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segunda-feira, 23 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 15:51

ESSE RIO-SÃO PAULO PARALELO

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Até aqui, os cariocas estão vencendo os paulistas, nessa eterna disputada paralela no Brasileirão. O Flu é líder e o Botafogo terceiro colocado, enquanto o Vasco, nas mãos de PC Gusmão e com os novos reforços, sobe a cada rodada.

Só o Flamengo não acompanha seus pares nessa corrida. Mas, com a chegada da dupla de ataque Diogo-Deivid, por certo, haverá de melhorar substancialmente sua perfromance.

Em contrapartida, do lado dos paulistas, o São Paulo mergulha para as profundezas limítrofes á zona do rebaixamento e o Palmeiras não consegue evoluir sob o comando de Felipão. Neste caso, porém, a readaptação de Valdívia ao nosso futebol e a volta de Lincoln acenam para uma recuperação progressiva do Verdão.

O diabo é o São Paulo, que segue praticando um futebol opaco, sem alma nem talento. E é isso que preocupa o atacante Fernandão, mais até do que a delicada posição do seu time na tabela. Pela ausência de um meia criativo ao menos para dividir com Marlos a armação, defeito já crônico do Tricolor (assim como a ausência de um lateral—direito de ofício), o time não consegue tocar a bola, envolver o adversário e assim aproveitar o máximo da excelente dupla de ataque formada por Ricardo Oliveira e Fernandão.

O Santos, depois das atribulações recentes, o que certamente influiu no seu rendimento, tem bala para avançar mais daqui pra frente. Com Neymar e Ganso estabilizados emocionalmente, e Keirrison ganhando condições melhores de jogo, mais o menino Danilo ocupando a posição de Wesley, as coisas voltarão quase ao normal na vila. Fica faltando alguém para suprir – mesmo que num patamar inferior – a ausência de Robinho.

Bem, mesmo, continua o Corinthians, sob nova direção, vice-líder e com recursos técnicos para ameaçar e até ultrapassar o Fluminense, dependendo das circunstâncias, claro.

A formação adotada por Adílson contra o São Paulo conferiu maior equilíbrio ao meio-campo corintiano, com Elias, um desses raros casos de volante que tem ginga e velocidade para atuar como meia, mais avançado, ao lado de Bruno César, apoiando uma dupla de ataque versátil e rápida, que já vai compensando a ausência recorrente de Ronaldo Fenômeno. E olhe que ainda há o Dentinho para entrar aí.

Isso tudo, porém, é um flagrante do momento. Bola rolando nas tantas rodadas que faltam, quem sabe como esse quadro se alterará? Ou não.

Carabina calada

Foi-se o nosso Waldemar Carabina, aos 78 anos de idade.

Carabina, volante e quarto-zagueiro espigado, bom no cabeceio, teve a honra de se revelar naquele Ypiranga memorável da virada dos anos 40 para os 50. Aquele timaço de Liminha, Rúbens (depois, Walter Marciano), Silas, Bibe e Valter.

Não bastasse isso, mais tarde integrou-se à Academia do Palmeiras, já como quarto-zagueiro viril mas de boa técnica, onde protagonizou o insólito e antológico lance do “pênalti” em Pelé, engendrado pelo gênio também moleque do Rei.

Pra quem não sabe, foi assim. Corner a favor do Santos pela direita. No bolo da área, Pelé enlaçou seu braço esquerdo no direito de Carabina, levantou o direito, em sinal de protesto, gritando que estava sendo agarrado pelo adversário. Carabina, perplexo, ainda tentava retirar com toda força seu braço do enlace real quando o juiz já corria em direção à marca do pênalti.

O apelido, segundo ele mesmo me relatou anos atrás, quando já era treinador de futebol, nasceu de uma expressão do inesquecível comentarista Mário Moraes, o Leão, ao acertar um tiro de longa distância e muita potência no gol adversário: “Foi um tiro de carabina”, sentenciou Moraes no microfone da Panamericana, se não me engano.

Saudades, velho.

