoln e Kleber conferindo mais qualidade ao ataque da melhor defesa. E, do outro lado, Ganso e Neymar juntam-se a Zé Love e Keirrison na busca dos gols que ratificariam o poder de fogo santista.

O fato é que ambos, já classificados para o mata-mata que se seguirá a esta fase esdrúxula do campeonato, lutam por uma posição que neste momento transcende até mesmo à tradição do clássico. Ou seja: a liderança do torneio.

O Palmeiras, com um ponto de vantagem sobre o Santos defende o posto. E, defender, é o negócio de Felipão, que conseguiu a mágica de arrumar esse Palmeiras tão desacreditado no início da temporada.

Mas, o Santos também tem no seu DNA, como gosta de dizer seu presidente, a enzima do gol.

É jogo pra se ver em HD.

IMPERADORXFABULOSO

Corinthians e São Paulo também brigam pela liderança do Paulistão neste domingo, contra Botafogo e Mirassol, respectivamente.
Mas, no Parque e no Morumbi, só se fala na nova dupla de artilheiros do futebol paulista; Adriano, no Timão, e Luís Fabiano, no Tricolor, apresentados esta semana pelos dois clubes – no Morumbi, uma apoteose; no CT do Parque Ecológico, discreta cerimônia.

Fabuloso volta à casa como o filho pródigo, ídolo eterno da torcida tricolor; Adriano vai chegando de mansinho, ainda sob olhares desconfiados acerca de seu comportamento fora de campo, garantindo que está curado de seus males e que vai dar tudo pelo Alvinegro.

Mas, o que vai valer mesmo será quando entrarem em campo.

Ambos recuperam-se de lesões e nenhum deles poderá jogar neste Paulistão. Mas, Luís Fabiano, talvez, possa entrar ainda na Copa do Brasil. Isso, se o São Paulo não repetir no Morumbi o vexame que deu no Arrudão diante do Santa Cruz.

Já disse e repito, a propósito, quando o São Paulo achou sua melhor formação na temporada, com Casemiro e Carlinhos Paraíba como volantes, Lucas armando, e Dagoberto e Fernandinho concluindo mais à frente: sossega o pito, Carpegiani!

Porém, e quando Fabuloso puder jogar? Simples, basta sacar um dos três zagueiros e colocar o artilheiro lá na frente, no seu lugar de origem.

Quanto ao aproveitamento de Adriano no Corinthians, o cenário passa a ser mais rebuscado. Simplesmente substituir Liedson, impensável. Então, o goleador Liedson terá de buscar mais os lados do campo, o que o afastará da área onde tem reinado desde sua volta ao Corinthians. E Tite será obrigado a sacrificar ou Dentinho ou Jorge Henrique, o que reduzirá a velocidade do ataque corintianos, além da marcação na saída de bola do adversário.

Tudo isso, contudo, é mero exercício de futurologia.

O melhor é esperar pra ver.

CERCANDO O GANSO

O cerco sobre Ganso e Neymar aperta a cada dia. Inter de Milão, Barcelona, Milan e Chelsea já enviaram mensagens ao Sargento Garcia para a captura dos nossos dois Zorros.

Os corações dos meninos disparam, enquanto o de Luís Álvaro se confrange, na certeza de que, mais cedo ou mais tarde, terá de abrir mão desses dois craques fora de série.

Aliás, o presidente do Santos veio a público para revelar que os investidores detentores de parte dos direitos de Ganso estão colocando o jogador em leilão, oferecendo-o não apenas ao futebol europeu mas também a Corinthians,São Paulo e Palmeiras.

Nesse caso, não se trata de Zorro, mas de uma zorra total.

Que fazer, se a vida é essa, é um segundo que se esvai depressa; todos nós temos o nosso momento; depois dele, só o esquecimento, como dizia o poeta popular.

Notas relacionadas:

  1. E DEU A LÓGICA
  2. FELIPÃO VERSUS VITÓRIA
  3. UM ATAQUE DE ARRASAR PARA O FLA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 29 de março de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Libertadores | 15:26

O MELHOR BRASIL NA LIBERTADORES

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Cruzeiro e Inter, os dois melhores brasileiros até agora na Libertadores, voltam a campo para confirmar suas campanhas nesta quarta-feira.

