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01/10/2009 - 20:12

JOGANDO NO COLO ALHEIO

Já vi esse menino Oscar, que virou a cara do jogo contra o Náutico, em alguns fragmentos passados, quando revelou extrema tibieza em seu jogo: quando era lançado, chegava depois, e, quando recebia, tocava para o companheiro mais próximo, como querendo se livrar da bichinha o mais rápido possível. Mas, nesta quarta, não. Entrou numa fogueira danada, e plantou sua bandeira na intermediária adversária: chegou antes nas divididas, driblou, chutou a gol, deu a assistência para o gol decisivo de Hugo e tal e cousa e lousa e maripousa.

Merece oportunidades mais assíduas no time principal, sobretudo porque o Tricolor carece de jogadores dessa estirpe e estilo. O fato é que o São Paulo, agora, jogou a bomba no colo dos demais candidatos ao título, que entram em campo neste fim-de-semana premidos pela necessidade da vitória. A começar pelo líder Palmeiras, que enfrenta o Santos no Alçapão da Vila.

É verdade que o Alçapão anda meio enferrujado. E, de vez em quando, abre-se aos pés do seu próprio dono, o que me lembra o verso antológico, não sei se de Orestes Barbosa ou de Noel Rosa, pois ambos são os autores do samba Positivismo: “…E também faleceu por ter pescoço/ O autor da guilhotina de Paris…” Trata-se, porém, de um clássico paulista, o que, naturalmente, reveste o jogo de fatores que transcendem apenas ao embate entre dois times desnivelados tecnicamente.

 O Palmeiras, porém, terá Cleiton Xavier de volta ao time, o que significa muito.

Tarefa mais amena caberá ao vice Goiás, que recebe o Botafogo no Serra Dourada. O Glorioso recebeu uma injeção de ânimo ao classificar-se para a próxima fase da Sul-americana, embora perdendo. Mas, o Goiás está voando.

Outro que não pode vacilar é o Galo, jogando no Mineirão contra o Barueri, sábado. O Atlético está animado, com razão, e deve aproveitar Diego Tardelli, sua maior estrela, enquanto a Seleção não engole o artilheiro carijó.

Já o Inter, que caiu fora desse mesmo torneio e que trepida no Brasileirão, se não bater o Coritiba, na casa do inimigo, certamente entrará no funil de uma crise cujo desfecho é imprevisível. E olhe que o Coxa, no Couto Pereira, não é mole, não, meu.

Quanto ao Corinthians, que já começa a aceitar a ideia de que não chegará lá, pelo menos, poderá começar a armar definitivamente seu time para a Libertadores. Para tanto, Mano Menezes cogita de utilizar Edno na meia-esquerda desde o início do jogo contra o Furacão. Periga, na verdade, encetar uma reação fulminante neste mesmo Brasileirão, pois – a não ser que os fatos me contariem -, Edno é desses jogadores capazes de acrescentar muito mais do que o esperado. Brasil olímpico

BRASIL OLÍMPICO

Nesta sexta. sai o resultado da grande disputa pela sede das Olimpíadas de 2016.

O Rio está bem nas paradas da mídia internacional, pau a pau com Chicago.

E fico me lembrando de um filminho de tv, desses seriados policiais, em que a vítima é uma dama membro do comitê de seleção das Olimpíadas. E o mandante é um maligno lobista pela realização do evento no Rio.

Claro, pura ficção, como advertem os créditos iniciais da fita, afora o fato de que os americanos gostam de cunhar de corruptos todos os que não hasteiam na porta de casa a bandeira de tricolor e estrelada. Já que o mais forte concorrente parece ser Chicago, ventos dos Obama…

Mas, cá entre nós, meu chapa, cultivo há tempos uma dúvida atroz: se a corrupção é o ofício mais antigo ou não daquele outro que a história costuma timbrar.

De qualquer forma – e por isso mesmo -, se a Olimpíada cair no colo carioca, será, tirando todos os sombrios prognósticos (nosso bolso assaltado, caos no trânsito etc.), um passo adiante.