Notas relacionadas:

  1. E O SÃO PAULO CHEGOU
  2. CAMPEÃO, CAMPEONÍSSIMO SÃO PAULO
  3. VAIVÉM NO SÃO PAULO E PALMEIRAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 1 de outubro de 2009 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Outros esportes | 20:12

JOGANDO NO COLO ALHEIO

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Já vi esse menino Oscar, que virou a cara do jogo contra o Náutico, em alguns fragmentos passados, quando revelou extrema tibieza em seu jogo: quando era lançado, chegava depois, e, quando recebia, tocava para o companheiro mais próximo, como querendo se livrar da bichinha o mais rápido possível. Mas, nesta quarta, não. Entrou numa fogueira danada, e plantou sua bandeira na intermediária adversária: chegou antes nas divididas, driblou, chutou a gol, deu a assistência para o gol decisivo de Hugo e tal e cousa e lousa e maripousa.

Merece oportunidades mais assíduas no time principal, sobretudo porque o Tricolor carece de jogadores dessa estirpe e estilo. O fato é que o São Paulo, agora, jogou a bomba no colo dos demais candidatos ao título, que entram em campo neste fim-de-semana premidos pela necessidade da vitória. A começar pelo líder Palmeiras, que enfrenta o Santos no Alçapão da Vila.

É verdade que o Alçapão anda meio enferrujado. E, de vez em quando, abre-se aos pés do seu próprio dono, o que me lembra o verso antológico, não sei se de Orestes Barbosa ou de Noel Rosa, pois ambos são os autores do samba Positivismo: “…E também faleceu por ter pescoço/ O autor da guilhotina de Paris…” Trata-se, porém, de um clássico paulista, o que, naturalmente, reveste o jogo de fatores que transcendem apenas ao embate entre dois times desnivelados tecnicamente.

 O Palmeiras, porém, terá Cleiton Xavier de volta ao time, o que significa muito.

Tarefa mais amena caberá ao vice Goiás, que recebe o Botafogo no Serra Dourada. O Glorioso recebeu uma injeção de ânimo ao classificar-se para a próxima fase da Sul-americana, embora perdendo. Mas, o Goiás está voando.

Outro que não pode vacilar é o Galo, jogando no Mineirão contra o Barueri, sábado. O Atlético está animado, com razão, e deve aproveitar Diego Tardelli, sua maior estrela, enquanto a Seleção não engole o artilheiro carijó.

Já o Inter, que caiu fora desse mesmo torneio e que trepida no Brasileirão, se não bater o Coritiba, na casa do inimigo, certamente entrará no funil de uma crise cujo desfecho é imprevisível. E olhe que o Coxa, no Couto Pereira, não é mole, não, meu.

Quanto ao Corinthians, que já começa a aceitar a ideia de que não chegará lá, pelo menos, poderá começar a armar definitivamente seu time para a Libertadores. Para tanto, Mano Menezes cogita de utilizar Edno na meia-esquerda desde o início do jogo contra o Furacão. Periga, na verdade, encetar uma reação fulminante neste mesmo Brasileirão, pois – a não ser que os fatos me contariem -, Edno é desses jogadores capazes de acrescentar muito mais do que o esperado. Brasil olímpico

BRASIL OLÍMPICO

Nesta sexta. sai o resultado da grande disputa pela sede das Olimpíadas de 2016.

O Rio está bem nas paradas da mídia internacional, pau a pau com Chicago.

E fico me lembrando de um filminho de tv, desses seriados policiais, em que a vítima é uma dama membro do comitê de seleção das Olimpíadas. E o mandante é um maligno lobista pela realização do evento no Rio.

Claro, pura ficção, como advertem os créditos iniciais da fita, afora o fato de que os americanos gostam de cunhar de corruptos todos os que não hasteiam na porta de casa a bandeira de tricolor e estrelada. Já que o mais forte concorrente parece ser Chicago, ventos dos Obama…

Mas, cá entre nós, meu chapa, cultivo há tempos uma dúvida atroz: se a corrupção é o ofício mais antigo ou não daquele outro que a história costuma timbrar.

