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terça-feira, 16 de agosto de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 18:52

TEMPO DE CRISE E REDENÇÃO

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A crise e a redenção rondam a rodada do Brasileirão que começa nesta quarta-feira.

O Fluminense, por exemplo, recebe o Figueira no Engenhão, sob saraivada de vaias da torcida, expressas nos muros do clube em forma de grafites agressivos. E não é que Fred, um dos principais alvos da torcida, está fora, por sentir dores no corpo?

Essa história não vai acabar bem…

Já o Cruzeiro, que se redimiu na última rodada com aquela goleada estupenda sobre o Avaí, vai pegar o Furacão, de tão brava recuperação nas mãos de Renato Gaúcho, na Arena da Baixada, onde o rubro-negro não é sopa, não.

Sem Wallyson, machucado, e Thiago Ribeiro, em processo de transferência, para o Cagliari, o ataque da Raposa será entregue à dupla a Anselmo e Wellington Paulista, enquanto Keirrison, recém-contratado não tem sua situação regularizada na CBF.

Mas, Keirrison tem ido tão mal por seu périplo desde a saída do Palmeiras que nem sei se representa de fato uma esperança.

O Grêmio, por sua vez, cheio de esperanças pela vitória sobre o Fluminense, tenta confirmar a recuperação diante do Ceará, em Fortaleza e sua delirante torcida. É hora de Celso Roth provar que é o cara, pois o time é assim, assim.

Não é bem o caso de Muricy que não tem mais o que provar. Tem é que dar um jeito nesse Peixe que recebe na Vila o Coritiba de bola bem arredonda por Marcelo Oliveira. E o Santos tem time, sim, para dar a volta por cima. Mas, nem sei se a questão do Santos se resuma aos planos táticos do treinador ou à excelência do time. O buraco parece ser mais embaixo. Ou, não: é apenas uma fase ruim, que desaparece ao dobrar a próxima esquina. Vejamos.

Agora, subamos para a região onde não há nem crise, nem redenção. Ou seja: a turma do G-4 ou proximidades.

Quer dizer: crise e Corinthians são indissociáveis na rica história do clube. A atual, porém, convenhamos, é quase irrelevante. Trata-se apenas de reajustar o time, que, depois de extraordinária arrancada, passou a perder gordura e se encontra no limiar de perder a liderança.

O Timão vai a Ipatinga enfrentar um Galo de crista baixa, mas sob nova direção – o competente Cuca, que já tirou muita gente boa desse sufoco no passado. E vai sem um lateral-esquerdo de ofício, mas com Liedson, muito provavelmente, em melhor forma do que na volta contra o Ceará.

Quanto ao Vasco, pega o Avaí, em Floripa. Fácil? Provável. Mas, atenção que o Vasco não terá Felipe, figura de proa na barca enfunada do Almirante.

Já o Bota, sem Loco Abreu, vai ao Beira-Rio, onde o Inter começa a se remontar sob o comando de Dorival Jr., treinador sensato e de métodos simples.

Talvez seja exatamente do que careça o Inter, de voos tão altos e recente trajetória mais terrena.

A FALA DE RIVALDO

De hábito, Rivaldo é um tipo que prefere o silêncio ou respostas breves, quando questionado. Pois, nesta terça, abriu o bico na longa entrevista de imprensa.

E, levantou uma questão que, num dia sem notícias ou fofocas mais estridentes, levou a turma a refletir sobre o assunto. E o que disse nosso Rivaldo que tem seu nicho intacto na galeria dos melhores do mundo eleitos pela Fifa?

Disse que acha mais que legal, necessária, a saída imediata dos nossos jovens astros para a Europa. Não só para acelerar a maturidade de um Neymar, um Ganso, um Lucas, mas, sobretudo, para que, quando a Copa chegar, a turma lá de fora venha a ser mais prudente diante desses craques já conhecidos e badalados no plano internacional.

Diria que é uma faca de dois legumes, lembrando o saudoso Vicente Matheus. Pode ser assim: Neymar, por exemplo, vai para o Real ou Barça. Chega e logo vai mostrando sua bola vertiginosa, metendo medo no mundo todo.

Kaká foi assim no Milan, lembram?

Mas, vai que Neymar chegue no Real ou no Barça de tantas estrelas, estranhe o novo ambiente, a língua, os costumes, a comida, o estilo do futebol lá praticado, essas coisas todas, e não consegue reproduzir seu futebol de início.

Vai para o banco, sente-se desprezado, é tomado pelo banzo ou se irrita além da conta, e, pronto!, o ano acabou, a Copa se aproximou, e essa experiência não poderia ter sido mais deletéria para a alma do craque, refletindo-se, claro, no seu futebol.

Com Robinho foi mais ou menos isso, não foi?

O que quero dizer é que não existe uma receita pronta para esses casos. Cada um é cada um e cada experiência é própria. O cara pode ficar aqui, agasalhado pelos companheiros, pela família próxima, e crescer a ponto de chegar na Copa e brilhar.

Vale ouvir Rivaldo e pensar a respeito. Mas, sempre levando em conta que suas palavras são abalizadas, mas não uma sentença irrefutável.

