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quarta-feira, 8 de junho de 2011 Seleção Brasileira | 00:57

AS DUAS FESTAS E O FIM DE FESTA

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Até o início do segundo tempo, foi uma festa só. Festa de despedida de Ronaldo e festa da bola nos pés dos brasileiros diante dos romenos. Depois, foi um fim de festa.

Ronaldo desperdiçou a chance de se despedir com o aceno de sua vida gloriosa – o gol esteve aos seus pés por duas vezes; numa, o goleiro pegou; noutra, o Fenômeno mandou-a para fora.

Mas, nas duas oportunidades, Ronaldo relembrou um dos seus atributos mais marcantes: o senso de colocação na área. Senso que Fred, seu antecessor nos 30 minutos iniciais de partida, também revelou, ao colher aquela bola bem tramada entre Maicon, Jadson e Neymar, aos 21 minutos de jogo, E que Nilmar, seu sucessor não demonstrou nas duas boas ocasiões criadas por Maicon e Neymar, no segundo tempo.

Mas, se concentrarmos todas as nossas atenções sobre a Seleção, abstraindo-se Ronaldo, seu antecessor e seu sucessor no jogo, veremos que o técnico Mano Menezes voltou ao ponto inicial de sua proposta para o time: ainda sem Ganso, em vez de escalar mais um volante por ali, preferiu dar uma chance completa para Jadson.

E Jadson foi aprovado com louvor no trabalho de organizar o time, sobretudo no primeiro tempo, quando nosso time deslizou em direção ao ataque, criou várias chances de marcar e fez só aquele gol de Fred.

É a velha questão do homem certo no lugar certo. Na meia, um meia, meu! Não precisa ser um Didi, um Zizinho, um Gérson, um Ademir da Guia, um Zidane ou qualquer monstro sagrado da posição para exercer essa função. Basta que o sujeito tenha cacoete para a coisa – bom passe, boa visão de jogo e molejo para se mexer ali naquela zona congestionada da intermediária adversária sem grandes embaraços.

Já o segundo tempo se desenrolou num clima de fim de festa, em boa parte por conta do cansaço – físico e emocional – de um grupo de jogadores cuja maioria joga na Europa. Portanto, em tempo de férias, não de trabalho.

Por fim, a convocação final para a Copa América segue dentro dos parâmetros estabelecidos por Mano até aqui, na esperança de que Ganso e Pato estejam nos trinques até lá.

Com o tempo de que disporá Mano para afiar a equipe com vistas à Copa América, há uma boa margem de esperança, embora seja ajuizado mantermos a cabeça fria: lá, com Messi e cia. bela, a Argentina é e sempre será a favorita. Mas, temos chances, sim.

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Notas relacionadas:

  1. SEM FESTA, NEM CHORO
  2. UMA DECISÃO
  3. DO FENÔMENO À ENCRENCA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

segunda-feira, 6 de junho de 2011 Ex-jogadores, Seleção Brasileira | 17:17

DO FENÔMENO À ENCRENCA

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Nunca um apelido coube tão bem num jogador de futebol como o Fenômeno do Ronaldo. Fenômeno de superação nas adversidades intermitentes sofridas em sua cintilante carreira. Fenômeno no trato com a bola e na intimidade com o gol. Fenômeno na quebra de tantos recordes. Fenômeno de marketing, capaz de tirar de letra várias situações constrangedoras, suficientes para arranhar a imagem pública de qualquer um, definitivamente. E, por aí, vai.

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Mano orienta Neymar na véspera de Brasil x Romênia: técnico não está preocupado com festa para Ronaldo, mas sim com a Copa América (AFP)

Portanto, nada mais justa do que essa homenagem que lhe será prestada amanhã, no Pacaembu, na sua despedida oficial da Seleção Brasileira, no amistoso contra a Romênia.

Mas, passados os dez, quinze minutos de tributo ao craque, voltemos nossos olhos para a Seleção de Mano, que inicia sua entrada no funil em direção à Copa América.

Nosso time sofrerá várias mudanças, sobretudo na defesa, com as dispensas de Júlio César, Daniel Alves e Lúcio. Até aí, nenhum problema aparente. Os três goleiros reservas – Victor, Fábio e Jefferosn – estão prontos para substituir Júlio César a qualquer momento.

Maicon, um dos destaques da Inter, reassume simplesmente o posto que foi seu no período todo em que Dunga esteve comando o time nacional. E David Luiz, guindado à zaga titular por Mano, na fase em que Lúcio não vinha sendo chamado, não só foi muito bem com a canarinho, como acaba de ser eleito uma das grandes revelações do futebol inglês.

Assim como a dupla de volantes – Lucas Leiva e Ramires – tem dado conta do recado.