Afinal, o índice de desemprego no país é ainda tão grande que não podemos nos dar ao luxo de abrir mão de frentes das frentes de trabalho que se abrirão nessa eventual situação.

Quem sabe as autoridades não tenham um pingo de juízo e cumpram todas as metas necessárias para a realização das Olimpíadas, e o tal legado social fique para sempre à disposição da população carioca?

Quem sabe? Oremos, irmão, oremos…

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Outros esportes Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
18/03/2009 - 20:17

O BIG BROTHER NACIONAL

Há um fórum rolando em Brasília sobre o futebol, com base no projeto de lei encaminhado pelo Executivo ao Legislativo brasileiros. E duas questões se destacam: as medidas previstas para reduzir ou acabar com a violência nos estádios e adjacências e como tratar essa disseminação de jogadores com dupla nacionalidade, que, na impossibilidade técnica (ou por vantagens financeiras) de servir à seleção de seu país, vestem com rigor a daquele que o abrigou.

Não tenho o domínio dos termos da lei anti-violência, mesmo porque só vale analisá-la a fundo depois de sua regulamentação. Isto é: como ela será aplicada.

Mas, de pronto, lastimo profundamente que séculos de conquistas da humanidade no sentido de dar ao cidadão o direito inalienável à privacidade, em ser um rosto incógnito na multidão, sejam derrubados numa penada, em nome da segurança pública.

Pela absoluta incapacidade (ou desinteresse) do Estado em assegurar o sagrado direito do brasileiro de ir e vir, a seu bel prazer, em perfeita segurança, viramos todos protagonistas de um sinistro Big Brother. Em cada esquina, há um olho mecânico a registrar nossos passos. Se vamos aos estádios, lá está aquela luzinha vermelha assestada sobre cada um dos nossos movimentos. Se tentamos chegar em casa, a qualquer hora, lá está a câmera sombria colhendo nossa imagem na portaria do condomínio, seguindo-nos implacável pelos corredores, pelo elevador. Só falta flagrar-nos no trono indevassável do banheiro.

Será que somos 200 milhões de marginais, delinquentes, irresponsáveis, incapazes de conduzir nossas vidas de acordo com as normas legais e morais vigentes? Claro que não! Se não, viveríamos num verdadeiro pandemônio, pois não haveria câmeras nem policiais suficientes para conter todos os ímpetos soltos ao mesmo tempo.

Somos, sim, ignorantes, politicamente alienados, monoglotas que mal sabem falar e escrever o próprio idioma, somos incautos, ingênuos, imprevidentes, como, aliás, a maioria dos povos do mundo, uns mais outros menos. Mas, não somos delinquentes por natureza, que diabo!

A imensa maioria do povo brasileiro trabalha de sol a sol, cumpre suas obrigações, e, apesar da parca assistência que o Estado lhe concede, anda nos trilhos, não se revolta, não sai por aí em passeata ou com fuzis nas mãos para mudar tudo.

O que há é um bando de arruaceiros, facilmente detectável pelos unformes de suas facções que ostentam claramente, promotores de toda a violência que rodeia e penetra nos estádios de futebol. Bastaria uma ação drástica do Poder Público sobre esses grupos, e, zás!, toda e qualquer violência no futebol se restringiria a um empurra-empurra entre este ou aquele torcedor mais exaltados, que a turma do deixa-disso serenaria.

Cadastramento de torcedor, sim, mas só para as torcidas uniformizadas, foco de todas as confusões. Aliás, se não fosse assim, se o torcedor comum, que representa maioria nos estádios, promoveria verdadeiras carnificinas nas arquibancadas, o que nunca aconteceu.

Agora, submeter o torcedor comum, aquele que vai ao estádio só para ver o jogo, e, em seguida, voltar pra casa, esse não pode ser submetido a mais uma engrenagem da burocracia que assola este país desde os tempos de Colônia.