NOSSOS MENINOS

E chegou a hora de pegar o touro mexicano a unha.

O México ainda não tem a devida marca de grandeza no plano internacional. Mas, tem time, sim, senhor. Ainda outro dia, o México saiu campeão de um desses Mundiais das categorias de base.

Mas, boto fé nos nossos meninos, que já mostraram cabeça e bola para seguir avante nesse Mundial Sub-20.

BARÇA E REAL

No empate por 2 a 2, no campo do Real, o Barça deu o tom dessa Supercopa da Espanha.

Não só por chegar a virar o placar para 2 a 1, mas, sobretudo, porque impôs, mais uma vez, seu toque-toque sobre o rival eterno.

Contudo, atenção: enquanto o Barça nesta fase preparatória da temporada, andou rateando mais do que o Real, que é outro – mais ofensivo e confiante – daquele da temporada passada.

A coisa está mais equilibrada, agora, acredito.

Notas relacionadas:

  1. CRISE NA LIBERTADORES
  2. BOTA E CRUZEIRO EMBOLANDO
  3. TEMPO DE BOAS ESCOLHAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

sexta-feira, 13 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Brasil | 14:38

TIRO CERTEIRO DE RIVALDO

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O disparo de Rivaldo foi tão certeiro que derrubou o técnico Carpegiani. Aliás, vale lembrar que Rivaldo já havia feito reclamações do mesmo teor a semana passada, só que, na ocasião, passou raspando.

Mas, independentemente do desassossego do craque, Carpegiani já vinha na mira de boa parte da cartolagem tricolor, menos por causa de Rivaldo e muito mais pelos movimentos erráticos do técnico na montagem do time. A derrota para o Avaí – sobretudo, nas condições em que ela se deu –, com a consequente queda na Copa do Brasil, foi apenas a gota d’água.

Na verdade, esse tem sido um traço da personalidade e, por consequência, do trabalho de Carpegiani ao longo de sua carreira como treinador. Ainda que o admire muito como pessoa, ex-craque e mesmo como treinador, em certos lances de sua carreira, não me parecia ter o perfil adequado para assumir o Tricolor no momento de sua contratação. E, pior: se esse desfecho já se delineava desde o começo, mais sábio seria substituí-lo a tempo de o novo treinador encontrar a equipe ideal bem antes do Brasileirão. Mas, enfim…

Quanto a Rivaldo, embora sua presença em campo contra o Avaí fosse uma exigência das circunstâncias, o fato é que, com exceção daquela estreia promissora, até hoje, nas poucas vezes em que entrou no time, não correspondeu às expectativas. Não falo nem na possibilidade de revermos o Rivaldo de seus melhores momentos no Mogi, Corinthians ou Barça, longe disso. Mas, algo que, pelo menos, lembrasse aquele Rivaldo: duas ou três jogadas de alta classe ao longo de uma partida bastariam.

O diabo é que, com esse grilhão dos três zagueiros, o meio de campo fica esgarçado, sobrecarregando demais a dupla de volantes Casemiro e Carlinhos Paraíba. Escalar Rivaldo, lento demais, ali fragilizaria mais ainda o setor. Além do que, Rivaldo não é meia-armador, nunca foi. Sempre foi meia ponta-de-lança, a exemplo de Lucas. Resultado: nem ajudaria na marcação, nem seria decisivo na armação de jogadas ao ataque.

E esse tem sido o prego na chuteira tricolor há muito tempo: a ausência de um meia-armador autêntico.

Rivaldo, pela falta de mobilidade e pelo poder de fogo que tem no pé esquerdo e no cabeceio, bem que poderia ser testado mais à frente, como um falso centroavante, movendo-se ali em torno da meia-lua, um pouco mais, um pouco menos. Mas, essa experiência não passou pela cabeça nem do técnico, nem do jogador.

Ou, então, se for para usá-lo no meio de campo, o São Paulo terá de abrir mão de um dos três zagueiros para obter o equilíbrio necessário naquele setor.

Questões que, agora, deverão ser resolvidas por Cuca ou Dorival Jr., se um deles vier para o Morumbi, como parece ser o desejo da diretoria.

ALEX NO TIMÃO

Não, não é o Alex do Fernebaçh, ex-Palmeiras e Cruzeiro. É o outro Alex, canhoto também, hábil e inteligente, que ganhou projeção no Inter e está no Leste Europeu.

Faltam pequenos acertos para esse Alex vestir a camisa do Corinthians, que perdeu Bruno César para o futebol português. Pelo menos é o que diz o presidente do Corinthians,  pra não criar marola antes da decisão com o Santos. Mas, o Spartak já anunciou a saída do jogador.

Grande pedida!

VASCÃO REDIVIVO

O Vasco é o único representante dos grandes clubes do eixo central do futebol brasileiro (Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas) nas semifinais da Copa do Brasil, ao lado de Coritiba, Avaí e Ceará. E isso não é apenas um sinal dos tempos, mas, também, um prodígio de recuperação desse time que saiu de humilhante campanha na Taça Guanabara pra disputar o título da Taça Rio e agora criar asas em direção à Copa do Brasil, o que lhe daria vaga na Libertadores do próximo ano.