A encrenca começa aqui, no chamado terceiro homem de meio de campo, onde Ganso tem cadeira cativa, desde que possa jogar. Afinal, foi o único meia autêntico, com poder de organização e de criação superior, que entrou no time e resolveu logo de cara.

Mano, seguindo o roteiro por ele estabelecido no início de seu trabalho, na ausência forçada de Ganso, passou a testar alguns meias que poderiam fazer esse papel: Douglas, Renato Augusto e Jadson, se não me escapam outros, por exemplo. Não funcionou.

Então, animado pelo ótimo desempenho de Elano nos três primeiros meses da temporada, na sua volta ao Santos, Mano resolveu dar um passo atrás na sua proposta, escalando um terceiro volante por ali.

Há quem garanta ser Elano um meia genuíno. Não concordo. Mas, nem talvez seja esse o caso, pois Elano tem bom passe, experiência, e bate na bola como poucos de longa e média distâncias, assim como é mestre em bolas paradas. Mas, já nos últimos tempos vem revelando lentidão excessiva e pouca participação nos jogos, seja defendendo, seja armando.

Se quiser reornar ao caminho inicial, cabe ao treinador brasileiro, escolher entre estas alternativas para a posição, no elenco atual: Anderson ou Thiago Neves.

Anderson leva a vantagem de ser mais solidário na marcação e no fechamento dos espaços na nossa intermediária. Thiago, porém, é aquele canhoto de drible fácil e chute potente.

Há, porém, outra possibilidade: Lucas, que tem atuado, mais ou menos, como esse meia no São Paulo, embora não seja seu perfil futebolístico. Lucas é mais chegado ao drible e à condução de bola.

Na cabeça de Mano, a posição ideal de Lucas é no ataque, ali pela direita, fechando para o meio, quando o time estiver sem a bola. Bem pensado. Isso, porém, implicaria ou na saída de Robinho, ou na ausência de um centroavante típico.

Quanto a este, Fred desperdiçou sua chance diante da Holanda. Portanto, a hora, agora, é de Leandro Damião. O certo mesmo é que Neymar segue firme lá na frente. E nem poderia ser de outra maneira.

De qualquer jeito, não gostaria de estar nas botas de Mano, como diria aquele velho texano.

Notas relacionadas:

  1. OS TRÊS ÂNGULOS DE MANO
  2. DOUGLAS, A NOVIDADE NA SELEÇÃO
  3. SELEÇÃO PREVISTA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Libertadores | 17:17

TIREÓIDE E OUTROS BICHOS

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Joaquim Grava é um craque em medicina esportiva, reconhecido internacionalmente, sujeito limpo que sofreu uma grande injustiça no Corinthians, antes de ser reabilitado com todas as honras devidas, a ponto de cunhar seu nome ao centro de tratamento do clube.

Mas, ninguém é perfeito. E Grava pisou na bola, tempos atrás, ao declarar para o IG, que essa história sobre a tiroide do rapaz era “pura balela”. E acrescentou: “Se fosse o caso, acha que não o estaríamos tratando?”.

Bem, diante da própria declaração do craque na sua despedida, não se tratava de balela alguma. Era a mais pura verdade.

Compreendo que, por razões éticas, o Corinthians, através de seu médico, não quisesse divulgar esse problema clínico do jogador, sem sua explícita autorização. Mas, também, pelas mesmas razões éticas, não precisava descartar publicamente uma verdade que só beneficiaria Ronaldo, no fim das contas.

Sim, porque, ao negar uma das especulações sobre os motivos que impediam o craque de entrar em forma física aceitável, abriram-se as portas para todas as demais especulações negativas à imagem do craque: é glutão incontrolável; enche a cara todo o dia, não se cuida, e por aí vai.

(Lembro que, certa vez, Ronaldo foi ao Bem, Amigos. Depois do programa fomos à tradicional ceia no Lellis. No dia seguinte, um companheiro de imprensa, que fazia reportagem exatamente sobre os hábitos alimentares do jogador, me ligou para perguntar o que ele havia comido, se muito, se pouco.

Juro que não prestei atenção no seu apetite, mas posso assegurar que não foi maior do que de todos à mesa. Não pediu o segundo prato, não exagerou no vinho, nada que valesse uma nota especial a respeito).

Na pior das hipóteses, se a ética proíbe o médico de revelar algo protegido pelo sigilo de sua relação com o paciente, a fórmula mais adequada é aquela que encerra o papo: sem comentários. Ou, perguntem a ele.

Não conheço a legislação específica sobre o assunto, mas é óbvio que a revelação sobre o estado clínico do jogador não o incriminaria em nada. Ao contrário, o absolveria de muitas suspeitas indevidas.

Por fim, a questão do eventual doping, caso Ronaldo tomasse os tais hormônios que combateriam a disfunção metabólica, segundo sustentou o jogador na sua despedida.

