ESSE RIO-SÃO PAULO PARALELO
Até aqui, os cariocas estão vencendo os paulistas, nessa eterna disputada paralela no Brasileirão. O Flu é líder e o Botafogo terceiro colocado, enquanto o Vasco, nas mãos de PC Gusmão e com os novos reforços, sobe a cada rodada.
Só o Flamengo não acompanha seus pares nessa corrida. Mas, com a chegada da dupla de ataque Diogo-Deivid, por certo, haverá de melhorar substancialmente sua perfromance.
Em contrapartida, do lado dos paulistas, o São Paulo mergulha para as profundezas limítrofes á zona do rebaixamento e o Palmeiras não consegue evoluir sob o comando de Felipão. Neste caso, porém, a readaptação de Valdívia ao nosso futebol e a volta de Lincoln acenam para uma recuperação progressiva do Verdão.
O diabo é o São Paulo, que segue praticando um futebol opaco, sem alma nem talento. E é isso que preocupa o atacante Fernandão, mais até do que a delicada posição do seu time na tabela. Pela ausência de um meia criativo ao menos para dividir com Marlos a armação, defeito já crônico do Tricolor (assim como a ausência de um lateral—direito de ofício), o time não consegue tocar a bola, envolver o adversário e assim aproveitar o máximo da excelente dupla de ataque formada por Ricardo Oliveira e Fernandão.
O Santos, depois das atribulações recentes, o que certamente influiu no seu rendimento, tem bala para avançar mais daqui pra frente. Com Neymar e Ganso estabilizados emocionalmente, e Keirrison ganhando condições melhores de jogo, mais o menino Danilo ocupando a posição de Wesley, as coisas voltarão quase ao normal na vila. Fica faltando alguém para suprir – mesmo que num patamar inferior – a ausência de Robinho.
Bem, mesmo, continua o Corinthians, sob nova direção, vice-líder e com recursos técnicos para ameaçar e até ultrapassar o Fluminense, dependendo das circunstâncias, claro.
A formação adotada por Adílson contra o São Paulo conferiu maior equilíbrio ao meio-campo corintiano, com Elias, um desses raros casos de volante que tem ginga e velocidade para atuar como meia, mais avançado, ao lado de Bruno César, apoiando uma dupla de ataque versátil e rápida, que já vai compensando a ausência recorrente de Ronaldo Fenômeno. E olhe que ainda há o Dentinho para entrar aí.
Isso tudo, porém, é um flagrante do momento. Bola rolando nas tantas rodadas que faltam, quem sabe como esse quadro se alterará? Ou não.
Carabina calada
Foi-se o nosso Waldemar Carabina, aos 78 anos de idade.
Carabina, volante e quarto-zagueiro espigado, bom no cabeceio, teve a honra de se revelar naquele Ypiranga memorável da virada dos anos 40 para os 50. Aquele timaço de Liminha, Rúbens (depois, Walter Marciano), Silas, Bibe e Valter.
Não bastasse isso, mais tarde integrou-se à Academia do Palmeiras, já como quarto-zagueiro viril mas de boa técnica, onde protagonizou o insólito e antológico lance do “pênalti” em Pelé, engendrado pelo gênio também moleque do Rei.
Pra quem não sabe, foi assim. Corner a favor do Santos pela direita. No bolo da área, Pelé enlaçou seu braço esquerdo no direito de Carabina, levantou o direito, em sinal de protesto, gritando que estava sendo agarrado pelo adversário. Carabina, perplexo, ainda tentava retirar com toda força seu braço do enlace real quando o juiz já corria em direção à marca do pênalti.
O apelido, segundo ele mesmo me relatou anos atrás, quando já era treinador de futebol, nasceu de uma expressão do inesquecível comentarista Mário Moraes, o Leão, ao acertar um tiro de longa distância e muita potência no gol adversário: “Foi um tiro de carabina”, sentenciou Moraes no microfone da Panamericana, se não me engano.
Saudades, velho.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: Botafogo, Corinthians, Fluminense, Palmeiras, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, Vasco