Esse resgate do grande Vasco deu-se pela combinação de dois fatores: a chegada do técnico Ricardo Gomes e a contratação de alguns reforços preciosos, como Alecssandro, Diego Souza e Bernardo, que se juntaram a Dedé, Eder Luís e a Felipe – reanimado pela presença dos novos companheiros – para alcançar um patamar técnico superior.

Isso não quer dizer que o Vasco já levou a taça, mesmo porque Coritiba, Ceará e Avaí, como provaram nas fases anteriores, têm bola e espírito para chegar lá, também. Nem mesmo que o Vasco tenha se transformado num timaço. Mas, pelo menos, trocou finalmente de papel – de coadjuvante a protagonista. O que não é pouco num futebol tão equilibrado como o nosso.

Notas relacionadas:

  1. O VAIVÉM DA MUDANÇA DE ANO
  2. O VAIVÉM DA MUDANÇA DE ANO
  3. A VOLTA DE RIVALDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 5 de maio de 2011 Copa do Brasil | 22:14

COXA, ESPETACULAR!

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Ah, mas esse Coritiba só enfrenta pé de chinelo, campeonato paranaense, essas molezas; quero ver quando pegar os grandões do Brasil – diziam os céticos e soberbos dos grandes centros, enquanto o Coxa ia batendo recordes sobre recordes nesta temporada.

Pois, pegou o Palmeiras, pela Copa do Brasil. O mesmo Palmeiras que liderou a maior parte da fase de classificação do Paulistão, tido e havido como o mais disputado do país O Palmeiras de Felipão, mestre em mata-mata, do Kleber Gladiador e tal e cousa e lousa e maripousa..

Pegou, torceu o pescoço do Periquito e fez uma canja do adversário, no Couto Pereira: 6 a 0. Ou, para os mais jovens, de gosto tão duvidoso, fez um porco assado com batatas coradas. Tá bom, ou querem mais?

É verdade que Rivaldo foi expulso, aos 17 minutos do segundo tempo, justamente, diga-se. Mas, aí, o placar já era de 4 a 0 para o Coxa, que dominava plenamente a partida.

A não ser que, no jogo da volta, o Palmeiras consiga um prodígio, algo que beire o sobrenatural, o Coritiba já está na próxima fase da Copa do Brasil. caso contrário, até o futuro de Felipão no Palestra estará ameaçado.

BONDE DESCARRILOU

E o bonde sem freio descarrilou ao bater de frente com o Ceará, que foi ao Engenhão carimbou a faixa de campeão do Flamengo e voltou para Fortaleza com grandes chances de seguir nos trilhos da Copa do Brasil que conduzem à Libertadores.

Afinal, fez 2 a 0, gol de falta de  Nicácio, no finzinho do primeiro tempo, e ampliou
em bela infiltração de Geraldo (a bola tocou no seu braço, involuntariamente), aos 20 minutos do segundo tempo. O mesmo Geraldo que perderia o gol mais feito do jogo, logo depois de o Flamengo reduzir o placar com Vanderlei, que entrara no lugar do inócuo Deivid.

Sim, claro, o Flamengo apertou, quase chegou ao empate, não fossem as boas intervenções do goleiro Fernando Henrique. Mas, foi pouco para o brilho de suas atrações internacionais, como Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, que se mexeu o tempo todo, buscou o jogo, lutou, e acabou saindo de campo, no final, sob vaias.

Atenção, porém: o Flamengo, apesar do desastre, ainda tem bala para voltar aos trilhos da Copa do Brasil.

Notas relacionadas:

  1. CRISE NA LIBERTADORES
  2. COXA E VERDÃO NA FOTO
  3. INVICTOS EM CAMPO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011 Campeonatos Estaduais, Seleção Brasileira | 02:15

DIEGO MAURÍCIO, UFA!

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Aí, então, já no finzinho da partida, Lucas tocou na direita para Diego Maurício chegar soltando uma bomba no ângulo da meta colombiana. Ufa! Sim, porque o clima não estava nada salutar para o Brasil nas alturas de Arequipa. O placar era apertado – 1 a 0, gol de cabeça de Casemiro logo no comecinho do jogo -, e a Colômbia pressionava, em alta velocidade, nossa zaga que se livrava da bola como podia.

Entre outras coisas, porque com a saída prematura de Casemiro, ainda no primeiro tempo, vítima de mal-estar, o nosso meio-campo perdeu o rumo. Sobretudo, porque, num golpe ousado, o técnico Ney Franco substituiu o nosso volante por um atacante, o veloz Diego Maurício.

Mas, a manobra não surtiu efeito, pois Lucas ficou no limbo entre a defesa e o ataque, o Brasil recuou em excesso e a Colômbia debruçou-se sobre nossa área, mesmo depois da emenda, com o volante Zé Eduardo entrando no lugar do centroavante William.

Sorte que Oscar estava muito bem no jogo, e compensava de certa forma as discretas participações de Lucas e Neymar, que teve a seus pés o segundo gol, em bela jogada que culminou no pé do poste adversário.