Por tudo que li e ouvi dos especialistas, não seria o caso. Esse tratamento não incidiria na lei antidoping.

Nada disso, porém, diminui a história de Grava, nem a obra de Ronaldo. Mas, serve de lição para casos futuros. Vai na conta das nossas naturais imprecisões.

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Charge de Milton Trajano sobre o adeus de Ronaldo

Inter e Cruzeiro

São os dois brasileiros que entram em cena na Libertadores nesta quarta-feira.

O Inter, pleno de argentinos, alguns em campo, outros no banco, vai ao Equador pegar o Emelec, dividido entre a glória de ostentar o título continental e o vexame de ter sido eliminado antes da hora no Mundial de Clubes.

O diabo é saber quais dos dois sentimentos prevalecerá em campo, pois o adversário, convenhamos, não é nenhum bicho-papão. E o Inter, sem ser um timaço, é uma boa equipe, capaz de perfeitamente voltar do Equador com a classificação para a próxima fase já praticamente garantida.

Já o mesmo não se pode dizer do Cruzeiro. Menos pelo poderio da equipe e muito mais pela força do adversário, o Estudiantes.

Mesmo jogando em casa, que não é sua casa, pois sua casa – como a do Galo – é o Mineirão em obras, o Cruzeiro terá de dar tudo para assegurar uma posição digna em seu grupo.

Copa do Brasil

O São Paulo, desabituado à essa disputa porque há sete anos era protagonista da Libertadores, volta à Copa do Brasil, em Campina Grande, contra o Treze. E volta com seus meninos de ouro do Sul-Americano Sub-20: Casemiro, Lucas, Henrique e William.

Pelo visto, Casemiro e Lucas começam jogando, enquanto Henrique e William guardam o banco.

Os garotos estão cansados e relaxados pela conquista magnífica com a camisa canarinho. Mas, são meninos e podem extrair algo mais de  seu cansaço.

Com eles, se Carpegiani tiver juízo – não agora, mas um pouco mais à frente -, o Tricolor, enfim, poderá montar um time sugestivo e capaz de dar um salto fora da mediocridade (no literal sentido) atual.

Mas, se Carpeginia resolveu poupar para esse joo Rivaldo, Luxemburgo vai com tudo a Alagoas para encarar o Murici.

Claro, pois estamos no início da preparação, e tanto Ronaldinho Gaúcho quanto Thiago  Neves carecem de ritmo de jogo. E isso só se obtém jogando.

É esperar se ambos egrenam e o Fla ganhe aquele status superior que as estrelas sugerem.

Notas relacionadas:

  1. A VOLTA DO FENÔMENO
  2. VALEU, MANO!
  3. INSÓLITO GRENAL E OUTROS CLÁSSICOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 Clubes brasileiros | 14:45

OBRA E O AUTOR

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A despedida já anunciada na véspera foi comovente, como costuma ser nessas ocasiões. E elucidativa, pois só agora ficamos sabendo, da boca de Ronaldo, que há quatro anos, quando jogava ainda pelo Milan, os médicos constataram nele a síndrome do hipotireoidismo, uma disfunção orgânica que atua sobre o metabolismo, dificultando demais o processo de emagrecimento.

Isso explica por que Ronaldo, embora treinando muito, não conseguia reduzir seu talhe. Ao contrário: desde que desembarcou no Parque, em 2009, até hoje, a impressão é a de que engordou ainda mais.

Ronaldo, ao revelar esse fato, lastimou que muitos dos que fizeram piadas com seu peso, ou condenaram sua eventual desídia, se sentiriam agora culpados. Pode ser. Mas, teria muito mais transparente e compreensível se esse fato fosse divulgado publicamente desde o primeiro momento. Evitaria muitos mal-entendidos. Nada melhor do que a verdade exposta clara e objetivamente.

Mas, a obra de Ronaldo, nesses gloriosos dezoito anos de encantos e desencantos nos gramados, está acima disso tudo. A obra, no fim, estará sempre acima do seu autor, em qualquer setor da vida humana.

Por exemplo: acabo de ler uma biografia bem desenhada da vida e da obra de Cervantes. Fechei o livro convencido de que D. Quixote foi maior do que Cervantes.  E olhe que Cervantes penou feito cão danado ao longo de sua vida, suportanto com galhardia suas desditas,  guardadas as devidas proporções, como Ronaldo.

Isso é muito comum, entre outras coisas, porque a obra é fruto do gênio do autor. Mas, o autor é fruto de todas as maravilhas e imperfeições da Natureza.

As portas da Libertadores

A Libertadores pra valer abre suas portas para cinco brasileiros. E o primeiro a transpassar o seu umbral será o Santos, que, na Venezuela, espera ansioso pelo quarteto de ouro da conquista do Sul-Americano Sub-20: Neymar, Danilo, Alex Sandro e Alan Patrick.