Ah, sim, e dizer que a tal carteirinha do torcedor é de graça? De graça, pra quem, cara-pálida? Todos nós, contribuintes, até mesmo os que nunca frequentaram um estádio, os que não gostam do futebol, os que odeiam o futebol, os que gostam mas nem tanto, pagaremos pelo material, profissionais e os custos desse expediente.

Sem falar na humilhação a que todos estaremos submetidos. Mas, isso não conta para essa gente. Talvez, nem para nós, narcotizados já pela crescente e crônica violência urbana.

PS: Sobre a questão da naturalização, trataremos em outro tópico.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Jornalismo Tags: , , , ,
24/12/2008 - 12:54

UM RIO-SÃO PAULO DE MERCADO

Lá pelos entornos da década de 30, como gosta de dizer meu querido Lança, instalou-se o profissionalismo no futebol brasileiro. O Fluminense, clube mais rico do país, entre outras coisas porque dono do estádio mais importante do Brasil – as Laranjeiras -, baixou em São Paulo e fez um rapa geral. Levou praticamente toda a Seleção Paulista da época.

A investida foi tão poderosa que a diretoria do Palestra Itália (hoje, Palmeiras) resolveu esconder seus jogadores numa chácara em Atibaia (à época, o fim do mundo), cercando-os de jagunços armados instruídos a botar pra correr os possíveis emissários cariocas.

Inútil medida, pois Romeu, Gabardo, Sandro, Tim, Hércules, Orozimbo, quase toda a elite do futebol paulista, se transferiram para as Laranjeiras. Era o poder da grana, que fala mais alto, que fala primeiro, como no samba do saudoso e genial Ataulpho.

Quase um século depois, dá-se o troco. Os clubes paulistas, neste período de contratações, foram ao Rio e fizeram a festa. Quase dá para escalar uma seleção de cariocas ilustres que, duas semanas, trocaram a Cidade Maravilhosa pela Paulicéia Desvairada. Vejamos: Wagner Diniz, Renato Silva, Triguinho, Júnior César, Arouca, Lúcio Flávio, Washington, Jorge Henrique, seu lá quantos mais.

Dos paulistas, o mais guloso foi o São Paulo, que trouxe do Botafogo o zagueiro Renato Silva, do Botafogo, o lateral-direito Wagner Diniz, e do Fluminense, numa feira, Washington, Júnior César e Arouca, que só deve se apresentar em abril, caso não haja negociação entre os dois Tricolores para abreviar esse prazo.

O que isso quer dizer? Que a grana segue sendo, como sempre, o valor que fala mais alto e que fala primeiro?

É muito provável. Mas, no caso do Flu, me parece que há uma predisposição para desmontar de vez aquele timaço que tantas esperanças deu aos tricolores e que acabou a temporada simplesmente escapando do rebaixamento.

Quem sabe, no âmago do inconsciente tricolor, pulse a lembrança do Timinho, uma equipe modesta mas briosa, que, sob o comando do saudoso Zezé Moreira, conquistou títulos impossíveis.  

Há clubes que viram reféns desta ou daquela tradição. O Flu, por exemplo, foi uma equipe estrelada nos anos 30. Nos 50, um time competitivo, apenas, embora lá estivesse um dos maiores craques da história do nosso futebol – Didi. Foi vencedor nos dois períodos, como o foi nos anos 70, com Flávio, e, mais tarde, com o casal 10 – Assis e Washington.

Vivo me perguntando por que será que a massa dos torcedores (não só a do Flu) e a mídia esportiva em geral preferem ressaltar e cultuar justamente aquela última imagem, a do time guerreiro, o out-side, o que sai do limbo para levantar a taça? 

Suponho por que sejamos todos – a imensa maioria dos brasileiros – uns perdedores de véspera. Nunca vai dar certo. Quando dá, êia!, eis o prodígio que sobrevive a tudo e a todos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros Tags: , , , , , , , , , ,
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