Ao cabo e ao fim, o que importa é o que marca a tabela do hexagonal decisivo do Sul-Americano Sub-20: Brasil, cem por cento, primeirão isolado,

Agora, que vengan los hermanos! Pero, de espacito, hã.

Rivaldo, uau!

Pra quem, como eu, tinha dúvidas sobre o real estado atlético e técnico de Rivaldo, o craque tratou logo de dirimi-las com meia dúzia de jogadas de alta categoria e um golaço, em que ele deu um chapéu de coxa esquerda sobre o beque e tocou com classe e frieza na saída do goleiro.

Mais do que isso: jogou o tempo inteiro, sem dar sinais de cansaço, e foi aquela âncora no meio de campo de que tanto o time tricolor tem carecido. Foi meia atacante, armador e até segundo volante, quando o técnico Carpegiani mandou a tropa pra frente, na vitória por 3 a 2 sobre o Linense.

Foi um cala-boca exemplar, e a semente de uma nova e grande amizade entre Rivaldo e a torcida tricolor.

Três vezes Fred

Fred, desde que desembarcou nas Laranjeiras, dois anos atrás, se não me falha a memória que sempre falha, passou mais tempo na enfermaria do que em campo.

Mas, a demora está sendo compensada agora. O bicho desandou a marcar gols, uns atrás de outros, decorando-os com jogadas de estilo e engenho.

Nesta quinta, foram mais três diante do Duque de Caxias, cada um de um jeito. O terceiro, então, uma pequena obra-prima de destreza e visão de jogo, na estreia de Araújo, outro que chegou para conferir mais habilidade e poder de fogo lá na frente.

O Flu, na verdade, alernou maus e bons momentos ao longo da partida. Mas, não tenho dúvidas: quando chegar a hora do bicho pegar, esse time vai estar longe da grande maioria de seus ilustres competidores.

Notas relacionadas:

  1. A VEZ DE DIEGO SOUZA
  2. A VOLTA DE RIVALDO
  3. O CERTO QUE DEU ERRADO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros | 14:19

RONALDO, RONALDINHO E RIVALDO

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Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo foram os heróis da conquista de 2002.

Ronaldo

Ronaldo já voltou ao Brasil há dois anos. E, pelo Corinthians, teve atuações decisivas nos títulos do Paulistão e da Copa do Brasil, antes de declinar sob o peso de literal de seu talhe físico passando a ser apenas uma expectativa intermitente – fica mais fora do que dentro do campo. E, agora, passa a ser a grande esperança corintiana para o jogo do meio de semana contra o Tolima, lá, última fresta em direção à verdadeira Libertadores.

Ronaldinho

Ronaldinho desembarcou na Gávea outro dia, a bordo de um badalado projeto de marketing, mais ou menos calcado na contratação de Ronaldo pelo Corinthians. Sem maiores problemas físicos, a queda do craque na Europa se deveu mais ao espírito do que ao corpo. Espírito que se renova agora, às vésperas de sua estreia contra o Nova Iguaçu, pelo Campeonato Carioca, onde o Fla navega de vento em popa.

Sua relação com a bola é algo que beira o encantamento. Mas, seu relacionamento com o coletivo de uma equipe tem sido problemático. O mais deslumbrante momento de sua carreira foi quando atuou ali pela ponta-esquerda do Barcelona, época em que levantou dois canecos de melhor jogador do mundo.

O desafio para o técnico Luxemburgo, que o lançou na Seleção Brasileira há uma década, é achar o lugar certo para Ronaldinho exibir toda a sua arte sem interferir negativamente na dinâmica do conjunto.

Sobretudo, porque o Flamengo ainda tem dois meias de escol para formar ao lado de Ronaldinho: Thiago Neves e o gringo Bottinelli. Contra o Nova Iguaçu, Bottinelli estará no banco, ainda. E Ronaldinho, pois deverá simplesmente ocupar uma das meias, deixando Thiago Neves com a outra.

Mas, ambos não são lá de correr atrás dos adversários quando seu time perde a bola. Além do mais, mesmo que quisessem, nesta quadra da temporada, nenhum deles está, atleticamente, nos trinques. Logo, imagino que Luxa armará sua equipe com três volantes, Ronaldinho na criação e Thiago Neves mais á frente, ao lado de Deivid.

Rivaldo

Quanto a Rivaldo, que despencou de súbito no Morumbi, sem planejamento algum, estreia pelo São Paulo contra o Linense, na quinta, no Morumbi.

Sem ter a menor noção de como está, física e tecnicamente, o craque, a exemplo de seus ilustres parceiros lá de cima também já eleito por duas vezes o melhor do mundo, é impossível localizá-lo no time atual do Tricolor.

Carpegiani, na verdade, diz que o deixará solto a partir da intermediária adversária, deixando praticamente para o jogador escolher o seu melhor lugar na equipe.

Nesse caso, me parece a melhor alternativa.

E que tudo dê certo para esses três ícones da história do nosso futebol, que tanto carece de um toque de classe extra.

