DRAMA E GLÓRIA DO SANTOS
Se o Santos produziu as mais deliciosas comédias, espetáculos coloridos e deslumbrantes, desta temporada, na decisão do Paulistão viveu um drama singular até o apito final do juiz.
Drama que começou em menos de um, minuto, quando Nunes abriu o placar para o Santo André, time aguerrido, bem armado e ofensivo como o Santos. Mas, logo em seguida, Neymar empatou, num passe de letra de Robinho.
Branquinho replicou com bola no poste, além de um gol anulado legítimo, e Alê, cabeça, fez 2 a 1 para o Santo André.
E aí a grande lambança do juiz: expulsou Léo e Nunes, num melê, em que esses dois jogadores nem se aproximaram, apenas trocaram insultos à beira do campo.
O jogo pegou fogo, e Neymar, mais uma vez, em bela troca de passes de todo o ataque santista, empatou novamente: 2 a 2.
Na sequência de outra expulsão – esta, justa -, de Marquinhos, o Santo André passou à frente, com Branquinho, ao lado de Bruno e de Gil, um dos melhores do time.
O segundo tempo, assim, foi um lancinante passar do tempo, com o Santo André pressionando, metendo outra bola no poste, e o Santos resistindo, sobretudo depois da expulsão de Brum, graças á versatilidade de Arouca e o talento de Ganso.
A vaga de Ganso
Falando em Ganso, além de toda a sua categoria, um lance, que poderia ser interpretado como rebeldia, revelou o espírito superior desse rapaz. No segundo tempo, quando maior era a pressão do adversário, o técnico Dorival Jr. Ameaçou substituir Ganso, que se negou a sair.
Não por insubordinação pura, mas pela certeza que só ele poderia segurar a bola como segurou naqueles momentos dramáticos por que seu time passava.
Dorival, cara inteligente, percebeu, e tirou André, que havia entrado pouco antes.
O episódio só vem se agregar a tantos outros protagonizados por esse meia de bola redonda e muita personalidade, um indicativo indiscutível de maturidade suficiente para merecer a convocação de Dunga daqui alguns dias para a Copa do Mundo.
De qualquer forma, esse Santos, que até aqui encantou e agora revelou-se heroico na decisão, mais do que ninguém merecia levar essa taça para casa, a gloriosa Vila Belmiro.
Grêmio, Galo…
Grêmio, Galo, Vitória, Náutico, Avaí, Atlético Goianiense, pipocam campeões pelo Brasil inteiro.
Desses, só o Grêmio, a exemplo do Santos, perdeu. Mas, perdeu para o Inter, que, convenhamos, é um dos elencos mais ilustres do Brasil. Logo, é compreensível.
O importante é que levantou a taça, não por esse jogo específico, mas pela campanha brilhante e pela vitória por 2 a no Beira-Rio, no jogo de ida.
Por outro lado, esse resultado confere ao Inter o mínimo de ânimo para pegar o Banfield em casa em condições de inverter o placar negativo por 3 a 1 no jogo de Buenos Aires.
Quanto ao Galo, não vacilou: meteu 2 a 0 no Ipatinga, com gols de Tardelli (sempre ele!) e de Marques, dois emblemas do Atlético – um, do presente; outro, de passado recente.
Lá fora
Desta vez, quem tomou conta do espetáculo não foi Robben, mas seu parceiro francês, Ribéry, que acabou com o jogo, na vitória por 3 a 1 sobre o Bochum, que deixou o time bávaro com as duas mãos na taça. Só falta levantá-la, colocá-la num pedestal e partir pra cima da Inter de Milão em Madri, onde poderá alcançar feito ainda maior – a conquista da Liga dos Campeões da Europa.
Ah, sim e há mais dois heróis nessa história: o jovem atacante Muller, autor dos três gols do Bayern, e o técnico holandês Van Gaal, que, por conta de seu temperamento azedo, até pouco tempo perambulava pelos bastidores dos grandes centros europeus, depois de aplaudidas performances no Ajax e no Barcelona, anos atrás.
Por falar em Barça, os catalães, parece, não se amofinaram demais com a desclassificação na Liga dos Campeões. Pelo menos, deram a volta por cima diante do Villareal de Nilmar e Marcos Senna: 4 a 1, com direito a muito toque-toque, em mais uma exibição irretocável de Xavi, seus passes e tiros exatos. Xavi foi o garçon de dois gols e meteu outro, numa cobrança magistral de falta. Joga muito o rapaz.
Na Inglaterra, Chelsea e Manchester Unitde seguem cabeça a cabeça, com as vitórias de ambos neste domingo. O Chelsea, com um presente de Gerrard, venceu o Liverpool por 2 a 0, e o Manchestes ganhou suando do Sunderland, por 1 a 0, gol de Nani.
Por fim, a Roma, ao vencer o Parma por 2 a 1, com um gol de placa de Toth (recebeu na frente, matou no peito e encobriu o goleiro com um lençol diáfano), coloca sob pressão a Inter, que joga neste domingo precisando de, pelo menos um empate, para retomar a liderança. Pelo visto, o título italiano será mesmo decidido na última rodada.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: Atlético-MG, BAyern de Munique, Campeonato Paulista, estaduais, Grêmio, Paulo Henrique Ganso, Roma, Santo André, Santos