O diabo é saber como estarão os músculos, os pulmões e as almas desses garotos, depois da maratona a que foram submetidos desde o final do ano passado, culminada com a festa do título e a natural descarga de energias que sobrevêm naturalmente dessas celebrações.

De qualquer forma, desconfio que apenas Neymar estaria nos planos de Adílson para essa partida contra o Deportivo Tachira, a não ser que pretenda utilizar Danilo ao lado de Arouca, digamos, no meio de campo.

Mesmo assim, é sempre animador saber que essa turminha estará, ao menos, no banco, para qualquer eventualidade.

Verdadeira final

Os deuses da bola, se fossem menos cruéis, teriam reservado esse jogo para a final da Liga dos Campeões da Europa. De qualquer forma, já botei pra gelar o champanha e deixo pra abrir o pote de caviar Beluga na hora em que Arsenal e Barcelona entrarem em campo, quarta-feira.

São os dois times que praticam o futebol mais agradável de se ver no planeta. Aliás, no estilo, assemelham-se muito, ambos dando ênfase ao toque de bola, ao envolvimento do adversário e à arte das tramas via passes exatos e vertiginosos.

O Barça tem sido bem mais eficiente, enquanto o Arsenal vacila diante dos momentos mais críticos de suas caminhadas, seja na Liga, seja no Campeonato Inglês, ao contrário de seu conterrâneo, o Manchester United, mais incisivo e decisivo.

De qualquer forma, espera-se um espetáculo como poucos. E que vença o melhor.

Notas relacionadas:

  1. SELEÇÃO, PAULISTÃO E GRÊMIO
  2. INTER, COM AS MÃOS NA TAÇA
  3. PALAVRAS E OBRAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

domingo, 13 de fevereiro de 2011 História | 20:39

O ADEUS DE RONALDO

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Não vi Fried em ação, a não ser num flash de cinejornal dos anos 20, que o Fernando Faro exumou de algum baú perdido, talvez a própria Arca da Aliança, quem sabe. Afinal, ele pendurou as chuteiras seis anos antes de eu nascer.

Mas, ouvi maravilhas dos antigos, testemunhas vivas da longa e estupenda carreira daquele filho de alemão e negra bem brasileira, mulato claro de olhos verdes, que só fui conhecer de perto já velho mas ainda altivo em seu terno branco e óculos escuros.

Vi Leônidas no fim de carreira e nas vivas imagens em preto e branco de um documentário da RTF sobre a Copa de 38 na França. Vi e revi várias vezes, ao lado do saudoso Raul Duarte, que o trouxe em 42 para o São Paulo, como enviado de Paulo Machado de Carvalho, na sala de projeções da velha TV Record, na av. Miruna.

Elástico, célere, implacável, genial.

Vi, bem, Ademir de Menezes, suas arrancadas fulminantes, seu cabeceio exato e fatal. Assim como vi à exaustão Vavá, Pagão e Coutinho, três estilos distintos, na mesma arte superior de fazer gols sobre gols.

E que dizer de Careca? Praticamente o mesmo relato que faria de Romário.

Todos gênios incomparáveis no ofício de fazer gols, em síntese, a essência do jogo.

Ronaldo Fenômeno, amigo, está aí nesse time, certamente com marcas mais expressivas. Menos do que certamente teria sido caso não fosse vítima de tão graves lesões, de recuperações longas, a ponto de quase reduzir à metade sua presença nos campos do mundo.

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Marcas expressivas não faltaram na carreira de Ronaldo (foto: AE)

Nesta segunda-feira, depois de ter, já sob o peso da idade e das precárias condições físicas, dado ao Corinthians uma fortuna em empreendimentos fora dos campos, e uma Copa do Brasil e um Paulistão, dentro das quatro linhas, anuncia sua aposentadoria.

Já não era sem tempo? Só quem pode dar essa resposta é o próprio craque. É ele quem sabe onde lhe dói o calo.

A nós só resta aplaudirmos sua passagem pelos campos com as palmas eternas da saudade.

Notas relacionadas:

  1. TIRANDO DA LUSA O QUE LHE RESTA
  2. PACAEMBU SETENTÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

sábado, 5 de fevereiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 15:43

PALAVRAS E OBRAS

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Ronaldo Fenômeno entupiu o twittter com indignações contra os cretinos que, neste dois dias, têm vandalizado as dependências do Corinthians, em protesto pela vexatória eliminatória do time na Copa Libertadores.