O Cruzeiro, que até hoje nunca perdeu em Libertadores para times paraguaios (em nove, jogos, oito vitórias e um empate) vai a Assunção pegar o Guarani, lanterninha da chave. E vai embalado por uma artilharia prodigiosa que anda disparando gols pra todo lado – na Libertadores e no Mineirão, onde também caminha de fronte erguida.

Artilharia que tem como base a dupla de excelentes volantes que sabem também atacar – Marquinhos Paraná e Henrique -, passa pela refinada armação de Roger e Montillo até chegar aos pés implacáveis de Thiago Ribeiro e Wallyson, a nova sensação do time.

Já o Inter recebe em casa o Jorge Willsterman também disposto a atacar com o duo D’Alessandro- Oscar na armação e Zé Roberto fazendo a ligação com Leandro Damião, que voltou ainda mais animado depois da estreia na Seleção Brasileira, em Londres, diante da Escócia.

Não sinto cheiro de tropeço no ar. E olhe que meu cheirador é de respeito!

TRICOLOR EM FESTA

O São Paulo, em festa pela apresentação de Luís Fabuloso, um dos maiores ídolos recentes, pelos cem gols de Rogério Ceni e pela quebra do tabu contra o maior rival, Corinthians, no Paulistão, volta aos campos da Copa do Brasil contra o Tricolor pernambucano, o encarnado, preto e branco Santa Cruz.

O Santa, de tantas glórias no passado e infortúnios recentes, luta para recuperar sua posição histórica na cena brasileira. Mas, é o São Paulo quem pontua neste momento.

E, se ainda não terá Luís Fabiano em campo, apresentará seus dois grandes trunfos, dois craques separados pelo tempo, mas unidos pelo talento: o jovem Lucas, que volta coroado da Seleção, e o veterano Rivaldo, o mais ilustre representante do futebol pernambucano da história, ao lado de Ademir de Menezes e Almir Pernambuquinho, também chamado de o Pelé Branco, e que começou sua brilhante carreira justamente nesse mesmo Santa Cruz, adversário de agora.

Por tudo isso, um jogo que vale a pena ver.

A ESTREIA DE CAIO JR.

Na estreia de Caio Jr.,.como sucessor de Papai Joel, o Botafogo pega o Paraná, em Curitiba, sem Loco Abreu, que segue com a Celeste Olímpica pelo mundo dos amistosos.

Ainda bem que voltam Herrera, Jefferson, Everton etc. Mas, se o amigo espiar a escalação do Glorioso, de cara, verá o tamanho da tarefa que espera Caio Jr. nesse seu retorno ao futebol brasileiro.

A compensação é que o Paraná atravessa uma das piores fases de sua história. Mas…

A VEZ DE ALECSANDRO?

Por seu lado, o Almirante, sob o comando de Ricardo Gomes, anda todo garboso em direção ao resgate de seu prestígio abalado nos últimos tempos.

E vai a Natal, enfrentar o ABC, pela Copa do Brasil, de velas enfunadas pelos ventos propícios que trazem a boa-nova: Juninho Pernambucano, um dos maiores ídolos do Vasco dos últimos tempos, está singrando os mares de volta a São Januário.

Mas, enquanto a travessia não se realiza, o negócio é desembarcar nas sedutoras praias de Natal com uma artilharia pesada: o menino Bernardo, nova sensação cruz-maltina,  Diego Souza, Eder Luís e…, quem sabe, Alecsandro, o goleador recém chegado do Sul, na ausência de Felipe, machucado.

Bons ventos conduzem a nau restaurada do Almirante, pelo visto.

O VAIVÉM DE NEYMAR E GANSO

Neymar, depois da bela participação na vitória do Brasil sobre a Escócia, ficou mais um dia em Londres para conceder algumas entrevistas pontuais. Resultado: a imprensa londrina, além de chamá-lo de “o novo Garrincha”, o que, convenhamos, é uma impropriedade, pois, entre outras coisas, o estilo de um não combina com o do outro, assegura que o Chelsea estaria disposto a pagar 30 milhões de libras (cerca de 80 milhões de reais) pelo craque.

O presidente do Santos não se abala, porém. E garante que ele mesmo pediu à CBF a permanência de Neymar em Londres por mais um dia, a fim de conceder essa entrevista, que faria parte de um projeto para divulgar a imagem do jogado lá fora e recuperar o prestígio internacional do Santos, perdido desde os tempos de Pelé e cia.