Notas relacionadas:

  1. RONALDINHO NA ENCRUZILHADA
  2. RONALDINHO E A FESTA
  3. A VOLTA DE RIVALDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

domingo, 23 de janeiro de 2011 Clubes brasileiros, Seleção Brasileira | 17:30

O CERTO QUE DEU ERRADO

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O empate por 1 a 1 com a Bolívia, não poderia ser mais frustrante para os meninos do Brasil. Afinal, eles passaram o tempo todo praticamente sem correr maiores riscos no campo adversário. Abriram o placar no final do primeiro tempo, com Henrique, em cruzamento de Danilo, criaram várias chances de gol, meteram quatro bolas nas traves bolivianas, e, num contragolpe fortuito, Rios selou o resultado.

Juan, Casemiro (mais uma vez) e Lucas fizeram uma partida de alto nível, e a decisão de Ney Franco em aproximar Neymar de Lucas no sistema de armação, pelo meio, deu maior consistência e fluência ao setor. E até mesmo as mudanças feitas no segundo tempo – entradas de Oscar, no lugar de Zé Eduardo, e Galhardo, no de Danilo.

Juan foi um esteio na defesa, com sua canhota precisa; o meio-campo anulou a armação boliviana e apoiou o tempo todo o ataque, que se mexeu, buscou, achou, mas não conseguiu completar o placar que as circunstâncias sugeriam.

Mas, enfim, que fazer, se o futebol é isso mesmo: cada enxadada, em vez de minhoca, uma surpresa, às vezes amargar, às vezes venturosa.

Rivaldo e a tradição

O São Paulo costuma ser refém de uma tradição que ele mesmo exalta sempre que a situação aponta para essa solução – a contratação de um jogador de nomeada.

Essa história pode ter começado com Friedenreich, o primeiro grande ídolo nacional, que, já além dos 30 anos, integrou o São Paulo da Floresta, no início dos anos 30. Mas, essa  integração foi mais decorrência da herança do Paulistano do que de um investimento especial.

Na verdade, a coisa toda começou com a chegada ao Canindé (então, o espaço tricolor) de Leônidas da Silva e Don António Sastre, no início da década de 40.

Leônidas, o Diamante Negro, o Homem de Borracha, foi o Pelé de sua época. Mas, em 42, quando foi contratado a peso de ouro pelo São Paulo, desembarcou na Estação do Norte, no Largo da Concórdia sobre os ombros de uma multidão, embora já fosse considerado velho e com o joelho bichado.

A imprensa anunciou o negócio na base daquela anedota do matuto  mineiro que chegava, ingênuo, em São Paulo e logo caía na conversa do malandro e lhe comprava um bonde. Leônidas foi chamado, pois, de bonde. Acabou sendo a mais cintilante estrela daquele time que ganharia cinco campeonatos paulistas na década.

Que De…Sastre. Esta foi a manchete de um jornal da cidade na estreia de Sastre no São Paulo. Craque histórico do Independiente  e da Seleção Argentina, onde era reverenciado como El Maestro, Sastre, se transformou no grande condutor do Expresso da Vitória, a Máquina de Costura, aquele timaço dos anos 40.

Mas, entre as vindas de Zizinho, que deu ao São Paulo o título de 57, Gérson, nos anos 70, e de Cerezo, Alemão, a volta de Raí, nos 80, o Tricolor amargou apostas equivocadas em veteranos, como Didi, Jair Rosa Pinto e Cláudio Cristóvam de Pinho, entre outros.

Logo, como se vê, tudo não passa de aposta. Se der certo, ótimo; se não der, esqueçam.

Notas relacionadas:

  1. A VEZ DE DIEGO SOUZA
  2. MANO, A SOLUÇÃO DO IMPASSE
  3. A VOLTA DE RIVALDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 22 de janeiro de 2011 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Futebol internacional, Seleção Brasileira | 23:57

A VOLTA DE RIVALDO

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Rivaldo evita se manifestar a respeito. Mas, neste sábado em que o São Paulo levou um baile da Ponte na derrota por 1 a 0, o site oficial do clube anuncia a contratação do craque de 38 anos de idade, presidente do Mogi Mirim, diga-se.

O negócio está ainda meio nebuloso, mas o certo é que a ideia nasceu de um encontro entre Rivaldo e Rogério Ceni, outro dia. E, tudo indica, implica numa parceria do São Paulo com o Mogi.

Como se vê, não se trata de coisa pensada, arquitetada sob um projeto de marketing, essas coisas muito em voga no futebol brasileiro. Nada disso. Simplesmente, pintou na área e a coisa pode rolar.

Se vai ser bom negócio, não sei. Só o tempo dirá o que Rivaldo poderá acrescentar em campo a esse time do São Paulo, Há anos não o vejo atuar. Só sei que jogou muito, e que, se produzir, sei lá, trinta por cento do que produzia, já será de inestimável valor.

Também sei que se o Tricolor espera que ele venha a ser aquele tal camisa 10 tão desejado, engana-se redondamente. A não ser que Rivaldo, nestes últimos tempos, tenha mudado muito suas características. Pois, em toda sua gloriosa carreira, Rivaldo sempre foi um meia-atacante de excelentes assistências e muitos gols, não um organizador de jogadas no meio-campo.