Tem razão o craque histórico. Nenhum tipo de violência se justifica, em qualquer circunstância. Mesmo porque estou convencido de que esse tipo de protesto de torcida organizada, em geral promovida por um bando de moleques – adolescentes e jovens semialfabetizados – a mando de alguém, busca mais aqueles poucos segundos de fama ao ver seus rostos expostos pela televisão do que realmente extravasar sua ira pela derrota da hora.

Nessa linha, bem fariam as televisões brasileiras se imitassem as inglesas, que limitam a exibição dessas lamentáveis cenas ao mínimo necessário para informar os telespectadores. De preferência, em planos distantes, e, se isso fosse impossível, velando o rosto dos participantes para que eles não possam se vangloriar no dia seguinte.

As imagens reais, iriam para a polícia, que trataria de identificar esses pequenos criminosos, prendê-los e abrir os devidos boletins de ocorrência. E que a justiça fosse menos lenta e tolerante com essa cambada.

Quanto à reação de Ronaldo, repito, é justa. Mas, insuficiente. Mesmo, como ele afirma, que não leve nenhum tostão do Corinthians; ao contrário, com sua ação de marketing, bota um bocado nos cofres alvinegros, o que me consta ser pura verdade, ele é, sobretudo, um jogador de futebol, ainda.

E jogador de futebol, como qualquer outro artífice, se expressa mais com sua obra do que com suas palavras. E a obra recente de Ronaldo Fenômeno está a mil anos-luz da obra que ele nos deixou em sua gloriosa e longa carreira.

E, se ele deseja cumprir a promessa de uma grande volta por cima, precisa readquirir rapidamente, no mínimo, a forma física dos tempos dos títulos paulista e da Copa do Brasil, há dois anos.

Que jogaços!

Os anglo-saxões e os germânicos, digamos, são primos em segundo grau, que se odeiam historicamente. Mas, têm algo em comum: nunca se entregam, até o último homem, até o último minuto.

E, no futebol, como na guerra, não é diferente.

Pegue o amigo esse jogo lancinante entre Colônia e Bayern de Munique. Os bávaros saíram na frente – 2 a 0, no primeiro tempo. No segundo tempo, porém, sob o comando de Podolski, o Colônia virou para 3 a 2. E, até o apito final, o 4 a 2 e o 3 a 3 rondou as duas metas, em lancinantes golpes de parte a parte.

Mais emblemático ainda foi o jogo em Newcastle, onde o Arsenal, naquele seu toque-toque hipnótico, ao estilo do Barça, em menos de três minutos rolados, já vencia por 2 a 0, e, em menos de dez, por 3 a 0. Enfim, terminou o primeiro tempo, com 4 a 0 no placar e anunciando uma goleada espetacular.

É verdade que o Newcastle, apesar do vexame inicial, respondia com ataques perigosos. Na verdade, criou quatro claras chances de reduzir o placar, ainda no primeiro tempo.

Mas, no segundo, Deus do céu! Depois da expulsão injusta de Diaby, o Arsenal submeteu-se a um sufoco irresistível. E o jogo terminou em 4 a 4, ainda que os dois times tenham criado chances para definir a vitória antes de o juiz encerrar a partida.

Juiz, aliás, que errou em lances capitais contra os dois times. Mas, o que restou foi a enorme emoção de um jogo delirante.

Notas relacionadas:

  1. DOMINGO DE GALA
  2. POR UM POUCO DE DIGNIDADE
  3. A VOLTA DE RIVALDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 20:01

OS FILHOS PRÓDIGOS

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Essa história do filho pródigo que à casa torna, no futebol, é tão antiga quanto à bíblica.

Já lá pelos anos 20 e 30, uma legião de brasileiros, quase todos oriundi (descendentes de italianos) partiram para a Bota, tiveram êxito – alguns serviram à Seleção Italiana -, e, depois voltaram, com saudades da feijoada, da batucada, essas coisas.

Só para lembrar: Filó, De Maria, Ministrinho, os irmãos Fantoni, Gambarotta, sei lá quantos mais.

O caso mais patético foi o do mineiro Niginho, que, ao voltar da Itália, foi convocado como reserva de Leônidas da Silva para a disputa da Copa do Mundo de 38, na França. Sucedeu que Leônidas se machucou às vésperas do jogo pelas semifinais com a Itália. E, quando o técnico Ademar Pimenta resolveu escalar Niginho, só então ficou sabendo que o jogador estava vetado pela Fifa por não ter rescindido seu contrato oficialmente com o clube italiano que detinha seu passe, creio que a Lazio.

Resultado: o meia-direita Romeu Pelliciari foi deslocado para o comando do ataque, no lugar de Leônidas, e Luizinho – Luiz Mesquita de Oliveira -entrou na meia, embora fosse ponta-direita de origem e vocação.

O Brasil perdeu e toda a ira nacional recaiu sobre Leônidas, acusado de ter se vendido ao ouro de Mussolini, o ditador italiano na época.