Faz sentido.

Quanto à permanência de Ganso na Vila, já a coisa fica um pouco mais difusa. O craque, embora reafirme seu desejo de ir para a Europa, ratifica que deseja ficar na Vila até o tempo certo chegar. Que tempo é esse? Nem ele mesmo sabe.

O que se divulga por aí é que o representante do DIS, empresa que detém parte dos direitos do jogador, está neste momento em tratativas com Milan e Inter.
Digamos, num exercício de imaginação, que ambos estejam de partida para o Exterior. Agora, ou na janela do meio do ano.

Pois o ideal era que fossem juntos – já que um completa o outro desde os tempos de infância -, como já me disse o Neymar pai, certa vez. Nesse caso, qual grande da Europa teria grana para bancar tão milionária transferência? Ou melhor: qual deles teria mais necessidade e disponibilidade para isso?

Varro o cenário europeu e quem vejo em primeiro plano? O Manchester United, sem dúvida.

De todos os grandes de Europa, os Diabos Vermelhos foram os que menos investiram nos últimos dois anos., desde que perderam Cristiano Ronaldo e Tevez. E é o que mais envelheceu justamente nas posições ocupadas por Ganso e Neymar. O armador Scholes e o atacante pela esquerda Giggs, dois portentos da história do Manchester, estão beirando os 40 anos de idade, a um passo da aposentadoria.

Ganso e Neymar caberiam como uma luva nesse time. E, tampouco, sentiriam grandes mudanças na maneira de cada um jogar, pois Alex Ferguson é um desses raros cultores do futebol fino, inteligente e envolvente de que os brasileiros são exemplos bem acabados.

Seria uma boa pra todos – o Santos, que levantaria uma grana inconcebível para apostar em novos Neymares e Gansos; a Seleção Brasileira, que teria suas duas mais expressivas estrelas num palco ilustre do mundo; e os craques, que seguiriam aquela amizade de sempre, entre eles e a bola.

Mas, o ideal é que os dois permaneçam por um tempo maior na Vila, que é pra gente desfrutar desse regalo até a última gota.

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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,

terça-feira, 22 de março de 2011 Clubes brasileiros | 15:44

A DANÇA DO DIABO

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Há muitos anos, o ex-técnico José Sarno, que, nos anos 50 foi zagueiro e lateral do Palmeiras, Santos, Botafogo,  entre tantos outros, escreveu um dos raros livros sobre futebol na época: Futebol, a Dança do Diabo.

Falava, sobretudo, da vida cigana dos treinadores de futebol de sua geração, uma dança eterna da cadeira – esse entra e sai, essa troca de cadeiras constante nos clubes brasileiros. A única diferença está na conta corrente dos mais famosos – ganha-se muito mais hoje do que antigamente, claro.

Enfim, Papai Joel deixou o Botafogo chorando, enquanto a turma do Flu sorri com a possibilidade de levá-lo de imediato às Laranjeiras, sobretudo depois de ter sido recusado por uma pá de treinadores, até mesmo do iniciante Kleina, da Ponte.

E olhe que, com seu jeitão paterno e parceiro, bem que Joel pode dar um jeito no Flu.

Já Adílson, dispensado outro dia pelo Santos, um dos tantos que recusaram o Flu, pode desembarcar em General Severiano para sentar na cadeira de Joel, sem prancheta, óbvio.

Enquanto isso, o vizinho aqui do lado da minha caverna em Ibiúna, Muricy, de papo pro ar, uma Bohemia gelando no balde, só espera o tempo passar mais um pouco para assinar com o Santos.

Contudo, apressou-se em remover um eventual obstáculo, ao anunciar publicamente que pretende respeitar o DNA do Santos, como gosta de dizer o presidente Luís Álvaro. Ou seja: respeitará a vocação ofensiva do time.

Mas, todo esse cenário pode virar de cabeça pra baixo se Abel Braga, lá das arábias, enviar um e-mail do tipo “sim, quero voltar”. Aí, todos os clubes cairão sobre ele feito urubus esfomeados. Nem só os sem-técnicos. Que moral, hein?

O FLU, AGORA

Falando em Fluminense, se ainda não conseguiu um técnico efetivo, já contratou um interino. Trata-se de Enderson Moreira, ex-Inter B, aquele projeto abortado recentemente pelo Colorado.

