OS ESTADUAIS E A FÓRMULA BURRA
Cada um escolhe a fórmula de disputa do campeonato estadual que mais lhe convier. Só a do Paulistão, em todo esse mundão verde-amarelo, não convém à ninguém, sobretudo à lógica elementar do futebol.
É de longe o mais irracional e desprezível de todos. Mas, que fazer se nossos cartolas são mesmo uns eternos desmiolados?
O pior de tudo é que segue um roteiro já antigo por aqui, e o presidente da FPF, mesmo diante da crítica unânime a esse sistema, insiste em defendê-lo, sem, ao menos, acenar com uma possível reformulação para o próximo ano.
Se o seu desejo é bajular os votos dos pequenos para sua eterna reeleição, vou-lhe dar uma sugestão para que ele amplie esse carinho e bote as coisas nos eixos.
Para o próximo campeonato, acrescente mais quatro clubes da Segundona aos vinte de praxe. Ficam 24 participantes, dividido em quatro chaves de seis clubes, tendo Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos como cabeças de chave.
Serão disputados quatro turnos. Cada turno terá um campeão extraído das semifinais entre os líderes de chave. Os quatro campeões de turnos disputarão em semifinal e final o título paulista.
No primeiro turno, jogam todos na própria chave. No segundo, A contra B e C contra D. No terceiro, A contra C e D contra B. No terceiro, A contra D e B contra C.
A disputa será jogo a jogo, o tempo todo, turno por turno, com datas reduzidas e o campeonato ganhará em emoção nunca vista antes.
Sim, porque, no fim, todos jogarão contra todos, e o último da chave sempre estará em condições de lutar pelo título de seu grupo até a rodada final.
Essa fórmula aqui proposta não saiu da cartola de ninguém. É fruto de mais de sessenta anos observando as coisas do futebol, sobretudo o paulista.
PAULISTÃO
Bem, de qualquer forma, aí estão as quartas de final do Paulistão, em jogo único, sem que haja nenhuma vantagem palpável para os que melhor se classificaram na longa e enfadonha fase de qualificação, a não ser o mando de jogo.
Dos quatro grandes – um deles, o destinado a ser campeão, a não ser que dê uma zebra do tamanho da incompetência dos nossos cartolas -, apenas o Corinthians não está competindo em torneio paralelo, tipo Libertadores ou Copa do Brsil.
E, se levarmos em conta a hierarquia da tradição, é aquele que mais foi beneficiado no jogo do emparelhamento desta fase, pois pega o Oeste, que acaba de empatar com o time reserva do São Paulo.
O problema é que o Cotrinthians, dos quatro grandes, é o que vem jogando um futebol mais opaco. Mas, é o Corinthians, gente!
Já o Palmeiras de Felipão, que enfrenta o Mirassol, outro clube sem tradição, embora tenha praticado um bom futebol nesta temporada, é o time mais talhado para o jogo de mata-mata. Sobretudo, por conta de Felipão, especialista nessas artes.
Quanto ao São Paulo, time de melhor elenco dentre os paulistas, tem oscilado muito, de acordo com o vaivém dos impulsos de seu treinador. Foi o que mais perdeu. Em compensação, terminou primeirão, ainda que muito próximo dos demais.
Enfrenta, porém, a Lusa, que passou pelo funil no último instante, no único clássico das quartas de final. Num jogo só, é sempre uma pedreira maior.
E o Santos tem pela proa jogo decisivo com o Táchira para seguir vivo na Libertadores, e pegará de frente a Ponte Preta, time de tradição e força técnica. Mas, como Muricy parece estar conseguindo vestir o Peixe com uma carapaça mais dura do que a habitual, sem perder a leveza ofensiva, será a hora de abrir o Alçapão da Vila.
É esperar pra ver.
CARIOCÃO
Simplesmente Fla-Flu numa perna das semifinais da Taça Rio. E que Fla-Flu! De um lado, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves; de outro, Fred, Emerson, Conca e cia. bela.
É clássico pra mais de metro. E a chance de o Flu salvar parte da temporada tão frustrante até agora, já que o Flamengo estará de qualquer jeito na final do campeonato, a não ser que pape também este segundo turno.
Na outra perna, Vasco e Olaria, que empataram por 2 a 2 na rodada final da fase classificatória. Um Olaria surpreendente, é verdade, Mas um Vasco em ascensão vertiginosa nesta Taça Rio, depois do vexame na Taça Guanabara.
Desconfio que o Almirante toca esse barco em frente.
GAUCHÃO
Nas semifinais, o Grêmio pega o Cruzeiro, na casa do adversário, ou em qualquer outro local que a federação escolha, diante do impasse atual (o Grêmio se recusa a jogar num campo de grama sintética como o do inimigo).
Não está, nesta temporada, reproduzindo o mesmo futebol do ano passado, mas o Tricolor tem bala para pular à final.
Assim como o Inter de Falcão que enfrentará o Juventude.
Depois, é o de sempre – Gre-Nal pra matar a gente do coração.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Campeonato Carioca, Campeonato Gaúcho, Campeonato Paulista, Campeonatos Estaduais, Corinthians, FPF, Palmeiras, Santos, São Paulo