NEYMAR PEDIU PERDÃO. QUE MAIS?
Neymar não só pediu desculpas, pediu perdão. Logo, deixemos de parangolés. O menino está arrependido do que fez, levou uma bronca do pai, um puxão de orelhas da mãe, uma multa do clube, um esporro do técnico, e caiu na real.
O que é que você quer mais? Colocar o negrinho rebelde no pelourinho, açoitá-lo com sete chibatadas, até que ele confesse ter entregado Jesus aos romanos cruéis?
Ora, trata-se de um rapaz em pleno rito de passagem, que desde os doze anos é cevado com a expectativa de se transformar num grande craque na Vila.
Célebre e endinheirado muito antes de ganhar corpo e mente de homem formado, exigir que ele se comporte, dentro e fora do campo, como um cidadão normal, se é que isso exista, é no mínimo uma estupidez.
Vai pisar na bola – metaforicamente, pois, literalmente, ele a domina como poucos -, faz parte da natureza humana. Os mesmos que o criticam acerbamente por ter respondido com palavrões ao técnico, por não ter sido preterido na cobrança de pênalti que ele mesmo sofreu, são os mesmos que me enchem de impropérios na lista dos comentários deste blog.
Pra esses, dar porrada no adversário faz parte do jogo. Jogadores se ameaçarem e se xingarem ao longo de uma partida é coisa normal. O becão dar uma cacetada no craque que faz uma firula é absolutamente natural, a não ser pra quem nunca bateu bola na várzea. Todas essas machezas e incivilidades são perdoadas, por conta da lide da bola.
Mas, um moleque desses, crioulo, abusado, de gola levantada, sorriso permanente nos lábios, ah, não! Quem ele pensa que é?
É quem é. Moleque, crioulo, abusado, pleno de talento, da cabeça aos pés, com personalidade suficiente para enfrentar qualquer parada, capaz de cometer estripulias com a bola nos pés, com a boca, com os gestos, de qualquer jeito.
Moldá-lo de acordo com os preceitos ou preconceitos de todos nós só o tempo o fará, na medida certa, se isso realmente for necessário para ele, não para nós, segundo nossos padrões de vida, nem sempre, ou quase nunca adequados para quem, por isto ou aquilo, está fora de nossos padrões.
Show colorado no Tricolor
Foi uma vitória categórica do Inter sobre o São Paulo, no Morumbi. Não só pelo placar clássico de 3 a 1, três gols legais, dois deles de bela feitura, mas, sobretudo, porque o Colorado foi sempre, de cabo a rabo, mais time.
Defendeu-se com firmeza, armou com ciência, e atacou com força o tempo todo, enquanto o São Paulo foi flácido e descoordenado em todos os setores. Revelou-se, principalmente, uma equipe sem personalidade.
Enquanto isso, em São Januário, o Vasco colecionava mais um empate, nessa longa série invicta, porém, sem os saltos necessários para alcançar posições melhores.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: Brasileirão, Multa, Neymar, Santos, Vila Belmiro