De qualquer forma – e por isso mesmo -, se a Olimpíada cair no colo carioca, será, tirando todos os sombrios prognósticos (nosso bolso assaltado, caos no trânsito etc.), um passo adiante.

Afinal, o índice de desemprego no país é ainda tão grande que não podemos nos dar ao luxo de abrir mão de frentes das frentes de trabalho que se abrirão nessa eventual situação.

Quem sabe as autoridades não tenham um pingo de juízo e cumpram todas as metas necessárias para a realização das Olimpíadas, e o tal legado social fique para sempre à disposição da população carioca?

Quem sabe? Oremos, irmão, oremos…

Notas relacionadas:

  1. O DOMINGÃO E OS DIABOS CAMPEÕES
  2. INTER E TUTTI QUANTI
  3. VERDÃO SOBE E FLU DESCE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 18 de março de 2009 Jornalismo | 20:17

O BIG BROTHER NACIONAL

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Há um fórum rolando em Brasília sobre o futebol, com base no projeto de lei encaminhado pelo Executivo ao Legislativo brasileiros. E duas questões se destacam: as medidas previstas para reduzir ou acabar com a violência nos estádios e adjacências e como tratar essa disseminação de jogadores com dupla nacionalidade, que, na impossibilidade técnica (ou por vantagens financeiras) de servir à seleção de seu país, vestem com rigor a daquele que o abrigou.

Não tenho o domínio dos termos da lei anti-violência, mesmo porque só vale analisá-la a fundo depois de sua regulamentação. Isto é: como ela será aplicada.

Mas, de pronto, lastimo profundamente que séculos de conquistas da humanidade no sentido de dar ao cidadão o direito inalienável à privacidade, em ser um rosto incógnito na multidão, sejam derrubados numa penada, em nome da segurança pública.

Pela absoluta incapacidade (ou desinteresse) do Estado em assegurar o sagrado direito do brasileiro de ir e vir, a seu bel prazer, em perfeita segurança, viramos todos protagonistas de um sinistro Big Brother. Em cada esquina, há um olho mecânico a registrar nossos passos. Se vamos aos estádios, lá está aquela luzinha vermelha assestada sobre cada um dos nossos movimentos. Se tentamos chegar em casa, a qualquer hora, lá está a câmera sombria colhendo nossa imagem na portaria do condomínio, seguindo-nos implacável pelos corredores, pelo elevador. Só falta flagrar-nos no trono indevassável do banheiro.

Será que somos 200 milhões de marginais, delinquentes, irresponsáveis, incapazes de conduzir nossas vidas de acordo com as normas legais e morais vigentes? Claro que não! Se não, viveríamos num verdadeiro pandemônio, pois não haveria câmeras nem policiais suficientes para conter todos os ímpetos soltos ao mesmo tempo.

Somos, sim, ignorantes, politicamente alienados, monoglotas que mal sabem falar e escrever o próprio idioma, somos incautos, ingênuos, imprevidentes, como, aliás, a maioria dos povos do mundo, uns mais outros menos. Mas, não somos delinquentes por natureza, que diabo!

A imensa maioria do povo brasileiro trabalha de sol a sol, cumpre suas obrigações, e, apesar da parca assistência que o Estado lhe concede, anda nos trilhos, não se revolta, não sai por aí em passeata ou com fuzis nas mãos para mudar tudo.

O que há é um bando de arruaceiros, facilmente detectável pelos unformes de suas facções que ostentam claramente, promotores de toda a violência que rodeia e penetra nos estádios de futebol. Bastaria uma ação drástica do Poder Público sobre esses grupos, e, zás!, toda e qualquer violência no futebol se restringiria a um empurra-empurra entre este ou aquele torcedor mais exaltados, que a turma do deixa-disso serenaria.

Cadastramento de torcedor, sim, mas só para as torcidas uniformizadas, foco de todas as confusões. Aliás, se não fosse assim, se o torcedor comum, que representa maioria nos estádios, promoveria verdadeiras carnificinas nas arquibancadas, o que nunca aconteceu.

Agora, submeter o torcedor comum, aquele que vai ao estádio só para ver o jogo, e, em seguida, voltar pra casa, esse não pode ser submetido a mais uma engrenagem da burocracia que assola este país desde os tempos de Colônia.