Já nos anos 50, depois da Guerra, vários brasileiros partiram para a Europa. Dentre eles, Julinho, o Júlio Botelho. Em 55, foi para a Fiorentina, que não ganhava um campeonato desde que Da Vinci e Michelangelo faziam suas diabruras.

Rodada decisiva do campeonato italiano, a Fiorentina vai a Bolonha, e está tomando de 2 a 0, lá pelos 35 minutos do segundo tempo. Pois, Julinho recebe, parte para cima dos adversários, dribla meio time e reduz. Para 2 a 1. Bola no centro, Julinho recupera, tabela, e rede! Nova saída, bola pra Julinho, que se livra de um, de dois, e fuzila. Fiorentina, campeã, pela última vez em sua história.

Julinho foi carregado nos ombros dos torcedores de Bolonha a Florença, onde até hoje preserva-se uma placa de bronze ao lado da mesa que ele frequentava na cidade das flores, em que se inscreve: “Aqui, comeu Julio Botelho, o Sr. Tristeza”.

Sr. Tristeza porque, como se diz, ele deixou a Penha, bairro da zona Leste de São Paulo, mas a Penha nunca o deixou. Por isso, apesar do imenso sucesso na Itália, Julinho voltou em 1959, para o Palmeiras e para protagonizar outro episódio épico.

Jogo Brasil e Inglaterra, Maracanã lotado à espera de ver os dribles demoníacos do Anjo das Pernas Tortas, Garrincha. Pois, quem entrou com a camisa 7 em campo foi Julinho para receber a vaia mais sonora do templo do futebol.

Pra resumir: fez um e deu outro para Henrique, centroavante do Fla, marcar os 2 a 0 finais. O Maracanã, em pé, depois da vaia histórica, aplaudiu Julinho em pé.

Se listar aqui todos os que foram, fizeram fama e fortuna, e voltaram para ainda mais enriquecer nosso futebol, ocuparia todos os bytes da paciência do internauta. Assim, como os que foram, falharam e voltaram para se reerguer aqui.

Não há regras nem receitas. Há apenas o balanço das circunstâncias, que o amigo pode chamar de destino.

Liedson, já
Consolo para a Fiel, se isso ainda for possível depois da tragédia recente: Liedson chega e pode entrar já no time que dará outra feição ao ataque corintiano.

Acabei de vê-lo em ação, pelo Sporting, contra o Naval, no empate por 3 a 3. Liedson não só fez dois dos três gols de sua equipe como revelou estar, fisicamente, nos trinques. Basta dizer que, um minuto antes de marcar o terceiro gol, aos 44 minutos do segundo tempo, deu um pique de quarenta metros e quase chega para fazer.

Na verdade, a Fiel terá um impacto com a presença de Liedson no lugar de Ronaldo Fenômeno. Sem ter a mesma técnica e habilidade de Ronaldo, Liedson é sua antítese: magrinho, leve, rápido e oportunista, por certo, será mais eficaz do que o craque histórico.

E, não valesse essa observação pontual, bastava constatar as tantas homenagens que lhe prestou a torcida do Sporting, com retratos e dísticos de agradecimento ao artilheiro que partia.

Liedson deixou sua marca em Portugal, e, certamente, remarcará sua lembrança lisonjeira do breve tempo em que usou a camisa alvinegra.

Notas relacionadas:

  1. O FENÔMENO E O DIAMANTE NEGRO
  2. PACAEMBU SETENTÃO
  3. O CERTO QUE DEU ERRADO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011 Campeonatos Estaduais, Libertadores | 01:22

O VEXAME E A LÓGICA

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Foi um vexame, mas não uma surpresa. Afinal, essa saída precoce do Corinthians da Libertadores, ainda na fase de classificação do torneio, já se insinuava desde o início da temporada, acentuando seus traços no melancólico empate com o Tolima no Pacaembu por zero a zero.

Não se tratava apenas da formação do time, do estado atlético dos jogadores, da escolha do esquema e das táticas adotadas pelo treinador, não. Tudo isso, combinado, contribuiu decisivamente para o desfecho vergonhoso.

Mas, sei lá: havia algo mais, algo relacionado com a alma da equipe. Não, não estou falando dessa famigerada falta de garra à qual o torcedor comum se apega a qualquer desdita de seu time. É quase, mas não é exatamente isso. Uma certa abulia, talvez. Alguma coisa que flutua entre o medo e a incapacidade de vencê-lo, que paralisa, inibe, e faz a centelha do vencedor apagar-se sem que se perceba.

Some-se ainda a quebra de expectativa de suas duas maiores estrelas internacionais, aquelas que poderiam dar o toque extra de classe e malandragem à equipe. Pois, Roberto Carlos sucumbiu às dores na coxa e nem entrou em campo, e Ronaldo entrou, mas foi como se não o tivesse feito.