Não sei dos dotes do moço. Mas, ao escalar o Flu para o confronto com o América do México, amanhã, pela Libertadores, pareceu-me bem focado, ao escalar o novo meio-campo e o velho ataque tão sonhado pelos tricolores: Valencia, Diguinho, Souza e Conca; Emerson e Fred, com Deco, ainda não refeito de todo de grave lesão, no banco.

Essa formação sugere um time mais articulado, capaz de, se todos jogarem o que sabem, passar sem grandes sustos pelos mexicanos. Mas, será preciso suar sangue para tanto. E, principalmente, ter cuca fresca.

LEANDRO DAMIÃO

Leandro Damião, centroavante do Inter  badaladíssimo pela crônica gaúcha, extasiada por sua volúpia de gols, um atrás do outro, é chamado por Mano para ocupar o lugar de Pato, que por sua vez recupera-se de lesão nos braços da filha do Duce Berlusconi, dono do Milan e das noites de Milão.

Como me disse ainda ontem o meu querido Professor, Ruy Carlos Ostterman, o menino não é de prosopopeias com a bola. Mas, tem todas as técnicas de um artilheiro de respeito: bate bem com as duas, cabeceia como poucos, sabe fazer a parede lá na frente para os companheiros e tudo o mais do gênero.

Confesso que vi Leandro Damião em ação poucas vezes. Mas, do que vi, gostei.

PROTAGONISTAS & FIGURANTES

No Bem, Amigos de ontem, o Galvão Bueno, lá de Lisboa, levantou a bola que anda quicando por aí: há uma legião de excelentes jogadores brasileiros na Europa, mas nenhum deles é protagonista, uma dessas estrelas que brilharam por lá nos últimos anos, tipo Ronaldo Fenômeno, Romário, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, o último dos moicanos, todos eleitos o melhor do mundo pela Fifa, alguns deles, mais de uma vez.

E, pode-se transferir isso até para a Seleção de Mano, onde não temos um nome que carregue a bandeira do melhor futebol do mundo.

O que, afinal, está acontecendo com nossos craques?

Simples: estamos num processo de transição de gerações.

Ou melhor: mais do que mera transição, passagem natural, essas coisas, mas, sim, um salto sobre o vácuo formado pela abrupta queda de rendimento de Ronaldinho Gaúcho e de Kaká, que deveriam, pela idade e currículo, estar neste momento no auge de seus respectivos brilhos.

Kaká, pela séria lesão que o deixou praticamente um ano fora de cena. Lesão, aliás, que inclusive não lhe permitiu cumprir uma Copa do Mundo à altura das expectativas. Na verdade, duas. E, Ronaldinho, sei lá por que, não chega aos pés daquele Ronaldinho mágico do Barça.

O fato é que ambos deixaram a bola pingando no vazio, nesse campo dos sonhos.
E os que podem retomá-la em alto estilo não estão na Europa e sim aqui no Brasil, segundo as avaliações dos dois craques incomparáveis, convidados do programa, Rogério Ceni e Marcos, que logo listaram três nomes: Ganso, Neymar e Lucas.

Todos, porém, começaram ontem suas carreiras. E, apesar do evidente potencial de cada um, ainda não dá para prever com exatidão o alcance do êxito futuro, embora, particularmente, eu creia que chegarão lá, mais cedo ou mais tarde.

Pena, por exemplo, que nossa apressada e um tanto leviana mídia tenha estigmatizado Neymar, por algumas irresponsabilidades próprias de menino, como indisciplinado. A ponto de um jornal espanhol estampar o seguinte sobre o interesse do Barça pelo garoto: “Gênio, mas indisciplinado”.

Foi, em apenas um episódio. Não é, necessariamente. Aliás, Ney Franco que com ele conviveu durante dois meses, durante a campanha vitoriosa do Sul-Americano Sub-20, foi enfático – o quanto enfático pode ser um autêntico mineiro – que não constatou um traço sequer de indisciplina no caráter e no comportamento do jogador. Ao contrário: descreveu-o como parceiro e alegremente integrante do grupo, nos bons e maus momentos.

Mas, enfim, é o que temos: três meninos carregando o pendão da esperança, à espera de que o tempo cumpra seus desígnios.

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