Ah, sim, e dizer que a tal carteirinha do torcedor é de graça? De graça, pra quem, cara-pálida? Todos nós, contribuintes, até mesmo os que nunca frequentaram um estádio, os que não gostam do futebol, os que odeiam o futebol, os que gostam mas nem tanto, pagaremos pelo material, profissionais e os custos desse expediente.

Sem falar na humilhação a que todos estaremos submetidos. Mas, isso não conta para essa gente. Talvez, nem para nós, narcotizados já pela crescente e crônica violência urbana.

PS: Sobre a questão da naturalização, trataremos em outro tópico.

Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 Clubes brasileiros | 12:54

UM RIO-SÃO PAULO DE MERCADO

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Lá pelos entornos da década de 30, como gosta de dizer meu querido Lança, instalou-se o profissionalismo no futebol brasileiro. O Fluminense, clube mais rico do país, entre outras coisas porque dono do estádio mais importante do Brasil – as Laranjeiras -, baixou em São Paulo e fez um rapa geral. Levou praticamente toda a Seleção Paulista da época.

A investida foi tão poderosa que a diretoria do Palestra Itália (hoje, Palmeiras) resolveu esconder seus jogadores numa chácara em Atibaia (à época, o fim do mundo), cercando-os de jagunços armados instruídos a botar pra correr os possíveis emissários cariocas.

Inútil medida, pois Romeu, Gabardo, Sandro, Tim, Hércules, Orozimbo, quase toda a elite do futebol paulista, se transferiram para as Laranjeiras. Era o poder da grana, que fala mais alto, que fala primeiro, como no samba do saudoso e genial Ataulpho.

Quase um século depois, dá-se o troco. Os clubes paulistas, neste período de contratações, foram ao Rio e fizeram a festa. Quase dá para escalar uma seleção de cariocas ilustres que, duas semanas, trocaram a Cidade Maravilhosa pela Paulicéia Desvairada. Vejamos: Wagner Diniz, Renato Silva, Triguinho, Júnior César, Arouca, Lúcio Flávio, Washington, Jorge Henrique, seu lá quantos mais.

Dos paulistas, o mais guloso foi o São Paulo, que trouxe do Botafogo o zagueiro Renato Silva, do Botafogo, o lateral-direito Wagner Diniz, e do Fluminense, numa feira, Washington, Júnior César e Arouca, que só deve se apresentar em abril, caso não haja negociação entre os dois Tricolores para abreviar esse prazo.

O que isso quer dizer? Que a grana segue sendo, como sempre, o valor que fala mais alto e que fala primeiro?

É muito provável. Mas, no caso do Flu, me parece que há uma predisposição para desmontar de vez aquele timaço que tantas esperanças deu aos tricolores e que acabou a temporada simplesmente escapando do rebaixamento.

Quem sabe, no âmago do inconsciente tricolor, pulse a lembrança do Timinho, uma equipe modesta mas briosa, que, sob o comando do saudoso Zezé Moreira, conquistou títulos impossíveis.  

Há clubes que viram reféns desta ou daquela tradição. O Flu, por exemplo, foi uma equipe estrelada nos anos 30. Nos 50, um time competitivo, apenas, embora lá estivesse um dos maiores craques da história do nosso futebol – Didi. Foi vencedor nos dois períodos, como o foi nos anos 70, com Flávio, e, mais tarde, com o casal 10 – Assis e Washington.

Vivo me perguntando por que será que a massa dos torcedores (não só a do Flu) e a mídia esportiva em geral preferem ressaltar e cultuar justamente aquela última imagem, a do time guerreiro, o out-side, o que sai do limbo para levantar a taça? 

Suponho por que sejamos todos – a imensa maioria dos brasileiros – uns perdedores de véspera. Nunca vai dar certo. Quando dá, êia!, eis o prodígio que sobrevive a tudo e a todos.

Notas relacionadas:

  1. VAIVÉM NO SÃO PAULO E PALMEIRAS
  2. BAMBI, SALTANDO À CENA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,