Em contrapartida, o Grêmio simplesmente cumpriu o seu destino traçado nas estrelas desde o empate inicial por 2 a 2 com o Liverpool, no estádio Centenário.

Aqui, no Olímpico, não perderia a vaga na Libertadores nem por decreto de Zeus e seus raios fatais. E, não deu outra: 3 a 1, depois de um leve susto inicial.

E assim, enquanto o Timão fica à beira da estrada lambendo suas feridas, o Tricolor segue impávido Libertadores adentro.

A festa de Ronaldinho

Omo foi a estreia de Ronaldinho Gaúcho, na vitória do Flamengo por 1 a 0 sobre o nova Iguaçu, num Engenhão lotado e em delírio?

Para o Ronaldinho que mora no nosso imaginário, diria que foi uma atuação discreta, com esta ou aquela cintilação de praxe.

Agora, convido o amigo a mudar a perspectiva. Veja esse camisa 10 do Flamengo como um anônimo que algum olheiro do clube garimpou num campo qualquer dos pampas, e, por qualquer motivo, está estreando nesse jogo com o Nova Iguaçu.

Estaríamos nós aqui louvando o novo astro que se insinua naqueles poucos momentos em que Ronaldinho esteve em contato com a bola, imaginando tudo que esse novato poderá ainda nos oferecer.

Prefiro essa visão a qualquer outra.

Palestra!

E não é que o Palmeiras, tido como carta fora do baralho no início do ano, sem reforços de nomeada, em plena crise, ganhou cinco jogos em seguida, e já desbancou o Santos da liderança do Paulistâo?

E, novamente, diante do Mirassol, o menino Patrik entrou para resolver o impasse, o zero a zero que caminhava para se fixar definitivamente no placar.

Pouco antes, o Santos, ainda sem uma batelada de titulares, ausências reforçadas por mais alguns que o técnico decidiu poupar, empatara por 2 a 2 com a Ponte, em Campinas, outra vez com gols de Elano e Maikon Leite, so artilheiros do campeonato, com seis gols cada.

Só que, desta vez, o Peixe jogou pouco, quase nada. Entre outras coisas, porque em nome de reforçar  seu sistema defensivo, Adílson resolveu apelar para o sistema com três zagueiros. Resultado: nem reforçou a defesa, pois tomou dois gols, nem fez a bola rolar com ciência do meio de campo pra frente, pela ausência de um armador que cedera seu lugar ao zagueiro.

No segundo tempo, o técnico desfez o malfeito e o time conseguiu reagir até chegar ao empate.

Notas relacionadas:

  1. SELEÇÃO, PAULISTÃO E GRÊMIO
  2. E DEU A LÓGICA
  3. GRÊMIO, SIM; TIMÃO, NÃO.
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros | 14:19

RONALDO, RONALDINHO E RIVALDO

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Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo foram os heróis da conquista de 2002.

Ronaldo

Ronaldo já voltou ao Brasil há dois anos. E, pelo Corinthians, teve atuações decisivas nos títulos do Paulistão e da Copa do Brasil, antes de declinar sob o peso de literal de seu talhe físico passando a ser apenas uma expectativa intermitente – fica mais fora do que dentro do campo. E, agora, passa a ser a grande esperança corintiana para o jogo do meio de semana contra o Tolima, lá, última fresta em direção à verdadeira Libertadores.

Ronaldinho

Ronaldinho desembarcou na Gávea outro dia, a bordo de um badalado projeto de marketing, mais ou menos calcado na contratação de Ronaldo pelo Corinthians. Sem maiores problemas físicos, a queda do craque na Europa se deveu mais ao espírito do que ao corpo. Espírito que se renova agora, às vésperas de sua estreia contra o Nova Iguaçu, pelo Campeonato Carioca, onde o Fla navega de vento em popa.

Sua relação com a bola é algo que beira o encantamento. Mas, seu relacionamento com o coletivo de uma equipe tem sido problemático. O mais deslumbrante momento de sua carreira foi quando atuou ali pela ponta-esquerda do Barcelona, época em que levantou dois canecos de melhor jogador do mundo.

O desafio para o técnico Luxemburgo, que o lançou na Seleção Brasileira há uma década, é achar o lugar certo para Ronaldinho exibir toda a sua arte sem interferir negativamente na dinâmica do conjunto.

Sobretudo, porque o Flamengo ainda tem dois meias de escol para formar ao lado de Ronaldinho: Thiago Neves e o gringo Bottinelli. Contra o Nova Iguaçu, Bottinelli estará no banco, ainda. E Ronaldinho, pois deverá simplesmente ocupar uma das meias, deixando Thiago Neves com a outra.