Sem Lucas

Lucas, que depois de estreia hesitante jogou muito bem na vitória sobre a Colômbia, pelo visto, estará de fora, machucado, do jogo deste domingo contra a Bolívia, pelo Sul-Americano Sub-20.

Perda considerável para o Brasil de Ney Franco, que terá de optar entre Oscar e Alan Patrick. Duas grandes promessas, mas que, neste torneio não chegaram a convencer, embora ambos tenham jogador pouco tempo até agora.

Pelos relatos que nos vem de Tacna, Peru, Ney Franco estaria inclinado também a promover as voltas do volante Zé Eduardo e do atacante Henrique, expulsos na estreia contra o Paraguai.

Sei não. Fernando, contra a Colombia, pareceu-me mais sereno e produtivo do que Zé Eduardo, e Diego Maurício mais ativo e veloz do que Henrique.

De qualquer forma, o mais importante é Ney Franco conseguir compactar esse time, e estimular a troca de bola envolvente, em vez da ligação direta da defesa ao ataque, que tem sido a marca do Brasil nessa competição.

Copinha

Bahia e Flamengo passaram por Desportivo Brasil e América MG, duas equipes que deixaram a melhor das impressões na Copa São Paulo Jr.

O fato é que os meninos de dois dos clubes de massa do futebol brasileiro fazem a final do tradicional torneio, no dia do aniversário da cidade de São Paulo, cujos representantes ficaram pelo caminho.

Vai ser um belo presente de aniversário para a cidade, sem dúvida.

Barça, como sempre

Foi a décima quarta vitória consecutiva do Barça no Campeonato Espanhol (a derrota para o Bétis, no meio de semana, era pela Copa do Rei, onde os catalães seguem em frente, diga-se). Desta vez, a vítima foi o Racing Santander: 3 a 0, naquela base de sempre – bola de pé em pé até que Pedro, Messi e Iniesta a mandassem para as redes inimigas.

Diabos arrasadores

Outro que vai somando incrível invencibilidade na Europa é o Manchester United.

Neste sábado simplesmente arrasou o Birmingham, no Teatro dos Sonhos: 5 a 0, com direito a três gols de Berbatov, o artilheiro do campeonato. Aliás, o que está jogando o búlgaro é brincadeira.

Em desta vez, os Diabos Vermelhos botaram a bola no chão e deram um belo espetáculo de tramas coletivas e jogadas individuais, o que lhes teria permitido alcançar uma goleada bizarra, coisa de 10 a 0, sem exagero.

Mas, se Berba fez três, o holandês Van Persie, não deixou por menos – marcou os três gols da vitória do Arsenal sobre o Wigan, o que o elevou à vice-liderança, já que o City acabou perdendo por 1 a 0 para Aston Villa.

Dá gosto ver Manchester United e Arsenal em campo.

Notas relacionadas:

  1. VOLTA AO MUNDO
  2. LOVE, LOVE
  3. DECISÃO PRA FRENTE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 9 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 14:57

AS CERTEZAS DE UM PATRIOTA

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Dunga, finalmente, abriu a boca, no Jornal da Tarde. Pra dizer que não se arrepende de nada e que repetiria passo a passo sua caminhada à frente da Seleção Brasileira. Por fim, exaltou o patriotismo demonstrado por seus jogadores.

Já disse um célebre pensador que o patriotismo é o refúgio dos velhacos. Entre outras coisas, porque toca a corda mais sensível de um povo, quando em crise, fazendo-a vibrar tão alto que ensurdece a razão.

Não digo que Dunga seja um velhaco, longe disso. Acho mesmo que crê piamente nessas coisas, em pleno século da globalização, em que os mais caros valores culturais de seu país são dilapidados vertiginosamente, sem que nem ele mesmo perceba.

Dentre eles, a escola brasileira de jogar futebol, que o próprio Dunga é um dos ícones da sua progressiva destruição.

Bem, pra quem não sabe se a escravidão e a ditadura militar foram mesmo um mal na história do Brasil, seu discurso final faz todo o sentido.

O CRAQUE DA COPA

A Fifa divulgou a lista dos dez candidatos ao título de melhor jogador da Copa. Nenhum brasileiro está lá inscrito.

Elano, Kaká e Felipe Melo

Veja bem o amigo: nenhum jogador da maior usina de craques do mundo, desde sempre, país que já escalou cinco melhores do mundo nos últimos anos: Romário, Ronaldo Fenômeno (duas vezes), Ronaldinho Gaúcho (duas vezes), Rivaldo e Kaká. Isso, porque a FIFA só elege quem joga na Europa. E, sem falar em Pelé, eleito o maior atleta do século XX.

O quer isso dizer? Quer dizer que não levamos pra lá craques suficientes para, ao menos, um deles entrar na lista. Tirando-se Kaká, fora de forma, e Robinho, quem restaria, além dos zagueiros Lúcio e Juan?

