Confesso que a fórmula do Paulistão, que se inicia nesta quarta, não me agrada. Esse negócio de misturar pontos corridos com mata-mata é esdrúxulo. Ainda mais quando se estende por um turno só para apurar os quatro finalistas, que se eliminarão num rápido segundo torneio.
Mas, enfim, aí está um Paulistão sugestivo, apesar disso, por conta de tantas atrações reservadas pelos grandes clubes às suas respectivas torcidas.
De todos, o Palmeiras, justamente o campeão paulista, é o que entra em campo mais fragilizado, diante de um Santo André que acaba de ascender á divisão de elite do Brasileirão.
Fragilizado porque desfez aquele time campeão paulista e classificado para a pré-Libertadores, e terá que se utilizar do Paulistão para ajustar suas novas linhas. Pior: um dos reforços mais promissores – o avante Marquinhos, revelação do Brasileirão – está na enfermaria, recuperando-se de delicada cirurgia. E Keirrison, a grande esperança, chega em cima da bucha e carregando nos ombros um peso, talvez, acima das suas possibilidades neste momento.
Mas, enfim, Luxemburgo é desses treinadores que tiram água de pedra. Quem sabe, então?
Obsessão tricolor
O tricampeão brasileiro (ou hexa, como preferirem) São Paulo, por sua vez, embora tenha mantido o time vitorioso da temporada passada e reforçado seu elenco com jogadores do porte de Washington, um dos artilheiros do Brasileirão, está mesmo de olho na Libertadores, obsessão tricolor.
Isso quer dizer que vai, sim, buscar o título paulista, mas não com a ênfase necessária. Se chegar entre os quatro, aí, sim, dependendo da combinação dos jogos pela Libertadores, entrará pra valer na disputa.
Mas, apesar do pouco tempo para eliminar as toxinas das Festas de Fim-de-Ano, enfrenta Ituano, em casa, com o mesmo time que levantou a taça nacional, o que, convenhamos, não é pouco. Aliás, é muito.
Os reforços ficam esperando a hora certa para entrar nessa equipe.
E, como Muricy não gosta de perder nem par ou ímpar, é de se prever que o São Paulo comece este Paulistão bem melhor do que no anterior.
Timão, na fita
O Corinthians, que vem na esteira da estupenda campanha pela Segundona do Brasileirão, também preservou praticamente sua equipe, à exceção de Herrera, e ainda levou para o Parque preciosos reforços, como Túlio, Jorge Henrique e Souza, sem falar em Ronaldo Fenômeno, a cereja no bolo, que só pisará os gramados depois de entrar em forma.
Mas, para isso, não há pressa. Mesmo porque já na apresentação do time diante do Estudiantes, o Timão revelou potência capaz de cumprir digna campanha neste primeiro semestre.
O Corinthians, nesta quinta, enfrenta o Barueri, e aí poderemos ter uma ideia mais exata do que a Fiel pode esperar desse time, embora seja apenas o primeiro passo.
Peixe, de surpresa
O Santos é o time que pode surpreender nesse Paulistão, graças a sua nova formação, cujo epicentro é Lúcio Flávio, um dos raros meias-armadores autênticos do nosso futebol.
Mas, tem também Madson e, sobretudo, Kleber Pereira, goleador implacável, autor dos dois gols diante da Briosa, no amistoso de fim-de-semana.
Só não sabe se poderá contar novamente com Kleber, que está entre ir para o Exterior ou para o Beira-Rio, enquanto chega Léo onde já está Triguinho.
O Peixe estreia recebendo o Guartinguetá, time que teve desempenho superior no último Paulistão. É de se ver.
Já a Lusa, que infelizmente retornou à Série B do Brasileirão, conseguiu manter Edno, sua estrela, e pegará na quinta o Guarani.
Um Guarani obscurecido nos últimos tempos, mas que parece ter renascido tão-somente pela presença de Amoroso, um dos maiores astros de sua história, já veterano, porém, decidido a recuperar o tempo perdido do Bugre.