Mas, ambos não são lá de correr atrás dos adversários quando seu time perde a bola. Além do mais, mesmo que quisessem, nesta quadra da temporada, nenhum deles está, atleticamente, nos trinques. Logo, imagino que Luxa armará sua equipe com três volantes, Ronaldinho na criação e Thiago Neves mais á frente, ao lado de Deivid.

Rivaldo

Quanto a Rivaldo, que despencou de súbito no Morumbi, sem planejamento algum, estreia pelo São Paulo contra o Linense, na quinta, no Morumbi.

Sem ter a menor noção de como está, física e tecnicamente, o craque, a exemplo de seus ilustres parceiros lá de cima também já eleito por duas vezes o melhor do mundo, é impossível localizá-lo no time atual do Tricolor.

Carpegiani, na verdade, diz que o deixará solto a partir da intermediária adversária, deixando praticamente para o jogador escolher o seu melhor lugar na equipe.

Nesse caso, me parece a melhor alternativa.

E que tudo dê certo para esses três ícones da história do nosso futebol, que tanto carece de um toque de classe extra.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO NA ENCRUZILHADA
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

domingo, 5 de dezembro de 2010 Campeonato Brasileiro | 20:41

O CAMPEÃO DA PARCERIA

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A cena daquele bando de jogadores do Flu dando o banho da vitória em Muricy em plena entrevista coletiva do treinador, depois da vitória por 1 a 0 sobre o Guarani, resume bem o segredo do campeão brasileiro – a parceria fechada entre o elenco e o treinador. Parceria sedimentada a partir do instante em que Muricy, lá atrás, preferiu cumprir sua palavra ao Flu a assumir a Seleção Brasileira, a maior honra para qualquer treinador brasileiro. Além de honra, o pote de ouro ao pé do arco-íris, claro.

Tal gesto teve a força de atrair para o treinador, definitivamente, a alma do elenco tricolor. Quem, em sã consciência, diante de tamanha retidão, se atreveria a fazer mau juízo de Muricy ou deixar de acompanhá-lo nessa gloriosa jornada em direção ao título?

O fato é que o Fluminense, se não foi um time deslumbrante, refletiu em campo o espírito de Muricy, feito de muita transpiração e concentração absoluta.

Varou a maior parte do campeonato como líder, e encerrou a caminhada com uma vitória sofrida mas luminosa diante de um Guarani aguerrido, no Engenhão delirante em três cores. Gol de Emerson, em cruzamento de Carlinhos desviado por Washington já quando a tensão atingia o paroxismo na galera tricolor.

Espírito que foi encarnado, sobretudo, por esse maravilhoso gringo, Dario Conca, o craque de jogo refinado que se entrega ao coletivo por inteiro, jogo após jogo, ao longo das 38 partidas disputadas pelo seu time. Um prodígio de regularidade e persistência.

Eis, enfim, um título limpo, transparente, alva flor brotando nesse lodo todo atirado em torno do futebol brasileiro por meia dúzia de desocupados que conseguem ainda influenciar boa parte da mídia esportiva.

Ô, Timão…

Perder o título na última rodada é sempre lastimável. Mas, perder desse jeito…

Falo obviamente do Corinthians, que foi a um Serra Dourada pintado de alvinegro, e não conseguiu ir além de pálido empate por 1 a 1 com os reservas do Goiás, cujos titulares, diga-se, acabam de ser rebaixados nesse mesmo Brasileirão.

Claro, se aquele chute de Ronaldo entrasse, em vez de se chocar com o poste, nem assim o Corinthians levaria a taça. Mas, pelo menos, encerrava o ano de seu centenário de forma menos melancólica.

Contudo, nem se trata do resultado em si, mas, sobretudo, da maneira como o Timão enfrentou esse último desafio. Era pra entrar de cabeça sobre o Goiás, rasgar o coração e comer a bola, criando uma infinidade de chances de gol e tal e cousa e lousa e maripousa.

O que se viu, porém, foi um time jogando uma bolinha convencional, sem criatividade nem ousadia. Era como se cumprisse tabela apenas.

Que tristeza…

Prêmio de consolação

O Cruzeiro sofreu diante dos reservas do Palmeiras, em Sete Lagoas, mas teve bola e força espiritual para virar o jogo e encerrar a temporada com o prêmio de consolação: o vice-campeonato.

Não é tudo, mas também não é nada como o brasileiro costuma encarar essa nobre posição em qualquer torneio. É sempre o reconhecimento da bela campanha da Raposa no campeonato  e um alento para a disputa da Libertadores que aí vem.

Notas relacionadas:

  1. E DEU MURICY NO PALESTRA
  2. O FLU DE MURICY, TELÊ E ZEZÉ
  3. FLU: O QUE É E O QUE PODERIA TER SIDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

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