Em contrapartida, a Espanha, que joga ao nosso desprezado estilo do passado, inclui Xavi, Iniesta e Villa, dois armadores e um goleador. E a Holanda, a outra finalista, está representada por dois meias de alto nível técnico e de muita habilidade – Robben e Sneijder.

Já a Alemanha, que disputa o terceiro lugar com o Uruguai de Forlán, um dos indicados, com toda justiça, pois carregou a Celeste na Copa em sua melhor performance das últimas Copas, tem dois escolhidos, dois meias de habilidade: Schweinsteiger e o menino Ozil (Muller merecia estar na lista, no lugar de Messi ou de Gyan, uma clara homenagem ao futebol africano e só).

Traduzindo: dos dez, sete meias (armadores ou mais ofensivos), exatamente o que nos faltou em meio à legião de volantes que Dunga levou para a África.

Justamente pelo que a mídia em geral – eleita por  Dunga  como a grande inimiga do Brasil -, implorou de joelhos ao técnico brasileiro, tão patriota e soberbo em  suas certezas incompatíveis com a realidade brasileira. E do mundo da bola.

Notas relacionadas:

  1. ALHOS E BUGALHOS
  2. ASSIM, SIM!
  3. COERÊNCIA, SENSIBILIDADE E…ROBERTO CARLOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

segunda-feira, 23 de março de 2009 Seleção Brasileira | 16:06

OS MONSTROS E A SELEÇÃO

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Sou de um tempo em que a Seleção Brasileira não ganhava nada – era um Sul-Americano aqui; outro ali, em meio século de futebol implantado em terras tapuias – se tanto. De resto, éramos fregueses contumazes de argentinos e uruguaios e carregávamos na alma o peso sombrio do Maracanazo, em 50.

E mesmo assim, o país se enrolava na bandeira da CBD (antiga CBF) a cada convocação do time nacional. E aguardava tenso pelo jogo que se aproximava, fosse um mero amistoso, fosse jogo de torneios continentais, fosse jogo de Copa do Mundo.

Vale observar que não era simplesmente por puro fanatismo nacionalista, essas fascistóides exibições de pretensas superioridades, não. Era, sobretudo, pelo prazer de ver reunidos num mesmo time os craques maiores que se espalhavam pelos clubes brasileiros, apesar de todas as desavenças geradas pelo regionalismo, o Rio-São Paulo eterno que dividia a opinião pública quanto à escolha desses jogadores. 

Hoje, às vésperas de duas partidas importantíssimas, pelas Eliminatórias da Copa, há uma forte corrente contrária à Seleção, passando de boa parte da mídia para o torcedor – e vice-versa -, que despreza nosso time porque a elite dos jogadores brasileiros está além de nossas fronteiras.

Dizem que, ao cruzar o grande mar, o sujeito perde a alma verde-amarela, sugada, provavelmente, por um daqueles mitológicos monstros marinhos que tanto atrasaram a chegada de Colombo ao Novo Mundo. É mesmo?

Então, podemos dizer que Ronaldo Fenômeno e Rivaldo devem ser elevados à categoria de heróis míticos, verdadeiros Ulisses do século 21, pois fizeram a fatídica travessia e mesmo assim nos deram um título mundial, o quinto de nossa história, em terras do Japão.

Há os que sugerem, como receita para combater o mal da desalma dos nossos craques exportados, que a Seleção só abrigue, doravante, os que aqui estão. Haja seleções… Sim, porque basta o jogador ser chamado hoje para a Seleção que, no dia seguinte, já estará arrumando suas malas, espiando o outro lado do mar grande. Mesmo porque as sereias cantam sua sedução é aqui mesmo, em terra firme, emitindo sons muito semelhantes ao do tilintar de moedas.

Claro que a Seleção Brasileira não tem sido, nos últimos tempos, um exemplo de brio e técnica, embora levante mais Copas Américas do que no passado distante, e vença mais do que perde, nos últimos cinquenta anos de sua história. Claro que o negócio futebol, em que o jogador é a grande moeda de troca, ganhou vulto inconcebível nesta era, o que semeia dúvidas no coração e nas mentes do torcedor e de boa parte da mídia quanto aos reais motivos de possíveis deserções e maus desempenhos dos mais célebres dentre os convocados.

Toda dúvida, aliás, é sempre bem-vinda, no futebol ou na vida. Mas, quando se transforma em verdade absoluta, clichê, lugar-comum para explicar o inexplicável, vira fanatismo, o pior de todos os males de que sofre a raça humana. E a Internet, esse maravilhoso instrumento de comunicação entre as pessoas de todos os recantos do mundo, tem contribuido muito para disseminar essas dúvidas, obras sinistras dos monstros virtuais que substituem aqueles dos mares antigos.

De repente, um anônimo qualquer inventa uma conspiração aqui, uma desventura ali, e, pronto!, a patuléia engole e passa a expelir essa excrescência como a mais pura das verdades.

E o pior é que até mesmo prestigiosos membros da crônica esportiva embarcam nessa onda e são devorados por esses mesmos monstros.

A moda, agora, é dizer-se que Kaká é mais um desses zumbis sem alma, que vagam por entre o luxo e a riqueza, sem destino. Ou melhor: que se negam a cumprir seu destino patriótico, recusando-se a servir à Seleção.

Ora, o rapaz, que recusou outro dia proposta mirabolante do futebol inglês só para ficar no Milan, há um bom tempo não joga pelo seu clube, vítima de séria lesão. Voltou, semana passada, jogou vinte minutos e saiu mancando de campo, no exato momento em que o Milan precisa desesperadamente de seus préstimos.

O craque está machucado, gente! Por que é tão impossível acreditar nesse simples e trivial fato do futebol, inventando suposto desinteresse de Kaká em jogar pela Seleção Brasileira?

E veja o amigo que Kaká nem pediu dispensa, apenas tempo para ver se consegue se recuperar até os jogos pelas Eliminatórias. Por conta de tamanha pressão, nunca saberemos ao certo, caso Kaká jogue, se o estará fazendo no sacrifício ou numa boa.

Mesmo porque, se ele disser que foi no sacrifício, responderão que não passa de um fingido, que apenas está valorizando sua volta e desculpando-se de eventual mau desempenho. Se disser que havia se recuperado plenamente, a turma, então, plantará nos lábios aquele sorriso cínico e sentenciará: “Estão vendo? Não tinha nada, apenas queria tirar o corpo fora da Seleção”.

Pois é, e os monstros estão bem mansos e solidários lá no fundo do oceano primevo, onde o ser humano começou sua própria gestação. 

Notas relacionadas:

  1. ASSIM, SIM!
  2. QUEM, NO LUGAR DE KAKÁ?
  3. QUEM NO LUGAR DE KAKÁ
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 20 de novembro de 2008 Ex-jogadores | 15:48

O MUNDO COLORIDO DO NOSSO FUTEBOL

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 Por Milton Trajano

Um dos episódios mais marcantes da pequena obra-prima de Ugo Georgetti – Boleiros – é aquele em que meu chapa Aldo Bueno encarna o personagem de Paulinho Majestade, ex-craque famoso do Santos e da Seleção, negro altivo e elegante como o futebol que praticara pelos campos do mundo, que se nega a exibir a miséria em que passou a viver depois dos aplausos.

É uma história emblemática, com os dois pés fincados na pura realidade dessa secular relação entre o negro, o mulato, o cafuzo brasileiro e o futebol, ponto de fuga (e muitas vezes de retorno) para o salto que o distancie de vez da miséria atávica a que foi condenado desde sempre.

Mas, não pense o amigo mais desavisado que essa saída lhes foi concedida de mão-beijada pelo sinhôzinho de plantão, não. Esse escape foi cavado com os pés, o engenho e a plasticidade dessa gente bronzeada, como dizia o baiano Assis Valente, na marra e na manha, pois, de início, negro não tinha vez no futebol brasileiro.

Para entender essa história, tim-tim-por-tim-tim, tente achar um volume de O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho, um dos pilares da bibliografia esporiva deste país. É desses livros que deveriam ser reeditados todos os anos e distribuídos nas escolas.

Então, o amigo se encontrará com negros, mulatos e cafuzos, como Domingos da Guia, Fausto, a Maravilha Negra, Leõnidas da Silva e tantos outros, que peitaram cartolas e autoridades para impor seus valores.

Outros, tiveram que se humilhar, escondendo sua cor sob disfarces patéticos, para driblar os botinudos do racismo explícito. Uns, escamoteavam a carapinha sob redinhas ou gorros, enquanto outros cehgavam a passar pó-de-arroz no rosto, como no caso de Geraldo, que, ao trocar o América do Rio pelo Fluminense, nas primeiras décadas do século passado, acabou pregando no Tricolor o apelido de Time Pó-de-Arroz, o que virou um símbolo, diga-se, das Laranjeiras.

O fato é que, já na primeira década do Século 21, ainda a arte, a inteligência e a força dos negros e mestiços de todos os matizes, continuam comandando a massa nos campos de futebol. Pra cada Kaká, temos aí um Romário, um Ronaldo Fenômeno, um Rivaldo, um Ronaldinho Gaúcho, pra ficarmos com os últimos brasileiros eleitos melhores do mundo em anos recentes.

E, pra fechar esse tributo ao Dia da Consciência Negra, premita-me o amigo escalar aqui uma seleção de negros, mulatos e cafuzos que me encantaram com seu jogo plástico ou cerebral, mágico ou eficiente, ou tudo isso junto: Barbosa; Djalma Santos, Aldair, Djalma Dias e Júnior; Bauer, Zizinho, Didi e Pelé; Garrincha e Leônidas da Silva. No banco, Veludo e Dida; Cafu, Júlio César, Juan e Roberto Carlos; o curinga Lima, ´Jair Rosa Pinto, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo; Ronaldo Fenômeno e Romário.

E, comandando a trupe, com seu megafone, montado em uma escada à beira do campo, feito um Cecil B. de Mille retinto, o Moço Preto, Gentil Cardoso.

Quem quiser, que faça outra. Há ainda uma infinidade de talentos coloridos que merecem tais louros.

Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , ,